3.1.1. Metodologia
Diante da exposição teórica feita nos dois capítulos anteriores, buscaremos, nesta terceira fase da dissertação, aplicar os conhecimentos adquiridos a partir do que pôde ser observado e coletado nas redações jornalísticas da Paraíba. Para isso, escolhemos, como objeto de estudo, os cadernos de Economia do Jornal da Paraíba e do Correio da Paraíba.
A escolha pelos dois jornais se deu por estas serem as publicações diárias de maior circulação no estado, sendo ambas de empresas privadas, com repórteres, editores e subeditores contratados para abordarem apenas aos fatos relacionados à Economia do estado e do país como um todo.
Quanto à editoria selecionada para o estudo, pelo que percebemos em uma busca prévia, não há, até então, estudos sobre os efeitos das novas mídias com foco no jornalismo econômico paraibano. Trata-se de um segmento, pelo menos na Paraíba, ainda pouco abordado pela academia, diferentemente de editorias como a de Cultura e de Esportes. Buscamos, dessa forma, iniciar uma pesquisa que ainda pode ser vastamente explorada. Tratar de várias editorias, por sua vez, se tornaria pouco viável, havendo o risco de se fazer uma análise superficial dos fatos, em função de um corpus muito extenso.
Para entender melhor as rotinas dos profissionais, foram feitas visitas às redações dos referidos jornais, com o objetivo de observar as práticas de repórteres e editores, bem como entrevistá-los, de maneira leve e descontraída, sobre suas preferências, dificuldades, e como eles costumam conduzir os afazeres diários. Para essas conversas, preparamos roteiros que serviram de norte, focando bastante em questionamentos acerca dos usos das redes sociais, aplicativos, tablets, câmeras de celular, entre outras tantas ferramentas que bem conhecemos.
Ao longo das entrevistas, outros questionamentos foram acrescidos, de acordo com as informações passadas por cada entrevistado. Todas as entrevistas foram feitas
individualmente, registradas em um gravador, e foram feitos complementos por e-mail, para sanar dúvidas que surgiram ao longo do desenvolvimento da pesquisa e coletar informações adicionais para nosso texto final. O trabalho de observação e entrevistas nas redações foi feito entre os meses de março e maio de 2014.
Dessa forma, procuramos realizar um estudo exploratório e correlacional, com base nas entrevistas realizadas in loco com os jornalistas que vivenciam todos os dias as rotinas que procuramos estudar, cruzando as informações coletadas com as contribuições dos teóricos que compõem nossa bibliografia. Para realizar essa conexão, buscamos questionar os profissionais acerca das condições de produção de cada matéria, compreendendo, assim, como se dá, na prática, aquilo que vemos na teoria.
Nossa pesquisa é de caráter qualitativo, uma vez que não tem como foco de análise meros dados estatísticos. “O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. Tal pesquisa é descritiva” FREITAS; PRODANOV, 2013, p. 70).
É também um estudo de campo, que “consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis que presumimos relevantes, para analisá-los” (FREITAS; PRODANOV, 2013, p. 67). Importante ressaltar também que, quanto à operacionalidade, esta é um pesquisa bibliográfica – por ter na teoria, juntamente com as informações colhidas diretamente com os jornalistas, uma importante fonte de pesquisa – e documental.
Nas visitas feitas às redações, o que pôde ser sentido foi uma receptividade calorosa por parte dos entrevistados. Eles se mostraram abertos e dispostos a contribuir com a pesquisa, relatando detalhes do cotidiano e comentando suas impressões acerca do jornalismo atual, das rotinas e dos desafios de cada dia. O acesso às redações também ocorreu sem dificuldades, pois nenhum dos jornais impôs qualquer tipo de burocracia para a realização da pesquisa. Os encontros foram marcados diretamente com o editor do caderno de cada veículo.
A seleção das edições e das matérias que fariam parte da presente análise também foi feita com bastante cuidado. Falaremos sobre esse recorte no próximo tópico.
Para viabilizar a realização da nossa análise, fez-se necessário o recorte temporal do nosso objeto de estudo (no caso, as editorias de Economia dos dois jornais escolhidos) em um espaço bem definido. Dessa forma, optamos por estudar as edições de domingo num intervalo de três meses, sendo eles fevereiro, março e abril do ano de 2014.
A escolha pelos jornais de domingo deveu-se ao fato das edições dominicais serem, normalmente, mais “completas”, com as chamadas reportagens especiais, que têm como característica o maior aprofundamento, o mergulho do repórter em um universo de fatos, números e análises. Costumam ser matérias mais rebuscadas, mais longas, diferentemente dos textos diários, que precisam, por sua natureza, de mais clareza e objetividade (nesse caso, tomamos essa palavra no sentido de “ir direto ao ponto” . Para a pesquisa e redação das especiais, o repórter tem um prazo aproximado de três dias, podendo esse tempo ser maior ou menor de acordo com a complexidade do assunto ou da urgência do jornal por ter aquela pauta cumprida.
Além disso, resolvemos trabalhar na base dos três meses por considerarmos o número de matérias dominicais do período (um total de 26, contando as edições dos dois jornais) satisfatório para o que nosso estudo exige, não sendo, também, muito extenso, o que poderia resultar em um trabalho superficial. Já os meses de fevereiro a abril foram pensados por esta ser uma época capaz de gerar grandes e variadas pautas na área de Economia, envolvendo temas como comércio, economia do lar e geração de empregos, uma vez que abrange dois grandes feriados nacionais: o Carnaval e a Semana Santa.
Feitas essas observações metodológicas, acreditamos que é possível finalmente partirmos para a análise dos dados colhidos. De início, trataremos do Jornal da Paraíba, pertencente à Rede Paraíba de Comunicação, um dos grupos de comunicação de mais força e prestígio do estado. Vamos contar brevemente a história desse veículo de comunicação e abordar suas rotinas produtivas, partindo da questão do que chamamos de “novas” mídias, com ajuda das observações feitas in loco e das falas dos próprios jornalistas que vivenciam todos os dias o jornalismo econômico na Paraíba.