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1. INTRODUCTION

1.3 L YTIC POLYSACCHARIDE MONOOXYGENASES

1.3.2 Classification, occurrence and substrate specificity

O estudo realizou-se no Núcleo Integrado de Apoio Multidisciplinar aos Surdos – NIAMS, localizado na cidade de Recife – PE, uma instituição privada que surgiu no dia 04 de abril de 2005 com o objetivo de: (1) promover um trabalho inovador e de qualidade para a comunidade surda pernambucana, nas áreas de educação (Surdez, Educação Especial, Inclusiva e TCI’s) e saúde (Fonoaudiologia e Psicologia); (2) dar apoio técnico- pedagógico aos profissionais, familiares e entidades públicas e/ou privadas que atuam junto ao segmento, através da realização de cursos, capacitações e assessoria em todo o Estado; (3) disponibilizar intérpretes em eventos diversos, de modo a garantir a acessibilidade comunicacional e inclusão social das pessoas surdas.

O critério para escolha da instituição foi o fato de a mesma realizar, desde a sua fundação, um trabalho pedagógico utilizando as tecnologias da informação e comunicação com alunos surdos e por ter, também, professores surdos.

O trabalho pedagógico realizado no NIAMS é uma parceria entre a instituição e a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco que, através da Unidade de Educação a Distância – UEAD, autorizou o funcionamento de uma telessala do supletivo 2000, com modalidade de Ensino Fundamental II.

A implantação do trabalho com a telessala surgiu da necessidade de se promover uma aceleração escolar das pessoas surdas, visto que, a maioria delas encontra-se em atraso

com relação à idade/série, o que vem impossibilitando-os de participarem de oportunidades iguais a seus pares ouvintes. Os Surdos ficam anos na mesma série devido às metodologias utilizadas em sua educação, como também a falta de acessibilidade comunicacional, processada por meio de intérpretes de Libras.

Os recursos tecnológicos existentes no NIAMS são compostos de: televisão 20 de vinte polegadas, vídeo cassete e DVD, retroprojetor, máquina digital, laboratório de informática equipado com 05 (cinco) computadores conectados a internet, com web can, impressora multifuncional, além das fitas VHS do supletivo 2000 em versão legendada e os livros didáticos. Possuí, também, uma pequena biblioteca com vários recursos visuais e softwares diversos.

Todos os profissionais envolvidos no processo de sistematização dos trabalhos desenvolvidos possuem formação superior nas áreas de Pedagogia, Matemática, Letras, Engenharia, Fonoaudiologia e Psicologia, além de serem (os ouvintes) intérpretes de Libras.

Para apresentar o perfil dos alunos surdos, criamos um quadro síntese indicando nome, idade, profissão, nível de ensino, turma, turno e tempo de estudo na instituição. Optamos por identificar os alunos com nomes fictícios, por acreditarmos que essa forma de identificação possibilita um melhor tratamento aos sujeitos envolvidos no estudo e, garante assim, o anonimato de cada sujeito.

Participaram desta pesquisa 10 alunos surdos, de ambos os sexos, com faixa etária de 20 a 26 anos, diagnosticados com surdez sensório-neural bilateral de grau severo a profundo, congênita, isto é, indivíduos surdos de nascença, ou com surdez adquirida precocemente, usuários tanto de Língua Portuguesa como de Língua Brasileira de Sinais.

Saber quem são os participantes de nossa pesquisa tem um significado importante, visto que fazem parte de um grupo marcadamente diferente, possuidores de uma cultura e língua próprias e que sofreram ao longo dos tempos atitudes preconceituosas que negavam-lhes o direito de conviverem entre si, de organizarem-se em grupo, de tornarem-se cidadãos, porque não lhes era permitida a apropriação da língua de sinais.

Essa trajetória de opressão e descaso com as pessoas surdas teve conseqüências drásticas, particularmente, dos entrevistados, como pode ser observado no quadro a seguir:

Quadro síntese de dados dos alunos surdos

Nome Idade profissão Nível de ensino Turma turno Tempo de estudo na

instituição

Safira 21 Estudante Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Regina 24 Recepcionista Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Sandra 26 Embalador Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Vilma 26 Instrutora de Libras Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Érica 26 Embalador Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

César 22 Instrutor de libras Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Gustavo 23 Operário Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Lucas 24 Embalador Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Mateus 20 Estudante Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Sérgio 26 Instrutor de Libras Fundamental II EJA Noite 1 ano e 6 meses

Inicialmente nossa intenção era realizar esta pesquisa em escolas públicas, tanto da rede estadual como municipal onde tivessem alunos surdos matriculados em salas especiais e utilizando como recursos mediadores e/ou facilitadores no processo de construção do conhecimento, as tecnologias da informação e comunicação. Porém, ao iniciarmos nossa busca verificamos que, apesar de possuírem os recursos desejados, estes não eram utilizados como nos propomos a investigar.

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram os seguintes:

• Entrevista, com um roteiro previamente elaborado, a partir do qual foi traçado o perfil (Quadro I) dos alunos surdos.

A entrevista foi a técnica escolhida por desenvolver uma relação estreita entre as pessoas. O termo é constituído pelas palavras entre e vista. O primeiro indica a relação de lugar ou estado que separa duas pessoas ou coisas. O segundo, o ato de ver e ter preocupação com algo. Portanto o ato da entrevista refere-se ao ato de perceber entre duas

pessoas. (Richardson, 1999).

Neste estudo, as entrevistas foram realizadas de duas formas: inicialmente, reunimos os alunos em grupo para explicar do que se tratava a pesquisa e esclarecer dúvidas. Num segundo momento, os alunos foram entrevistados individualmente para que não houvesse interferências nas respostas.

Para a realização das entrevistas com os alunos surdos, pensamos em utilizar uma filmadora para não acontecer erros na transcrição. Como tal recurso intimidou os alunos, pedimos que respondessem de próprio punho as perguntas.

• Observações de situações de ensino-aprendizagem em sala de aula, visando desvendar na prática pedagógica dos participantes o processo de construção do conhecimento mediados e/ou facilitados pelas TCI's.

Essas observações foram feitas em sala de aula e registradas de acordo com os objetivos que nos propomos.

Um dos pontos positivos de utilização desta técnica, como observa Richardson (1999), é a possibilidade de obter a informação no momento em que acontece o fato, o que possibilita a verificação detalhada da situação que, se passado algum tempo, poderia ser esquecido pelos elementos que observaram ou vivenciaram o acontecimento.

Nesta etapa de observação, ficamos o tempo todo em sala de aula, em local reservado, anotando todos os fatos importantes sem que acontecessem interrupções nas explicações dos professores ou emissão de comentários a respeitos dos acontecimentos.

Escolhemos as aulas de língua portuguesa e ciências. A primeira, por utilizar-se de metodologias de modalidade oral/auditiva, tanto para alunos surdos como ouvintes, não havendo diferenciação para ambos, é a área onde eles possuem maior dificuldade. A segunda, por ser a área de preferência dos alunos que entrevistamos.

Não houve a necessidade de utilização de intérpretes de Libras, devido ao domínio da pesquisadora em Língua Brasileira de Sinais e experiência docente com alunos surdos.

De posse dos dados, foram traçados os seguintes passos: a) A ordenação dos

dados obtidos. Fizemos a transcrição passo a passo, registrando os depoimentos na íntegra do que foi coletado nas entrevistas; b) A classificação dos dados, que foi feita a partir das questões anteriormente elaboradas. Sua descrição foi possível devido à leitura e releitura dos depoimentos; c) A análise dos dados serviu de condução do processo descritivo. Procuramos estabelecer, assim, articulações entre os dados e os referenciais teóricos da pesquisa (Surdez, Tecnologias da Informação e Comunicação e Construção do Conhecimento), apontando possibilidades de discorrer sobre as questões da pesquisa com base em seus objetivos.