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3.1 Radikalisering og voldelig ekstremisme

3.1.2 Radikalisering

As limitações encontradas na transição dos assistentes sociais aos sindicatos por ramo de trabalho, a partir da extinção da maioria dos sindicatos da categoria, levaram a um processo inconcluso permeado pelas contradições da realidade social e desafios postos ao movimento sindical dos trabalhadores em geral e também aos assistentes sociais.

Segundo Santos (2010, p. 126)

[...] das 28 entidades sindicais existentes no país, 23 se extinguiram e por processos bastante diferenciados: muitas entidades encontravam-se bem esvaziadas; outras encerraram temporariamente; outras realizaram seminários ou assembleias, como forma de orientar seus filiados a se inserirem ou construírem os sindicatos por ramo de atividade.

Sendo assim, permaneceram abertos 05 sindicatos – em Alagoas, Ceará e dois no Rio Grande do Sul; além do sindicato do Rio de Janeiro, extinto em 1990, mas reaberto em 1995.

Esse processo levou a que poucos anos depois da deliberação pela extinção dos sindicatos, ressurgissem os debates sobre sindicato próprio, na medida em que o Serviço Social seria a única categoria ‘sem sindicato’. Os debates ocorreram paralelos à (re)construção de alguns sindicatos de assistentes sociais no Brasil e teve como importante expressão deste processo a fundação da Federação Nacional de Assistentes Sociais (FENAS), em 2000.

A FENAS apresenta-se como entidade dirigente do processo de reorganização sindical dos assistentes sociais no Brasil, na prerrogativa da retomada dos sindicatos organizados por categoria profissional. Esta Federação representa os sindicatos existentes28 – os que nunca fecharam e os que foram reabertos – assim como incentiva o processo de refundação dos sindicatos nos estados em que eles permanecem fechados, representando os assistentes sociais “sem sindicato”. Tal como previsto nos objetivos da entidade, exposto em seu Estatuto, a FENAS representa “Sindicatos atuantes em sua base territorial e [os] Assistentes Sociais assalariados ou autônomos atuantes em Estados onde não existam tais Sindicatos”29.

A fundação desta entidade baseia-se na compreensão, a partir de seu grupo dirigente, de que apesar da resolução política acertada de extinção dos sindicatos e inserção nos sindicatos por ramo, a ANAS e as entidades a ela filiadas, “enfrentaram dificuldades em traduzir em ação essa política, ou seja, criar as mediações possíveis e necessárias que dessem configuração e concretude à transitoriedade”30. Dessa forma, essa decisão teria provocado “o isolamento da categoria no âmbito sindical, uma vez que, a construção do ramo caminha a passos lentos e até o presente momento não se consolidou no país”31.

Esta posição, entretanto, é marcada por polêmicas. A trajetória da organização sindical da categoria acumulou o debate do avanço da organização do conjunto dos trabalhadores, de tentativa de ruptura com o sindicalismo corporativista previsto na CLT. Os setores herdeiros desta tradição, que hoje se expressam coletivamente por meio do Conjunto CFESS/CRESS, permanecem na defesa do sindicalismo por ramo de atividade.

28

Segundo a FENAS, em 2012 havia 13 sindicatos em funcionamento e 09 em processo de (re)construção.

29

Federação Nacional de Assistentes Sociais. Estatuto da FENAS. Disponível em www.fenas.org.br. Acesso em 20/09/2014.

30

Federação Nacional de Assistentes Sociais. Informativo FENAS. Disponível em www.fenas.org.br. Acesso em 20/09/2014.

Sobre esta polêmica a Federação argumenta que

[...] desde a criação da FENAS a relação dos sindicatos com o conjunto CFESS/CRESS se tornou conflituosa. Discordando da manutenção dos sindicatos e tendo sido recomendado o fechamento dos mesmos, as diretorias dos CFESS/CRESS passam a ignorar sua existência, apesar do crescimento crescente da organização sindical dos assistentes sociais no Brasil32.

Por outro lado, Ramos (2005, p. 84) apresenta algumas das polêmicas em torno da criação da Federação Nacional. Para a autora, os rumos da organização sindical da categoria envolvem elementos importantes que prescindem de análise, como a falta de legitimidade do processo de criação da FENAS, bem como sua relação com o Conjunto CFESS/CRESS.

Esses dois aspectos apontam para o questionamento dessa experiência [de criação da FENAS] que parece romper com um princípio ético-político consolidado na organização política profissional: a ampla discussão democrática entre a categoria e suas entidades representativas. A ausência desse debate coletivo, aliado às divergências com a direção política da FENAS, gerou uma falta de legitimidade dessa entidade entre expressivos segmentos profissionais e demais entidades representativas.

Para a autora, o processo de criação da FENAS não envolveu o debate democrático da categoria, como é tradição no que diz respeito ao funcionamento das demais entidades representativas dos assistentes sociais. Ramos (2005) afirma que a criação da Federação não foi produto de um intenso debate na categoria profissional, o que gerou uma falta de legitimidade desta Federação entre as entidades da categoria.

Além das divergências quanto ao método empreendido na construção da entidade, há, sobretudo, a polêmica política em torno do papel de uma entidade que,

32 Federação Nacional de Assistentes Sociais. Informativo FENAS. Disponível em www.fenas.org.br. Acesso em

nas condições sócio-históricas atuais, retoma uma perspectiva de organização sindical já superada historicamente (Ramos, 2005).

Segundo Abramides, os desafios postos implicam em pensar “como incluir o conjunto dos trabalhadores no sindicato do ramo” (2014, p. 239) e que os assistentes sociais, assim como os demais trabalhadores de um mesmo ramo “devem se unificar sindicalmente e não criar um sindicato de uma única categoria” (Abramides, 2014, p. 239).

Em meio a essas e outras divergências, instalou-se entre as referidas entidades um acirrado antagonismo político que se expressa muitas vezes em situações de claro enfrentamento. Propomos aprofundar a reflexão sobre estas divergências, buscando entender suas reais razões e suas implicações.

3.3. Posicionamentos políticos, agenda de lutas: por onde passam as