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Evaluation and discussion

6. Application case studies

7.2. Evaluation and discussion

Partindo da premissa de que as ações dos extensionistas devem refletir a diversidade e particularidade das áreas onde estão inseridas indicamos que deve ser iniciado um programa de capacitação fundamentado pelos preceitos de Paulo Freire a fim de aperfeiçoar e qualificar a atuação desses atores, principalmente em termos do fortalecimento de uma postura ativa e socialmente compromissada. O objetivo desta ação seria incentivar um aprofundamento teórico com relação à metodologia da práxis integrado à realidade vivenciada por estes extensionistas de modo a que passem a visualizar de uma forma mais consistente o potencial que representam as contribuições das populações com as quais lida, conforme esperado pelas políticas e objetivos institucionais que regulam suas atividades. Este aprofundamento pode ser favorecido através de reuniões periódicas de modo a estreitar vínculos entre os vários atores e consequentemente entre suas instituições. Acredita-se que o ponto de partida desse trabalho é a recuperação da memória da extensão, pois, a despeito do desconhecimento deste histórico por parte do pessoal mais novo, no contexto das instituições estudadas há um grande acúmulo de

conhecimentos no pessoal mais antigo que não pode ser negligenciado, sob o risco de repetir experiências que já se sabe negativas.

Conhecer as nuances, os problemas, as fragilidades e as potencialidades da ATER no contexto da Transamazônica requer deste modo a formação de um conselho técnico interinstitucional de modo a agregar habilidades, competências e “diferentes olhares” sobre as situações. A articulação entre instituições e suas experiências particulares é fundamental para a construção de um panorama que dê conta da complexidades que envolve qualquer trabalho na Amazônia.

A partir dessa troca de “olhares” e do reconhecimento das potencialidades de cada um dos atores envolvidos em uma segunda etapa para esta proposta deve-se partir para uma elaboração sobre o papel do extensionista nos processos de promoção do desenvolvimento rural sustentável, que seja fundamentado pelo aprofundamento teórico com relação à participação e aos métodos participativos, configurando-se na construção de um conceito coletivo de “participação” que possa orientar a elaboração de referentes metodológicos para direcionar as práticas educativas da ATER no município e na região. O instrumental proposto por Paulo Freire deve ser explorado com o intuito de evidenciar como se dá a construção de uma proposta participativa na prática. Importante frisar que nestes encontros, além do aprofundamento teórico que propomos é fundamental que se privilegiem a vivência de atividades e dinâmicas de relaxamento e descontração que favoreçam a interação entre as partes, tornando o espaço coletivo agradável, atrativo, factível de facilitar a promoção de um intercâmbio de saberes que culmine na elevação da autonomia de todos os envolvidos, e não apenas mais um espaço formal onde os atores se encontram e pouco interagem.

Neste ponto ainda gostaríamos de chamar a atenção para alguns pontos importantes, pois como Coelho (2005) nos chama a atenção, antes de iniciar um processo participativo com agricultores é primordial que o técnico vivencie com seu grupo as técnicas que irá propor indo além de uma compreensão apenas formal ou intelectual da técnica em si, promovendo uma crítica construtiva e a internalização desses processos. A idéia dos Círculos de Cultura45 de Paulo Freire é interessante porque ao invés do coordenador desses encontros permanecer numa posição

45 Círculo de Cultura é uma idéia que substitui a de turma de alunos ou a de sala de aula. Teve grande aplicabilidade nas práticas de alfabetização de adultos propostas por Paulo Freire. Como todos fazem parte do processo educativo, devem formar a figura geométrica de um círculo, onde todos se olham e se vêem e consequentemente todos ensinam e aprendem.

central nas atividades, como comumente vem acontecendo na maioria das atividades de capacitação que tem sido propostas, todos passam a estar inseridos no círculo como educadores e educandos e potenciais agentes facilitadores de um processo de autonomia para as comunidades, onde preferencialmente todos tenham o potencial de influenciar a construção de um elo genuíno e honesto de comunicação (DEMO, 2001).

Uma contínua avaliação dos passos dados e reformulação das bases de ação também é primordial, deve-se buscar meios os mais variados possíveis que permitam a instauração de um processo contínuo de avaliação da condução dos processos propostos, o que pode ser favorecido a partir de práticas pedagógicas de sensibilização, reflexão, análise e síntese das informações. Os conflitos inerentes a este encontro entre sujeitos e instituições, ao contrário de serem desprezados deverão ainda servir como pano de fundo para a proposição de novas ações, uma vez que o extensionista enquanto mediador precisa aprender a superar os conflitos que permeiam os processos participativos, para FAUNDEZ apud. Rodrigues et al. (2008) assumindo através de uma metodologia do diálogo, suas limitações ao invés de negá-las, pois todos “tem experiência, tem valores, tem potencial, podem aprender, tem limitações” (PENEIREIRO, 2008:02).

A utilização de dinâmicas lúdicas que relaxem e favoreçam a desinibição dos participantes, o uso de perguntas de estímulo derivadas dos temas geradores, a elaboração de desenhos que representem a realidade, a leitura de textos, a instalação de experimentos, a realização de excursões, entre outras ações podem contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico e dedutivo (Peneireiro, 2008), configurando deste modo definitivamente a participação como um ato criativo para todos os envolvidos.