4. Rammeområde 22 – Skatter, avgifter og toll
4.3 Direkte skatter og avgifter til folketrygden
RA: A iniciativa à realização desta Reportagem Especial partiu do jornalista ou das chefias? CL: A iniciativa foi minha. A reportagem partiu de uma notícia, numa conversa informal com um dermatologista e ele diz-me que há alguns riscos associados às tintas usadas em tatuagens e que era importante que o país avançasse com aquilo que é o consentimento informado, portanto as pessoas não são proibidas mas serem informadas sobre os riscos associados a estar a colocar uma tinta na corrente sanguínea.
RA: Por que razão este tema deu origem a uma Reportagem Especial?
CL: A partir desta conversa informal eu sugeri uma pequena reportagem à Catarina (subchefe da redação SIC Porto), mas entretanto, e perante a dificuldade de encontrar novos temas para a RE, e em conversa com o Luís Marçal, ela lembrou-se de sugerir essa minha ideia e transformar aquilo que seria uma notícia normal do jornal em uma Reportagem Especial. Isso obrigou-me a repensar tudo. O que eu fiz foi algum trabalho de pesquisa, tentar ver que notícias é que existiam sobre tatuagens, se havia legislação europeia sobre o assunto, mas não me focar apenas nesse lado que podia ser um bocadinho aborrecido para quem estava lá em casa e que também podia ser muito redutor, mas tentar olhar para os aspetos mais abrangentes desta que é uma realidade inegável. Ainda agora estive na praia e no Verão é que tu percebes, de facto, que é brutal a quantidade de pessoas que têm tatuagens. E foi em função disso que eu comecei a ver onde é que as pessoas faziam, que serviços é que existiam, se isto era uma coisa muito privada ouse já existiam lojas abertas, depois tentei também passar uma imagem das tatuagens ligadas aos militares que tinham estado no ultramar, e foi difícil, porque existem muitos grupos organizados de militares que lá estiveram e noutra guerras, que têm tatuagens feitas com tinta- da-china, que era o método tradicional, mas depois é difícil lembrarem-se de quem tem e quem não tem, de quem conhecem ou não, de quem pode ajudar. Portanto esse trabalho foi um bocadinho de passa a palavra e de contactar várias associações, porque nossa ideia era encontrarmos um grupo de pessoas para fazermos uma imagem que fosse igual em todos, ou seja, que tivesse o mesmo fundo, ter a mesma dinâmica, para depois criar ali um clip, que foi isso que depois acabou por acontecer. Num contacto com uma das associações, percebemos que eles se reúnem uma vez por mês aqui num restaurante, e improvisamos ali um cenário para os poder filmar com as tatuagens, na maioria no braço, e ter também o testemunho deles
100 porque são pessoas que tinham motivações muito diferentes daquelas que hoje são evocadas por quem tem tatuagens. Quisemos também ter famosos, alguém que fosse reconhecido por ter optado por ter o corpo assim “exageradamente” tatuado e tentamos várias pessoas, a Sónia Tavares dos The Gift, o Agir, mas nenhum deles estava disponível. Acabamos por falar com a Diana, que foi uma agradável surpresa, porque ela na entrevista até diz que isto se banalizou completamente e no mundo da moda já começam a procurar muitas pessoas com tatuagens, que para mim foi uma novidade, e tivemos também o Mundo Segundo, que é alguém ligado à música, que também procura cultivar esta cultura das tatuagens. Nós tentamos perceber diferentes realidades, por exemplo, nas prisões tentamos mostrar que esta é uma preocupação que há muitos reclusos que fazem tatuagens sem qualquer higiene, com doenças… Há um tipo que tem jeito e vão fazendo uns aos outros, e tínhamos um projeto inovador, no sentido em que procurava sensibilizar os presos para a importância de não partilhar as agulhas, para terem cuidado com o tipo de tintas, aconselhando mesmo a que não fizem tatuagens na prisão. Há muita gente que faz, como forma de marcar o momento na sua vida, e este projeto procurava desmistificar um bocadinho essa realidade. Isto para te dizer que não olhamos para a tatuagem só como aquela coisa de que isto é uma moda e anda toda a gente a fazer, mas tentar mostrar perspetivas diferentes.
RA: Teve em consideração um valor-notícia específico no momento da realização da Reportagem Especial ou já é intrínseco no jornalista a ideia daquilo que é notícia?
CL: Eu não sou a melhor pessoa para fazeres essa pergunta, porque eu só fiz esta RE. Mas é assim, em Portugal este tema é muito pouco discutido e nós temos sempre os médicos que dizem mal e aconselham a não fazerem tatuagens porque é perigoso e depois temos outros que são completamente fãs e não estão muito preocupados com essas questões de saúde e que acham que a legislação que hoje em dia já existe na União Europeia permite acautelar essas situações. Neste caso nós não tínhamos propriamente uma notícia, e tivemos a dificuldade acrescida de avançarmos para a reportagem em pleno inverno, que se torna muito complicado, porque tu queres fazer imagens informalmente na rua para mostrares que de facto isto é uma tendência, e no inverno as pessoas andam sempre todas com roupa, o que é muito mais difícil. Se tivesse sido agora no verão teríamos grande facilidade.
101 CL: Honestamente nunca fui ver audiências. E acho que essa não pode ser a preocupação. Como jornalista, não é isso que me preocupa. Eu dou o meu melhor em todos os meus trabalhos, mas genuinamente. Eu tento fazer sempre o máximo, e nem me preocupo com o calendário, se vai ser num dia ou no outro, eu quero é que a reportagem vá para o ar, que tenha um palco, que tenha visibilidade. Agora, é evidente que fico magoada quando vejo que uma reportagem que nos deu tanto trabalho e onde nós depositamos tanto carinho, tanto amor, e tantas horas, ficar remetida para um horário que ninguém vai ver. Quando me disseram que ia passar no dia em que jogava a seleção, eu percebi claramente que ninguém ia ver a reportagem, apesar de ser um tema, e tenho a certeza disso, em que as pessoas se revêm e que provavelmente, se ela passasse noutro horário teriam visto… a realidade é que isto é uma luta de “Davi conta Golias”. Não tens a mínima hipótese de lutar contra um jogo da seleção nacional, ainda para mais em sinal aberto, numa altura em que Portugal tinha sido campeão. Mas não é isso que me motiva, nem é isso que procuro. Tenho a certeza que se a reportagem passasse noutro horário teria uma audiência do caraças.
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