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4.3 Underlying variables

4.3.7 R7 – Underlying variables

Para o recolhimento das cartas pessoais, a datação da carta mostrou-se um recurso fundamental, pois é a única forma de comprovarmos que os textos utilizados foram escritos nos períodos investigados, a saber, 1750-1799, 1800-1849 e 1850-1899. A partir da datação pudemos recuperar o percurso da inovação e inseri-la nos contextos sociais.

Foram selecionadas cartas escritas por moradores da região de Mariana e Ouro Preto, no Brasil, e por moradores de Lisboa, em Portugal, que pudessem ter a nacionalidade definida e que fossem socialmente identificados. Essas cartas foram recolhidas basicamente em quatro acervos: 1) cartas brasileiras pertencentes ao Fundo Barão de Camargos; 2) cartas brasileiras pertencentes ao acervo do Arquivo Histórico Monsenhor Horta; 3) cartas portuguesas pertencentes ao acervo do Projeto Fly/Cards e 4) cartas portuguesas pertencentes ao acervo do projeto Tycho Brahe.

1) Cartas brasileiras pertencentes ao Fundo Barão de Camargos

O Fundo Barão de Camargos faz parte do acervo pertencente ao anexo 3 do Museu da Inconfidência, localizado na Casa Setecentista do Pilar, em Ouro Preto, Minas Gerais. Neste

fundo, encontram-se vários tipos de documentos de ordem oficial e não oficial, pública e privada e pessoais e notariais, dos séculos XVIII e XIX. Foram recolhidas cartas pessoais escritas por brasileiros nos dois séculos citados. No caso do século XVIII, o recolhimento foi feito por meio da seleção de cartas localizadas em três caixas com cartas escritas e recebidas por: Clara Felícia Rosa, Manoel de Oliveira Pinto e Luis da Silva Vale. No caso do século XIX, foram utilizados os documentos disponibilizados em E. Chaves (2006) que também foram recolhidos no mesmo Fundo, porém em caixas diferentes e de variados remetentes pertencentes ao acervo do próprio Barão de Camargos11.

2) Cartas brasileiras pertencentes ao acervo do Arquivo Histórico Monsenhor Horta

A documentação que compõe o acervo do Arquivo Histórico Monsenhor Horta é de natureza impressa e manuscrita de datas variadas que vão desde, aproximadamente, 1814 até 1954. Possui gama variada de gêneros e tipos textuais, como partituras sacras (Kyries, missas, ladainhas, credos) e profanas (dobrados, sambas, maxixes, modinhas e tangos), compostas por músicos reconhecidos regionalmente ou pertencentes à própria localidade; cartões de visitas; correspondências, bilhetes particulares12 e comerciais; notas de recebimento de mercadorias; fotografias; cartões-postais; poemas produzidos na própria região; periódicos sacros e profanos; material escolar; representação pictórica e documentos jurídicos.13 Tais documentos pertenciam a uma alfaiataria, a uma escola e a uma banda de música.

O seu acervo é de aproximadamente 3m3 de documentos, sendo que nem todos os documentos encontram-se tratados e seriados tornando tal documentação de difícil acesso e manuseio14. Grande parte das cartas selecionadas é pertencente a três caixas, a saber, Família Ramos, Família Ferreira e Outros Missivistas.

Deste acervo, foram utilizadas cartas pessoais escritas por brasileiros da segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX.

3) Cartas portuguesas pertencentes ao acervo dos Projetos Fly/Cards

11 Destacamos o trabalho da Prof. Dra. Mônica Alkmim desenvolve no recolhimento de corpora compostos por

cartas desse acervo. Para maior detalhamento dessa questão recomendamos os trabalhos de Alkmim (2002), Chaves e Moreira (2006), Alkmim e Chaves (2010), Seixas (2012).

12 Foram encontrados, também, fragmentos de cartões pornográficos franceses do século XIX, de extremo

interesse cultural, por refletirem características relativas ao gosto de uma pequena parte da população local.

13 Lima (2001).

14 Em trabalhos de iniciação científica e monografia, E. Chaves se dedicou ao tratamento dos documentos

selecionados por ela para a composição de corpora dos séculos XIX e XX. Tais documentos podem ser consultados em Chaves e Alkmim (2002) e em Chaves (2006).

Os Projetos Fly e Cards são coordenados pela profa. Rita Marquilhas, do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, e tem como objetivo o recolhimento de cartas de foro privado de vários períodos de tempo. O Projeto Cards – cartas desconhecidas conta com

manuscritos privados de 1500 a 1900 que foram utilizados pela justiça da Inquisição e da Coroa. O Projeto Fly – cartas esquecidas é formado por cartas privadas do século XX.

Ambos os projetos possuem vasto acervo de aproximadamente 4.000 cartas, hospedadas no endereço http://alfclul.clul.ul.pt/cards-fly/index.php. Todas as cartas são ricamente identificadas, apresentando título, assunto, local, tipo textual, data, remetente e o contexto histórico e social em que foram escritas. A riqueza das informações nos permite, inclusive, identificar muitos dos remetentes.

4) Cartas portuguesas pertencentes ao acervo do Corpus Histórico Tycho Brahe

Composto por textos escritos em português, O Corpus Histórico Tycho Brahe tem como objetivo fornecer material para pesquisas linguísticas. Encontra-se hospedado na URL: http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/corpus/en/index.html e conta com um total de cinquenta e três textos que podem ser pesquisados por busca livre com anotação morfológica e anotação sintática. Os textos foram recolhidos de acordo com a data de nascimento dos seus escreventes. Perfaz um período de tempo que vai de 1380 a 1845.

A grande maioria do acervo é formada por textos escritos por pessoas ilustres de fácil identificação do perfil sócio-histórico.

No que tange à transcrição dos documentos, as cartas que constituíram as amostras do PB, seguiram as normas estabelecidas pelo grupo de pesquisa Para

História do Português Brasileiro. Já as cartas que compõem as amostras do PE

possuem critérios próprios fundados na transcrição semidiplomática que não se distanciam dos adotados para as amostras do PB.

Com a definição das cartas pessoais e a apresentação dos critérios utilizados para a seleção e o tratamento de tais cartas, podemos nos dedicar aos outros gêneros que compõem os corpora utilizados.