Piotr Garbacz
2. The proposed correlation between V-to-I movement and rich verbal agreement
As oficinas anteriores terão dado o estímulo aos primeiros sinais de vínculo e sentimento de pertencimento das crianças e adolescentes aos seus lugares. Mas será preciso que o próprio espaço da escola centralize as potencialidades criativas e as iniciativas dos alunos nas suas próprias ações. Nesse sentido, é de extrema importância a introdução de trabalhos, como dizia Freinet, que requisitem as exigências dos seus instintos. Mesmo que, com o passar do tempo, nos envolvamos mais com as conclusões das experiências, é a proximidade com o mundo sensível que impõe nossa presença no mundo, nos estimulando a conquistar pelo esforço nossas próprias realizações. “A criança quer trabalhar da mesma maneira que quer alimentar-se” (FREINET, 1998, p. 339). Chico Lucas é um exemplo de que a natureza é o lugar do aprendizado da vida. Na mesma direção, Freinet (1998) e Fritjof Capra com outros pesquisadores (2006) apostam que a horta na escola impõe, através do seu plantio, cultivo, colheita, compostagem e reciclagem, a aprendizagem dos ciclos alimentares que, na sua totalidade, estão inscritos em sistemas mais amplos que respeitam determinados ciclos, como o da água e o das estações. Penso que toda escola deva ter uma horta, plantada e permanentemente cuidada pelos alunos. A oficina aberta e permanente da horta será o terreno fértil e efetivo do aprendizado da escuta, pois exigirá o respeito ao tempo de cada coisa, demandando cuidado, paciência, observação atenta e respeito aos ciclos da vida. A repetição contínua dos gestos, como regar as sementes, limpar o terreno, irão assegurar o crescimento da horta. Muitas aulas
serão desenvolvidas nessa horta, despertando atos de contemplação e ritualização. Os alunos obterão conhecimentos essenciais sobre a vida, degustarão suas próprias verduras e frutas e conquistarão um orgulho de terem realizado algo que lá permaneça, com suas raízes. Acredito que esse trabalho se ampliará para além do terreno da escola, com a plantação de mudas no bairro, tendo o apoio da prefeitura, e interagindo moradores, professores e alunos. Cursos com agricultores poderão ser feitos nessa horta. Também outros professores, como pescadores, habitantes mais antigos do bairro, artistas, entre os quais muitos não tiveram acesso à educação formal, mas possuem conhecimentos e saberes construídos a partir de suas próprias experiências, e aprendidos no próprio desafio da vida, poderão fazer da horta o seu lugar de ensinamento. Suas estratégias mostrarão a importância do aprendizado com outros tutores, mestres não-oficiais do conhecimento, e de sua forte influência no processo autoformativo.
A escrita de diários poderá ser incentivada pelos professores a fim de que os alunos se iniciem na construção de narrativas autobiográficas. O material diversificado obtido a partir de todas as oficinas realizadas, registro importante das experiências de escuta dos próprios alunos, poderá introduzi-los em suas primeiras narrativas.
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