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Nos séculos XVI e XVII países como Inglaterra, Holanda e França foram palco de uma revolução cultural chamada Iluminismo. Os ele- mentos principais do Ilumismo foram: valorização da razão, valoriza- ção do questionamento, da investigação e da experiência como forma de conhecimento; crença nas leis naturais, crença nos direitos naturais; crítica ao absolutismo, ao mercantilismo e aos privilégios da nobreza e do clero; defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos perante a lei; crítica à Igreja Católica, apesar de se manter a fé em Deus (cf. FILHO, 1993)

O iluminismo gerou a primeira Enciclopédia. Como nos conta o his- toriador que estudou a trajetória econômica e editorial da Enciclopé- dia, Robert Danton, quando os franceses fizeram a primeira impressão da obra (1751), logo perceberam que se tratava de uma empresa “pe- rigosa”:

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Michel. V. L. L. Diderot (1713- 1784) . Museu do Louvre, Paris.

“Não se tratava meramente de uma coleção, em ordem alfabética, de informações a respeito de tudo; a obra registrava o conhecimento segun- do os princípios filosóficos expostos por D’Alembert no Discurso Preliminar. Embora reconhecesse formalmente a autoridade da Igreja, D’Alembert dei- xava claro que o conhecimento provinha dos sentidos, e não de Roma ou da Revelação. O grande agente ordenador era a Razão, que combinava as informações dos sentidos, trabalhando com as faculdades irmãs, memória e imaginação.” (DARNTON, 1996, p. 18)

Esse espírito está muito bem representado na obra de Kant. Para o filósofo alemão o conhecimento é uma síntese, operada pela razão, das informações que a sensibilidade humana é capaz de reunir durante a existência. Os principais representantes do Iluminismo, D’Alembert, Rousseau, Voltaire, e outros, entendiam, como Kant, que o iluminismo deve ser o retorno do homem à razão como forma de adquirir autono- mia, equilíbrio com a natureza e felicidade.

Escreva um texto a respeito da contribuição de Kant para a teoria do conhecimento.

ATIVIDADE

Referências

DARNTON, R. O Iluminismo Como Negócio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

FILHO, M. B. B. História Moderna e Contemporânea. São Paulo, Sci- pione.1993.

HUME, D. Investigação Sobre o Entendimento Humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (col. Os Pensadores).

KANT. Crítica da Razão Pura. Trad. Valério Rohden e Udo Baldur Moos- burger. São Paulo : Nova Cultural, 1987-8

KANT. Dissertação de 1770. Carta a Marcus Herz. Tradução, apresen- tação e notas de Leonel Ribeiro dos Santos e Antonio Marques. Lisboa : IN/ CM, F. C. S. H. da Univ. de Lisboa, 1985.

SMITH, P. J. O Ceticismo de Hume. São Paulo: Loyola, 1995.

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Jean Jacques Rosseau (1712- 1778).

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Ética

A ética é o estudo dos fundamentos da ação humana. Por isso, nos- so estudo sobre ética tem início com a virtude em Aristóteles e Sêne- ca. Dois autores do mundo antigo, de momentos históricos distintos e com preocupação semelhante, buscam apresentar um referencial refle- xivo a seus contemporâneos para que possam atingir a excelência mo- ral, ou seja, serem virtuosos, vivendo de forma virtuosa e conseguirem atingir a finalidade da vida humana: a felicidade.

Porém, a busca pela felicidade passa por escolhas que devem ser guiadas pela razão. É por isso que Aristóteles insiste na idéia de buscar a mediania, ou seja, o equilíbrio nas escolhas diante das ações e emo- ções como critério para que o homem possa ser feliz. Sêneca, com pre- ocupação semelhante, orienta o que o homem deve fazer para fortale- cer sua alma e com isso não se obstinar diante das circunstâncias.

Um dos grandes problemas enfrentados pela ética é o da relação entre o sujeito e a norma. Essa relação é eminentemente tensa e con- flituosa, uma vez que todo estabelecimento de uma norma implica no cerceamento da liberdade.

Ao tratar do tema liberdade, escolheu-se dois autores do início da modernidade, Guilherme de Ockham, no século XIV, e La Boétie, da primeira metade do século XVI.

Nesse momento histórico, final do mundo medieval e início do mundo moderno, encontram-se diversas características que marcam a contemporaneidade. Destacam-se, entre elas: a noção de indivíduo que ganha força a partir do século XIV; a formação de Estados laicos, que buscam a independência em relação ao poder religioso e, sobre- tudo, o pensamento que estabelece, já desde o século XIII, o revigora- mento da filosofia e, portanto, da razão como necessária para reger a vida do homem e a construção da ordem social.

É nessa perspectiva que Guilherme de Ockham e La Boétie discutem a liberdade humana. E esta liberdade que tem como limite o processo de formação do mundo moderno e de desconstrução do medieval.

A ética possibilita a análise crítica para a atribuição de valores. Ela pode ser ao mesmo tempo especulativa e normativa, crítica da hete- ronomia e da anomia e propositiva da busca da autonomia. Por isso, a ética defende a existência dos valores morais e do sujeito que age a partir de valores, com consciência, responsabilidade e liberdade, no sentido da luta contra toda e qualquer forma de violência.

Com esse enfoque, discute-se o tema amizade em Aristóteles por se tratar de um sentimento desenvolvido pelos seres humanos, que pe- lo fato de serem animais políticos, ou seja, viverem em sociedade, es- te tema torna-se importante, pois perpassa todas as relações sociais. É por isso que Aristóteles demonstra que há várias espécies de amizade e cada uma delas está diretamente relacionada com o que os homens buscam na relação que estabelecem.

Assim, tão importante quanto a vida virtuosa é a consciência das re- lações amistosas que o homem estabelece e, sobretudo, se as mesmas estão pautadas em princípios e valores que contribuem ou não para a realização do bem comum. Disso resulta a exigência do tema amizade como reflexão ética.

A reflexão ética, no espaço escolar, examina a ação individual ou coletiva na perspectiva da filosofia. Não se trata tanto de ensinar valo- res específicos, mas de mostrar que o agir fundamentado propicia con- seqüências melhores e mais racionais que o agir sem razões ou justi- ficativas.

Por isso, a abordagem sartreana da liberdade como valor e respon- sabilidade no sentido de possibilitar a reflexão diante de problemas contemporâneos aos homens hodiernos, entendendo que os valores são construídos e, portanto, não há valores e ou modelos pré-defini- dos, mas sim que ao agir do homem tem o poder de estabelecer os va- lores diante dos quais terá responsabilidade.

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A VIRTUDE EM