3. METODE OG TEORI
4.3 R EPRESENTASJONENE RE - PRESENTERT
Nesta seção é feita uma análise comparativa das Formas de Gestão da Qualidade das empresas fornecedoras, discutindo-se alguns aspectos selecionados: Sistemas de Gestão da Qualidade, Controle e Melhoria da Qualidade, cujas informações foram sintetizadas nos Quadros 8, 9 e 10 na seção 4.4.3.
As Empresas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 pertencem apenas ao primeiro nível (ou primeira camada) de fornecimento, atendendo diretamente as montadoras de motores. As Empresas 1 e 2 atendem principalmente a Montadora A. A Empresa 3 atende principalmente a Montadora B. A Empresa 4 atende as Montadoras A e B, sendo a Montadora A seu principal cliente. A
Empresa 5 atende todas as montadoras (inclusive as Montadoras A e B), exceto uma para a qual fornece apenas peças de reposição, mantendo a Montadora A como cliente principal. Já a Empresa 6 atende apenas a Montadora B.
A Empresa 7, além de fornecer diretamente às duas montadoras, pertencendo ao primeiro nível, fornece componentes também para empresas de autopeças fornecedoras das montadoras (Empresas 5 e 6), podendo ser considerada também de segundo nível.
A Empresa 8 fornece à Montadora B, além de também fornecer componentes às outras montadoras de motores e empresas de autopeças (fornecedores de primeiro nível) que não fazem parte da amostra aqui estudada, podendo ser considerada como fornecedor de primeiro e segundo níveis.
A Empresa 9 pertence apenas ao segundo nível de fornecimento, atendendo as empresas de autopeças, no caso a Empresa 6, além de fornecer produtos para a matriz estrangeira.
Dentre as nove empresas fornecedoras estudadas, as Empresa 1, 2, 3, 4 e 5 são de capital nacional; as Empresas 6, 7, 8 e 9 possuem capital de origem estrangeira, sendo, portanto, subsidiárias de multinacionais que iniciaram suas atividades produtivas no Brasil em períodos distintos, a partir de tecnologias desenvolvidas em suas respectivas matrizes.
Quando as atividades destas subsidiárias se iniciaram no Brasil, houve uma tentativa de padronização do design. No entanto, adaptações locais foram necessárias, dada a preferência dos consumidores locais por veículos de baixo custo, as diferentes condições dos combustíveis e das estradas no Brasil, as características de materiais locais e especificações em relação a regras locais sobre segurança e poluição. Assim como ocorre com as montadoras, as empresas fornecedoras subsidiárias de multinacionais apresentam setores de atividades de Desenvolvimento de Produtos estruturados, integrados com a matriz no exterior e voltados para o aumento da diversidade de produtos locais (CERRA, 2008).
A maior parte das empresas aqui estudadas pertence ao segmento metal- mecânico. Dentre as nove empresas, apenas duas delas não podem ser assim caracterizadas: a Empresa 6, no primeiro nível de fornecimento, pertencendo, além do segmento metal- mecâncio (50 %), ao segmento dos componentes eletrônico (25 %) e químico (25 %); e a Empresa 9, no segundo nível, fornecendo componentes poliméricos.
Nota-se, baseando-se no número de funcionários e capacidade produtiva, que as empresas fornecedoras principalmente da Montadora A (Empresas 1, 2, 4, 5, e 7) apresentam grande, médio e pequeno porte. E as empresas fornecedoras principalmente da
Montadora B (Empresas 3, 6 e 8) são de grande porte.
Quanto aos Sistemas de Gestão da Qualidade, todas as empresas que fornecem algum produto para a Montadora B, Empresas 3, 4, 5, 6, 7 e 8, possuem certificação ISO/TS 16949 e baseiam-se nos critérios do QSB, requisitos específicos exigidos pelo cliente. As Empresas 1, 4, 5 e 7, que fornecem produtos para a Montadora A, possuem certificação ISO 9001 e baseiam-se na VDA, requisitos específicos exigidos pelo cliente. Com exceção da Empresa 1, que possui também certificação ISO/TS 16949, exigência de outros clientes. A Empresa 2, que tem como principal cliente a Montadora A, segue somente os critérios da norma VDA, cuja implantação do sistema da qualidade teve o apoio deste cliente, o grande responsável pelo seu desenvolvimento. A empresa 9, pertencente ao segundo nível de fornecimento, possui certificação ISO/TS 16949 por exigência de seus clientes, empresas de autopeças (inclusive Empresa 6).
A Política da Qualidade das empresas fornecedoras estudadas tem como foco comum satisfazer totalmente os clientes, atendendo suas exigências, excedendo suas expectativas, trabalhando com a melhoria contínua.
Em relação ao Controle da Qualidade da Matéria-Prima, as Empresas 1, 2, 3, 4, 7 e 9 exigem certificação das normas ISO 9001 de seus fornecedores e as Empresas 5, 6 e 8 exigem ISO/TS 16949 de seus fornecedores. No entanto, apesar de todas as empresas fornecedoras exigirem a certificação das normas ISO, ainda realizam inspeções por amostragem nas matérias-primas e componente recebidos.
O Controle da Qualidade do Processo e do Produto em todas as empresas fornecedoras ocorre com base nos planos de controle específicos de cada linha de produção, que determinam as características, freqüências e os meios de medições a serem usados, sendo os itens específicos para cada fornecedor.
As principais ferramentas da qualidade utilizadas no controle do processo pelas empresas fornecedoras são: CEP, Capabilidade do Processo, Sete Ferramentas, Seis Sigma e outras.
A melhoria contínua faz parte da Política da Qualidade de todas as empresas fornecedoras. Ferramentas como Kaizen, MASP, PDCA e outras são utilizadas por elas.
Quanto às avaliações das empresas fornecedoras pelos clientes, estes, além de exigirem as certificações descritas, realizam auditorias periódicas baseadas na ISO e nos requisitos específicos de cada cliente, sugerindo melhorias nos processos, cooperando com o desenvolvimento das empresas.
Geralmente, quando problemas são detectados pelos clientes, as empresas fornecedoras colocam um plano de ação e imediatamente realizam inspeções 100 % nos lotes restantes.
A Montadora A possui relações de parceria com as empresas fornecedoras 1 e 2, pois estas iniciaram suas atividades produtivas com o auxílio desta montadora. A montadora A ajudou as empresas fornecedoras 1 e 2 na implantação dos sistemas da qualidade, realizando auditorias periódicas, sugerindo melhorias e cooperando com o desenvolvimento destas empresas. Desse modo pode-se afirmar que a montadora A tem alto poder de influenciar as práticas de qualidades adotadas nas empresas 1 e 2.
Percebe-se que as empresas fornecedoras de maior porte, principalmente as multinacionais, que no caso da amostra aqui escolhida têm como principal cliente a Montadora B, possuem normas da qualidade mais completas e abrangentes como a ISO/TS 16949, possuem laboratórios de medições mais equipados e estruturados e utilizam ferramentas da qualidade mais modernas e sofisticadas. Nota-se também nestes fornecedores a influência da estratégia da Montadora B que, tendo como prioridades o preço, a qualidade e a capacidade tecnológica, procura implementar uma política de fornecimento que possui as seguintes características: apenas um fornecedor por peça é selecionado, o fornecedor deve ser capaz de atender suas exigências a longo prazo, a relação com o fornecedor deve ser de cooperação e parceria.
Observa-se, portanto, que as formas de gestão da qualidade adotadas pelos fornecedores são também semelhantes quanto aos princípios, diretrizes e principais elementos constituintes, todos comuns à concepção geral da Gestão da Qualidade Total. Tais semelhanças são garantidas pela difusão da concepção da Gestão da Qualidade Total, pela difusão e adoção (exigida na indústria automotiva) das normas de qualidade (certificações) e, ainda, pelas exigências e influências das montadoras, especialmente sobre os fornecedores de menor porte e de capital nacional.
Cabe destacar, entretanto, que o conjunto das práticas de qualidade adotadas e sua sofisticação é influenciado também pela complexidade tecnológica dos produtos e processos, pela capacidade tecnológica da empresa, pela formação e conjunto de competências do “staff” de qualidade e pelo grau de autonomia de cada empresa fornecedora em estabelecer suas práticas de qualidade em relação às montadoras e aos clientes principais. E, assim, embora a concepção, os princípios e diretrizes e até os elementos constituintes principais sejam semelhantes nos fornecedores, suas práticas, na gestão da qualidade,
possuem origens diferentes (nas próprias empresas fornecedoras ou por influência direta das montadoras de motores) e detalhamentos e níveis de sofisticação distintos. Sendo que as empresas de maior porte e com capital de origem estrangeira têm em geral produtos e processos mais complexos, autonomia maior na definição de suas práticas de qualidade e práticas de qualidade implantadas com maior sofisticação. Os sistemas de qualidade nas pequenas empresas de capital nacional são em geral mais simples e elaborados a partir de algum apoio e exigência direta de uma montadora.