• No results found

2. TEORETISKE PERSPEKTIVER

2.4 T RAUMER

A Associação Nacional de Transporte Público (ANTP) realizou em 2003 um relatório sobre o perfil da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Através do Sistema de Informação de Transporte e Trânsito, que consiste na coleta e no tratamento de dados de transporte público e do tráfego urbano, serão apresentados alguns indicadores relevantes desta pesquisa. Estes dados tem sido atualizados há cada 3 anos, na figura abaixo serão apresentados os dados referentes ao ano base de 2009.

Tabela 4 - Viagens por ano em municípios entre 100 e 250mil habitantes. Fonte: Autora, baseado em informações da ANTP (2009).

MODO DE TRANSPORTE VIAGENS (em milhões)

Ônibus municipal 1.669

TOTAL TRANSPORTE COLETIVO 1.669

Automóvel 1.885

Motocicleta 435

TOTAL TRANSPORTE INDIVIDUAL 2.291

Bicicleta 632

À pé 3.701

TOTAL NÃO MOTORIZADO 4.333

A tabela apresenta dados de viagens produzidas pelo transporte coletivo e o individual. Apesar dos números serem bem semelhantes, deve ser levado em consideração que o volume de usuários transportados pelo transporte coletivo é muito superior ao transporte individual, o que resulta num total de usuários transportados muito mais elevado. Estes dados consideram também o deslocamento feito com o um ou dois meios de transporte, sendo classificado por modo principal: se em uma mesma viagem houver o deslocamento através do ônibus e do metrô, a viagem é inclusa no modo metrô, obedecendo a escala entre o “mais leve e o mais pesado”.

Os dados apresentados anteriormente refletem o índice de mobilidade urbana dos municípios brasileiros. Estes dados são apresentados na figura acima em forma de gráfico, o que mostra claramente a predominância do meio de transporte não motorizado com relação ao transporte coletivo. Esta soberania vai diminuindo na medida em que o numero de habitantes por municípios cresce, o que pode ser observados nas próximas tabelas e figuras.

Tabela 5- Viagens por ano em municípios entre 250 e 500mil habitantes Fonte: Autora, baseado nas informações da ANTP (2009)

MODO DE TRANSPORTE VIAGENS (em milhões)

Ônibus municipal 1.466

Ônibus metropolitano 296

TOTAL TRANSPORTE COLETIVO 1.762

Automóvel 2.077

Motocicleta 313

TOTAL TRANSPORTE INDIVIDUAL 2.391

Bicicleta 333

À pé 3.179

TOTAL NÃO MOTORIZADO 3.513

TOTAL VIAGENS 7.665

Figura 3 - Índice de Mobilidade em municípios entre 100 e 250 mil habitantes. Fonte: ANTP (2009).

Nos municípios com população entre 250 e 500mil habitantes já se identifica um aumento no numero de viagens de transporte coletivo, em detrimento ao numero de viagens de transporte individual. O crescimento destes aspectos continua nos dados referentes aos municípios com população entre 500 e 1 milhão de habitantes, conforme os dados apresentados a seguir:

MODO DE TRANSPORTE VIAGENS (em milhões)

Ônibus municipal 1.806

Ônibus metropolitano 54

Sobre trilho 6

TOTAL TRANSPORTE COLETIVO 1.867

Automóvel 2.546

Motocicleta 233

TOTAL TRANSPORTE INDIVIDUAL 2.779

Bicicleta 194

À pé 3.352

TOTAL NÃO MOTORIZADO 3.547

TOTAL VIAGENS 8.193

Tabela 6 - Viagens por ano em municípios entre 500mil e 1milhão de habitantes. Fonte: Autora, baseado nas informações da ANTP (2009).

Figura 4 - Índice de Mobilidade em municípios entre 250 e 500 mil habitantes. Fonte: ANTP (2009).

Os dados apresentados mostram que quanto maior o numero de habitantes por município maior a tendência de utilização dos meios de transporte motorizados, sejam coletivo ou individual. No gráfico abaixo são apresentados os resumos dos índices de mobilidade urbana dos municípios brasileiros de acordo com o numero de habitantes e é perceptível que a velocidade de crescimento dos modos motorizados de deslocamento supera a velocidade do não motorizado, apesar de não superar ainda em números, conforme as tabelas anteriores. O que se pode refletir acerca desses dados é que o índice de mobilidade cresce em paralelo com o numero de habitantes, porém a escolha pelo modo não-motorizado ainda é insuficiente para atender os padrões de mobilidade urbana considerável sustentável. O padrão de crescimento entre os diferentes modais segue o mesmo, o que não interfere na opção de tornar o transporte não-motorizado e o coletivo (menos poluente) como principais fonte de deslocamento da população.

De acordo com informações repassadas pela ANTP (2009), o comparativo entre os anos de 2003 e 2009 é possível identificar a evolução da divisão modal entre os meios de transporte. No ano de 2003 o transporte coletivo era o segundo modo agregado, com 29,8% do total de viagens, enquanto que em 2009 o segundo lugar passou para o transporte individual, com 30,0% do total de viagens, conforme figura abaixo:

Figura 5 – Índide Mobilidade em municípios entre 500mil e 1milhão de habitantes. Fonte: ANTP (2009).

No contexto internacional, segundo UITP (2011) ao contrário do Brasil, a utilização dos transportes públicos vem aumentando nos últimos 10 anos em muitos países. Entre 2004 e 2008, o número de passageiros aumentou em cerca de 11% na Espanha, Reino Unido e nos EUA. Cidades como Londres e Bruxelas registraram aumentos particularmente elevado do número de passageiros - cerca de 20% - no mesmo período. Na França, com exclusão de Paris, o número de viagens de passageiros aumentou em cerca de 12% entre 2006 e 2008.

Nos países desenvolvidos a grande maioria da população tem acesso ao transporte público ou a meios privados, entretanto a baixa renda da população de países em desenvolvimento não permite o acesso a grande maioria da população ao transporte motorizado individual, o que ocasiona a necessidade desta parcela em utilizar o sistema coletivo de transporte urbano. Na figura abaixo estão discriminadas o uso do transporte coletivo, privado e não-motorizado em diversos países.

Figura 6 - Evolução da divisão modal entre 2003 e 2009. Fonte: ANTP (2009).

Ainda de acordo com UITP, em um panorama futuro para 2020, 80% dos europeus viverão em cidades cujo automóvel realizará 75% dos quilômetros percorridos. O congestionamento custará cerca de 1% do PIB, 40% da emissão de CO₂ se originará nas cidades e esta má qualidade do ar provocará a morte prematura de 300.000 habitantes da União Europeia.