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Concluding remarks

2. Context and State-of-the-art

2.6. Concluding remarks

Seguindo a comparação entre os Municípios de Guiricema e Ubá, há a introdução do valor do salário mínimo para o ano de 2000, o que permite acrescentar dados econômicos para a compreensão das análises posteriores. Em Ubá, 61% dos domicílios rurais e 39% dos urbanos possuíam renda de até três salários mínimos (IBGE, 2009a). Segundo essa mesma fonte, em Guiricema essa porcentagem aumenta para 75% na área rural e 55% na urbana. Por conseguinte, Guiricema

apresentava no ano 2000 percentual maior da população nas menores faixas de renda, tanto no meio urbano como no meio rural.

Observando com mais detalhe as ocupações desta população rural, identifica- se que Guiricema possuía maior número de pessoas ocupadas em estabelecimentos agropecuários do que Ubá, especialmente em propriedades com menos de cinco hectares (Figura 12). Esta diferença, de forma menos acentuada, também ocorre nas propriedades com menos de 100 hectares. A exceção fica por conta das proriedades entre 100 e 500 hectares. No caso específico desta pesquisa, os produtores estiveram situados, na média, em 59 hectares em Guiricema e 56 hectares em Ubá.

331 480 1037 919 1020 1011 456 184 91 124 105 497 629 757 791 314 285 122 M eno s de 1 ha 1 a 2 ha 2 a 5 ha 5 a 10 ha 10 a 20 ha 20 a 50 ha 50 a 100 ha 100 a 200 ha 200 a 500 ha

G uiric ema Ubá

Figura 12. Pessoal ocupado em estabelecimentos agropecuários (pessoas). Guiricema e Ubá. 1996. Fonte: Adaptado IBGE (2009a).

A tendência de maior concentração de pessoas ocupadas nos estabelecimentos de até cinco hectares em Guiricema fica também demonstrada em termos percentuais (Figura 13). Já nos estabelecimentos maiores que dez hectares Ubá possui maior percentual de pessoas ocupadas que Guiricema. Diante destas evidências inferimos que o perfil do trabalhador rural de Guiricema está mais associado às pequenas propriedades, enquanto os trabalhadores de Ubá têm tendência a se ocuparem em propriedades maiores que os primeiros.

5,95 8,63 18,65 16,53 18,34 18,18 8,2 3,31 1,64 3,42 2,9 13,71 17,35 20,88 21,82 8,66 7,86 3,37 M eno s de 1 ha 1 a 2 ha 2 a 5 ha 5 a 10 ha 10 a 20 ha 20 a 50 ha 50 a 100 ha 100 a 200 ha 200 a 500 ha

G uiric ema Ubá

Figura 13. Pessoal ocupado em estabelecimentos agropecuários (percentual). Guiricema e Ubá. 1996. Fonte: Adaptado IBGE (2009a).

O pessoal ocupado nos estabelecimentos agropecuários pode apresentar ou não laços de parentesco com o produtor rural. Esse dado é retratado na Tabela 8. De acordo com essa Tabela, a maioria dos estabelecimentos, nos dois municípios, possui pessoas com estes laços de parentesco nos estabelecimentos. Entretanto, esse número se reduz no período de 1996 a 2006. Essa redução também atinge os que não possuem os laços de parentesco. No conjunto, identifica-se a tendência das pessoas em se deslocarem do setor rural, confirmando o despovoamento caracterizado na descrição anterior, o que pode expressar, também, a redução na oferta de mão-de- obra no setor.

Tabela 8. Pessoal ocupado em estabelecimentos agropecuários por laço de parentesco com o produtor. 1996 e 2006. Guiricema Ubá Pessoal ocupado em estabelec. agropecuários (Pessoas) Pessoal ocupado em estabelec. agropecuários (Percentual) Pessoal ocupado em estabelec. agropecuários (Pessoas) Pessoal ocupado em estabelec. agropecuários (Percentual) Laço de parentesco com o produtor 1996 2006 1996 2006 1996 2006 1996 2006 Presente 3758 2435 67,6 87,0 2281 1344 62,9 76,9 Ausente 1803 364 32,4 13,0 1344 404 37,1 23,1 TOTAL 5561 2799 100,0 100,0 3625 1748 100,0 100,0

Fonte: Adaptado IBGE (2009a).

Com relação a esta dinâmica populacional associada ao trabalho nos estabelecimentos, há dois aspectos a ressaltar. Primeiro a redução significativa de

pessoas sem laço de parentesco com o produtor, considerando que este grupo é aquele que mais fornece mão-de-obra para o setor agropecuário. Esta especificidade se manifesta nos questionários dos produtores para os quais a mão-de-obra contratada provém da vizinhança e a falta destes braços se agrava pela saída de famílias de não-proprietários do meio rural. Para contornar estas transformações sociais, é necessário operar mudanças nos referenciais técnicos utilizados neste setor. O segundo aspecto, não menos importante, é a redução de pessoas com laço de parentesco com o produtor, uma vez que também reduz a mão-de-obra (no caso familiar) disponível para a atividade leiteira e ainda acarreta problemas de sucessão nas propriedades rurais.

As análises acima trazem contribuições para a compreensão das dinâmicas populacionais associadas à residência rural e ao trabalho, agrícola e não agrícola. Detalhar-se-á este contexto macroanalítico mais adiante pelo estudo das estratégias familiares, o que incorpora motivações das pessoas para a saída do meio rural e da atividade agropecuária, assim como as razões para a permanência. Além disso, para aquelas pessoas com laço de parentesco com o produtor e que optam por uma atividade não-agrícola, volta-se atenção para as formas de incorporação destas rendas obtidas fora do setor agropecuário na economia da família agrícola, tornando-a pluriativa.

As características apontadas pelos dados estatísticos do IBGE sugerem que a extensão rural dos dois municípios lidam localmente com diferentes contextos socioeconômicos e distintas demandas dos produtores de leite. Comparado a Ubá, os dados indicam que em Guiricema há mais produtores nas faixas de pequenas propriedades e há mais diversificação agrícola. Ubá oferece mais oportunidades de trabalhos não-agrícolas aos familiares desses produtores e, ao mesmo tempo, as propriedades do município têm maior produtividade de leite que aquelas de Guiricema. Essas particularidades se mostram importantes nas ações da extensão rural, uma vez que solicitam uma abordagem atual em termos de novas áreas de conhecimento e de demandas.

Capítulo 5. ESTRATÉGIAS PRODUTIVAS DAS FAMÍLIAS ENTREVIS- TADAS

Esse capítulo apresenta as análises dos dados referentes aos questionários aplicados a produtores de leite e aos seus filhos. Aborda o trabalho agrícola e não- agrícola dos membros das famílias de produtores de leite, com alguns componentes que são causas ou efeitos dessa atividade. Para buscar a compreensão do tema, a exposição se fará por determinadas vertentes, como o trabalho dentro e fora das propriedades, a comercialização da produção agropecuária, a renda agrícola e não- agrícola, a mobilidade dos filhos em função do trabalho e, enfim, a caracterização das famílias como pluriativas ou não. A descrição das estratégias produtivas nas famílias investigadas aponta comportamentos individuais e coletivos de mudanças que ocorrem no meio rural e que trazem novos componentes à prática da extensão rural.