3. Mauritius
3.4 Er Mauritius et skatteparadis?
3.4.2 Publiserte lister
Sobre nossa cabeça um céu tranquilo a nos proteger, sob nossos pés um chão estável a nos amparar. Essa visão confortadora que construímos e adotamos na nossa existência é simplesmente um logro (Preciosa, 2010, p. 91).
Desde vinte e sete de março de 2012 realizamos, depois daquela primeira mostra pública com a leitura do Engenho Velho, alguns procedimentos e debates específicos e importantes para a atividade criadora do Terra de Santo. Sempre sob minha perspectiva, evidentemente.
Ainda em março, iniciamos uma oficina de canto com Renata Rosa117, cujo objetivo era o de experienciar e desenvolver uma relação orgânica entre o movimento, a respiração, a produção de voz e canto a partir de músicas e danças tradicionais caboclas. Um alicerce para a história do Século XVI – Gênese – Um Funeral de um Deus.
No mês de abril, continuamos os improvisos e ensaios para o movimento dois – “o mundo dos mortos” – “os cinco séculos”, desta vez com a cena das Mães – conforme roteiro Terra de Santo (Pentateuco) – Roteiro D (Movimentos 1,2 e 3) – Abril de 2012. Texto Newton Moreno. Em processo colaborativo com a Cia Os Fofos Encenam. A partir deste mês ainda, contamos com a colaboração e o trabalho de Juçara Marçal118, organizando, como nos dizia Newton Moreno, o canto sacro-festivo-popular essencial à criação da atmosfera, ao environment da história Século XIX – Números – Das Irmandades, presente também no roteiro citado anteriormente.
No primeiro dia do mês de maio de 2012, apresentamos nossa segunda mostra pública do processo do projeto Memória da Cana, Parte II – O Pentateuco, agora, definitivamente Terra de Santo. Fora apresentado neste dia a cena Século XVIII – Levítico – O Sacrifício (presentes os personagens/atores: senhora/Cris Rocha; padre/José Roberto Jardim; filha/Katia Daher; senhor de engenho/Eduardo Reyes).
117Cantora, rabequeira, atriz e pesquisadora. Há anos vive mergulhada no contexto poético-musical da Zona da Mata Pernambucana e do Baixo São Francisco Alagoano.
118Cantora, locutora e professora de canto. Realiza oficinas de canto para grupos inspirada no repertório que vivencia no grupo A Barca do qual é integrante.
Acabada a cena, recordo perfeitamente o quanto fiquei emocionado e o quão denso e cruel senti tal fábula familiar.
No dia seguinte, dois de maio, realizamos um ensaio geral do movimento dois – “o mundo dos mortos”. Logo em seguida, tivemos uma longa discussão sobre a encenação. Lembro-me bem, e relembro-vos neste momento, uma das primeiras e buliçosas questões que Newton Moreno nos lançara – entre tantas mais, neste e em todos os outros debates: “Fazer teatro. O que isso significa?” (Informação verbal)119.
Não ouso, não posso e não devo aqui debater esta tão profunda indagação. Não é o território. Passaremos adiante. Mas a deixo para nossas reflexões passadas, presentes e futuras, “[...] já que o que move é anterior ao que é movido... O que move é anterior porque já, de antemão, foi posto em separado do mundo sensível, do ser em seu aparecimento” (VAN DE BEUQUE, 2004, p. 111, grifo do autor).
Eis logo abaixo um trecho da cena Século XVII – Levítico – O Sacrifício apresentada, que trouxe uma outra altercação produtiva:
[...] E os filhos de Arão, o sacerdote, porão fogo sobre o altar, pondo em
ordem a lenha sobre o fogo. Também os filhos de Arão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho sobre a lenha que está no fogo em cima do altar; porém a sua fressura e as suas pernas lavar-se-ão com água; e o sacerdote tudo isso queimará sobre o altar; holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao Senhor. Levítico 1:4-9. Quando termina a leitura, ela coloca fogo em si mesma. Pai sai desesperado, tentando salvá-la. Padre fica só (Informação pessoal, grifo nosso)120.
Como realizar e tornar perceptível para o espectador que a “filha” se pôs fogo doando- se como oferenda? Muitas ideias surgiram, inclusive, outras de cunho tecnológico além daquela já experimentada na cena (a filha/Katia Daher estava vestida de branco e sobre ela era projetada a imagem do fogo), que foram em seguida descartadas, pois aquele universo, o do “mundo dos mortos”, não seria capaz de dialogar e absorver tal linguagem. E não era mesmo o que desejávamos. Parece-me mesmo que, muitas vezes, o universo simbólico, teórico, imaterial gestado durante a fase liminar da atividade criadora capaz de abarcar a ideia, a sensação, a emoção que desejamos esbarra na sua execução prática e na comezinha escolha de materiais que possam traduzir, refletir, revelar, ecoar tais pensamentos e percepções.
119Informação fornecida em discussão sobre a segunda mostra pública do processo Terra de Santo, em 07 de maio de 2012.
Deveríamos, então, deixar que o espectador apenas sentisse o espetáculo? Não nos preocuparíamos com o “entendimento” das ideias destas fábulas familiares? Como apresentá- las então? Simultaneamente? Todas no mesmo espaço e realizadas ao mesmo tempo? Acordamos unanimemente que não teríamos atores para tanto. Todos os nichos dos grupos étnicos religiosos apresentados concomitantemente no espaço físico, porém, com o desenvolvimento das cenas ocorrendo paulatinamente? Criando um ambiente, uma atmosfera de mistério?
Eduardo Reyes (Informação verbal)121 defendeu que não adiantaria estabelecer um clima se não houvesse um entendimento. Carol Badra (informação verbal, grifo nosso)122 verticalizou:
A gente vê nesses [“estudos cênicos” – “os cinco séculos”] a “sujeira” criativa. É quase “brochante” fazer um “passadão” desse [refere-se ao ensaio
geral sem interrupções]. É assim mesmo. Temos que mergulhar e fazer uma limpeza. Tem que ser legível. Quando se lê o texto entende-se o texto. Tem que se entender em todos os aspectos.
Para Fernando Neves (Informação verbal, grifo nosso)123, a fim de sugerir algum entendimento dessas histórias contadas nesse universo do “mundo dos mortos”, há que se ter mais objetividade, precisam-se dominar os universos étnicos religiosos para o qual se estar “a serviço”. O ator deve estar dentro da cena. “O ator pega uma porção de coisas para iniciar um processo de criação, depois sai jogando fora esse ‘lixo’, diz Fernanda Montenegro”.
Newton Moreno (Informação verbal) 124 nos garantira que nunca vira essa peça como algo não entendível, nem tivera uma imagem hermética para esse espetáculo – o Terra de santo. Mas que defendia o mistério desse território e a não simultaneidade, em quaisquer de suas naturezas, para as ações cênicas:
Estamos atrasados [...] Nem tanto ao céu, nem tanto a terra. Não temos condições de misturar as cenas. Devemos voltar às histórias [...] Devemos agarrar as cenas, contar as histórias: [...] morto conversa com vivo, vivo conversa com morto. É a relação com o mundo dos mortos. É a herança do
Assombrações: mistério é fortaleza. E o universo da cana e as famílias, herança do Memória da Cana.
121Informação fornecida em discussão sobre a segunda mostra pública do processo Terra de Santo, em 7 de maio de 2012.
122Ibid. 123Ibid. 124Ibid.
Mas como voltar às histórias e buscar maior compreensão, para nós atores e para nossos interlocutores, sobre os temas e questões discutidos nessas fábulas familiares?
Afinal, já havíamos recebido a informação125 de que neste espetáculo não era a música, ou a cenografia, ou a cena, o seu protagonista. Apesar de componentes essenciais, aqueles últimos deveriam servir ao verdadeiro elemento capital do Terra de Santo: o texto dramatúrgico. Ele precisaria ser ouvido, “visto”, “tocado”, vivenciado pelos interlocutores. E ser levado embora com eles.
Para tanto, Newton Moreno (Informação verbal) 126 nos atiçou com mais perguntas: “O que são as ideias centrais que estão nessas cenas? O que me move, me alimenta, me atravessa? [...] [Vamos] agarrar a cena, contar a história [...] Por que é que eu estou contando essas histórias? [...] O que realmente a gente quer contar?
Saímos dali revigorados, fortalecidos. Uma decisão: a cena das Mães iria anteceder e suceder “o mundo dos mortos” – o segundo movimento. “As Mães preparariam a chegada ao mistério, sustentariam o mistério e voltariam à realidade nua e crua”, concluía Newton Moreno.
E nos confessava: “Eu artista espero que o público sinta falta desta terra de santo na vida dele! [...] Qual a terra de santo de cada um? Onde eu não deixo plantar em cima? Onde eu não deixo que se macule?”.
Seguimos os ensaios do movimento dois durante o mês de maio inteiro. Relembro-vos uma das tantas cobranças de Newton Moreno durante este mês: visitas a terreiros (locais) sagrados.
Iniciamos o mês de junho de 2012 com mais uma mostra pública dos trabalhos: a terceira. No dia cinco foi apresentada a cena das Mães (presentes os personagens/atores: Mãe/Carol Badra, Mãe/Cris Rocha, Mãe/Erica Montanheiro e Mãe/Luciana Lyra) seguida da
125 Informação fornecida pela “Irmã Josefa”, em algum dia do mês de abril, no Espaço Os Fofos
Encenam – “morto conversa com vivo, vivo conversa com morto. É a relação com o mundo dos mortos”. Mistério é fortaleza!
126 Informação fornecida em discussão sobre a segunda mostra pública do processo Terra de Santo, em 07 de maio de 2012.
cena Século XVI – Gênese – O Funeral de um Deus (presentes os personagens/atores: índia velha/Simone Evaristo e índia nova/Viviane Madu).
No dia seis de junho, efetuamos a primeira leitura do novo roteiro do movimento um. No dia onze, outro ensaio geral, desta vez agregando o movimento um, em improviso, ao movimento dois já em processo de ensaios. Dia doze, novo improviso do movimento um.
Dia treze de junho de 2012, volta o Assombrações do Recife Velho, em Lorena-SP.
Então, eis que é chegado o dia dezoito de junho de 2012. Passados exatos oitenta e três dias da nossa última grande epifania, nossa última grande “cerimônia de crise da vida” do Terra de Santo, nosso último grande evolon: a leitura do Engenho Velho. Uma nova “cerimônia de crise da vida” do Terra de Santo é chegada.
Como já vos citei127, toda unidade de experiência denominada de “drama social” por Turner (1986/2005), se percorrer seu curso completo depois de atravessar a liminaridade, apresentará um desfecho que pode se manifestar na restauração da paz e “normalidade” entre os seus participantes ou do reconhecimento social de uma ruptura ou cisão irremediável.
A liminaridade, segundo Turner (apud Dawsey, 2005), que pode ser descrita como um caos frutífero e a busca por novas formas e estruturas num processo de gestação de modos apropriados de existência pós-liminar, pode levar ao destaque sobre a “consciência de pertencimento” a um grupo, a um novo estado de crise, a uma revolução.
E o autor distingue fenômenos liminares de liminóides, sinalizando que este último é semelhante sem ser idêntico ao primeiro. Afirma que o espírito liminóide caracteriza boa parte da atividade intelectual no mundo contemporâneo e particulariza-o: ganham destaque em sociedades de “solidariedade orgânica”, em meio aos desdobramentos da Revolução Industrial; geralmente, apresentam-se como produtos individuais, embora seus efeitos sejam coletivos; trata-se de manifestações plurais, fragmentárias, e experimentais que ocorrem nas interfaces e interstícios do conjunto de instituições centrais; tendem a apresentar características mais idiossincráticas, associando-se a indivíduos e grupos específicos que frequentemente competem num mercado do lazer, ou de bens simbólicos. Nesse caso, as dimensões “pessoais e psicológicas” dos símbolos têm preponderância sobre as dimensões “objetivas e sociais”; e frequentemente surgem como manifestações de crítica social que, em
127Ver seção II.2.3.
determinadas condições, podem suscitar transformações com desdobramentos revolucionários.
Pois, eis que no dia dezoito de junho instaura-se um cenário liminóide no Espaço Os Fofos Encenam: é anunciada a saída de Eduardo Reyes como ator128 do processo de criação do Terra de Santo.
Um silêncio ensurdecedor por segundos, tal qual acontecera após a leitura do Engenho Velho. Um assombro para muitos pelo inesperado. Sua decisão provocaria efeitos profundos na estruturação do espetáculo. Redimensionamento das ações. Reescalonamento do elenco. Reordenação dos grupos étnicos religiosos. Reprogramação do calendário. Realinhamento das energias. A saída de Eduardo Reyes provocaria alterações nos movimentos um, dois e três do roteiro. Ele, com certeza, teve sua “cerimônia de crise” que culminou em cisão irremediável. Nós, por outro lado, tínhamos que atravessar o turbilhão, buscar a restauração e seguir. E assim o fizemos.
Seguiram-se ensaios de substituição. Marcelo Andrade assume o Seu Rachid, do movimento um e do movimento três, e o Senhor de engenho, da história do Século XIX – Números – Das Irmandades. E José Roberto Jardim, passa a atuar como o Primo da história do Século XVII – Êxodo – A palavra com poder de vida e morte.
Sobre estes estados liminóides e, especificamente, sobre o exercício de reintegração através dos ensaios de substituição, Newton Moreno pontua como pensa: “[...] Ajustes sempre teremos. Sabemos como é o teatro. As substituições inclusive vão nos ajudar a sacudir a poeira e ‘descristalizar’ o que for importante [...]” (Informação pessoal, grifo do autor)129.
Caminhávamos para a reintegração quase que sossegadamente não fosse dali a oito dias, a instituição de um novo cenário liminóide a nos atravessar e contaminar.
No dia vinte e cinco de junho Luciana Lyra comunica sua decisão de sair definitivamente da atividade criadora do Terra de Santo. Digo-vos definitivamente, pois, devem lembrar-se que houve uma situação anterior de possível desligamento.
128 Ele continuaria como criador da luz para o espetáculo.
A ação de Luciana Lyra, diferentemente da de Eduardo Reyes, já não nos tomou de absoluta surpresa, o que não diminuiu, nem amenizou o espanto nem a grande expectativa sobre as novas formas e estruturas do processo e do espetáculo Terra de Santo.
Arrisco muito em propor, mas o farei a vós, que a “crise” de Luciana Lyra com relação aos atos de criação do Terra de Santo, talvez, inconscientemente, tenha sido anunciada e verbalizada por ela mesma desde oito de agosto de 2011, quando discutíamos sobre “os estudos cênicos” – “o século XVIII – Levítico”:
Eu estou totalmente perdida. Estou fazendo as coisas, mas estou perdida. Estou me sentindo bem periférica. Mas, um dia se ajeita, não é? [...] Não periférica no sentido da participação, mas é um lugar aí que eu não sei... Há algo de mistério para mim, desse feminino que você já me apontou, que não é um feminino desse lugar do poder, não é (Informação verbal) 130.
Na estrada da busca da “normalidade”, caminhamos firmemente. Simone Evaristo “incorpora” Tania no movimento um e a figura da Mãe na história do Século XIX – Números – Das Irmandades, torna-se uma presença incorpórea.
Pois é, faço minhas as palavras de outrem a vós porque o que desejaria dizer-lhes, ela já me dissera e ora repito-vos
Não há nada pacato no céu, tampouco na terra [...] A superfície da Terra está sempre mudando. E nós não somos essa identidade estável, inquebrantável, imperturbável, que fica assistindo de fora à festa da vida esbanjando sua potência de variação. Estamos incluídos nessa viagem radicalmente transformadora [...] Vamos, voltamos, vamos, voltamos, indefinidamente [...] E ainda que nos assuste muito existir assim sem um ponto de apoio, vivenciando a alternância dos prumos e desaprumos de nós mesmos, nossa enigmática viagem está confirmada e é intransferível (PRECIOSA, 2010, p. 91-92).
Então, movimentámo-nos para criar consciência.
Substituições realizadas. Ensaios. Mais ensaios. Mais discussões. Pequeno recesso em julho. Dez dias. Recuperarmo-nos das crises e robustecermo-nos para as que viriam. Pois sempre hão de vir. Agosto: estreia marcada. Apresentação do esboço dos figurinos por Carol Badra. Produção dos figurinos. Produção da cenografia. Produção dos adereços cênicos.
130Informação fornecida em discussão sobre a apresentação de “os estudos cênicos” – “Século XVIII – Levítico”
Ensaios. Setembro: um pedido de Newton Moreno – “Tragam os seus ‘sagrados pessoais’ para a Terra de Santo” (Informação verbal)131. Ensaios. Mais ensaios. Rezas. Muitas rezas e orações. Outubro: Ensaios. Treze. Estreia.
131Informação fornecida durante os ensaios gerais do Terra de Santo, na semana de 10 a 12 de setembro no Espaço Os Fofos Encenam.
II.3
Levítico
Discussão "Estudos cênicos" - "Século XVIII" (dentrodo espaço cênico criado por Erica Montanheiro/José Valdir – com o “bololô” – para o roteiro “Século XVIII – Uma botada judaica”)
Mariana Souto Mayor - "Estudos"
Discussão "Século XVIII - Levítico: O Sacrifício"
Ensaio "Século XVII - Êxodo - A Palavra com poder de
Estimulações
Michel Foucault se perguntava: por que um pintor trabalharia, se não fosse para ser transformado por sua pintura? E por que alguém escreveria, poderíamos nos perguntar?
Para intervir em si mesmo, para se infligir ideias, quase sempre improváveis, para se usar de vários modos, para se contrair e distender, para que os insights insistam e que com eles você possa compor algumas ações perceptíveis.
Escrever para se desintoxicar, sucatear ideias, muitas vezes entrar numa fria e malograr. Para aprender a tensionar o discurso e desmanchar-se em lágrimas, sem que o gesto pareça sentimental. Para recepcionar um corpo sofrido que pede socorro e espaço para viver. Para quase se afogar e se virar nadando cachorrinho. Para abandonar o hábito de ser. Para escorchar a pele e com ela confeccionar um manto de memórias editáveis. Para azucrinar o ego e seu pegajoso cortejo de arrogâncias. Para desaprender a reprovar a vida, essa nossa insistente mania de desqualificá-la. Para se desvencilhar da ideia de que a vida nos reserva um propósito, e cabe a cada um de nós desvendá-la. Para aprender a rugir para o que é pesado e instituído. Para desatolar a subjetividade das formas acabadas. Para ser pega em “flagrante delito de fabular”132. (PRECIOSA, 2010, p. 21).
132 DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Conversações. Trad. Peter Pál Pelbart. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992, p. 157.