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Rammer for utførelse og ledelse ved negasjon

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10 TOPPSTYRT ORGANISERING VERSUS SELVORGANISERING

10.4 Rammer for utførelse og ledelse ved negasjon

Quando a gente era jovem, íamos a bailes, na formatura do meu irmão, no Espéria, e em outros clubes, para ajudar. Era uma farra.

Em casa, uma boa noitada era ligar a vitrola, colocar alguns discos para dançar, ouvir o meu pai contar as histórias dele e os meus irmãos, assim que chegavam do trabalho, contavam as bagunças que faziam nas ruas. As nossas noitadas eram assim, os vizinhos também vinham.

Graças a Deus, eu sempre fiz muitos amigos, tinha alguns patrícios, porque todos nós fomos criados juntos desde pequenos. Era uma festa, a minha casa sempre estava cheia de gente.

Quando saía, ia ao cinema, tinha hora para chegar em casa, no máximo às dez horas, mas não podia passar.246

O lazer podia ser explorado tanto no espaço público, em bailes ou sessões de cinema, por exemplo, como em casa, onde se podia ouvir discos na vitrola ou os “causos” dos pais, irmãos, patrícios e amigos.

Eu me divertia indo ao show da Hebe, no Tucuruvi, tinha um carinho uma amizade por ela que só vendo. Eu a conheci na rádio Tupi, bem no início da sua carreira. Eu era menina ainda, isso já faz uns cinqüenta anos ou mais. Que emoção! Um dia, ela estava fazendo o programa e eu pude ir e consegui falar com ela, eu ainda sou fã da Hebe Camargo, ela é uma velha “xaxaca”, mas eu gosto dela.

Eu tinha amizade com todo mundo, graças a Deus, conversava, eu faço amizade muito fácil com todo mundo.

Eu gostava muito de bailes, de dançar, às vezes, ia escondida, mas o meu pai sempre ia me buscar com a bengala. E se arrumasse algum namoradinho, nem pensar, porque o velho vinha atrás correndo com a bengala.

O nosso horário para chegar em casa era entre 8 e 8h30 da noite, se não, lá vinha ele com a bengala.247

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Fátima, 61 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 23/12/2005.

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Uma apresentação artística podia não produzir qualquer sentimento mais profundo, mas não quando envolvia uma artista eleita por uma jovem como o seu refúgio de extroversão. Neste caso, causava admiração e estima: “Que emoção! Um dia, ela estava fazendo o programa e eu pude ir e consegui falar com ela, eu ainda sou fã da Hebe Camargo [...].”

O nosso divertimento era ir à Avenida Tucuruvi, aos sábados e domingos, passear à noite, mas tínhamos horário para chegar, o mais tardar às 8 horas, por aí. O meu irmão, que era homem, ele já podia chegar uma hora mais tarde, mais do que isso não, porque o meu pai não deixava.

Íamos aos bailes de carnaval com o nosso vizinho, mas eu era péssima para dançar. O vizinho era de confiança de papai, lá sempre mexiam comigo, falavam: “Mas você! Que perna dura!” Uma boa noitada era ficar em casa quando a gente não ia passear na avenida. Ficávamos conversando, contando piadas, dessas que ninguém conta agora, era assim: “olha o passarinho! Ah! Não é...” Era assim, essas coisas meio inocentes que não se falam mais.248

Mulheres e homens podiam desfrutar os mesmos divertimentos, tais como: passear por avenidas, ir a bailes, conversar com amigos e parentes e fazer novas amizades. No entanto, quando tais divertimentos ocorriam nos espaços públicos, o pai delimitava o horário de chegada da filha e do filho. Este, porém, podia, em geral, chegar mais tarde em casa, como relata Helena: “O meu irmão, que era homem, ele já podia chegar uma hora mais tarde [...].”

De vez em quando, podíamos passear na Avenida Tucuruvi, aos domingos. Saíamos com os nossos vestidos mais bonitos e sapatos confortáveis e lá íamos, mas nunca íamos sozinhas, sempre acompanhadas pelas irmãs menores e pelas vizinhas.

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Quando eu fui ser filha de Maria, passeava mais porque tinha quermesse, as barraquinhas, mas o meu pai sempre estava escondido vigiando. Na volta, as colegas me deixavam em casa, porque elas moravam perto de casa, desde pequenas, então fomos criadas todas juntas.249

A oportunidade de sair mais freqüentemente de casa foi proporcionada pelo fato de pertencer ao grupo de jovens denominado “Filhas de Maria”. Todavia, o olhar vigilante do pai se fazia presente, mesmo que a depoente estivesse acompanhada de colegas e vizinhas, como comenta: “Quando eu fui ser Filha de Maria, passeava mais porque tinha quermesse, as barraquinhas, mas o meu pai sempre estava escondido vigiando.”

Eu sempre me dava bem com todo mundo, sempre estava de bem com a vida. Eu, quando criança, brincava muito de roda e pedia foguinho para uma colega e ela dizia só na casa do vizinho, pegador, barra-manteiga, pular corda de duas, de cirandinha, cantava. A gente saía escondida de casa para passear, mas, às vezes, o meu pai deixava, porque ia com as minhas colegas, a Rosa, Alice, as filhas da D. Maria turca, passear na Avenida Tucuruvi. Às vezes, ia ao cinema, mas sempre às segundas-feiras, porque tinha a série das moças, que a gente pagava menos, eu ia ao Cine Tucuruvi. Ia muito às quermesses de Santo Antônio, que tinha muitos doces, salgados, bailinho.250

Viga saía às escondidas da casa dos pais, o que leva a se pensar que podia fazer algo que seria considerado impróprio pelo seu genitor ou que era uma outra maneira que a jovem encontrava para se divertir um pouco mais.

De maneira geral, todas as entrevistadas costumavam ir a bailes e quermesses. Assim, pode-se imaginar que estes eram locais onde jovens e pessoas de várias idades se encontravam para se divertir, ouvir música alta, tomar alguma bebida ou comer uma iguaria. Aos bailes e às quermesses podiam ser atribuídas, ainda, várias significações, como, por exemplo, reagrupamento

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Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.

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das comunidades étnicas, profissionais e de bairro.251 Pode-se afirmar também que eram, sobretudo, pontos onde pessoas das camadas populares e de sexos opostos se encontravam.

Já a diversão em casa, conforme relatam as depoentes, era composta de contos, música, dança, anedotas e fatos cotidianos que ganhavam representação simbólica na voz e nas expressões de quem os contava. Nestes momentos formava-se uma rede de sociabilidade, uma vez que envolviam, além dos membros da família, vizinhos, amigos e patrícios.

As telas de cinema também proporcionavam divertimento às depoentes quando jovens. Hoje, possuindo um ingresso, basta o espectador passar pela catraca, entrar numa das salas de exibição, sentar-se numa poltrona e assistir ao filme escolhido. Nas décadas de 1940, 50 e 60, assistia-se aos filmes nacionais produzidos pela Atlântica e, depois, pela Vera Cruz ou às fitas adquiridas dos Estados Unidos e da Europa.

Nesse período, mais especificamente no princípio dos anos 50, despontava um outro meio de divertimento, a TV. No entanto, vale ressaltar que, quando as depoentes eram moças, na maioria dos lares o televisor ainda não havia chegado. Portanto, os jovens continuavam a priorizar o cinema pela sua maior acessibilidade e pela linguagem romântica, de aventura, de faroeste ou de chanchada que difundia. Os cinemas representavam também um ponto de encontro, onde as relações sociais se propagavam.

Já as apresentações de artistas ocorriam em palcos improvisados ou embaixo das lonas de um circo e envolviam um clima caloroso e de entusiasmo da platéia. Glorinha, conforme depoimento descrito anteriormente, tornou-se fã da apresentadora Hebe Camargo em um evento deste tipo, o que a motivou a ir até os estúdios da antiga rádio TUPI para conhecê-la. Este episódio foi carregado de significados para ela, que o relata com a fala abalada: “Que

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GARCIA, Carla Cristina. As outras vozes: memórias femininas em São Caetano do Sul. São Paulo: HUCITEC – São Caetano do Sul; Prefeitura de São Caetano do Sul, 1998.

emoção! Um dia ela estava fazendo o programa e eu pude ir e consegui falar com ela [...].”252

As entrevistadas recordam com entusiasmo dos passeios que realizavam nos fins de semana, durante a juventude, pela Avenida Tucuruvi. Deixam transparecer que nestes momentos tinham a expectativa de encontrar um admirador. No entanto, seus pais, atentos a isto, sempre estavam vigilantes, controlando o horário de chegada das moças ou mandando que os filhos acompanhassem as irmãs. Se arrumassem um namoradinho, a “bengala” as estaria aguardando em casa.

Viga lembra com saudades dos tempos de infância e, cheia de vibração, rememora as brincadeiras com os colegas, explicando uma em particular: “[...] brincava muito de roda e pedia foguinho para uma colega e ela dizia ‘só na casa do vizinho’.” A depoente fez seu relato gargalhando, e vieram lágrimas em seus olhos.

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