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R ENT S HIFTING E FFECTS – B ASELINE R ESULTS

6. EMPIRICAL ANALYSIS

6.2 R ENT S HIFTING E FFECTS – B ASELINE R ESULTS

Bactérias são a causa mais comum de infecções respiratórias e doença em répteis. Pneumonias bacterianas em répteis podem ocorrer tanto como doença primária, como secundária a septicemia, a pneumonia viral, ou a doença respiratória parasitária, ou podem resultar de estomatites necróticas, se debris necróticos da cavidade oral forem aspirados. Como nas infecções bacterianas em qualquer outra localização no paciente réptil, patógenos bacterianos na doença do trato respiratório são primariamente Gram-negativos.

Pseudomonas, Aeromonas, Klebsiella, Proteus, Escherichia e Citrobacter

são isolamentos comuns. Embora répteis sejam, freqüentemente, portadores assintomáticos, Salmonella e Arizona podem também estar

presentes em pneumonias. A predominância de organismos Gram- negativos resistentes a um grande número de antibióticos (Pseudomonas, por exemplo), faz do conhecimento da susceptibilidade a antibióticos um ponto crítico ao sucesso da terapêutica (Junge & Miller, 1992). Antibióticos utilizados na terapêutica respiratória incluem amicacina, ceftazidime, ceftiofur, cefotaxime, cefuroxime, enrofloxacina e piperacilina (Murray, 1996).

De acordo com Murray (1996), os organismos Gram- negativos isolados dos casos de pneumonia bacteriana podem ser identificados em animais clinicamente sadios. A doença seria causada pelo estabelecimento do comensal normal em um local anormal, como o pulmão. Cooper (1981), por sua vez, afirmara que era visível que relativamente pouco se sabia da flora bacteriana normal de répteis e nada sobre o papel ou persistência desta flora, além do que a distinção entre infecção e doença em um réptil não estaria sempre clara.

Page (1961), baseado em limitados inquéritos, sugeriu que

Pseudomonas, Proteus, Klebsiella, Escherichia, Micrococcus e Corynebacterium spp eram os habitantes normais da cavidade oral de California king snakes (Lampropeltis getulus californiae) sadias e que

organismos Gram-negativos ultrapassavam em número os Gram-positivos neste local. Draper et al. (1981), ao contrário, realizando cultivos de

swabs tomados do pálato e das laterais da cavidade oral de serpentes de

diversas espécies em cativeiro, concluíram que, em animais saudáveis, bactérias Gram-positivas eram mais freqüentemente encontradas (60,3% do total dos isolamentos), havendo pouca variação na flora da cavidade oral entre as famílias de serpentes; em animais com estomatite infecciosa, as bactérias Gram-negativas predominaram (80,3% do total dos isolamentos, quando foram obtidas principalmente Pseudomonas

aeruginosa, P. maltophilia e Providencia rettgeri). Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em 25% das serpentes saudáveis, porém em

significativos poderiam ser obtidos identificando-se a flora oral e intestinal de serpentes de vida livre para observar-se se estas seriam diferentes daquelas encontradas em serpentes em cativeiro.

Hilf et al. (1990), com a hipótese de que os patógenos bacterianos mais freqüentemente envolvidos em pneumonias de serpentes provavelmente eram aqueles da flora normal da cavidade oral e trato respiratório superior, conduziram um inquérito bacteriológico prospectivo da flora do trato respiratório superior em oito serpentes da família Boidae, no Pittsburgh Zoo, pelo período de um ano. Relataram que o bacilo Gram-negativo mais comumente isolado foi Providencia

rettgeri e que, em serpentes com pneumonia, o número de bacilos Gram-

negativos foi significativamente maior que em serpentes normais. De duas serpentes que vieram a óbito em conseqüência de pneumonia, da primeira isolou-se maciçamente Aeromonas hydrophila e da segunda

Salmonella sp, Citrobacter sp e Enterococcus sp, em ambos os casos a

partir de tecido pulmonar. Salmonella já havia sido anteriormente cultivada de swab de glote do segundo animal, e esta linhagem mostrou- se resistente à gentamicina, in vitro. Estes autores concluíram que a cultura de swab da glote é uma técnica útil no manejo da pneumonia bacteriana em répteis. Organismos isolados da glote são representativos dos agentes causais em serpentes com pneumonia, inclusive por serem os mesmos isolados de lavados bronquiais. Afirmam, ainda, que devemos conhecer a flora normal do trato respiratório superior das serpentes dos plantéis, e a correspondente sensibilidade in vitro destas bactérias a antibióticos.

Em um estudo já citado anteriormente, Jacobson et al. (1992) isolaram, de culturas de pulmão de 12 serpentes (a maioria

Crotalus) com lesões pulmonares compatíveis com infecção por

Paramyxovirus, principalmente: Morganella morganii, Pseudomonas spp e

Salmonella arizonae. Os autores consideram que estas infecções

poderiam ser devidas à imunossupressão, como as constatadas nas paramixoviroses de outros animais, como na infecção pelo vírus Sendai em camundongos.

No Brasil, Mavridis et al. (1993a) pesquisaram a microbiota aeróbica de serpentes Bothrops sp, recém capturadas e aparentemente sadias. Concluíram que houve predominância de bactérias Gram- negativas, tanto nas culturas de material da cavidade bucal como de fragmentos de traquéia e pulmão. Os microrganismos isolados, em ambos os tipos de amostras, foram: E. coli, Pseudomonas sp, Shigella sp,

Aeromonas salmonicida, Vibrio sp e Enterobacter sp. Em outro estudo,

de pulmão e vias aéreas de serpentes doentes de várias espécies, os mesmos autores (Mavridis et al., 1993b) isolaram Salmonella sp, Proteus sp, Enterobacter sp, bacilo Gram-negativo não-fermentador, Edwardsiella

tarda, P. aeruginosa, E. coli, Citrobacter sp, Yersinia pseudotuberculosis, Aeromonas salmonicida e Klebsiella sp. Kolesnikovas (1997), ao realizar

uma série de exames anátomo-patológicos e microbiológicos de serpentes Crotalus durissus, concluiu que, se consideradas as causas de morte, o principal órgão acometido foi o pulmão e os principais agentes bacterianos isolados foram os bacilos Gram-negativos. Das culturas de amostras de pulmão, a bactéria isolada com maior freqüência foi

Aeromonas hydrophila.

Jacobson (1993c) observou que, vinte anos antes, sabia-se muito pouco sobre patógenos em répteis. Então, imaginava-se que estes animais poderiam abrigar uma série de patógenos. Infelizmente, nossa habilidade em verificar nestes animais aqueles poucos patógenos que sabíamos ser significativos seria ainda bastante rudimentar.

3 OBJETIVOS

Com este estudo, objetivamos:

3.1 Efetuar avaliação clínica das serpentes Crotalus durissus terrificus doadas ao CEVAP - Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos – UNESP – Campus de Botucatu, um criadouro com finalidade científica;

3.2 Verificar a presença de anticorpos contra o Paramyxovirus nestes animais;

3.3 Pesquisar a ocorrência de Paramyxovirus, Mycoplasma e bacilos Gram-negativos (Salmonella spp, Pseudomonas spp e Aeromonas spp) no trato respiratório destas serpentes;

3.4 Avaliar o perfil de sensibilidade das bactérias isoladas frente a diferentes agentes antimicrobianos;

3.5 Reavaliar, quando possível, todos os parâmetros acima nos

mesmos animais após 90 e 180 dias de permanência nas condições deste criadouro científico.

4 MATERIAL E MÉTODOS