• No results found

Marco legislativo

2. Marco teórico y legislativo

2.2. Marco legislativo

E a tecnologia? Veja que a maneira como entendemos a ciência infl uencia diretamente a forma como concebemos a tecnologia, ainda mais se a considerarmos tão somente uma aplicação da ciência (conceito ainda mais corrente). Se a tratamos assim – uma aplicação da ciência – a vemos de forma determinista. O que é isso? É pensar que a ciência determinará a tecnologia, em outras palavras, que a tecnologia deriva da ciência.

Uma olhadela na história da ciência e da tecnologia vai nos mostrar que a habilidade técnica diferenciou o homem de outros animais que habitam no planeta Terra. As alavancas, polimento de pedras e o fogo são técnicas milenares (BAZZO; PEREIRA, 2009, p. 66). O alfabeto e a escrita são sistemas de símbolos organizados que o homem desenvolveu há pelo menos 2 mil anos. Esses sistemas são técnicas ou tecnologias?

Lembremos, por exemplo, que o fogo é um legado da pré-história e que esse é um mo- mento em que o homem ainda não tinha investido em um sistema de conhecimento racional

e que dará origem, na Grécia, especialmente, ao pensamento ocidental de onde deriva o que entendemos por ciência.

É importante observar que a ciência atual, essa que é produzida nos laboratórios, espe- cialmente os das universidades e institutos de pesquisa, está longe da forma como os gregos estudavam a natureza ou mesmo astrônomos célebres, como Copérnico, ou criadores fantás- ticos, como Leonardo da Vinci, realizavam seus trabalhos.

Se a ciência e a tecnologia têm uma história, esta não se deu aleatoriamente. O ambiente social (cada época teve o seu) e a forma como as pessoas (mulheres e homens, ricos e pobres, negros, brancos, indígenas etc.) se relacionavam são elementos a ser considerados.

Falar em prática tecnológica (PACEY, 1990), levando-se em conta que sistemas e artefatos tecnológicos não são apenas produtos técnicos, mas estão ligados a aspectos organizacionais e imersos numa cultura, é mais adequado se queremos discutir valores e sua incorporação. Um entendimento mais restrito de tecnologia reduzirá dimensões sociais e humanas e seus problemas ao aspecto organizacional da tecnologia – é um dos terrenos do seu signifi cado mais geral. Esse entendimento solapa o conteúdo humano no fazer tecnológico, ignora a existência de valores nessa atividade (CABRAL, 2006, p. 46).

Vamos refl etir?

1)

Os cientistas e os engenheiros são alheios às aplicações sociais de suas investigações?

2)

Os consumidores têm alguma responsabilidade no desenvolvimento tec- nológico?

3)

Você conhece instrumentos que permitam ao cidadão intervir nos processos de controle da pesquisa?

À discussão do conceito de tecnologia, especialmente a partir do século 20, também se agregam aspectos econômicos, como os advindos do sistema capitalista. É quando se insti- tucionaliza a inovação na maior parte dos países do mundo.

Toda essa discussão está relacionada ao conceito de alfabetização científi ca e tecnológica: uma formação das pessoas para que possam entender a ciência e a tecnologia de maneira crítica e refl exiva e como parte das suas vidas, não apenas como realização de cientistas sob o controle do Estado; trata-se, também de problematizar com os próprios cientistas e engenheiros a maneira como compreendem e realizam ciência e tecnologia, os valores, interesses, contextos que estão em jogo. Pense você também sobre esse conceito e como ele poderia ser aplicado.

Esta aula buscou apresentar elementos para uma aproximação ao campo CTS e a discussão que ele enseja sobre as relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Há muito mais a ser de- batido, certamente, e você se dará conta disso no decorrer do nosso curso. Aproprie-se desses

1

2

Resumo

conhecimentos como uma espécie de primeira leitura. Esperamos que você possa refl etir sobre o papel da CTS e entendido melhor essa relação, levando em conta aspectos sociais e históricos, sejam os mundiais, do seu país ou da cidade em vive. Até a próxima aula!

Vamos retomar importantes aspectos do que estudamos nesta aula? Em primeiro lugar, procuramos situar você quanto ao estudo das relações entre ciência, tecnologia e sociedade e à sua formação no Ensino Superior, à carreira que escolheu ou vai escolher e à sua atuação como profi ssional, respeitando princípios éticos e sendo responsável socialmente. Vimos também uma apresentação do campo de estudos interdisciplinar Ciência, Tecnologia e Sociedade, afi nal, como, onde e por que surgiram sérias críticas à ciência e tecnologia? Depois, retomamos a discussão sobre o conceito de ciência e de tecnologia e refl etimos sobre o modelo linear de inovação. Por fi m, destacamos a importância de uma alfabetização científi ca e tecnológica crítica.

Autoavaliação

No início desta aula, você escreveu sobre a relação entre a ciência, a tecnologia e a sociedade. Agora, reelabore o que você respondeu anteriormente a partir da

discussão realizada em grupo na sala de aula, ou mesmo com base no que você escreveu individualmente.

Pesquise em um jornal da sua cidade uma situação do cotidiano e a analise do ponto de vista da CTS.

Referências

BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. T. V. Introdução à engenharia. Florianópolis: EDUFSC, 2009.

BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. T. V.; VON LINSINGEN, I. Educação Tecnológica: enfoques para

o ensino de engenharia. Florianópolis: EDUFSC, 2008.

CABRAL, C. G. O conhecimento dialogicamente situado: histórias de vida, valores huma-

nistas e consciência crítica de professoras do Centro Tecnológico da UFSC. 2006. 205 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Pós-Graduação em Educação Científi ca e Tecnológica, Florianópolis, 2006.

CEREZO, J. A. P. Ciencia, tecnologia y sociedad. In: IBARRA, A.; OLIVÉ, L. Cuestiones éticas em ciencia, tecnologia y sociedad em el siglo XXI. Madrid: OEI, 2003.

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científi cas. São Paulo: Perspectiva, 2000.

LISINGEN, I. V. O Enfoque CTS e a Educação Tecnológica: Origens, Razões e Convergên- cias Curriculares. Florianópolis: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Tecnológica,

2004. Disponível em: <http://www.nepet.ufsc.br/Artigos/Texto/CTS%20e%20EducTec.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2010.

PACEY, A. La cultura de la tecnología. México: Fondo de Cultura Económica, 1990.

PALACIOS, E. M. G. et al. Ciência, tecnologia y sociedad: uma aproximación conceptiual.

Madrid: OEI, 2001.

PALACIOS, F. A.; OTERO, G. F. P; GARCÍA, T. R. Ciencia, tecnología y sociedad. Madrid:

Tecnologias sociais