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PAIVA, L.; Leonel Paiva/Julinho da Adelaide (Chico Buarque de Holanda). Disponível em: http://chico- buarque.letras.terra.com.br. Acesso: 15/03/2006.

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Teoria do Conhecimento

Os conteúdos aqui desenvolvidos sobre teoria do conhecimento são recortes pontuais de uma história de abordagens do problema do conhecimento. A Teoria do conhecimento, como o próprio nome su- gere, é uma abordagem teórica sobre o conhecimento.

É necessário, porém, ter uma noção clara sobre esse aspecto “teóri- co” do saber, afinal, boa parte do que entendemos por conhecimento não é “teoria”, mas é habilidade, hábito, destreza. Exemplo emblemá- tico é a habilidade de falar a língua portuguesa. Não é necessário co- nhecer a teoria da Língua Portuguesa (gramática) para falar português: basta estar em contato com o modo como os falantes da língua se co- municam. Mas de que serve então a gramática? Sua função não é ensi- nar a falar, tarefa que seria inútil, já que todos falam. A gramática en- sina a estrutura histórica da fala, como ela foi se constituindo a partir da prática da comunicação e quais influências ela sofreu do contexto cultural, econômico e social do povo. Não se pode dizer que, em lín- gua, a teoria cria a prática. Mas é certo que uma prática de comunica- ção vai elaborando, historicamente, uma gramática.

O exemplo acima é um caso típico que revela as diferenças, mas também a complementaridade entre prática e teoria, esta também cha- mada análise, termo bem familiar aos alunos de português que se de- batem com as análises sintáticas. Muitas vezes a filosofia sofre graves distorções no âmbito escolar porque não se reflete bem sobre a espe- cificidade do trabalho de análise. Para não se cometer injustiças com a disciplina, seria oportuno fazer as seguintes comparações: uma gramá- tica é uma análise estrutural de uma língua; uma física é um mapa das estruturas matemáticas do universo; uma filosofia é uma geografia con-

ceitual (Ryle) do pensamento, de suas leis, possibilidades e limites. A escola, aliás, é um grande centro de visitação e compreensão das teo- rias ou análises literárias, artísticas, científicas e filosóficas que consti- tuem o conhecimento humano.

Conscientes dessa característica do ensino, sobretudo no nível mé- dio, optamos por elaborar um material que permitisse duas coisas: em primeiro lugar um fôlego maior no texto explicativo. Essa estratégia tem, no entanto, um preço: limita bastante o número de filósofos abor- dados. O segundo ponto é a exposição de filósofos. Os conceitos fi- losóficos são produzidos historicamente. Eles são resultado do traba- lho de filósofos que, em confronto e debate com seus pares, tecem e estruturam suas próprias redes conceituais e sistemas. Os Folhas des- te conteúdo estruturante trabalham, portanto, os temas gerais da teoria do conhecimento, tais como verdade, ceticismo, justificação, etc., no horizonte do pensamento de Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, en- tre outros.

O conteúdo O Problema do Conhecimento, trata da definição platô- nica do conhecimento. Platão é o primeiro filósofo a examinar siste- maticamente o problema do conhecimento. Embora haja controvérsia

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sobre vários pontos da noção de conhecimento em Platão, os historia- dores são consensuais sobre o fato de Platão ter delimitado um critério formal para o saber: a razão. Dramatizando literariamente suas diver- gências com sofistas célebres, como Protágoras, Platão escreveu obras que exploraram as contradições lógicas embutidas nas teses epistemo- lógicas de seus contemporâneos. Aproveitando-se destas falhas, Pla- tão elabora uma forma de investigação filosófica que consiste na bus- ca de uma definição para cada classe de ser existente no mundo. Ter conhecimento é ser capaz de atingir, mediante investigação e estudo, o conteúdo definicional de cada ser ou objeto existente. Como nosso objetivo neste Folhas é explicar a teoria do conhecimento, fugimos um pouco da obra mais conhecida de Platão, República, optando por ex- por o diálogo Teeteto, onde Platão desenvolve de forma sistemática su- as teses sobre o conhecimento.

O conteúdo Filosofia e Método, desenvolve um pouco da história da teoria do conhecimento. O confronto entre Platão e Aristóteles é um dos momentos mais importantes dessa história. Gerações inteiras de fi- lósofos receberam influências do retrato que Aristóteles deu do plato- nismo, situação que só se inverteu muito recentemente, quando estu- diosos modernos retomaram a obra platônica, aliviando um pouco o peso das críticas aristotélicas. Merece destaque a tentativa de explicar um tema bem conhecido na obra de Aristóteles: a idéia de que o co- nhecimento é uma marcha do particular ao geral, tese célebre que fez muitos pensarem que Aristóteles é um empirista, o que, feitas as devi- das análises, revela-se pouco fiel ao pensamento do filósofo.

Neste conteúdo, cujo tema central é a idéia de método em filoso- fia, é passagem obrigatória o pensamento de Descartes. Optamos pela exposição de uma passagem do Discurso do Método, já que é a obra que popularizou Descartes e fez o mundo conhecer sua metodologia para o conhecimento. Descartes é conhecido por combater a distinção moderna entre ciência e filosofia, aspecto que procuramos retratar no exame de suas regras metodológicas.

O conteúdo Perspectivas do Conhecimento do ponto de vista dos au- tores abordados, é o mais problemático. Temos consciência que ele justapõe exposições acerca de Descartes, Hume e Kant, os autores que mereceriam um livro à parte.

Retomamos Descartes como fundador da filosofia moderna do su- jeito. Com Hume, procuramos situar em sua obra a crítica ao carte- sianismo e, com Kant, fechamos a abordagem da teoria do conheci- mento. Kant é incontornável pelos inúmeros temas que formulou em epistemologia, particularmente por ter definido o alcance do conheci- mento humano, pela importante análise das categorias que usamos pa- ra fazer juízos epistemológicos e, por fim, por ser reconhecido como fundador da teoria do conhecimento na História Moderna.

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