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Ao pesquisarmos os saberes veiculados no cotidiano escolar do Ginásio Alfredo Dutra através das práticas de leitura dos professores e dos normalistas, detectadas pelos livros de entradas e saídas da Biblioteca Dr. Orlando Bahia, percebemos que os livros foram os testemunhos, alguns ainda presentes na dita biblioteca, dos saberes da docência daquele período da história da educação em Itapetinga. Eles foram, e ainda são, não só os portadores dos conteúdos e dos saberes ensinados, mas os reveladores de um projeto de educação. No caso da ACI, esse projeto tinha por meta criar uma cultura ginasiana em Itapetinga, o que lhe proporcionaria ser conhecida na região como uma cidade preocupada com a educação e a cultura de forma geral. Dessa maneira, o Ginásio Alfredo Dutra foi um projeto de educação com proporções sociais mais amplas.

Estudar a história da Associação Cultural Itapetinguense, seus projetos culturais e educacionais nos possibilitou conhecer, também, o seu quadro diretor e de associados, a vila de Itatinga e sua trajetória econômico-social, seu desenvolvimento cultural e o processo de emancipação política e constituição do município de Itapetinga. Dessa forma, as ações culturais e educativas implementadas pela ACI e direcionadas à vila significaram a possibilidade de progresso, de esclarecimento e consolidação de uma elite econômica e social local e de enlevamento no âmbito da cultura e da educação dos moradores em geral. Essas possibilidades / objetivos fizeram parte de um projeto mais amplo destinado à vila, que era sua emancipação político-administrativa, visto que os próprios moradores do lugar não concebiam a idéia de, mesmo sendo economicamente independentes, serem administrativamente subordinados a um outro município.

Os projetos aqui analisados que, num primeiro momento foram não-formais – a audição do rádio, as palestras e a Biblioteca Dr. Orlando Bahia – e, posteriormente, práticas formais de educabilidade – o Curso de Ciências, Letras e Artes, a Escola da ACI, o GAD e a Escola Normal Juvino Oliveira – permitiu, através das práticas culturais e educativas e das relações por essas práticas constituídas, uma ativa intervenção no próprio cotidiano da vila de Itatinga. Nesse aspecto, a criação de escolas também se configurou como um elemento de diferenciação e mesmo de autonomização do povoado de Itatinga em relação à sua sede. Consideramos que essas práticas de caráter efetivamente cultural foram importantes instrumentos, inclusive, para a criação de uma identidade própria ao itapetinguense, diferenciando-o dos demais moradores da região e da cidade de Itambé, a sede.

Nesse sentido os homens da ACI, sócios e diretores, como: Orlando Bahia, Juvino Oliveira, Atalah Haum, Aguinaldo Aguiar, Vespasiano Dias, Augusto de Carvalho, Irenio dos Santos Silva, Alfredo Dutra e tantos outros que, mesmo estando anônimos nas atas, contribuíram para a transformação social de Itapetinga, pensaram e acreditaram que não era possível existir processo de transformação social em que a educação não tivesse papel de destaque. A educação foi a mola mestra das ações da ACI e até mesmo o processo emancipatório da vila teve como símbolo uma instituição de ensino – o Ginásio Alfredo Dutra.

O desejo de consecução da emancipação política de Itapetinga fez com que os intelectuais da ACI, imbuídos de um espírito empreendedor e progressista, vissem essa entidade cultural como “a coluna mestra do progresso” (ASSOCIAÇÃO CULTURAL ITAPETINGUENSE, 1954, p. 4) daquela terra, tendo, também, a certeza de que ela era a “célula viva do progresso itapetinguense” (ASSOCIAÇÃO CULTURAL ITAPETINGUENSE, 1958, p. 7). A emancipação política de Itapetinga contribuiu para estreitar os laços existentes entre a ACI e os representantes da política baiana e nacional, consolidando a já constituída elite política local.

A educação escolar, para os integrantes dessa elite política, era entendia como um fenômeno social que deveria estar presente em toda a sociedade. O pensamento dessa elite corroborava com o de Anísio Teixeira, quando este dizia que “acreditava que, enquanto as demais instituições [associações, clubes, igrejas etc.] exerciam ação educativa sem plano definido e sem controle de resultados, a escola era ‘a instituição conscientemente planejada para educar’” (TEIXEIRA, 1997, p. 255). Motivo que impulsionou os intelectuais da ACI a empreenderem tantas ações de caráter educativo formal, planejados e controlados, no sentido da disseminação de saberes, principalmente os relacionados aos valores morais e familiares.

Gostaríamos de finalizar este trabalho, primeiro afirmando que enquanto objeto de pesquisa e de desejo nosso olhar estará por muito tempo voltado para a ACI, seus projetos e seus intelectuais. Justamente por essa afirmação é que citamos Fernando de Azevedo:

Se ‘há enterros antes da hora que fazem morrer’, [...] há enterros depois da hora que fazem viver, como se fossem destinados a exumar instituições arcaicas ou a reanimar a recordação já quase apagada de práticas,

tradições ou pessoas que julgávamos extintas. (AZEVEDO, 1945, p. 3

Talvez esse tenha sido um dos méritos do nosso trabalho: exumar, via documentos, a Associação Cultural Itapetinguense, os homens que a fundaram e as práticas culturais, educativas e emancipatórias por eles empreendidas.

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ANEXO – A: Ficha de inscrição de sócio da Associação Cultural Itapetinguense (década de 1940).

ANEXO – B: Ata Especial de Fundação do Ginásio Alfredo Dutra. Ata de Fundação do Ginásio Alfredo Dutra

Associação Cultural Itapetinguense

Às 20h do dia 14 de julho do ano de mil novecentos e cinqüenta e um, em sessão realizada na Associação Cultural Itapetinguense, com a presença dos senhores Juvino Oliveira, Nid Dutra d’Amorim, Flávio Everaldino de Filgueira, prof. Saturnino Pereira, Mariano de Oliveira Campos, Francisco de Assis Ribeiro, Climério Ferreira, Elias José de Carvalho, Manoel Joaquim Ribeiro, Edson Oliveira, Júlio Ferreira Coelho, Sinfronio de Almeida Silon Ribeiro, Alfredo Edson Dutra, Américo Francisco Souza, prof. Francisco Costa, Júlio da Silva Lemos e Otávio Lacerda Rolim, o Sr. Nid Dutra d’Amorim deu início aos trabalhos fazendo uma exposição dos problemas apresentados com referencia a instalação de um ginásio para funcionamento em 1952. As dificuldades haviam desaparecido graças à cooperação do prof. Saturnino Pereira, pondo à nossa disposição o edifício destinado aos alunos do “Instituto Moderno de Ensino” dotado de 4 salas e um amplo salão, espaço suficiente para as aulas do futuro ginásio. Entrara-se em entendimento com o Sr. Francisco de Assis Ribeiro e se obteve uma residência com área suficiente para alojar 50 alunos, estando assim resolvido a questão do internato, ma das condições estabelecidas pelo prof. Francisco Costa. Sendo assim, o último problema a resolver, seria o levantamento de um determinado capital para a cobertura das despesas iniciais. Dada a palavra ao prof. Francisco Costa, ouviu-se a sua exposição detalhada sobre os elementos necessários à instalação do estabelecimento chegando-se a conclusão de que seria preciso a importância de cento e cinqüenta mil cruzeiros. O Sr. Otávio Lacerda Rolim, falou em seguida ao prof. Francisco Costa, qualificando de dispendiosa aquela instalação provisória do estabelecimento e apresentou a proposta de se renunciar ao funcionamento do ginásio de 1952 e que se organizasse logo uma comissão ou que se fizesse por aclamação uma diretoria, para então se fazer um movimento popular no sentido de angariar dinheiro, para a construção definitiva, devendo-se assumir o compromisso do seu funcionamento em março de 1953. Sugeriu então o Sr. Juvino Oliveira, que em vez de uma diretoria aclamada pelos presentes, três homens dos ali reunidos, assumissem a responsabilidade diante do prof. Costa, da construção do ginásio, entregando-o pronto em janeiro de 1953, para que nele se realizassem os exames de admissão na segunda quinzena de fevereiro. Decidiu-se que esta responsabilidade recairia aos srs. Juvino Oliveira, Mariano de Oliveira Campos e Izai dos Santos Amorim, na pessoa do seu filho Nid Dutra d’Amorim. Resolvida esta parte com a aprovação de todos os presentes, decidiu-se em seguida, o nome

do futuro estabelecimento. Falou o pastor Saturnino Pereira, apresentando o nome de Alfredo Dutra, cujas qualidades e méritos foi pelo mesmo eloqüentemente demonstrados. Disse então o Sr. Nid Dutra d’Amorim que em palestra com amigos assim que chegara a Itapetinga havia