Kapittel 2. Rapportens retorikk
2.2 Rapportens innhold
A pesquisa contou com uma fase exploratória que subsidiou a construção do projeto de pesquisa dessa dissertação, seguindo as seguintes etapas: 1) Percepção prévia do problema socioambiental relacionado ao córrego Guará; 2) Contato com a Fundação Jardim Zoológico de Brasília; 3) Contato com a Direção da escola; 4) Aplicação de um questionário com alunos do 9º ano de 2015.
Apesar de moradora da Candangolândia, uma das cidades em que o córrego faz seu percurso, a professora-pesquisadora desconhecia até então a real situação do córrego Guará, em função da dificuldade de acessá-lo. Como um dos lados da margem do córrego é ocupado por chácaras, e o outro faz parte da área interna da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, essa situação deixa a comunidade local alheia à problemática porque o córrego não fica visível aos moradores, somente aos chacareiros que passam a ter o córrego como seu quintal. Há relatos, porém, de que, apesar dessa dificuldade de acesso, algumas pessoas conseguem acessá-lo pela área restrita da FJZB, o que é proibido.
Desconhecer a real situação do córrego provocou inquietudes na professora- pesquisadora principalmente depois de uma caminhada aos arredores das chácaras em que ela refletiu que havia um córrego ali, mas que só era possível ver um pequeno trecho dele pela BR 450, onde geralmente se concentra mais o trânsito de veículos.
A curiosidade em descobrir o real estado do córrego Guará e de poder elaborar um possível projeto de pesquisa na área da Educação Ambiental foi o que motivou a professora-pesquisadora a entrar em contato com a FJZB, pois acreditava que a fundação poderia ter condições de ajudá-la a se situar nesse contexto. Era também uma tentativa de buscar ajuda para ter acesso ao córrego pela margem que faz parte da FJZB.
No primeiro contato com a instituição, a professora-pesquisadora foi direcionada ao setor de operacionalização, onde foi atendida pelo chefe do setor que, ao ouvir as indagações e possibilidades de um trabalho de educação ambiental nesse sentido, se mostrou bastante interessado pela abordagem, porque também era uma problemática sentida e sofrida pela FJZB. Nessa ocasião, foi possível ficar sabendo sobre os animais de vida livre do Zoológico que eram atingidos pelos impactos dessa região. Foi sondado também se haveria interesse da FJZB sobre uma possível parceria caso o projeto evoluísse para se trabalhar o contexto do córrego Guará, o que de pronto foi aceito. Ao final desse encontro, uma próxima reunião com o setor de Educação Ambiental foi marcada. A ideia da pesquisa estava surgindo e o interesse era conhecer mais profundamente a problemática e as possibilidades de abordagem que ela poderia apresentar.
Então foi a vez da professora-pesquisadora procurar a direção do Centro de Ensino Médio Júlia Kubitscheck, escola a qual ela já trabalhou no turno da noite, para conhecer as propostas pedagógicas dos professores do diurno que direcionavam discussões e abordagens sobre o córrego e para esclarecer as intenções de desenvolver um trabalho de educação ambiental nessa perspectiva. A intenção era descobrir se essa problemática era explorada e de que maneira era explorada pelos professores. Vale salientar que escolher conhecer trabalhos desenvolvidos nos turnos da manhã ou da tarde nessa instituição, era porque desejava-se que a intervenção pedagógica contemplasse em sua proposta momentos de exploração de campo, e para que isso ocorresse, necessariamente deveria ser durante o dia, já que a noite seria inviável. Então, na tentativa de descobrir se/como a problemática do córrego Guará estava sendo discutida nos projetos da escola, foi marcada uma reunião com a vice-diretora que trabalha nessa escola há 14 anos. Nessa oportunidade, ela demonstrou interesse por uma intervenção pedagógica nesse sentido e esclareceu que até aquele momento não havia sido trabalhada nenhuma temática que privilegiasse o córrego Guará. Para que esse levantamento prévio pudesse valer de constatações mais formais sobre a existência ou não de discussões em torno do córrego, foi realizada uma busca nos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) dessa instituição desde o ano de 2007, disponibilizados pela supervisão pedagógica. Não foi encontrada nenhuma evidência, o que leva a crer que provavelmente esse assunto ainda não havia sido explorado ou ao menos algum trabalho nessa perspectiva não havia sido formalizado via PPP.
A partir desse levantamento, aumentou o interesse pela questão e o entendimento de que a intervenção poderia seguir esse caminho, isto é, abordar a situação socioambiental do córrego Guará. A segunda reunião com a presença do setor de educação ambiental e de projetos da FJZB aconteceu em seguida e uma primeira saída de campo para conhecimento in loco do problema foi marcada. Nesse encontro a parceria foi firmada por meio de um termo de compromisso perante a instituição, assinado pela professora-pesquisadora e sua orientadora, no que tange a deveres e obrigações dos pesquisadores junto à FJZB, responsabilidade técnica a que se refere a execução do projeto, bem como cumprimento de disposições legais e regulamento.
Na saída de campo, acompanhada dos técnicos da FJZB (Apêndice D), foi possível conhecer e registrar parte dos impactos ambientais sofridos pelo córrego (Apêndice D). Foi percebido também, por meio de vestígios, que há animais de vida livre da FJZB que transitam nessa área, como capivaras e micos, o que significa que eles também sofrem os impactos que ocorrem com o córrego e com seu contexto. Durante essa saída de campo, os técnicos foram trazendo alguns episódios antigos que já aconteceram naquela região, como roubo de animais do Zoológico e que onde estávamos fazendo a trilha era um local de acesso e de fuga de invasores. Relataram ainda que alguns micos tinham acesso às chácaras que tomaram de conta do seu espaço, sendo inclusive alimentados por moradores. Outra percepção nesse primeiro contato com o córrego é que ele se encontra com o Córrego Riacho Fundo, que segue para desembocar no Lago Paranoá, e junto com suas águas vai parte do lixo, que contamina também o Lago, provocando mais um comprometimento ambiental.
Nesse momento de exploração prévia sobre o contexto do córrego, foi relatado pelos técnicos que havia uma espécie de peixe endêmica de Brasília que está em processo de extinção e que foi encontrada pela primeira vez no córrego Guará na década de 1950, época da construção da capital. Trata-se do Pirá-Brasília. Logo surgiu uma curiosidade sobre o descobridor desse peixe, uma questão a ser explorada posteriormente.
Assim fomos nos apropriando de saberes que eram trazidos pelos técnicos e enriquecidos por suas experiências em torno desse contexto. Logo, à medida que alcançávamos um entendimento mais amplo dessa realidade, íamos também pensando: Como abordar em um projeto de Educação Ambiental toda essa problemática que nos deparamos e que nos foi relatada? Enquanto despertávamos
interesse por uma metodologia de intervenção, havia também interesse em conhecer a nascente do córrego, o que nos motivou a entrar em contato com o Instituto Brasília Ambiental (IBRAM), já que o local da nascente, a Reserva Biológica do Guará (REBIO Guará), era de responsabilidade desse órgão. Em contato com o IBRAM foi nos explicado da impossibilidade de acessarmos o local da nascente em função do solo ser muito encharcado, de difícil acesso e pelos impactos que a visita poderia ocasionar. Logo percorremos com os técnicos do IBRAM, pelo local do contexto da nascente, mas não a nascente propriamente. Entende-se como local do contexto da nascente o Parque Ezequias Heringer, localizado no Guará. Nessa ocasião puderam ser registrados quase os mesmos problemas que encontramos no percurso do córrego, além de captação ilegal de água das nascentes que abastecem o córrego. Dessa forma, ampliou-se mais ainda a compreensão sobre a problemática do córrego e necessidade de intervenção.
Fizemos também uma busca eletrônica para nos levar a algum registro oficial sobre a espécie que, segundo a FJZB, estava em processo de extinção. Essa informação foi encontrada no Diário Oficial da União (2014) que apresentava uma relação de espécies em processo de extinção. Então entendemos que estávamos diante de uma situação comprovadamente grave e que deveria ser incluída em nossa intervenção.
Diante do exposto, entendeu-se que seria importante inicialmente sondar os alunos sobre suas percepções em torno dos problemas ambientais que faziam parte da sua realidade. Dessa forma, aplicou-se um questionário (Apêndice C), o QFE, aos alunos das três turmas do 9º ano do Ensino Fundamental matriculados no ano de 2015, série que posteriormente ocorreria a intervenção do projeto de pesquisa. Esse questionário incluía a busca de possíveis relatos que evidenciassem a percepção dos alunos sobre a situação indesejada do córrego e suas vivências pedagógicas em torno das questões ambientais que fazem parte do contexto em que estão inseridos, bem como experiências em torno de atividades pedagógicas lúdicas. Havia uma expectativa em torno dessa sondagem inicial, pois, pensava-se a partir dela, ter um suporte para a construção do projeto de pesquisa dessa dissertação.
Essa exploração prévia permitiu uma percepção mais ampla sobre as experiências em temáticas ambientais realizadas na escola, sob o olhar do aluno. O questionário aplicado, cujos dados serão discutidos no próximo capítulo, contou com
perguntas semiabertas e possibilitou formar um perfil dos alunos dessa série em 2015, bem como o entendimento do problema e da problemática da pesquisa.
Com ideias mais amadurecidas sobre o contexto socioambiental em que se interessava intervir pedagogicamente e a maneira como ocorreria essa intervenção, a próxima etapa foi a construção do projeto de pesquisa alicerçado na Educação Ambiental Crítica e na Ludicidade.