6.2 O PPSUMMERING AV INTERVJUENE
6.2.3 R ESPONDENTENS VURDERING AV BEHOV FOR KOMPETANSETILTAK
obstinadamente retraídos e a
respiração ofegante (Chile, 3
de maio de 1835, Diário,
Viajar è muito bom, mas a certa altura cansamos de tanto cavalgar; dormir em lugares apertados, desconfortáveis e ao relento; passarmos sede, além da enorme saudade dos entes queridos e de nossa confortável cama.
Nos últimos dias, estávamos enfastiados da paisagem quase desértica da costa do Chile e do Peru. Partimos, pois, para o arquipélago das Galápagos.
O mar possui a capacidade de reconfortar a alma até mesmo de um besouro hiperativo como eu. Ouvir as ondas, ter as estrelas como teto estimulava sensações agradáveis. Não fosse o maldito enjoo de meu companheiro, cuja receita de uvas passas do Dr. Robert Darwin já não causava efeito, fazendo o pobre ficar horas deitado, nem a maior tormenta seria capaz de nos desalentar.
Absorvendo o desejo do Capitão Ahab, o mar nos depertava a vontade de conhecer os confins do mundo; ir ao encontro dos profundos e apavorantes mistérios da natureza. No meio do oceano, em noites de tempestade, era inevitável ver os raios, as águas revoltosas e escuras, ouvir os estrondos dos trovões, o som furioso do mar e não sentir quão grandiosos são os fenômenos da natureza e, mais, quão fascinante a vida que sobrevive a tudo isso.
Os bandos de golfinhos, baleias (a quem o Sr. Darwin de referia como monstros marinhos), os albatrozes e todas as aves e seres aquáticos que avistávamos nos arrancavam suspiros excitados. Na Austrália,
passamos horas estudando recifes de coral, pequenos peixes e animais.
Aportamos nas Ilhas Galápagos no dia 15 de setembro de 1835. Ali, encontramos formas animais excêntricas – iguanas, pássaros, tartarugas gigantescas – o que me fez questionar, por um instante, se não havíamos errado de paralelo e atracado na Ilha do Dr. Moureau. Ainda bem que as iguanas, com aquelas enormes e viscosas línguas, eram
Disponível em: <http://artsciencefusion.ucda vis.edu/PG%20-
%20Face%20of%20Darwin.ht ml>.
Tartarugas das Galápagos. Desenhos de Charles Darwin. Disponível em: <http://darwin- online.org.uk/content/frameset?pageseq=398&itemI D=F14&viewtype=text>.
vegetarianas!
O arquipélago
das Galápagos, situado a mais ou menos mil quilômetros do Equador, compõe-se de ilhas de
formação vulcânica;
treze maiores e seis ilhotas, sendo quatro
delas habitadas por
humanos. Apesar de situarem-se tão próximas umas das outras, algumas ilhas guardam espécies orgânicas aborígenes; e, aqueles que são assemelhados, possuem características completamente diferentes, embora apresentem relações com as espécies do continente.
Montar nas tartarugas gigantes, correr atrás de iguanas, lagartos, coletar tentilhões, tordos (sabiás), flores, plantas, insetos, foram momentos aprazíves. Simplesmente pasmamos com aqueles seres
que mais pareciam criações de ficção científica, como as de H. G. Wells, que deve ter ficado assombradíssimo com a ideia de existirem seres tão estrambóticos.
As Galápagos foram um repositório de seres e ideias ao Sr. Darwin, não obstante esse armazém ter frutificado apenas em seu retorno à Inglaterra, quando o ornitólogo John Gould, catalogou e descobriu que os tentilhões possuíam hábitos, bicos e
alimentações diferenciados, dependendo da ilha a qual pertenciam. Arquipélago das Galápagos. Disponível em: <http://darwin-
online.org.uk/content/frameset?pageseq=398&itemID=F14&viewtype=text>.
Iguana terrestre das Galápagos. Disponível em: <http://darwin.lindahall.org/49_darwin_c.shtml>.
A suposição de que os animais ali encontrados eram descendentes modificados dos espécimes do continente (que ele comprovaria anos depois) foi engendrada após analisar os fatos e exemplares de fauna e flora que catalogou, desenhou, estudou morfologicamente durante e após a viagem.
Por meio do relato dos habitantes
locais, anotava informações sobre
distribuição geográfica, tamanho e forma dos cascos das tartarugas, iguanas, caranguejos, leões marinhos, tordos etc. Tantos eram os detalhes a serem observados que, às vezes, os momentos de dormir, comer e descansar eram relegados para que não perdêssemos tempo. Nossa atenção voltou-se à variedade de plumagens, sons, tipos dos tordos (aqueles mesmos que alguns cidadãos urbanos fazem campanhas na internet reclamando de seus melodiosos cantos!). Eram tantos e distribuídos geograficamente entre as ilhas, que não nos passaram desabercebidos. Aliás, em companhia de meu aventureiro, fosse no mar ou em terra, nada era negligenciado.
Exemplo disso ocorreu com as iguanas, as quais não apreciou, referindo-se a elas como répteis repugnantes, demoníacos, de movimentos lentos e estúpidos. Entretanto, observando como eram ágeis na água e adaptaram-se àquele ambiente inóspito, a repulsa cedeu lugar à circunspeção analítica: “TALVEZ ESTE SINGULAR EXEMPLO DE ESTUPIDEZ APARENTE SE DEVA ÀS CIRCUNSTANCIAS QUE FAZEM COM QUE ESTE RÉPTIL NÃO TENHA INIMIGOS NA COSTA, AO PASSO QUE NO MAR SERÁ COM FREQUÊNCIA PRESA DOS NUMEROSOS TUBARÕES.”36
Esse e inúmeros exemplos anotados por meu jovem amigo expressam sua percepção gradativa de que “NA NATUREZA NÃO EXISTE BICHO MAU, EXISTE BICHO PERIGOSO”, conforme cantado pela Turma do Cocoricó. Desenvolvia o olhar
científico, pautado na observação dos fatos, declinando da simples diversão de caçar e colecionar seres e de preconcepções, que atribuíam valores humanos, bom, feio,
mau, preguiçoso, estúpido, aos animais,
Que pena! Após passarmos trinta e cinco dias no arquipélago, desenhando, analisando a morfologia das espécies de fauna e flora, tivemos de levantar âncora. O Sr. Darwin nem conseguiu perceber que as espécies de tentilhões variavam de uma ilha para outra! Justamente quando estávamos nos divertindo em montar o quebra-cabeças das espécies daquelas ilhas, tivemos de zarpar! No dia 20 de outubro de 1835 marejamos para o Taiti, chegando lá em 15 de novembro. Ali, o que mais nos agradou foram os nativos do grupo maori. Anos depois, apreciando os quadros de Paul Gauguin, revivi intensamente as emoções ao avistar os taitianos pela primeira vez.
Stephen Jay Gould, em seu ensaio Na mente do observador, sublinha que todos somos dotados de altas doses de preconceitos sociais,37 que reverberam em nossas formas de
apreender o mundo. Os cientistas não se isentam destes preconceitos.