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In document Visning av Volum 65 (sider 81-89)

O piloto deve ter habilidades físicas, cognitivas e psíquicas para ingressar na atividade aérea. O processo seletivo é composto por avaliações médicas, físicas, psicológicas e teóricas. Inicialmente o candidato deve ter boa saúde física e mental para poder prosseguir para a formação teórica e prática e superar vários processos de eliminação.

A avaliação médica geral busca possíveis problemas de saúde que impeçam o exercício da profissão. Os exames médicos são rigorosos e anuais. Os exames médicos são feitos em qualquer hospital da aeronáutica. O piloto só renova a licença se for aprovado na bateria de exames. A partir dos quarenta anos, os exames são de seis em seis meses. É preciso manter uma vida saudável para ser aprovado nos exames (sangue, colesterol, otorrino, oftalmológico, tórax, pressão, audiometria, esteira, teste de

esforço). O piloto não pode ter nenhuma deficiência que não possa ser corrigida. Qualquer deficiência, como miopia, por exemplo, deve ser corrigida. Portanto, exige-se um profissional apto, sem restrição de qualquer natureza.

Na aviação, não se pode ignorar o limite do corpo. Além da inspeção de saúde, o piloto deve ser capaz de ser aprovado em testes de aptidão física. Para manter a boa forma e o organismo saudável, o grupo pratica atividades físicas (corrida ou academia). Até mesmo a obesidade pode impedir a pilotagem. “A gente tem que manter uma vida saudável, fazendo exercício, porque todo ano a gente tem que fazer exame de sangue, tem que estar com o colesterol legal, fígado legal, tudo legal”.

A avaliação psicológica ocorre quando o piloto inicia o processo de formação, muda de categoria ou quando ocorre incidente grave ou acidente. Mas independente de um motivo para ser avaliado, é bom lembrar que o comportamento das pessoas não é estável e determinados acontecimentos do dia-a-dia podem alterar o equilíbrio psíquico e torná-las propensas a cometer erros.

Na avaliação psicológica, busca-se que o piloto tenha determinadas características importantes para o desempenho da atividade aérea, como equilíbrio emocional, concentração, autocontrole, agilidade e raciocínio rápido e espacial, que influenciam na tomada de decisão. Assim como ser disciplinado em relação a seguir normas e ordens, ter habilidades cognitivas, capacidade de rápida adaptação às mudanças operacionais, responsabilidade, comprometimento e saber trabalhar em equipe.

Na avaliação psicológica traça-se um perfil que seja condizente com a profissão. Por exemplo, na seleção de piloto de helicóptero, almejam-se pessoas que possam adquirir grande proficiência em voo, que tenham perfeita ambientação aeronáutica e que além de tudo, que tenham um dom natural para a pilotagem de helicópteros e façam tudo o que for preciso para se colocar em condições de operar uma aeronave.

Segundo a Unidade de Operações Aéreas - UOPA, para ser piloto, a pessoa tem que gostar de voar, desejar voar e ter motivação para trabalhar. Essa motivação deve persistir ao longo da carreira do profissional, assim como o interesse, a vontade e a predisposição. Não precisa haver motivos para a pessoa querer ficar um tempo afastada ou deixar de voar. “A gente não pode querer que alguém esteja aqui sentado sem vontade de estar aqui, independente de ter algum motivo... tem que gostar e estar com vontade de estar aqui...”. “Tem que se dedicar, tem que saber do risco”, pois “o risco é inerente à profissão”. “Todos devem se arriscar”. O critério para entrar no grupo é estar

apaixonado pelo que se faz. Dessa forma, basta que o piloto não queira mais voar, para ser automaticamente dispensado.

Para ser bom piloto, deve-se aprender a corrigir os próprios erros e a gerenciar os riscos com maturidade. Os pilotos mais experientes corrigem os menos experientes. Assim como ter capacidade de adaptação, pois o piloto precisa se adaptar a vários comandantes e a várias tripulações. Deve, ainda, ter comprometimento com a aviação e boa formação técnica. É necessário conhecer os limites da máquina e respeitá-los, como também o limite operacional do piloto e as condições meteorológicas, pois não se pode voar em condições não favoráveis, com visibilidade restrita, por exemplo.

Percebe-se que “só fica na aviação quem tem perfil”. Tem que “estar na veia”. Durante o processo de formação se reconhece quem não tem perfil. “O meio se encarrega de tirar aqueles que, por algum motivo, não têm perfil”. “Quem está disposto, fica. Quem não está, vai sair”. “Se você não tiver o perfil praquilo, o contexto vai te tirando. Não tem meio termo”.

5.2.1. Curso teórico e prático

Inicialmente, faz-se o curso teórico de formação de piloto privado de helicóptero, que tem a duração de seis meses aproximadamente. O conhecimento teórico que o piloto deve dominar envolve o regulamento de tráfego aéreo, conhecimentos técnicos em aeronave, teoria de voo/aerodinâmica, meteorologia, navegação aérea, segurança de voo entre outros. O piloto deve estar sempre se atualizando e estudando sobre aviação. Após a aprovação na prova teórica da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC -, parte-se para o curso prático, em escola homologada, que dura de dois a três meses, dependendo da dinâmica da escola.

Na prova prática, atesta-se a capacidade técnica do piloto. Verifica-se a proficiência técnica do piloto, por meio de manobras e procedimentos operacionais, como determina a legislação aeronáutica brasileira. Para a parte prática é preciso conhecer os procedimentos, as limitações, desempenho e as características da aeronave. Há vários tipos de helicópteros e todos possuem o manual para todos os procedimentos necessários e todas as regras de uso. Quando se conclui a parte prática, faz-se um voo de verificação de proficiência, que no meio aeronáutico é conhecido como “cheque”. “A prova prática é considerada um cheque. Você é checado”. “Essa pessoa tem que fazer um voo com um checador credenciado. Isso é o cheque. A pessoa vira, então, piloto privado de helicóptero (PPH), que é a primeira fase”. Também há voo de adaptação ao

tipo de helicóptero que o piloto irá utilizar. A habilitação que o piloto recebe será específica para o helicóptero que ele irá pilotar. Se o piloto for pilotar aeronaves diferentes, ele deverá ter uma habilitação para cada uma delas.

Para ser piloto comercial de helicóptero (PCH), estuda-se novamente a parte teórica e as instruções da aeronave. Voa-se novamente com o examinador. No caso do grupo, que possui um helicóptero, essa fase não precisa ser feita em escola homologada. Todo piloto necessita ter licença e certificado de habilitação técnica específica. A concessão e/ou revalidação de licenças ou habilitações (brevê) vence anualmente. Para renová-la, fazem-se provas teóricas e práticas. Por isso, os pilotos devem estudar constantemente para os exames práticos e teóricos da ANAC. Devem-se conhecer todas as emergências que podem ocorrer com a aeronave. Quanto melhor o piloto conhecer o helicóptero, mais seguro estará para exercer sua função.

As provas teóricas anuais são específicas e abordam duas áreas. Uma é o conhecimento do equipamento da aeronave em que se está voando, como o conhecimento de emergência, das limitações operacionais, a parte mecânica da aeronave, para verificar se a pessoa tem o mínimo de conhecimento do equipamento, em relação ao nível operacional. A outra se refere à regulamentação do tráfego aéreo. O grupo percebeu que não basta só ler os textos teóricos, mas que é preciso interpretá-los e discuti-los.

Só o conhecimento técnico não é suficiente para voar, pois não é apenas um trabalho mecânico. Não se trabalha só com o corpo. Trabalha-se com corpo e mente. Trabalha-se com os movimentos do corpo e com o pensamento (raciocínio). O estado emocional do piloto afeta seu desempenho profissional. Se ele se perturbar em razão de algum acontecimento, isso pode levá-lo a causar um acidente aéreo. Segundo Gernet e Dejours (2011), o saber-fazer técnico é caracterizado por uma experiência sensível que requer a participação dos sentidos, mas também dos sentimentos e dos afetos na manipulação das máquinas e na execução dos procedimentos de trabalho.

Para Dejours (1992), poucas profissões conseguem integrar a teoria e a prática, assim como poucas situações exigem tantas habilidades de um só sujeito simultaneamente. O autor destaca que, na aviação, a valorização do corpo e do emocional pela situação de trabalho é exemplar da síntese trabalho intelectual-trabalho manual. Acrescenta-se ainda que a formação e o treinamento dos pilotos ocorrem durante toda a vida profissional.

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