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5. FRA GRS TIL IFRS FOR SME

5.2 R EGNSKAPSPRODUSENTER

Na medida em que aumenta o acesso às informações digitais, mais importância vem se dando a usabilidade das interfaces que mediam esta relação, a fim de se adequar melhor às necessidades dos usuários em questão. Dessa forma, as interfaces tangíveis têm trazido novas formas de interação, mais adequadas às possibilidades do corpo humano e com uso mais natural para o usuário. Em um processo de interação natural, “o contexto incluiria informação que não requer nossa atenção, exceto quando necessário”.67 (McCULLOUGH, 2005, p.70).

Fruto de pesquisas na área de interação humano-computador (IHC), as interfaces tangíveis ou Tangible User Interface (TUI) apresentam já muitas aplicações práticas, de tal forma que sua definição pode ser difícil de enunciar, como explica Fishkin (2004) quando esclarece que a compreensão sobre esse assunto pode ser feita intuitivamente, ou seja, “eu sei que é um quando eu vejo um”.68 (FISHKIN, 2004, p.347). No entanto, o mesmo autor consegue enunciar o que vem a ser TUI usando como referência a conceituação de Ishii e Ulmer (1997) que as define como “[...] interfaces para usuários que aumentam o mundo físico real através do acoplamento de informação digital a objetos físicos do dia-a-dia e ambientes. [Essa interface]

67 (Tradução nossa) [In a natural interaction] the context would include information that does not require our attention except when necessary.

67 elimina a distinção entre dispositivos de entrada e saída”.69 (ISHII e ULLMER, 1997,

in FISHKIN, 2004, p. 347)

Em outras palavras, a TUI pode ser tomada como sendo a interface que, através de objetos cotidianos, consegue estabelecer uma relação menos técnica entre os homens e os computadores estimulando uma manipulação mais natural dos objetos que acessam informações no meio digital. Por exemplo, enquanto no Disk Operating

System (DOS) era necessário digitar o comando para se descartar um arquivo, na

GUI a ação de clicar e arrastar o arquivo para o ícone de uma lixeira desempenhava a mesma ação. Na TUI, pode-se ter um objeto que represente o arquivo e outro que represente a lixeira (inclusive podendo ser uma lixeira real) e a ação do usuário de jogar o objeto no lixo seria suficiente para o computador apagar o arquivo.

Fishkin (2004) traz também um roteiro básico que representa o que uma TUI pode ter:

• Evento de entrada: o usuário usa as suas mãos para manipular um objeto físico, movendo-o, apertando-o, agitando-o ou empurrando-o, entre outras ações; (FISHKIN, 2004, p.348)

• “Um sistema computacional detecta esta ação e altera seu estado interno”;70 (FISHKIN, 2004, p.348)

• “Evento de saída: o sistema dá um retorno ao usuário, através de uma mudança na natureza física de algum objeto – altera sua superfície de visualização, cresce, encolhe, emite um som [...]”.71 (FISHKIN, 2004, p.348) Para exemplificar esse esquema, tem-se o exemplo do projeto Living Wall, mostrado na FIGURA 7:

69 (Tradução nossa) […] user interfaces that augment the real physical world by coupling digital information to everyday physical objects and environments. [It] […] eliminates the distinction between input device and output device.

70 (Tradução nossa) A computer system senses this input event, and alters its state.

71 (Tradução nossa) The system provides feedback. This output event is via a change in the physical nature of some object—it alters its display surface, grows, shrinks, makes a sound […]

68 FIGURA 7 – [Projeto Living Wall, desenvolvido por Leah Buechley e High Low-Tech Tangible Media Group do MIT, Massachusetts em 2010]

Nota: Imagens retiradas de vídeo do Youtube.

Fonte: BUECHLEY; HIGH-LOW TECH TANGIBLE MEDIA GROUP, 2010.

O projeto do Living Wall consiste em um dos muitos projetos realizados pelo

Tangible Media Group do Massachussets Institute of Technology (MIT). Trata-se de

um papel de parede interativo programado para monitorar o ambiente, as luzes e os sons. Por trás do efeito meramente decorativo, existe uma interface que pode acender lâmpadas, tocar músicas e enviar mensagens para os usuários, dependendo do estímulo dado. Em resposta, o papel muda seu aspecto acendendo luzes e mudando as cores, trazendo assim uma decoração interativa.

Outro exemplo de TUI é o projeto Audio-Visual Connections (FIGURA 8), desenvolvido por Laura Bordin et al (2008), que consiste numa plataforma pisável que envolve música, cores e movimentos. As imagens coloridas que surgem no piso funcionam como atrativos para as pessoas e à medida que elas vão pisando, diferentes imagens e sons vão aparecendo. A intenção aparente é a descontração, a experimentação curiosa e divertida.

FIGURA 8 – [Projeto Audio-Visual Connections, desenvolvido por Laura Bordin et al, em 2008] Nota: Imagens retiradas de vídeo do Youtube.

69 No entanto, dada a atenção que chama, este exemplo de interface faz bastante sucesso entre crianças e funciona como uma forma sutil de agrupá-las em lugares convenientes aos pais ou em lugares mais seguros aos pequenos. A FIGURA 9 representa o esquema de uma interface semelhante à utilizada no projeto Audio-

visual Connections e se localiza na estação de metrô de Ipanema, Rio de Janeiro.

Essa interface estava estrategicamente colocada na parte central da estação, visando tirar as crianças das áreas de risco, próximas aos trilhos dos trens.

FIGURA 9 – [Representação da aplicação de uma interface tangível, localizada na estação de metrô de Ipanema, cuja utilização é semelhante ao exemplo do projeto Audio-visual Connections]

Fonte: Produzida pela autora, 2010.

Nos exemplos citados, fica clara a diferenciação que o sistema tangível apresenta em relação às interfaces convencionais. O potencial de interação com a tecnologia é mais fluído e evidencia a forma natural com que as interfaces podem ser manipuladas sem exigir um conhecimento técnico específico, podendo ser utilizado por crianças, idosos, leigos, entre outros.

A inserção de TIC discretamente localizada em espaços cotidianos, como mostrado nos exemplos acima, podendo ser experimentada de modo natural e espontâneo pelas pessoas, demonstra que as TUIs utilizam conceitos de computação ubíqua para proporcionar experiências tecnológicas, acesso a informações situadas, interação entre os usuários e entre estes e o ambiente.

Vale salientar que as interfaces tangíveis podem também apresentar limitações de usabilidade, ainda que partam de uma intenção interativa. Quanto mais capacidades do corpo humano e do ambiente forem exploradas, maior é a possibilidade de interatividade. Seguindo essa tendência, surge um outro conceito, também da

70 computação física e ligado ao de interface tangível, que é o de realidade aumentada (RA).