4 Modeller - Konseptutvikling og realisering
4.4 Rørtårn og nacelle
A cidade de Mossoró vem se despontando como uma cidade de uma forte tradição cultural devido as grandes realizações teatrais apresentadas ao ar livre, dando aos mossoroenses e turistas uma oportunidade para conhecer as histórias e as manifestações artísticas do seu povo. São anualmente três grandes espetáculos teatrais: Chuva de Balas no País de Mossoró, que conta a história da derrota de Lampião naquela cidade; o Auto da Liberdade, onde apresenta a abolição da escravatura, quando Mossoró libertou seus escravos antes da Lei Áurea; e o Oratório de Santa Luzia, narrando a história da padroeira dos mossoroenses.
a. Chuva de Balas no País de Mossoró
Na Avenida Alberto Maranhão, encontramos a Igreja de São Vicente (Foto IV.5.1 – 02) e o Palácio da Resistência (Foto IV.5.1 – 02), palco da batalha histórica entre o povo de Mossoró e o bando de Lampião, no dia 13 de junho de 1927. Durante o duelo,
o prefeito da época, Rodolpho Fernandes, e seus homens afugentaram os cangaceiros que aterrorizavam o Nordeste. O episódio virou a peça teatral Chuva de Bala no País de Mossoró, encenada anualmente no mês de junho, no adro da Igreja de São Vicente, uma das principais trincheiras da resistência na época. Ao lado da Igreja de São Vicente temos o Palácio da Resistência, casa do Prefeito Rodolfo Fernandes, atualmente sede da Prefeitura Municipal.
Foto IV.5.1 – 01 – Igreja de São Vicente. Acervo pessoal (2012)
Foto IV.5.1 – 02 – Palácio da Resistência. Acervo pessoal (2012)
b. Auto da Liberdade
Na apresentação do Auto da Liberdade são proclamados o pioneirismo histórico de Mossoró em várias ocasiões. Em ordem cronológica, enumeramos os acontecimentos que são propagados na comemoração: inicialmente o pioneirismo histórico de Mossoró: Motim das Mulheres (1875), a revolta feminina contra o alistamento de mossoroenses na Guerra do Paraguai; a Abolição dos Escravos (1883), cinco anos antes da Lei Áurea; o Voto Feminino (1927), a inscrição da primeira eleitora na América do Sul, a professora Celina Guimarães Viana; e a Resistência a Lampião (1927), vitória da cidade sobre o bando do Rei do Cangaço.
A Estação das Artes, como é hoje conhecida, que foi o prédio da Estação Ferroviária, passou por uma reforma para requalificação, onde o espaço pudesse ser usado pela população para eventos culturais. A administração do imóvel é de responsabilidade
da Fundação de Cultura, Secretaria da Prefeitura Municipal. Foram criados espaços para salas administrativas, biblioteca, auditório, galeria de arte e o museu do petróleo. O átrio é palco de muitos eventos durante o ano, seja para show ou festivais, feiras ou exposições.
Foto IV.5.1 - 03 – Estação das Artes.
c. Oratório de Santa Luzia
Foto IV.5.1 – 04 – Catedral de Santa Luzia. Acervo pessoal (2012)
A história da cidade inicia-se na construção da Capela de Santa Luzia. O templo religioso teve sua edificação iniciada no dia 05 de agosto de 1772. Em 1862, a
capela foi demolida e sob seus alicerces foi construída a Catedral de Santa Luzia (Foto IV.5.1 – 04). Esta vem sendo reformada e ampliada durante toda a sua existência. Ao verificarmos os mapas históricos do desenvolvimento urbano da cidade de Mossoró, constatamos o crescimento da cidade em torno do átrio da Igreja Matriz, onde acontece, no adro da Catedral, a apresentação do Oratório de Santa Luzia.
O discurso da necessidade de conservação do patrimônio está presente nas esferas dos governos federal, estadual e municipal, e até mesmo da população, Entretanto, a grande maioria das cidades brasileiras continuam a margem do processo de valorização dos centros históricos. Neste caso, esses são vistos como obstáculos ao crescimento da cidade e que por isso devem ser destruídos ou modificados, a fim de permitir o estabelecimento de nova forma de construir, com uma estética própria, CHOAY (cit in Costa, 2009).
Podemos afirmar que a cidade de Mossoró, no quesito do crescimento imobiliário, procede da mesma forma que outras cidades do país, pois apresenta a ausência de uma ação mais efetiva do poder público, o que fez com que nas últimas décadas, diversas edificações da cidade tenham sido degradadas ou suprimidas da paisagem mossoroense, embora ainda subsistem algumas edificações de importância histórico e arquitetônica dispersas pela área central da cidade. Todavia, os prédios onde o uso é institucional sofreram poucas modificações, o poder público tem se preocupado em preservar suas características, utilizando-os na formação da memória cultural da cidade, associado pela política cultural da prefeitura municipal, formados com base em acontecimentos históricos da cidade: a luta com o bando de Lampião e a libertação dos escravos.
Nesse sentido, podemos entender que a origem das mudanças, estabelecidas em Mossoró, segue processos históricos contínuos em sua organização social e arquitetônica. Segundo Felipe (2001), “são de certa forma projetadas pelos que exercem o poder local, no sentido de (re)significar o espaço urbano e a cultura no imaginário social”. Assim, podemos utilizá-los como produtos para o turismo, fato que também aponta para a ação política no ato de realizar a intervenção urbana ou a revitalização.
A preservação do patrimônio histórico da cidade, é uma condicionante que encontramos no urbanismo sustentável, não se pode deixar de lado o significado das lembranças na vida de uma pessoa, de um povo, pois as lembranças são uma estratégia do indivíduo para reter memórias referente a pessoas, fatos, coisas e lugares que determinam sua identidade e o sentimento de pertencer a um determinado grupo. Considerando a história do surgimento e do desenvolvimento da cidade, podemos ver a história se repetindo, embora a cidade de hoje, seja diferente da cidade de 1855, onde o Código de Posturas (Resolução de 18 de agosto de 1855) determinava até a demolição de choupanas, palhoças e casebres que enfeiavam ou atrapalhavam o traçado das novas ruas e a construção de praças e edifícios novos, Mossoró, infelizmente, não consegue mostrar que é possível avançar sem destruir, sem demolir. Inúmeros imóveis, constante na lista de pontos de interesse do corredor cultural e adjacências e que estão em posse do setor privado são derrubados nos finais de semana, na calada da noite, quando tem indeferidos seus pedidos de reformas.