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Propuestas de actuación y mejora para implementar los planes de igualdad

5. Resultados

5.4. Propuestas de actuación y mejora para implementar los planes de igualdad

Quando falamos em tecnologia como processo de construção social, queremos dizer que as características de um determinado artefato tecnológico é fruto da negociação de diferentes grupos sociais que têm preferências e interesses. Desse modo, o desenho da tecnologia está relacionado aos interesses políticos, econômicos ou sociais. Para alguns autores (PINCH; BIJKER, 1990; FEENBERG, 1999) a decisão sobre o desenho da tecnologia passa pelo crivo da escolha social, refl ete as práticas sociais e culturais de um determinado período e local. Esta concepção pode ser verifi cada no conceito de tecnologias sociais. Os próprios atores da sociedade civil concebem as tecnologias sociais “como aquelas que compreendem produtos, técnicas e metodologias desenvolvidas na interação dos saberes científi co e popular e que representam efetivas soluções de transformação da sociedade” (RTS, 2010). A perspectiva destes atores parte da premissa de que a sociedade também tem um conhecimento baseado na experiência de vida e que, em interação com pesquisadores que detêm um conhecimento científi co, produzem soluções para os seus problemas relacionados ao processo produtivo ou para o atendimento de necessidades básicas como acesso a água, tratamento de doenças, alimentação, etc. Desse modo, tal perspectiva é diferente da visão de que o único detentor de conhecimento é o pesquisador. Ao contrário, o conceito de tecnologias sociais parte do entendimento de que o conhecimento é produzido em diferentes lugares como resultado de interação social e a tecnologia é o resultado de uma construção coletiva que leva em conta os recursos materiais e humanos disponíveis. O conceito de tecnologias sociais tem uma proximidade com o conceito de tecnologia estudado pelos construtivistas. Os construtivistas entendem que a tecnologia é construída na interação de diferentes grupos sociais que dão um signifi cado para os artefatos tecnológicos. Para eles, a tecnologia é o resultado da negociação de diferentes grupos sociais que compartilham um signifi cado, uma imagem do artefato.

É possível identificar uma convergência entre estudiosos da tecnologia da corrente construtivista, os autores do campo de Ciência, Tecnologia e Sociedade e as lideranças das instituições da sociedade civil que trabalham com o conceito de tecnologias sociais. Os pontos em comum entre estes três segmentos são: o conhecimento é produzido em diferentes lugares como empresas, hospitais, ONGs, não sendo exclusividade da universidade; o processo de construção da tecnologia sendo processo participativo que envolve a interação de diferentes grupos sociais, inclusive aqueles que detêm o saber popular. Esta visão estabelece forte vín- culo entre democratização e desenvolvimento tecnológico, na medida em que o desenho da tecnologia se dá num processo de interação do conhecimento científi co e popular, o que requer formas de organização mais democráticas.

A visão de tecnologias construídas a partir das demandas sociais se aproxima da teoria crítica da tecnologia de Andrew Feenberg (1999). Segundo o autor, a concepção de neutrali- dade da tecnologia desconsidera que está enraizada nela valores antidemocráticos comum à lógica capitalista que visa o controle dos trabalhadores e recursos para aumento de efi ciência e lucros. Para Feenberg, o poder tecnocrático está presente nas decisões sobre o desenho da tecnologia, em função da necessidade de controle do processo produtivo. Nesse sentido, existe

uma dimensão política na construção dos artefatos e processos tecnológicos. O conceito de tecnologias sociais considera esta dimensão e se caracteriza por ter relação estreita com a prática democrática de envolver as comunidades no desenvolvimento da tecnologia, levando em conta o saber popular para atender suas necessidades.

Para você entender as principais diferenças entre as tecnologias empregadas nas grandes empresas e as tecnologias sociais, apresentamos uma comparação no Quadro 1. No contexto do sistema capitalista mundial, as tecnologias convencionais visam à maximização do lucro, o que não signifi ca bem estar social. Como exemplo, podemos destacar o caso do Fordismo, uma tecnologia de processo que maximizou o volume de produção e do lucro, desqualifi cou a mão de obra com a subdivisão do trabalho e reduziu o trabalho humano a movimentos repetitivos. Desse modo, enquanto as tecnologias capitalistas são utilizadas nas grandes em- presas, as tecnologias sociais são empregadas entre os pequenos produtores e cooperativas de trabalhadores. Ao contrário das tecnologias capitalistas que tendem a substituir o trabalho humano por máquinas, as tecnologias sociais melhoram o processo produtivo e geram mais oportunidade de trabalho e aumentam a renda dos pequenos produtores. Outra diferença entre as tecnologias, é que no caso capitalista há a necessidade de controle do ritmo do trabalho através da hierarquia e velocidade das máquinas para garantir um aumento do lucro das em- presas, enquanto no caso dos pequenos empreendimentos e cooperativas de trabalhadores, os produtores também tomam decisão, têm funções administrativas e têm o controle do processo. Portanto, não há uma separação entre os que pensam e os que executam, como há nas fábricas capitalistas.

Tecnologias capitalistas Tecnologias sociais

Utilizada na propriedade privada. Utilizada na propriedade coletiva, cooperativas e associações.

Voltada para produção em grande escala. Os empreendimentos são pequenas unidades produtivas

Poupadora de mão de obra. Geradora de ocupação e renda.

Controle coercitivo do trabalho. Autonomia no trabalho e estrutura ocupacional homogênea.

Segmentada para evitar o controle do produtor no

processo de trabalho. Controle social (produtor) do processo produtivo.

Visa o lucro em detrimento do social e meio ambiente.

Atende necessidades básicas e procura conciliar o social e o manejo sustentável.

Quadro 1 – Características das tecnologias

Fonte: Adaptado de Dagnino, Brandão e Novaes (2004).

O desenvolvimento tecnológico das multinacionais está orientado para o atendimento do mercado formado por pessoas de alta renda. O destino preferencial dos produtos de alta tecnologia são os países desenvolvidos e as classes mais abastadas dos países periféricos. Vale lembrar que a industrialização no Brasil esteve associada a um processo de concentra- ção de renda para que uma camada privilegiada da sociedade formasse o mercado interno (FURTADO, 2003).

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Somos induzidos a pensar que existe apenas um único caminho de desenvolvimento

tecnológico, que é a trajetória dos países desenvolvidos e suas multinacionais, e países como Brasil precisam dar saltos (catting-up) para alcançar este estágio tecnológico. Em outras palavras, segundo a visão dominante, para países como o Brasil ser desenvolvido é preciso

dominar as tecnologias dos países avançados, isto é, seguir o padrão tecnológico.

A ideia da possibilidade de desenhar alternativas tecnológicas para novos estilos de de- senvolvimento fi ca restrita a poucos pesquisadores e militantes das causas sociais. Perdeu-se a capacidade de criar, imaginar e projetar desvinculado da visão dominante. A ideia da trajetória única dos países desenvolvidos está tão arraigada na mente das pessoas, inclusive na comu- nidade de pesquisa que procura seguir as tendências dos centros mundiais. O determinismo tecnológico não modifi ca a relação de dependência entre países centrais e periféricos.

Com base no que você viu sobre o fi lme “Tempos Modernos” que indicamos na Aula 4 (algumas cenas estão disponíveis no Youtube), descreva as características do Fordismo como uma tecnologia capitalista.

Organização da sociedade