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A idéia de participação política coloca-se como uma elaboração pertinente para esse estudo, porque auxilia a compreender as trajetórias de lutas políticas das mulheres do Araripe. Nesses termos "participação é uma palavra latina cuja origem remonta ao século XV. Vem de participatio, participationis, participatum. Significa 'tomar parte em', compartilhar, associar-se pelo sentimento ou pensamento"244. O diálogo com esse conceito permite enfatizar que a participação é entendida como uma "[...] ação de indivíduos e grupos com o objetivo de influenciar o processo político"245. De maneira geral "a participação é ação que se desenvolve em solidariedade com outros no âmbito do Estado ou de uma classe, com objetivo de modificar ou conservar a estrutura (e, portanto, os valores) de um sistema de interesses dominantes"246. Dessa forma, cabe assinalar que:

244 AVELAR, Lúcia. Participação política. In: AVELAR, Lúcia; CINTRA, Antônio Octávio (Orgs.).

Sistema político brasileiro: uma introdução. 2ª ed. Rio de Janeiro: Konrad-Adenauer-Stiftung; São

Paulo: Editora UNESP, 2007. p.264. 245 Ibidem.

A participação política emergiu junto com o Estado de soberania popular, à época dos movimentos revolucionários europeus dos séculos XVIII e XIX, no contexto das revoluções industrial e burguesa, um fenômeno que rompeu com a regra secular da correspondência entre posição social e política dos indivíduos.247

No Brasil, a emergência da participação deu-se muito mais tarde, em meados do século XX, quando os níveis de urbanização tornaram-se crescentes e aquela sociedade predominantemente rural transformou-se, em algumas décadas, em uma sociedade urbana. As mudanças na economia propiciaram a constituição de organizações sindicais diferentes daquelas da primeira industrialização brasileira, deflagrada na década de 1930, com um sindicalismo atrelado ao Estado de estrutura pouco competitiva. Os trabalhadores da nova industrialização brasileira consolidada no centro-sul do país a partir dos anos 60 e 70, alcançaram expressão política. Ganhou força a organização política da sociedade também em consequência da mobilização das comunidades eclesiais de base da Igreja Católica progressista, as CEB‟s, inconformadas com os níveis de analfabetismo, miséria, pobreza rural e urbana.248

Nesse sentido, as vias de ingresso das mulheres do Araripe na política eleitoral e partidária foram construídas em processo de luta, a atuação das mesmas se deram de maneira diferenciada, algumas pelos movimentos sociais ou pela tradição familiar com inserção no meio político-partidário, entre outras situações que se tornaram formas de intervir politicamente em seus municípios.

Em Araripina, a eleição municipal de 1982 demonstrou que as candidaturas das duas mulheres – Vera Lúcia dos Santos Araújo e Terezinha de Alencar Ribeiro – embora fossem construídas nas fendas do patriarcalismo249 político, constituíram-se como força política e um certo rompimento com a "dominação masculina", porque nessa época não existia o sistema de cotas para mulheres e ambas se candidataram pelo PMDB – partido rotulado por seus adversários como "comunista". O êxito eleitoral alcançado por Vera Lúcia significou uma ruptura da ausência

247 AVELAR, Lúcia. Op. cit., 2007. p.262.

248KECK, Margareth E. Apud. AVELAR, Op. cit., 2007. p.264.

249 Foi nos anos de 1970 que uma nova acepção feminista classificou o que é patriarcalismo. E, é nessa esteira histórica que se ressignifica e se utiliza essa noção teórica não que a mulher seja um sujeito submisso ou sem ações e práticas sociais. Mas como um sujeito com experiência social vivido. Desse modo, retoma-se e compreende-se que: “[...] o patriarcado designa uma formação social em que os homens detêm o poder, ou ainda, mais simplesmente, o poder é dos homens. Ele é, assim, quase sinônimo de “dominação masculina” ou de opressão das mulheres. [...] “Patriarcado” vem da combinação das palavras gregas pater (pai) e arkhe (origem e comando). Essa raiz de duplo sentido em arcaico e monarquia. Para o grego antigo, a primazia no tempo e a autoridade são uma só e a mesma coisa. Portanto, o patriarcado é literalmente é autoridade do pai. HIRATA, Helena. Et al. (Orgs.). Dicionário Critico do Feminismo. São Paulo: UNESP, 2009. p.173-174.

administrativa de Araripina não permitiu que a vereadora Vera Lúcia pudesse implementar projetos significativos para a cidade, em virtude de ser de oposição ao prefeito.

Em grande parte dos municípios brasileiros, há domínio do chamado familismo político250, caracterizado numa herança hereditária política. Porque nesses municípios "[...] ainda predominam os padrões da política tradicional baseada na formação de clientelas e no familismo. Esses padrões abririam certos espaços para as mulheres, que seriam então eleitas não por suas trajetórias pessoais ou vínculos com movimentos da sociedade civil, mas na qualidade de representantes de seus clãs familiares"251. Nesse percurso de compreensão e de atuação política das mulheres do Araripe admite-se que, "sob vários aspectos, a família continua a ser o eixo fundamental de análises que tratam de explicar os processos através dos quais se envolve na política"252.

A partir da fala da vereadora Vera Lúcia dos Santos Araújo – eleita para o mandato de 1983-1988 – a qual obteve nas eleições de 1982, um apoio total de sua família, isto é, todos a ajudaram em sua campanha ao Legislativo Municipal. Pelo relato dela observa-se que, em parte, sua conquista ao cargo de vereança foi baseada em relações familiares, mas também representou em facilidades para a candidata, já que suas experiências e de seus familiares (particularmente de seu pai Afonso Nunes) proporcionaram o gosto em participar da política-partidária. Assim, a vereadora expressou:

Eu sempre tive, eu sempre gostei da política, sempre gostei, meu pai sempre foi da política, sempre, sempre. E, então, por vê-lo e acompanhar o trabalho dele dentro da política, a gente foi tomando gosto também, e os filhos todos gostam, e aí ele foi que teve a idéia de que eu fosse candidata. Na época ele foi candidato também a prefeito, e me colocou como candidata a vereadora, e eu aceitei na hora, e aí fomos à luta. Dentro da família tive apoio total, todo mundo ajudou, todo mundo trabalhou, não tive nenhum problema com a família.253

250 MIGUEL, Luiz Felipe; QUEIROZ, Cristina Monteiro de. Op.cit., mai./ago. 2006. 251 Ibidem. p.370.

252 AVELAR, Lúcia. Participação política da mulher: o conservadorismo político feminino. In: OLIVEIRA, Eleonora Menicucci de. (Org.). Mulheres: da domesticidade à cidadania. Estudos sobre movimentos sociais e democratização. Brasília: Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), 1987. p.64.

253 ARAÚJO, Vera Lúcia dos Santos. Depoimento [janeiro de 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

No mandato de vereadora (1983-1988), Vera Lúcia acabou atuando num universo masculinizado – a Câmara de Vereadores –, mas não constatou preconceito e nem reações dos colegas pelo fato de ser mulher, e ainda descreveu como eram feitas articulações políticas dentro da casa legislativa:

E em relação aos colegas, a gente tinha, assim um grau de coleguismo grande, muito bom. De fato não tive problemas com os colegas, foram seis anos de uma convivência muito boa. Não sofri nenhum preconceito, pelo contrário, pelo fato de ter só eu de mulher, eles me tratavam muito bem. Eu não sei como era/foi com Darticléia, Maria Augusta, mas comigo, não tive problemas.

Dentro da Câmara existem os acordos, existem os conchavos, aí precisa de que? Precisa do presidente, do secretário, então, tem que haver um entendimento lá dentro e como os cargos são eletivos, lá dentro tem que ter harmonia, tem que ter as negociações. É tanto que no primeiro e segundo ano, eu cheguei a ser segunda secretária. Meu pai era quem fazia as articulações, era ele quem conversava com os outros vereadores, era ele.254

A maioria dos indivíduos que assume o poder, ou seja, quando se tornam gestores públicos em municípios, estados, ou muitas vezes de uma nação, adotam um comportamento de que os órgãos de representatividade são propriedade sua, como uma extensão de sua casa. A isso chama-se de patrimonialismo255. Essas pessoas que usam o poder em benefício próprio, percorrem pelas trilhas do poder patrimonial, isto é, de uma busca incessante pelo patrimonialismo político, mostrando-se incapazes de qualquer iniciativa em direção ao autogoverno. Efetivamente, percebe-se em muitos gestores governamentais um "personalismo político", sobretudo uma centralização de poder. Essas análises cabem aos administradores municipais que, além da obediência, impõem um governo nos moldes do patrimonialismo em suas cidades. Destarte, muitas vezes mantém parte da sociedade em certa obediência. Para eles, "não existe [...] outra sorte de

254 ARAÚJO, Vera Lúcia dos Santos. Depoimento [janeiro de 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

255

Esse conceito é ressignificado na medida em que se compreende “[...] no âmbito de um aparelhamento a explorar, a manipular, a tosquiar nos casos extremos. Dessa realidade se projeta em florescimento natural, a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o patrimonismo, cuja legitimidade assenta no tradicionalismo [...]”.FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. v. 2, 2ª ed. rev. São Paulo: Globo, 1975.

do poder e na obediência"256.

Desse modo, para entender o quadro político, eleitoral e administrativo de Araripina-PE na gestão de 1983-1988, Vera Lúcia expôs que o prefeito da época Valmir Ramos Lacerda – conhecido como Dr. Valmir –, era "assim um tanto radical" e como ela era vereadora de oposição, o governante foi bastante "rígido". No depoimento seguinte, ela esclareceu:

Eu fazia oposição ao Dr. Valmir Lacerda – candidato a prefeito na época – que se tornou prefeito. E ele já assim um tanto radical e com uma pessoa de oposição, misericórdia! Então, tanto eu sofri um pouco na campanha para conseguir a votação para ser eleita, como também sofri pressão dentro da Câmara, é por que eu era oposição, eu era PMDB. E ele era PDS, acho que era PDS na época, não me lembro direito, era o partido do governo do estado do Pernambuco, era [...] Naquela época eu não me relacionava bem com o gestor. Hoje a coisa já é mais democrática, mais aberta, já é mais maneiro. Naquela época ele era mais rígido, era mais de travar um pouco as coisas.257 No período eleitoral de 1992, Francisca de Assis Arruda Gomes – Assisinha (PRN) destacou que, inicialmente, ocupou o cargo de Secretária de Educação do Município de Araripina-PE, na gestão do prefeito Valdemir Batista de Souza (Dr. Mimi). Essa função assumida de gestora representava uma facilidade para o ingresso dela na campanha eleitoral. Em sua trajetória, destacou-se como uma secretária dinâmica, que não ficava presa ao gabinete, mas também como professora em sala multiseriada, o que foi fundamental para conhecer a educação em sua cidade. Assisinha relatou,

[...] eu fui candidata a vereadora, era Secretária de Educação do Município de Araripina-PE na gestão do prefeito Valdemir Batista de Souza (Dr. Mimi). E eu quero dizer que eu não fui aquela secretária de viver atrás de um birô, eu realmente fiquei no campo visitei todas as escolas, vi a necessidade de ter um representante no nosso município que tivesse pé no chão para falar de educação, porque eu sou professora. Iniciei minha história como professora em classe multiseriada, na periferia daqui. Então, eu já tinha uma história das dificuldades, dos entraves na educação, e como Secretária de Educação descobri que o nosso município é muito grande, é muito carente. Antes de mim, a Secretaria de Educação era um

256 HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. p.39.

257 ARAÚJO, Vera Lúcia dos Santos. Depoimento [janeiro de 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

Órgão Municipal de Educação, tinha pouca independência. Quando assumi o Órgão Municipal de Educação a primeira providência foi transformar em Secretaria Municipal de Educação, na perspectiva que tivéssemos mais autonomia, fiquei conhecendo às necessidades, às carências de todo município de Araripina.258

Assisinha abordou que experiências como professora e Secretária de Educação permitiu-lhe conhecer e desbravar o município de Araripina de ponta a ponta. Conhecia quase todos os profissionais da educação municipal: professores, merendeiras, pais de alunos, entre outros. Teceu elogios ao prefeito Valdemir Batista, como se confere no diálogo da narradora.

Então, eu achava como eu tinha desbravado o município, tinha o conhecimento grande com os professores, com os pais, com merendeiras, porque não se faz educação somente com professores, começa a fazer com os pais, e como eu tinha um conhecimento muito grande em todas escolas, não ficou nenhuma que eu não conhecesse. Eu vi realmente a dificuldade de cada uma. Então, eu achei na minha inocência ou ignorância que eu poderia me candidatar a vereadora em virtude de conhecer todos os trabalhadores da educação, eu achei que poderia dar continuidade a esse trabalho sendo vereadora. Então, o prefeito Dr. Mimi foi um administrador muito bom, muito trabalhador, como todo mundo sabe, e, ele me convidou para me filiar ao partido dele para que eu me candidatasse. E eu caí na luta. [...] Eu sou grata a quem votou em mim, que eu tive 584 votos, mas, não foi comprado 1 (um). Foram votos realmente de pessoas amigas, de alguns professores que tinham essa visão, que quiseram me ajudar, [...]. Então, eu acredito que muitos professores, muitas merendeiras, esse povo que era o público alvo, que eu queria atingir, que eu queria beneficiar, muitos deles votaram em mim [...].259

Na eleição de 1996, a candidata Silvania Maria de Oliveira Gomes (PDT) descreveu alguns fatores que favoreceram o seu ingresso na vida político-partidária. Inicialmente ela falou que desde muito tempo se interessou por assuntos políticos e pelas campanhas eleitorais, realizava trabalhos voluntários percorrendo várias comunidades, na perspectiva de reivindicar melhorias na saúde, encaminhar idosos para aposentadorias, entre outros trabalhos desenvolvidos pela candidata. Isso permitiu seu credenciamento na candidatura a vereadora.

258 GOMES, Francisca de Assis Arruda (Assisinha). Depoimento [24 de julho, 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

quando eu me entendi como gente. [...] Eu fui trabalhar no interior e lá eu trabalhava, mas, não era um trabalho remunerado. Eu procurava sempre ajudar as pessoas assim nas questões de aposentadorias, procurar médicos que era muito difícil na época, estava sempre tentando ajudar aquelas pessoas mais carentes e mais tímidas que tinham dificuldades de se dirigirem aos lugares. Então elas me procuravam e eu as levava aos lugares. [...] Então, como eu tinha contato com o pessoal da Serra lá no interior. Serra que fica na Chapada do Araripe, Serra do Marinheiro e também na Serra da Torre, eu fiz um levantamento para saber se lá precisava de agente de saúde. Na época andei em todas as casas, conversei com todas as pessoas, aí quando chegou o tempo da política eu estava apoiando um candidato lá e na época não tinha nenhuma mulher que quisesse ir para o partido, para compor a chapa [...].260

Silvania relatou que as andanças com a Erenilde (esposa do Lula Sampaio, candidato a prefeito de sua chapa) constituíram-se, de certa forma, em facilidades, porque possibilitaram "conhecer o município de Araripina todinho de ponta a ponta". A candidata explicitou em seu depoimento, que construía táticas para fazer sua campanha eleitoral, como observa-se no relato:

Aí fui andar com a Erenilde (mulher do Lula) para pedir votos, [...]. Foi quando eu conheci o município de Araripina todinho, de ponta a ponta, nós saíamos às seis horas da manhã e voltávamos duas da manhã, eu e ela, pedindo votos em toda região do município e foi muito bom, [...]. Eu ia gravar o programa na rádio, e, eles, alguns candidatos, queriam ir comigo para gravar também, descobri uma estratégia, ir à noite no horário que não ia nenhum candidato, eles já haviam gravado durante o dia. Eu ia lá e gravava meu discurso, o discurso na rádio o mais bonito, bem feito era o meu. [...] sei que todo mundo ouvia e muita gente falava: – Ah! Você é muito boa, seu discurso é muito bom. E, eles ficavam com raiva de tudo isso.261

Nos processos eleitorais de 2000 e 2004, Maria Augusta Lima Modesto (PPS e PP) contou minuciosamente sua trajetória nas eleições no município de Araripina. Dentre os demais candidatos à Câmara de Vereadores, Maria Augusta explicou que alcançou o 1º lugar no ano de 2000, "sendo a mais a votada" com 1.977 votos, e em 2004 obteve a 2ª colocação com 1.509 votos.

260 GOMES, Silvania Maria de Oliveira. Depoimento [21 de julho, 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

Maria Augusta abordou que sua profissão de odontóloga (dentista) favoreceu no trabalho com o povo, sendo que às vezes cobrava um menor valor no tratamento dentário. Fazia atendimento odontológico nas comunidades permitindo um maior contato com a população. Ao entrevistar a vereadora, ela expressou-se da seguinte maneira ao se referir às visitas feitas nas comunidades: "as pessoas sempre me viam como uma pessoa boa, que tem um certo carisma". O depoimento da mesma continuou a mostrar que o habitus foi fundamental para sua atuação política, o que se confere a seguir:

Tanto que, eu já fui candidata, por exemplo, a minha primeira candidatura foi em 2000, eu fui a mais votada, sou a única mulher na Câmara. Continuei sendo a mais votada em 2004, entendeu? [...] Eu fui uma pessoa que sempre fez muito bem às pessoas, sempre ajudei a um e outro. Logo a minha profissão é uma profissão que faz com que eu trabalhe diretamente com o povo, sou dentista, então eu sempre fui de atender uma pessoa que não pode pagar igual a um particular. Sempre fui nas comunidades atender, então as pessoas sempre me viam como uma pessoa boa, que tem um certo carisma.262

Maria Augusta descende de famílias de tradição política, como os "Modestos" – fundadores da cidade de Araripina-PE – e os "Limas" – que assumiram mandatos de prefeito no município e de deputado na Assembleia Legislativa do Pernambuco. Bem como Darticlea (sua mãe), que ocupou dois mandatos de vereadora (1993- 1996 e 1997-2000), além de outros aspectos já citados. Esses fatores políticos foram também expressivos para o engajamento de Maria Augusta no cenário político local, como pode-se ver:

E, a família, no momento minha mãe era vereadora e ela só [...]. Na família tinha uma opção que era eu, e eu pedi para não entrar na política, ajudava, sempre ajudando. Mas eu não queria entrar por que eu sabia o que ser uma mulher na política. É diferente você ajudar e está, então, ela me pedia e nas primeiras conversas para tratar de candidatura, eu dizia: eu não, não, não, foi um não, não, até que ela insistiu bastante e eu [...] conseguiu me convencer, [...]. Mas na verdade a família MODESTO ela não é muito política, [...]. A política mesmo que está no sangue é do outro lado da minha família, que são os pais da minha mãe, o pai dela foi deputado, foi prefeito de Araripina. Já a família MODESTO foi realmente uma das fundadoras de Araripina, e teve, teve os prefeitos de muitos

262 MODESTO, Maria Augusta Lima. Depoimento [fevereiro, 2010]. Araripina-PE. Entrevista concedida a autora.

e muito grande, mas ela não é tradicionalmente política no momento, tá entendendo?263