RA: Qual é a filosofia da RE?
LM: A RE é uma reportagem diferente, mais trabalhada, que procura outros ângulos, com todos os intervenientes que são relevantes para tratar um determinado assunto. Isto sempre foi uma marca muito forte da SIC. É uma das coisas que a SIC faz, na minha opinião, melhor do que qualquer outro órgão de informação, nomeadamente na televisão em Portugal. Sobretudo através da GR, porque tudo começou na Grande Reportagem, e no fundo a RE só transporta para um formato um bocadinho mais reduzido, cerca de dois terços ou metade do que é uma GR, o princípio de filosofia de uma GR, que é uma das grandes marcas da informação da SIC. RA: Como é que caracterizas a RE relativamente ao formato?
LM: Quando nós temos um produto que passa mais do que dez ou às vezes vinte minutos em antena, convém diferenciá-lo dos outros. Num jornal de uma hora e meia, e sendo que a RE demora cerca de 15/20 minutos, em que se está sempre a falar do mesmo assunto, e por isso convém que tenha ali marcas que à primeira vista sejam percetíveis pelo público como estando no ar um programa que é diferente dos restantes. A RE é sempre uma mais-valia em qualquer jornal que entre, e portanto convém chamar a atenção para essa mais-valia, convém dar-lhe uma marca própria. O facto dos oráculos e das frases serem diferentes dos da GR, é porque cada produto tem a sua marca própria, e isto é algo que faz parte da história da SIC. Sempre que aqui se faz um produto, ele tem um grafismo próprio, uns oráculos próprios, umas frases próprias, para também para se diferenciar dos outros, para também ser mais uma forma de mostrarmos que a marca SIC é capaz de fazer produtos diferentes, mas todos com a mesma qualidade. RA: Há algum motivo para haver uma discrepância tão grande na duração das RE?
LM: Não há um motivo. Não se pode, claramente, identificar o motivo. Há constrangimentos próprios de cada assunto, há assuntos que merecem uma RE mas provavelmente não dão mais do que 10/12 minutos, 15 no máximo, há assuntos que merecem RE porque dá mais do que esses 10/15 minutos. Nós quando escolhemos um assunto e quando vamos para o terreno não conseguimos definir, à partida, quanto tempo é que iremos conseguir fazer de RE sobre aquele assunto, depende… Se um assunto for melindroso, às vezes não há muita gente que aceite falar. Recordo-me de no ano passado termos feito um RE sobre aplicações de namoro, no caso o
94 Tinder, e foi difícil arranjar quem falasse. Portanto, quando assim é, obviamente que uma RE não pode ter 25 minutos, se calhar tem de ter só 10 ou 12. Não há nenhum motivo que se possa identificar como sendo a causa de umas serem maiores e outras serem menores.
RA: Como funciona a RE no que diz respeito à periodicidade. O objetivo continua a ser que passe às quintas?
LM: Não. Agora já não há propriamente um dia específico para passar. Não há mesmo. Ela começou por passar às quintas, depois começou também a passar aos domingos. Basicamente é uma decisão tomada em função das necessidades de antena.
RA: Recordas-te de alguma RE que tenho tido um destaque especial ou uma repercussão maior por parte do público?
LM: A que a Raquel Marinho fez sobre os professores deslocados teve impacto, obviamente. Nós recebemos muitos mails de professores a felicitar-nos, por lembrarmos às pessoas do drama que é ser o professor nos primeiros anos, a andar de terra em terra, com a casa às costas, de ano para ano. Também um RE que a Madalena Ferreira fez sobre a desertificação da Serra da Estrela, agitou um bocadinho as consciências das entidades daquelas zonas que eu soube que já tomaram algumas iniciativas para tentar reverter essa desertificação. Uma que a Catarina Marques, que está de licença de maternidade, fez sobre esta geração de crianças que é dominada pelos tablets e pelas ferramentas informáticas, como é que elas aprendem e que aspetos negativos é que isso pode trazer no desenvolvimento, também teve boa aceitação e recebemos feedback de associações de pais até e que, de facto, valia a pena alertar consciências para aquilo que esta geração está a viver em termos de aprendizagem. E assim de repente são três exemplos que me lembro que possam ter tido uma maior influência.
RA: É uma preocupação perceber como são as audiências da rubrica? Há algum tipo de comparação de audiências de uma RE para outra RE?
LM: As audiências preocupam-me, sejam das RE, sejam as dos jornais, sejam as de uma entrevista no estúdio. As audiências preocupam-me, claro! As audiências, para mim, são o farol do nosso trabalho. O interesse do público não pode ser o nosso primeiro critério, o interesse público tem de ser o nosso primeiro critério. Mas obviamente quando pensamos em temas e em assuntos, tentamos conciliar o interesse público com o interesse do público. Ou seja, tentamos
95 escolher um assunto que seja importante analisar, levar à antena e debater, mas também um assunto que possa fixar o nosso público e possa trazer novos públicos para aquilo que possam ser as novas RE que serão emitidas no futuro. Agora, não é o primeiro dos critérios quando se toma uma decisão sobre que RE fazer, ou fazer ou não uma RE. Mas obviamente que no dia seguinte a elas serem emitidas vejo com atenção como é que elas se comportaram, até para que no futuro termos em atenção que tipo de temas abordar. Eu tenho acesso a todas as audiências das RE, e vejo quanto é que uma RE faz e quanto é que faz outra RE, mas não as comparo, porque tem que ver com a altura em que passa, porque se passar num fim-de-semana de verão com temperaturas altas, de certeza absoluta que vai ter menos audiência do que se passar num fim-de-semana de inverno com muito frio e chuva… Há menos gente em casa.
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