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R EVENUE

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6. FINANCIAL STATEMENT ANALYSIS

6.4 R EVENUE

No presente capítulo é proposta uma análise qualitativa que contempla o levantamento, sistematização e escolha da informação para a composição dos dados, baseada em alguns aspectos da análise de conteúdo. Procuraremos contemplar a nossa questão de pesquisa que visa o estudo das compreensões dos futuros professores sobre a NdC no processo de estudo e de discussão das QSC do DGPI e da Célula Sintética.

Propomos uma análise qualitativa segundo as contribuições de Rodríguez; Gil e García (1999); e Valles (1999) porque enfrentamos o desafio de dar sentido e significado a uma grande quantidade de registros coletados ao longo da disciplina contexto desta pesquisa. Nesse sentido, a análise envolve um processo criativo de sistematização, escolha e realização de operações focadas no estabelecimento de unidades de análise que constituam as evidências concretas para o estabelecimento de categorias consistentes. Neste contexto, realizamos uma aproximação com a análise de conteúdo, especialmente assumindo a noção de categorias de análise, no entanto, não estamos limitados a esta, pois consideramos que a proposta realizada por Bardin (1977) abrange alguns elementos próprios de uma análise quantitativa, o que não é de nosso interesse neste trabalho.

De acordo com Bardin (1977), a análise de conteúdo emergiu na primeira metade do século XX nos EUA no intuito de interpretar, especialmente, os textos dos jornais da época focando a atenção no sensacionalismo e nos seus efeitos na opinião dos cidadãos. No começo a influência do método comportamentalista, baseado em regras de quantificação e objetividade, foi de notável interesse para análise de conteúdo. Depois da Segunda Guerra Mundial a análise de conteúdo teve uma forte influência de uma perspectiva política. Nos EUA foram desenvolvidos importantes estudos para desvelar a existência de mensagens nazistas ou comunistas em alguns textos da época, a pretensão era entender os processos de comunicação que podiam utilizar pessoas comprometidas com a divulgação das ideologias desses movimentos. Esse período, segundo a mesma autora, foi fortemente influenciado pelas contribuições de Bernad Berelson (1912-1979), um sociólogo dos EUA que trabalhou bastante no campo da comunicação política e que considerava que a análise do conteúdo constituía uma técnica cuja finalidade era a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo envolvido em qualquer texto ou processo de comunicação. Já na década de 1950 e 1960 as ideias de Berelson são discutidas por pesquisadores da sociologia, da linguística, da etnologia, da psiquiatria e da história, os quais foram convocados pelo Social Science

Research Council’s Committee on Linguistics and Psychology para tratarem problemas da psicologia linguística, o que gerou importantes contribuições para análise de conteúdo, pois naquele momento foi instalada a discussão entre duas grandes tradições aquela baseada em um olhar quantitativo e aquela baseada em um olhar qualitativo. A primeira delas tem ênfase na objetividade das intepretações e na importância da estatística para a contagem de unidades de registro que orientam o estabelecimento de categorias, dando a elas validade científica. A segunda tradição chama a atenção para a compreensão dos significados e significantes próprios dos processos de enunciação e comunicação. Desde a década de 1960, essas tradições têm evoluído de distintas formas, mas as duas são influenciadas pela surpreendente evolução dos programas de computador desenhados para o processamento da informação que, de alguma forma, têm enfrentado os desafios da complexidade da comunicação não verbal e da difícil quantificação dos trabalhos linguísticos que desafiam aos pesquisadores ao compreenderem os fenômenos semióticos e discursivos que hoje estão presentes na pesquisa das ciências sociais e humanas.

A análise de conteúdo desde sua origem teve um compromisso com a objetividade e a quantificação e, de fato, ao revisar a proposta metodológica de Bardin (1977), notamos que esta ainda conserva muitos destes elementos. A autora propõe três momentos para a organização da análise: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados que abrange a inferência e a interpretação.

A pré-análise implica uma revisão geral da informação coletada para a seleção dos textos alvo de análise e para o estabelecimento de hipóteses e de objetivos que orientarão a análise e o estabelecimento de indicadores que fundamentarão a interpretação final. Inicialmente é feita uma leitura flutuante dos textos, buscando uma revisão geral da informação, ao mesmo tempo são configuradas as hipóteses e os objetivos de trabalho para obter um panorama geral que oriente a escolha dos textos ou dos documentos da análise. A escolha de textos ou documentos implica contemplar as regras de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência. A exaustividade contempla um processo de escolha de documentos que possuam informações com valor suficiente para permitir atingir os objetivos propostos. A representatividade atinge um critério principalmente quantitativo porque tem a ver com a significância da amostra escolhida em função do universo da qual faz parte. A homogeneidade garante que os textos ou documentos escolhidos sejam homogêneos frente aos critérios de escolha estabelecidos e, sobretudo, é utilizada quando se procuram obter resultados globais ou para comparar resultados individuais. E, finalmente, a pertinência

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garante que os textos escolhidos sejam adequados e sirvam para dar conta dos objetivos propostos da pesquisa.

A formulação de hipóteses implica um processo de construção de afirmações que são provisórias e que são pensadas para sua confirmação ou refutação, em alguns casos são preestabelecidas ao trabalho de campo e outras ocasiões podem emergir durante o processo.

O estabelecimento de indicadores constitui um critério essencialmente quantitativo, pois é orientado para a identificação de índices que expressem a frequência relativa ou absoluta da contagem de uma determinada palavra ou tema. Dessa forma os índices determinam o estabelecimento de indicadores precisos e seguros. Assim como o tratamento dos dados, segundo Bardin (1977), deve ser submetido a provas estatísticas, bem como a testes de validação, de tal modo o pesquisador pode ter resultados fieis para propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos.

Para a análise dos documentos, textos ou registros estabelecidos na pré-análise é utilizado o processo de codificação, categorização e inferência. O processo de codificação significa a transformação dos registros ou informações coletadas em unidades de análise que oferecem evidências concretas diante do problema da pesquisa. Neste processo de codificação há a possibilidade da abordagem quantitativa e da abordagem qualitativa, a primeira foca na constituição de unidades de registros que sejam contáveis e que possam traduzir-se em índices e indicadores; a segunda está atrelada à análise temática que consiste na determinação dos núcleos de sentido que compõe a presença de algum aspecto relevante para a pesquisa. Nesta análise temática são estabelecidos recortes da informação relevante que pode ser constituída por frases, expressões e/ou palavras presentes nos documentos.

A categorização implica um processo cuidadoso de classificação e argumento das unidades de registros constituídas na codificação realizada. Neste processo, a análise de conteúdo também oferece possibilidades para a pesquisa quantitativa, pois é possível definir um conjunto de categorias preestabelecidas, a partir das quais o pesquisador pode agrupar os registros conforme sua frequência e os índices estabelecidos. Também é possível estabelecer as categorias em um processo indutivo conforme a escolha, sistematização e interpretação da informação coletada. Esta segunda opção é vista como mais pertinente para a pesquisa qualitativa que desenvolvemos.

Para Bardin (1977), em qualquer caso uma boa categoria deve cumprir as seguintes características:

i) A exclusão mútua: esta condição estipula que os elementos próprios de uma categoria, ou seja, as unidades de análise devem corresponder exclusivamente a uma categoria e não devem ser parte de outra.

ii) Homogeneidade: significa que o critério adotado para estabelecer os elementos que constituem a categoria são coerentes e apropriados para cada uma das categorias estabelecidas, de tal forma que é garantido o critério de exclusão mútua.

iii) A pertinência: Implica garantir que as categorias sejam consistentes com as intenções e o referencial teórico adotado na pesquisa, tanto em sua composição empírica como em sua correspondência.

iv) A objetividade e a fidelidade: este critério é próprio da influência quantitativa ainda presente na análise de conteúdo, pois tem a ver com a correspondência entre as unidades de registro e os índices e indicadores estabelecidos, entendida como garantia da confiabilidade na análise. Relacionado com este critério Bardin (1977) também propõe o critério de produtividade ao considerar que as categorias devem ser férteis em índices de inferências, em hipótese e dados exatos.

O último elemento central da análise de conteúdo é a inferência e, da mesma forma que os demais aspectos, pode ser de forma quantitativa ou qualitativa. Pode implicar no estabelecimento de causalidades conforme os indicadores quantitativos ofereçam informações importantes para explicar a frequência de determinados registros. Em outra perspectiva, pode implicar em um processo de inferência de significados decorrentes de uma análise temática. Em qualquer caso, é necessária a consideração dos registros produzidos por um determinado emissor e receptor, as possibilidades de interpretação de uma mensagem, de um código ou de um processo de significação. Tudo que for produzido e representado nos processos de comunicação pode ser alvo de inferências que possibilitem uma melhor compreensão do que é pesquisado.

É claro que para um leitor desprevenido a análise de conteúdo representa uma forma de tratamento de informações pertinente para a pesquisa qualitativa. No entanto, em nosso caso pensamos que não é assim e, por isso devemos indicar os elementos que são coerentes com este tipo de pesquisa. Nesse sentido, consideramos a análise temática e os processos de codificação e categorização pertinentes para o nosso estudo, e não temos interesse naqueles

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elementos associados a contagem, estabelecimento de índices e indicadores. Por essa razão, em seguida apresentamos uma descrição da análise de dados qualitativa que articulam os elementos de interesse de análise de conteúdo e que, para o nosso caso, compõe uma proposta analítica mais consistente com a pesquisa educacional qualitativa.

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