Em suas atividades voltadas a educação ambiental, a Secretaria do Meio Ambiente cria dispositivos para serem dialogados junto as comunidades rurais. Nesse sentido, a Cartilha do Agricultor, Orientações básicas – CARTAGRI é o material utilizado no curso para agentes multiplicadores rurais.
A CARTAGRI se propõe a ser:
Esta ferramenta é importante para o(a) agricultor(a) ter, de maneira objetiva, esclarecimentos sobre práticas ambientalmente corretas, buscando a sensibilização diante da questão ambiental, social, econômica, local e regional, bem como a promoção da agricultura sustentável integrada aos princípios ecológicos, servindo de instrumento de formação e orientação técnica para esse segmento social. (Cartagri, 2010).
Na busca de uma consciência e sensibilização com o meio rural, a Permacultura é uma ferramenta eficiente para a agricultura sustentável. Isto porque, é nos sistemas naturais que a Permacultura tem o modelo ideal para os sistemas sustentáveis que são regidos pelos princípios ecológicos como:ciclagem de nutrientes, diversidade biológica, sucessão natural, necessidades energéticas e inter-relação.
Na Permacultura o planejamento é realizado a partir de uma base conceitual fundamentada em princípios éticos e de design. A ética permeia todos os aspectos dos sistemas ambientais, sociais, econômicos e comunitários. Nesse contexto, a cartilha proposta aborda cinco temas associados com a Permacultura, de acordo com o sumário: Agricultura sustentável com base nos princípios da Permacultura, Floresta de alimentos, Práticas de conservação do solo, Permacultura e água e Defensivos agrícolas naturais.
O texto de apresentação da cartilha traz o objetivo inicial desse material que é difundir os conhecimentos sobre a Permacultura para as comunidades rurais podendo ser
usado como material didático de apoio para as capacitações de agentes multiplicadores rurais realizado pela Secretaria do Meio Ambiente.
Segundo Souza (2009, p. 111), “Os recursos didáticos não devem ser utilizados de qualquer jeito, deve haver um planejamento por parte do professor, que deverá saber como utilizá-lo para alcançar o objetivo proposto por sua disciplina”.
O texto presente na cartilha traz as temáticas de maneira contextualizada oportunizando a inserção de novas informações ao material, como podemos observar no tópico 1: Agricultura sustentável com base nos princípios da Permacultura.
De acordo com Sperber e Wilson (1986, p. 109) o contexto permite a relação entre informações velhas e novas, resultando em uma implicação envolvendo ambas. Sendo que o processo de aprendizagem das novas informações ocorre à medida que o assunto encontra-se previamente contextualizado.
Nesse tópico, cuidou-se de trazer esclarecimentos sobre a diferença entre a agricultura convencional e sustentável, fazendo a introdução da Permacultura, como modelo de uma agricultura sustentável, oportunizando a aproximação do agricultor com a temática, necessário ao processo de construção de conhecimento.
Como afirma Legan (2007, p.5), os métodos orgânicos e ecológicos utilizados pela Permacultura equilibra o ecossistema local, garantindo força e resistência e abundância da plantação.
No tópico 2, a cartilha traz esclarecimentos sobre a Floresta de alimentos, sobre a criação de abelhas sem ferrão, sobre os tratores vivos, sobre as valas de infiltração, entre outros assuntos relacionados, que são abordados em associação com os princípios de design acompanhados de ilustrações que aproximam o agricultor da experiência no conhecimento da técnica.
O tópico 3, com o título Práticas de conservação do solo está presente na CARTAGRI e traz novas informações e esclarecimentos com a temática “banheiro seco compostável” técnica aplicável no ambiente rural além de, “cobertura vegetal”, “minhocário” e “compostagem”. Todas essas técnicas estão associadas aos princípios permaculturais, de modo a aproximar o agricultor familiar sobre a importância do planejamento e a sustentabilidade da propriedade rural.
No tocante ao desenvolvimento rural, o uso de práticas e modelos de produção insustentáveis tem levado à exaustão dos recursos naturais e a migração das famílias para as cidades. Nesse contexto, é de suma importância buscar o equilíbrio entre a proteção do meio ambiente, o uso dos recursos naturais e a garantia de condições dignas de vida no meio rural.
O tópico 4, Permacultura e água associa os princípios de “capte e armazene energia” e “obtenha rendimento” aos sistemas de aproveitamento da água da chuva, de reciclagem de água cinza, ao círculo de bananeira e ao sistema de tratamento de água negra.
O tópico 5, trata dos defensivos agrícolas naturais com informações sobre o controle de ervas daninhas, sobre o controle de pragas, sobre acumuladores dinâmicos que servem para plantar ao redor das árvores e na horta para prevenir a invasão de pragas e para colocar no biofertilizante ou usar como cobertura morta, plantas companheiras, que são plantas que agem como parceiras de outras levando ao equilíbrio ecológico, sementes e bomba de sementes.
O mencionado tópico faz a associação das práticas exemplificativas no texto com os princípios Permaculturais, em especial: “integrar ou invés de segregar” que mostra detalhadamente os vários tipos de relacionamento que aproximam os elementos em sistemas mais estreitamente integrados, e os métodos de design mais avançados de comunidades de plantas, animais e pessoas para obter os benefícios desses relacionamentos; “use e valorize a diversidade” enfatizando que a diversidade reduz a vulnerabilidade à uma variedade de doenças e que sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que os grandes, fazendo melhor uso dos recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.
5. CONCLUSÕES
A Permacultura convida o ser humano para uma convivência harmônica e mais integrada com a natureza com reflexões sobre sua atuação no meio ambiente e nas mudanças climáticas. Nesse sentido, a apropriação dos conhecimentos sobre os princípios éticos e de design pelos agricultores familiares coopera para a quebra de padrões de modo de vida no meio rural e uma produção de alimentos sadios.
O desafio em elaborar a Cartilha do agricultor: princípios da Permacultura em ação vieram com a necessidade de produzir um guia voltados aos agricultores familiares, alicerçado nos princípios éticos e de design que norteiam as interações e conexões com o ambiente rural de modo, sustentável, produtivo e em equilíbrio com a natureza. Dessa forma a contribuição do presente trabalho para o avanço do conhecimento sobre a Permacultura se dá pela difusão de estratégias e tecnologias ecológicas simples e eficientes para o planejamento de uma propriedade rural baseadas nos princípios que regem os sistemas naturais, mas desconhecidas pela maioria dos agricultores familiares e governos, geradoras novas iniciativas e políticas públicas para a preservação ambiental e o desenvolvimento de uma agricultura rural sustentável.
6. REFERÊNCIAS
Baeta, A. M. B.; Soffiati, A.; Loureiro, C. F. B.; Lima, G. F. da C.; Passos, L. A.; Sorrentino, M.; Sato, M.; Brügger, P.; Layrargues, P. P.; Castro, R. S. (2008).
Educação Ambiental: repensando o espaço da cidadania. 4 ed. São Paulo: Cortez.
Brasil, (2007). CADERNOS SECAD 1 - Educação Ambiental: Aprendizes de
sustentabilidade. Ministério da Educação. Secretária de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade. Departamento de Educação para a Diversidade e
Cidadania. Brasília, 109p. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao2.pdf>. Acesso em:
31/10/2015.
Ceará. Superintendência Estadual do Meio Ambiente (2010). Cartilha do Agricultor
(CARTAGRI): orientações básicas. Fortaleza, 2010. 23p.: il. Disponível em:
<http://www.sema.ce.gov.br/index.php/material-didatico>. Acesso em: 24/06/2015. Collares, S. A.; Ruaro, L. M. (1997). Do material impresso a era digital: da invenção das cartilhas ao ciberespaço. Disponível em: <http://bit.ly/UdGR75>. Acesso em: 16/10/2015.
Godoy, A. S. (1995) Pesquisa qualitativa tipos fundamentais. RAE – Revista de
Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 3, p. 20-29, maio/jun.
Henderson, D. F. (2012). Permacultura: as técnicas, o espaço, a natureza e o homem. Brasília. 87 f. Monografia (Graduação) – Universidade de Brasília. Disponível em:<http://bdm.unb.br/bitstream/10483/3408/1/2012_DanielleFreitasHenderson.pdf>. Acesso em: 19/10/2015.
Holmgren, D. (2007). Os Fundamentos da Permacultura. Versão resumida em português. Santo Antônio do Pinhal, SP: Ecossistemas.
Jacintho, C. R. dos S. (2007) A Agroecologia, a Permacultura e o Paradigma Ecológico
na Extensão Rural: Uma Experiência no Assentamento Colônia I – Padre Bernardo - Goiás. 2007.139 p. Dissertação. (Mestrado em Desenvolvimento Sustentável) - Centro
de Desenvolvimento Sustentável, Universidade de Brasília, Brasília.
Legan, L. C. (2007) A Escola Sustentável: Eco-Alfabetizando pelo Ambiente. 2 ed. rev. e atual. São Paulo: Impressão oficial e Ecocentro IPEC, p.73-75.
Magnanti, N.J. (2009) Oportunidades e desafios para a agricultura familiar da Serra
Catarinense no contexto das mudanças climáticas. Agriculturas: Experiências em
Agroecologia, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p.10-13, abr. Disponível em: <http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2011/05/Agriculturas_v6n1.pdf>. Acesso em 02/08/2017.
Mascarenhas, M. S. (2003) A construção do lixo nas cartilhas de Educação Ambiental. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Biológicas). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, 2003. Disponível em: <http://lras.ufsc.br/images/stories/ tcc_cris.pdf>. Acesso em: 30/10/2015.
Ministério do Meio Ambiente. (2015). Programa de Educação Ambiental e Agricultura
Familiar / Alex Barroso Bernal e Adriana de Magalhães Chaves Martins,
Organizadores. Brasília: MMA, 32 p.
Mollison, B. (1998) Introdução a Permacultura. Tradução André Luis Soares. NA/SDR/PNFC. Brasília, DF.
Portela, J. F. (2011). Elaboração de cartilha educativa para contribuir com a gestão de
resíduos químicos na UnB. Brasília-DF, 2011. Trabalho de Conclusão de Curso
(Curso em Ensino de Química). Universidade de Brasília, Brasília-DF.
Severino, A. J. (2007). Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez. Soares, A. L. J. (1998). Conceitos básicos sobre Permacultura. Brasília: MA/SDR/PNFC, 53 p.
Souza, S. E. (2007). O uso de recursos didáticos no ensino escolar. In: I Encontro de Pesquisa em Educação, IV Jornada de Prática de Ensino, XIII Semana de Pedagogia da UEM: “Infância e Práticas Educativas”. Arq Mudi. Disponível em:<http://www.pec.uem.br/pec_uem/revistas/arqmudi/volume_11/suplemento_02/ar tigos/019.pdf>. Acesso em: 13/01/ 2016.
Sperber, D.; Wilson, D. (1986). Relevance Communication and Cognition. Oxford: Blackwell.