3.5 Kvantitative metoder for å avdekke regnskapsmanipulasjon
3.5.6 Rødflagg-analyse
Conforme mencionamos na seção anterior, em nossa análise via OT, objetivamos fazer uso de restrições que reflitam os efeitos da escala de sonoridade, no que diz respeito à atribuição dos segmentos à posição de coda.
Prince & Smolensky (1993, 2004), no texto fundador da Teoria da Otimidade, propõem o mecanismo de Alinhamento Harmônico, através do qual obtemos um ranking de restrições capaz de expressar quais segmentos se mostram mais aptos a figurar em uma dada posição silábica. O Alinhamento30 Harmônico é um mecanismo geral para expressar hierarquias de restrições a partir de escalas lingüísticas naturais. Segundo Gouskova (2004), as restrições, no processo de avaliação do candidato ótimo, não têm acesso a escalas; elas são, sim, construídas a partir de escalas, e refletem tais escalas em seu ranqueamento. Dessa forma, o processo de Alinhamento Harmônico caracteriza-se como um esquema de obtenção de restrições (constraint schema): trata-se de um mecanismo, inerente à estrutura interna do módulo CON, de construção sistemática de famílias de restrições, a partir de primitivos lingüísticos.
O mecanismo de Alinhamento Harmônico, conforme explica McCarthy (no prelo), requer duas entidades: uma escala lingüística natural, e uma dada posição de uma estrutura prosódica que prefira os entes de um extremo dessa escala aos do outro extremo. No caso da análise a ser desenvolvida no presente trabalho, temos a escala de sonoridade como escala natural e a coda silábica como a posição prosódica em questão. A posição de coda silábica prefere elementos de maior sonoridade, o que nos leva a obter uma hierarquia de restrições que privilegie um segmento líquido. Já ao tratarmos da posição de onset, por exemplo, o mecanismo possibilitará a obtenção de uma hierarquia que prefira os segmentos pertencentes
30 É importante ressaltar que o termo “Alinhamento”, aqui mencionado, não diz respeito à noção de Alinhamento Generalizado, conforme proposta de McCarthy & Prince (1993).
ao outro extremo da escala. As plosivas, nesse caso, corresponderão às consoantes menos marcadas.
As restrições obtidas através do Alinhamento Harmônico podem ser formalizadas através de duas maneiras: por meio de uma hierarquia universalmente fixa (semelhante à proposta no texto fundador da OT), ou através da geração de um conjunto de restrições que se encontram em uma relação de estringência. A noção de estringência foi primeiramente apresentada por Prince (1997 a, b), e vem sendo utilizada em diversos trabalhos da área, assumindo papel de destaque na Teoria de Marcação proposta por de Lacy (2002, 2006). Em uma relação de estringência entre A e B , a restrição A é mais estringente do que a restrição B se toda a violação de B for, também, uma violação de A, ainda que haja algumas violações de A que não sejam violações de B. Em outras palavras, as violações de B correspondem a um subconjunto das violações de A. Restrições que se encontram em relação de estringência, dessa forma, não precisam apresentar uma relação de dominância fixa.
Vejamos como se dá o Alinhamento Harmônico da escala de sonoridade à posição de coda, com vistas a obtermos restrições estringentes. Nesse sentido, a partir do Alinhamento Harmônico obteremos, em termos de restrições de marcação, um sistema hierárquico que reflete a escala de harmonia Líquida > Nasal > Fricativa > Africada > Plosiva, referente à posição de coda, em que as plosivas se caracterizam como os segmentos mais marcados, e as líquidas, os menos marcados. Para obtermos uma hierarquia de marcação cujas restrições componentes se encontrem em uma relação de estringência, é preciso que uma restrição que se oponha à produção de um segmento menos marcado seja violada, também, nos casos de produção de segmentos mais marcados, referentes à escala lingüística que é tomada por base. Apresentamos, em (07), as restrições estringentes advindas do Alinhamento Harmônico entre a escala de sonoridade e a posição de coda.
(07)
(a) *{stop}coda: Atribua uma violação para cada segmento plosivo em coda silábica.
(b) *{stop,aff}coda: Atribua uma violação para cada segmento plosivo e para cada africada, em coda silábica.
(c) *{stop,aff,fric}coda Atribua uma violação para cada ocorrência de plosivas, africadas ou fricativas, em coda silábica.
(d) *{stop,aff,fric,nas}coda Atribua uma violação para cada ocorrência de plosivas, africadas, fricativas ou nasais, em coda silábica.
(e) *{stop,aff,fric,nas,liquid}coda Atribua uma violação para cada ocorrência de plosivas, africadas, fricativas, nasais ou líquidas, em coda silábica.
Em termos de marcas de violação, a relação entre as restrições apresentadas em (07) pode ser expressa no quasi-tableau31 em (08):
(08)
* {stop}coda *{stop,aff} coda *{stop,aff, fric}coda *{stop,aff, fric,nas}coda *{stop,aff,fric, nas,liquid}coda kal
*
kam* *
kas* * *
katÉs* * * *
kat* * * * *
31 Um quasi-tableau é um dispositivo formal através do qual podemos expressar as marcas de violação incorridas por possíveis formas de saída. Em um quasi-tableau, não existe concorrência entre candidatos, tampouco a escolha de um output ótimo. Uma vez que a função do quasi-tableau é expressar as marcas de violação em cada uma das possíveis formas de output, não são estabelecidas, tampouco, relações hierárquicas entre as restrições.
No que diz respeito à relação de estringência entre as restrições apresentadas em (08), independentemente de como as restrições estringentes estejam ranqueadas, o efeito será sempre o mesmo, em função de a descrição estrutural das restrições garantirem que sempre uma restrição incorrerá no subconjunto de violações da outra. Argumentos de ranqueamento entre essas restrições somente serão possíveis a partir da interação de tais oposições com restrições de fidelidade, conforme já discutimos no exemplo apresentado na seção 3.2.
Ainda que a relação de marcação nunca possa ser revertida, tal relação pode ser
conflated, de modo a “igualar” o grau de marcação entre dois membros de uma escala.
Conforme exemplifica de Lacy (2006, p. 24), uma relação de marcação tal como |dorsal > labial| não quer dizer que os segmentos labiais serão sempre tratados, em todos os ambientes fonológicos, como menos marcados do que os dorsais, uma vez que a distinção pode ser desfeita através da conflation. Nesse sentido, podemos considerar casos em que, em um
ranking, a restrição mais altamente ranqueada é *{dorsal, labial}. Em tais casos, segmentos
dorsais e labiais encontram-se igualmente proibidos, de modo que a distinção entre labiais e dorsais seja perdida. Assim, enquanto a noção de ranking fixo estabelece que “x é mais marcado que y”, o tratamento dispensado pela noção de estringência propõe uma reformulação à afirmação anterior, considerando como correta, apenas, a constatação de que “y nunca é mais marcado do que x” (op. cit., p. 208). No exemplo em questão, vemos que os segmentos labiais nunca podem ser mais marcados do que os dorsais, mas ambos podem assumir um caráter igualmente marcado, através da interação das restrições no ranking.
Assim, podemos ter uma relação hierárquica C1 >> C2 >> C3 em que C2 é uma restrição não-advinda do Alinhamento Harmônico, a restrição mais altamente ranqueada (C1) apresenta caráter mais geral (tal como *{dorsal, labial}), e a restrição mais baixa (C3), por sua vez, é justamente a de caráter mais específico (tal como *{dorsal}). Revela-se, através do exemplo acima expresso, a capacidade de restrições de caráter estringente lidarem com casos
de ranqueamento do tipo anti-Panini (em que a restrição de caráter mais geral domina a mais específica). Conforme aponta McCarthy (no prelo), efeitos anti-Panini não podem ser expressos através de um ranking fixo, somente por meio de restrições de caráter estringente. Através dessa vantagem, fica justificada a pertinência de concebermos restrições estringentes como resultantes do Alinhamento Harmônico.
Além do fato de as restrições estringentes lidarem com ranqueamentos anti-Panini, julgamos pertinente já mencionar o papel das restrições de caráter estringente em nossa análise. Em outras palavras, precisamos destacar a vantagem de trabalharmos com a noção de estringência nas análises voltadas à aquisição de linguagem, ao nos concentrarmos na questão da movimentação de restrições, com base em um algoritmo de aprendizagem. Em nossa análise, procuraremos mostrar que a estringência consegue expressar relações implicacionais no que diz respeito à aquisição dos membros de uma escala de harmonia. Isso se dá porque a violação de uma restrição referente a um membro mais marcado da escala ocasiona, também, a violação das restrições referentes aos membros menos marcados.
Dessa forma, considerando-se um ranking tal como *{stop}coda, *{stop,aff}coda, *{stop,aff,fric}coda, *{stop,aff,fric,nas}coda, *{stop,aff,fric,nas,liq}coda, por exemplo, em um estágio inicial de aquisição M>>F em que todas as restrições estringentes recebam um valor hierárquico igual (por exemplo, 100), podemos dizer que a presença de uma plosiva no input poderá provocar a demoção não somente de *{stop}coda, mas de todas as outras restrições. Assim, uma restrição tal como *{stop,aff,fric}coda poderá ser demovida não somente a partir de instâncias de evidência positiva com segmentos fricativos, mas, também, a partir de africadas e plosivas. Decorre dessas violações a previsão de que a aquisição das fricativas aconteça anteriormente à das plosivas, ou seja, que o ente menos marcado da escala seja adquirido antes do mais marcado, uma vez que a oposição que diz respeito a fricativas será
demovida mais precocemente do que aquela que milita contra plosivas, em função da maior variedade de exemplares de evidência positiva capazes de ocasionar a demoção da restrição de caráter mais geral. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à aquisição das africadas: ainda que possa haver poucas instâncias de evidência positiva que levem à demoção de *{stop,aff}coda, tal restrição será demovida, também, em cada caso de presença de plosivas no
input, o que garante a aquisição de africadas antes de plosivas, na posição de coda.
Conseguimos, assim, prever relações implicacionais no que diz respeito à aquisição dos membros de uma escala. Através de um ranking fixo, tais relações precisariam ser explicadas de forma extrínsica, externa ao tableau, uma vez que não há nada, em termos de marcas de violação, que garanta uma ordem de aquisição dos membros da escala. Com a noção de estringência, essa ordem faz parte do conjunto de violações de cada restrição, e nada mais do que isso precisa ser dito, em termos de análise. A relação advém das próprias violações das restrições, não de uma relação fixa que não consegue ser expressa por meio de marcas de violação.
Acreditamos ter justificado, dessa forma, a pertinência da obtenção de restrições estringentes a partir do processo de Alinhamento Harmônico. Restrições em relação de estringência conseguem expressar as relações de marcação existentes entre os membros de uma escala, e conseguem, através das marcas de violação de cada restrição, formalizar a ordem de aquisição de cada um desses membros. Tais relações serão de grande importância para nossa análise, conforme veremos nos Capítulos 6 e 7.