• Implantação do conjunto habitacional e dos blocos x isolamento
espacial:
Nessa disciplina alguns novos conflitos foram identificados e diferentes propostas apresentadas. Embora não mencionado muitas vezes, ou mesmo descrito como um conflito nos trabalhos da primeira disciplina, nessa turma apareceu com mais clareza, uma postura crítica com relação à forma como se deu a implantação do conjunto IAPI. Esta pôde ser constatada no momento em que foram mencionados a falta de espaço de transição entre os edifícios e as ruas, a dificuldade de comunicação entre os moradores, decorrente das longas distâncias entre os blocos, o nível da rua negligenciado, a falta de acessibilidade e o estacionamento com número de vagas insuficiente.
Essas situações, embora mencionadas pelos alunos da primeira turma, foram percebidas como decorrentes de falhas de implantação e/ou projeto do conjunto pelos alunos da segunda disciplina. Os alunos da pós-graduação enfatizaram o problema, não apenas apontando para a necessidade de elementos de transição entre as áreas externas e internas, mas também para o prejuízo do isolamento dos blocos em si (através de layout fechado em quadra) e com relação ao conjunto habitacional como um todo e com seu entorno imediato.
A disposição em “O” do conjunto como um todo, é tomada como fator limitante para a interação do conjunto com o entorno, o que se dá também em cada conjunto de edifícios que se agrupam na mesma disposição repetindo o mesmo fator limitante. As soluções para tais conflitos, apesar de sua complexidade, contemplaram a utilização de alguns dispositivos tecnológicos como displays, leds e tags. Tais dispositivos atuariam sobre o conflito criando interfaces visuais entre os espaços segregados fisicamente, para que os habitantes acompanhassem visualmente o que se passava em outras áreas comuns.
• Identidade visual x padronização dos blocos, estilo histórico e falta de
informações visuais:
A falta de identidade visual dos blocos residenciais, marcados pela padronização em concreto de suas fachadas, pela falta de identificação visual nas entradas
106 externas (que dão para as ruas) e internas (que dão para os blocos) e pelo estilo histórico predominante, (relatado por alguns moradores como algo que não corresponde ao estilo do tempo atual) foi um conflito observado. Esse conflito é marcado pela pouca identificação dos moradores com as características físicas do local em que vivem. Corresponde a uma particularidade que se reflete na impressão e na manutenção do conjunto por parte dos usuários que reformam as fachadas com pinturas diferenciadas e janelas espelhadas.
Tentando a resolução desse conflito, uma das sugestões dadas foi a utilização de um obelisco informativo (FIGURA 31) que associaria o elemento arquitetônico, marcado visualmente, e traria informações digitais acerca do conjunto. Ele poderia ser utilizado pelos moradores e pelos frequentadores do conjunto, a fim de auxiliar a localização dentro do conjunto, identificando os blocos e trazendo informações históricas sobre o lugar.
FIGURA 31 – Obelisco informativo
Fonte: Trabalho final dos estudantes da disciplina de Tópicos em Arquitetura e Urbanismo II - Sistemas de Tecnologias de Informação Aplicadas ao Espaço Urbano, 2010.
• Necessidade de segurança x falta de controle de acessos:
Em menor frequência, novamente o conflito relativo à segurança do local foi identificado, no entanto, mais relacionado à falta de controle de acessos do que à presença de mendigos. Para tanto os alunos apontaram algumas soluções contemplando o uso de TI. Em um dos trabalhos foi sugerido um ‘tori’ eletrônico (FIGURA 32), que seria um portal de entrada, tanto para marcar fisicamente as entradas dos blocos, como para servir de elemento de transição entre a área externa e interna dos blocos. O mesmo seria equipado com servomecanismos e sensores que permitissem acesso aos apartamentos e informação/notícias aos moradores.
107 FIGURA 32 – Portal eletrônico
Fonte: Trabalho final dos estudantes da disciplina de Tópicos em Arquitetura e Urbanismo II - Sistemas de Tecnologias de Informação Aplicadas ao Espaço Urbano, 2010.
• Necessidade de uso das áreas coletivas x acesso limitado e falta de
manutenção das mesmas:
A questão dos usos limitados das áreas comuns foi mais uma vez apontada, bem como a manutenção do conjunto habitacional. Esses dois conflitos estão interligados pelo fato de que em não havendo manutenção das áreas comuns, estas não se tornam áreas de permanência. A praça do condomínio em abandono é um exemplo disso, já a quadra de esportes torna-se mais utilizada pela falta de outras opções de lazer, mas, ainda assim, é utilizada em maior freqüência pelas crianças e jovens do condomínio e da comunidade, não pelos idosos. Esses conflitos foram também apontados pela primeira turma. Contudo, alguns alunos destacaram a necessidade de interação entre os diferentes grupos habitantes do conjunto: as crianças, os jovens e os idosos.
Um dos alunos destacou que o espaço central que reúne os blocos dos edifícios em círculo, onde se encontram a escola municipal e a quadra de esportes, é compactado por esses elementos arquitetônicos. Para tanto ele sugere uma descompactação dessa área (FIGURA 33), criando-se praças em diferentes níveis, de modo que os blocos pudessem ter vista para a área central e para todos os outros blocos, abrindo possibilidade para uma diversidade de ambiências e convivências.
108 FIGURA 33 - Proposta de descompactação da área central do IAPI para promover diversidade de ambiências
Fonte: Trabalhos dos estudantes da disciplina de Tópicos em Arquitetura e Urbanismo II - Sistemas de Tecnologias de Informação Aplicadas ao Espaço Urbano, 2010.
• Observações gerais:
De um modo geral os alunos da turma de pós-graduação não deram tanta ênfase aos problemas relativos à segurança do local, tão mencionados na primeira disciplina. Os conflitos mais destacados nessa última disciplina se relacionaram às lacunas de projeto e à implantação do conjunto, nesse caso explicitamente criticado pelos alunos. Os alunos apresentaram maior desenvoltura para a proposição de soluções e para a identificação de conflitos.
Assim como na primeira turma, surgiram na primeira etapa do exercício dúvidas e dificuldades associadas aos custos de implantação e manutenção dos sistemas de TI pelos usuários. Foi explicitada também a dúvida quanto à necessidade de familiaridade dos habitantes/usuários com dispositivos para que houvesse uma integração dos elementos pervasivos. Contudo, ficou clara a falta de familiaridade dos alunos com dispositivos de TI e seu uso na arquitetura, fato que explica a dificuldade da sua aplicação em projeto e uma resistência inicial para esse tipo de recurso.
Embora tenha se destacado o uso de TI e não o uso de TIC, nessa turma foi enfatizada a necessidade de uma convivência interativa entre os diferentes grupos de habitantes, através da última proposta (FIGURA 33) que considerou a simbiose de espaços e engajamento entre diferentes grupos.
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4.5 Sobre alguns conflitos identificados e algumas questões que não foram