4. RESULTS & DISCUSSION
4.3.2 Purification
Como referência para a prática pedagógica de professores(as) formados(as), o elemento fundante para a prática pedagógica foi a metodologia de projetos como melhor opção, por já ser conhecida e adotada pela rede municipal de Cabedelo. Segundo Horn & Barbosa (2004), a metodologia de projetos pode criar condições didático-metodológicas significativas, para tanto, professores(as) e alunos(as) devem ‘re significar’ aprendizagens, sentimentos e idéias. Para Boutinet (2002, p. 180), uma das razões que estimulam a metodologia de projetos pedagógicos vem da necessidade de minimizar o quadro coercitivo dos programas escolares que engessam e tolhem a autonomia para a criatividade. Alguns de seus fundadores e principais representantes foram Ovide Decloly (1871-1932), Maria Montessori (1870-1952) e John Dewey (1859-1952). No Brasil, através de um documento denominado “Manifesto dos Pioneiros da Educação” (1932), educadores como Lourenço
12 Sara Paín (1999), no seu livro “A função da ignorância” chama a atenção para nossos mecanismos de
pensamento, que são estruturados em duas dimensões distintas, mas complementares: a objetividade e a subjetividade.
Filho, Paschoal Lemme, Cecília Meireles e Anísio Teixeira, entre outros, aderiram à ‘pedagogia de projetos’ deixando de lado diferenças ideológicas e crenças políticas, agrupando-se em torno de um grande movimento de democratização da educação, surgindo então, a partir desse movimento, A Escola Nova, na década de 20 do segundo milênio. Os pressupostos da ‘pedagogia de projetos’ concebia as crianças como ‘seres ativos’ no processo de aprendizagem. Dewey, Claparède, Montessori e Frenet foram importantes pensadores dentro da educação.
Podemos citar o filósofo americano John Dewey e seu seguidor William Kilpatrik (1871-1965), como os principais representantes da pedagogia de projetos. O método de projetos, criado por William Kilpatrik tem o objetivo de aproximar as atividades escolares da vida cotidiana dos(as) alunos(as), a partir da noção de atividade. O mesmo opõe-se à visão fragmentada de uma escola compartimentada com o conhecimento descontextualizado e explorado a partir de matérias isoladas.
Dewey afirmava que projetar realizando é viver em liberdade e que os rudimentos fundamentais para a elaboração de projetos na escola estão integrados a princípios assim destacados: princípio da intenção - toda ação, precisa ser compreendida e desejada, deve ter um significado, ser intencional, proposital. Para Dewey, o projeto é um trabalho construtivo, realizado por meio de uma atividade coerentemente ordenada, na qual cada passo é uma preparação para a seguinte. No princípio da situação - problema, o pensamento surge de uma situação problemática, exigindo analisar a dificuldade, formular soluções e estabelecer conexões, constituindo um ato de pensamento completo, possibilitando um processo de aprendizagem vinculado ao mundo da escola integrado as matérias do currículo escolar. Princípio da ação aprende-se pela razão, a emoção e a sensibilidade, propondo transformações no perceber, sentir, agir, pensar. Podemos observar, no princípio da real, experiência anterior, as experiências passadas como base na qual se assentam as novas. Conforme Barbosa & Horn (2008, pp. 23-30), o cérebro humano é um sistema aberto e plástico, em que cada vez mais está afirmada a idéia de que a inteligência é o processo de estabelecer inter-relações entre as estruturas cerebrais. Nesse sentido, a inteligência não é algo que acompanha o envelhecimento, tornando mais inteligente aquele que está mais velho ou preestabelecido ao nascer. Esta vai sendo formada à medida que o sujeito se vê em frente a situações desafiadoras, enfrentando problemas reais ou abstratos que se constituem na dinâmica cotidiana das relações dos indivíduos com o meio (Ibidem, p. 27). Podemos observar que os(as) aprendentes, atualmente, têm aprendido melhor aquilo que faz sentido para eles (as). A interação com o aprender não envolve somente a cognição, mas também o corpo e seus afetos.
Com foco nesse raciocínio, estimulamos os(as) professores(as) formados(as) criarem autorias a partir de seus projetos ampliando e flexibilizando suas propostas de atividades, encaminhamos propostas para o ‘aprender a aprender’, tornando esse processo mais significativo.
Em relação ao princípio da investigação científica, a ciência se constrói a partir da pesquisa e a aprendizagem escolar também deve ser assim. Hoje, passamos a conviver com as incertezas, com as diferentes interpretações. A verdade, portanto, não é absoluta, ela é construída e histórica. Podemos, a partir dessa afirmação em que a ciência é envolvida por complexidades, pensar a escola como espaço privilegiado nas sociedades contemporâneas para a aquisição e problematização do conhecimento. Na metodologia de projetos, o princípio da integração diz respeito a interação entre a pessoa e o meio ambiente como fonte de construção de conhecimentos. Sua avaliação sistemática e contínua na vivência com os projetos é entendida como um conjunto de ações que podem auxiliar os(as) professores(as) a verificar se, ao final do projeto, houve aprendizagem e se algo se modificou. Nesse sentido, ressaltamos a observação e direção do nosso olhar, para nós mesmos, exercitando a nossa auto-avaliação, o contexto (no qual atuamos profissionalmente), o grupo (nossas relações humanas) à luz de uma teoria inspiradora. Segundo Meyer (2007, pp. 119 e 120) é através do registro de nossas observações e reflexões que podemos rever nossos referenciais e nos encontrarmos em nossas particularidades. Por fim, o princípio da eficácia social encontra, na escola, uma prática de oportunizar experiências de aprendizagens que fortaleçam o comportamento solidário e democrático. (BARBOSA & HORN, 2008, p. 18).
Do ponto de vista histórico, os projetos foram construídos com o intuito de inovar, quebrando o marasmo da escola tradicional. Os princípios elencados por Dewey introduzem a idéia de rede, encadeamento sistêmico de idéias e atividades, apresentando uma aproximação com a visão desta pesquisa. O desejo de aprender é uma disposição pessoal, que nasce do motivo que o conhecimento tem para ser aprendido e é aí que nos motivamos. Os projetos sem significação para os(as) aprendentes, naturalmente, não despertarão interesse para suas aprendizagens.
Yus (2002) comenta que professores(as) devem ter autonomia para a elaboração de ambientes de aprendizagem, sugerindo elementos que sejam apropriados para as necessidades de seus(as) alunos(as) e que os novos modelos de formação incluam o cultivo e o despertar criativo. Nesse sentido, a formação inicial requer uma sensibilidade especial para os desafios do desenvolvimento humano, e não um pacote de métodos e materiais pré-determinados. Sugerimos, na formação continuada, a metodologia de projetos com o sentido dado por
Fazenda (2008), quando propõe que os projetos precisam ter caráter interdisciplinar, estabelecer conexões e associações que produzam sentidos tanto para quem ensina quanto para quem aprende.
Os diferentes projetos trabalhados no cotidiano da sala de aula foram partes do fio condutor que perpassou pelas oficinas e a construção dos portfólios. Com essa prática, os(as) professores(as) formados(as) passaram a ter uma postura metodológica interconectada com a sensibilidade, emoção, intuição, princípios éticos, parcerias, resiliências e alteridades.