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2.4.3 Proporsjonalitet
As histórias de vida dos antigos serviçais, das roças foram fontes imprescindíveis para a realização do presente trabalho.
As suas histórias revelam as particularidades do quotidiano, cujos contornos foram traçados, entre outros, pelo trabalho serviçal e suas características herméticas, organização laboral, clivagens étnicas, subjugação racial, lazer, entre outros.
Tal como constatou Inês Brasão (2012), com as suas entrevistadas, os relatos das nossas também dão conta de histórias e situações que importa analisar tendo em conta os contextos, mas sobretudo a época e os valores então vigentes (e que no caso de São Tomé e Príncipe, como pudemos compreender ao longo da pesquisa, continuam a resistir ainda presentemente, sobretudo, entre as mulheres mais idosas com quem falámos). Assim, também nós, como Brasão, nos demos conta, entre as mesmas, de atitudes de conformismo e de sentimentos de fidelidade embora tenhamos igualmente registado nelas posições de contestação face a situações de maus tratos e humilhações.
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As nossas entrevistas foram para os entrevistados uma espécie de desabafo. Chamamos atenção para o facto de alguns não se lembrarem das suas datas de nascimento (por perda da documentação, em casos de incêndios, invasão das águas das chuvas, mudança de domicílio…) guiando-se, apenas pelas idades, de que se recordam com base nas antigas fichas de contrato. Alguns depoimentos foram longos, o que fez com que fizéssemos síntese dos mesmos, para não perder de vista o nosso objecto de estudo.
Ao abordar os entrevistados pedimos que se apresentassem e que falassem da sua vida na roça desde o tempo colonial, passando pela independência e depois da primeira década da distribuição de terras. Nem todos responderam linearmente às questões, mas pudemos inteirar-nos das suas trajectórias de vida.
Por meio dos seus discursos, entrámos num mundo onde se cruzavam muitas vezes o passado e o presente, assim como se misturam memórias mais doces com as mais duras. Não podemos de qualquer modo deixar de reconhecer a generosidade e a riqueza dos testemunhos que nos foram transmitidos e que remetem para informação muito rica sobre a experiência dos entrevistados. Das suas palavras sublinhamos os assuntos que de forma mais direta se ligam com o objecto do nosso estudo, ou sejam, os quotidianos das roças; o lugar e o trabalho das mulheres.
Aniz, por exemplo, na sua fala traz à baila a rotina do quotidiano feminino na Roça Rio do Ouro durante a colheita do cacau e nas estufas onde ele era seco a fim de ser ensacado e transportado para a Europa.
“Eu trabalhava de seis a dezasseis hora: partia caroço, cacau e colocava no tabuleiro com outras colegas-mulher para crivar e colocar na estufa. Cacau era colocado no crivo para mulher colher. Capataz ficava com atenção pápara gente não deixá yága perder. Para além desse trabalho mulher fazia capina, quebra de côco, cuidava de sacador.Secador tinha bastante de tabuleiro para cacau secá na estufa (…) patrão dizia pá gente tê muito cuidado porque era cacau pá levá pá fora para fazê chocolate…”
Dália, no depoimento que se segue traz-nos os pormenores do trabalho de uma criada- serviçal em casa do patrão, onde para além das várias ofensas, também sofreu o estupro; faz o relato da sua vida pessoal e do seu trabalho até a independência:
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“Começou a trabalhá com15 ano de criada em casa de patrão. Lavava prato, colher, tudo de cozinha…;tomava conta de criança, dava elas banho, cortava elas unha, penteava cabelo delas. Mas elas inventava mentira, queixava pai que gente fez assado e cozido e patrão dava castigo por causa dessas quêxa de criança. Patrão também violô-muviolou-mevárias vêzivezes . Eu ia queixá quem? Ele ameaçava para eu não dizê nada e eu ficava com medo. Passô, passô tempo, gente mandô-mu trabalhar no mato, fazia capina, quebra de cacau, enchia tina de cacau. Juntei com um moçambicano e eu paridei á luz. Ele foi repatriado para terra dele e eu tomei outro homem, pari outros filho.Quando apanhei uma pancada no pé, gente pôs-mu a trabalhar no terrêro a varrer, capiná…Eu trabalhê nisso até independência”.
Hibisco foi dos poucos homens que entrevistámos. No dia em organizámos a entrevista em Água Izé ele estava entre as mulheres e não quisemos desperdiçar as informações que nos poderia dar, tendo em conta a sua idade avançada (nasceu em 1925) e a sua lucidez. Chamou a nossa atenção pela forma como nos falou dos horários praticados na roça e da sua polivalência no trabalho:
“Aqui na Roça Água Izé eu trabalhei como pastor dos porcos e boi, cuidava dos cavalo de patrão, cuidava das linhas de comboio (décauville) que ligava uma dependência pá outra,pá levá cacau, trabalhador, muita gente. Trabalhei também guarda-fio e capataz.
Não havia escola, mas com 14 ano eu comecei com minha curiosidade a aprender algumas coisa de letra. Um meu amigo cabo verdiano também ajudou-mo bastante.
Trabalho era assim:
4horas – 1ª sineta para abrir porta e fazer higiene 5horas- formatura e distribuía tarefa
6horas- começa trabalho
7horas-capataz reúne grupo de duas pessoa , um procura fruta-pão, outro junta fogo para assar fruta. Cada grupo que apanhou sua fruta assa para comer sem peixe.
7:30 horas- continuava serviço.
11horas- tinha gente que ia buscar almoço no quintal. Almoço era molho de peixe seco, feijão, soô de fruta, fuba.
12horas – apito para almoço. Cada um tinha que desenrascar porque não haviaprato no mato. Prato era folha de bananeira, folha de matabala; colher era choca de bananeira. Se havia chuva era pior, porque água entrava comida e não dava para comer mais..
13horas- gente retomava serviço. 17horas – regresso para terrêro. 21 horas – apagar luz e dormir.
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Margarida concedeu-nos a entrevista mais longa que pudemos fazer na antiga roça Rio do Ouro. A sua entrevista ficará transcrita na íntegra nos anexos. Mãe de 10 filhos, trabalhou nos mais variados ramos do trabalho feminino da roça:
“…Um trabalho que eu gostava muito de fazê era quebrá cacau. Pá mim era melhor trabalho que havia em S.Tomé. Fazia oito tina de cacau a correr. Se homem fazia dez tina, mulher fazia oito, nove. Mas também trabalhê dois ano na cozinha e dois ano no secador de cacau. Um dia, patrão aproximou e perguntô-me, quantas tina faltava enchê. Eu informê e ele perguntô se eu gostava de galinha. Eu disse que sim, mas é minhas galinha que eu crio. Ele disse: “Vira cacau na tina e vai acompanhá sô Tixeira Teixeira,encarregado do galinheiro. Eu fui e senhor disse que eu ficava a substituir senhora Joana que foi repatriada
para Cabo Verde. Eu trabalhê durante dezoito ano nesse lugar até revolução Subentende-
se, 1974.Nós era duas mulher naquele galinheiro. Havia cerca de 700 perú, 300 pato, novecentas e tal galinha, sem contar pato-ganso, coelho, pavão…”
Rosa de Porcelana, também de Rio do Ouro faz menção à situação dos pais que quando terminassem seus tempos de contrato se que quisessem levar os filhos nascidos em São Tomé era vedada tal possibilidade, o que resultava, às vezes, no seu não regresso aos países de origem:
“Meu pai é di Angola, minha mãe é daqui. Quando acabô contrato, pai táva pá levá nós o
pai estava para nos levar piquinino, branco não deixô. Ficou piquinina, nós era quatro.. Mãe criôeducou, fiquei ao cargo de mãe. MásMais tarde eu ficô sozinha. Outro dôs rapaz dois dos meus irmãos, morreu e mãe também morreu.
Trabalhô criada em casa di branco. Fazia trabalho di limpeza, tomava conta di criança…”
Bromélia fez referência ao duro trabalho da mulher durante a semana na roça, cuja principal tarefa era o enchimento das várias tinas de cacau, mesmo com bebés às costas. No entanto, apesar da dureza do trabalho ficou o saudosismo do salário que dava para comprar roupa, que apesar de pouco, ainda sobrava:
Eu trabalhoutrabalhei cacau, capina, carregava dez tina de cacau. Quando tinha bué, carregava 15 tina de cacau. Segunda-feira, terça colhê cacau; Quarta até sábado, quebrá e enchêencher tina de cacau. Com criança nas costa tinha que trabalhá.
Mulher recebia 10 conto de salário/mês. Comprava rôparoupa com esse
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Narciso, Bordana, Magnólia, Petúnia, lírio, Pimenta-da Jamaica, Zínia, Jasmim, Amor Perfeito, Lavanda e Alfazema da Roça Monte Café deram-nos entrevista em grupo. Dela ressaltámos a forma como era feita a divisão sexual do trabalho e da ração alimentar que recebiam.
“Homem e mulher fazia colhêta de cacau e capina. Cada pissoa pessoa tinha suas ferramenta. Homem tinha manchimachim, lima, saco para cacau, pá. Por dia apanhava 26 saco. Naquela altura tinha que fazê “raza”biscato, trabalho a prazo. Na sexta-feira ia pá escritório recebê dinheiro de “raza”biscate que ele fez. Trabalho começava 5:30. Capina era geral, capinava até parte engravatada encapoeirada. Trabalho de mulher adulta era mato.
Mulher apanhava cacau como homem. Mas quebra era só mulher. Mulher enchia 7-10 tina. Mas há dia, gente enchia 15 tina.
Gente recebia ração: arroz, feijão,fuba, peixe salgado, azête palma, pá pissoa fazê em casa.Recebia tudo numa caixa quadrado que dava gente de 15 em 15 dia. Peixe salgado vinha de Angola; fuba e feijão gente faziaproduzia aqui. Material de trabalho era: manchim, saco, lima, saco, facão para côcocopra; no lugar que tinha coco gente levava cesto”.
Begónia colocou-nos perante as agruras de uma serviçal que trabalhou como criada e como viveu a sua condição difícil de deficiente físico.
“ Eu nasci aqui em S. Tomé no dia 5 de Agosto de 1950, meu pai e minha mãe veio de Angola. Eu pari nove filho, seis mulher e 3 homem.
Eu começou a trabalhar na roça com 15 ano, era muito nova. Patrão pôs-mo lavadeira em casa dele. Como eu sô alejada (deficiente) eu fiquei a fazê trabalho mais leve.
Num incêndio que queimou meu quarto na “casa-comboio” todo meu documento queimou. Casa não tinha condições! Depôs Curadoria passou ôtro documento pá mim.
Depôs patrão tirou-mo da casa dele e eu passê a trabalhá no terrero: fazia limpeza varria e limpava toda espécie de lixo.
Depôs da independência meu trabalho passou a ser capina E como sou aleijada, meu trabalho era mais leve. No princípio tudo estava a corrê bem. Salário melhorou e muita gente ( homem, mulher) vinha de cidade para trabalhá na roça, Bastante dessa gente não conhecia trabalho e nós antigo contratado é que ensinava eles a trabalhar. Mas todos não trabalhava. Havia bastante “ mangonhêro” e gente que roubava cacau e começou a saquear coisa de roça. Ano 80, veio crise, gente sofreu bastante. Até salário faltou!
Quando Estado distribuiu terra gente deu-mo 1.5 hec. de terra. É lá onde eu e meus filho tiramos sustento. Agora eu também faço parte da Associação dos pequenos agricultores que faz cultura de cacau biológico”
Dália pôs-nos ao corrente de como os filhos dos serviçais se tornavam “filhos das roças”, como foi o seu caso , proibida a ser repatriada para Angola com os pais no final do contrato. A mãe resolveu ficar, por isso. Tendo começado a trabalhar aos 15 anos como criada chegou a ser violada pelo patrão.
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Eu nasci em 1935, mas não lembro data de nascimento. Nasci em Angola e veio muito pequenina para S. Tomé. Nome de meu pai é Quilombo, nasceu em Malange e minha mãe é Bronza, ela disse que é de Celas , tudo de Angola. Eu pari oito filho.
Quando acabou tempo de contrato de meu pai e minha mãe gente deu eles repatriação para Angola, mas patrão não queria dexá filho que nasceu aqui ir com eles. Então meu pai e minha mãe decidiu ficá, preferiu morrê aqui do que ir sem filho.
Começou a trabalhá com15 ano, de criada em casa de patrão. Lavava prato, colher, tudo de cozinha…;tomava conta de criança, dava elas banho, cortava elas unha, penteava cabelo delas. Mas elas inventava mentira, queixava pai que gente fez assado e cozido e patrão dava castigo por causa dessas quêxa de criança. Patrão também violô-mu várias vêzi . Eu ia queixá quem? Ele amaeaçava para eu não dizê nada e eu ficava com medo.
Passô, passô tempo, gente mandô-mu trabalhar no mato, fazia capina, quebra de cacau, enchia tina de cacau. Juntei com um moçambicano e eu pari. Ele foi repatriado para terra dele e eu tomei outro homem, pari outros filho.
Quando apanhei uma pancada no pé, gente pôs-mu a trabalhar no terrêro a varrer, capiná…Eu trabalhê nisso até independência.
Depôs de independência coisa melhorou porque salário ficou melhor,mas roubo aumentô demais.
Quando Estado distribuiu terra eu não recebi lote porque gente disse que eu já não tinha idade para receber lote. Ficou abandonada, sem nada, segurança social não chegou aqui e coisa que vizinho dá eu recebo, coisa que madre de igreja dá eu recebo, coisa que filho e neto dá eu também recebo, até um dia…”
No seu depoimento, Bordana fez referência à alguns momentos coloniais que viveu e as dificuldades do tempo pós-colonial, tal como se segue:
Ttrabalhei em casa de patrão. Fazia limpeza, engomava, tomava conta de criança”.
Depôs de 1975 trabalho continuou assim mesmo. Patrão foi embora, nós continuou a receber salário. Muitas mulher veio de cidade pá trabalhá aqui.Salário subiu pá 89 Dobra.
Roça começô a cair quando Trovoada entrou e começou essas coisa de lote. Distribuição de lote começou no Monte Café em 1991-1992. Problema é que homem e mulher recebeu lote igual (1.5 he). Começou a plantá banana, matabala… Lote que gente recebeu, não terreno era bom, outros encapoeirado, outros tinha pedra, pedra. Havia lote bem trabalhado.
Reforma, toda gente não tem. Quem recebe, recebe 600 Dobra/mês. Muitas mulher não conseguiu reforma. Problema era documento que faltava, problema de nome errado e outro que não estava na lista…”
Do que fica exposto e em jeito de síntese pode dizer-se que, no que concerne à participação das mulheres, em obediência a uma construção social bastante rígida e demarcada por uma divisão sexual de trabalho, no mundo roceiro, as mulheres que estudámos estavam sujeitas a lugares de completa subalternização económica e social.
Importa sublinhar que muitas das questões apresentadas pelas nossas entrevistadas sobre a economia das roças coincidem com muitos dos pontos apresentados pelas mulheres servis que Brasão (2012) também entrevistou para o seu trabalho de pesquisa. Segundo ela, esses elementos femininos do trabalho doméstico ficam à margem da economia e, o seu trabalho,
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por oposição ao dos homens, não adiciona nada ao crescimento económico tal como podemos ver na literatura historiográfica. A autora acrescenta que para os androcêntricos “os empregos que não envolvem o exercício de dominação e, em especial, aqueles que implicam submissão ou subserviência, são pouco dignos de mérito, ignóbeis e depreciados”(Brasão, 2012:33). Estamos mais uma vez perante uma ausência das mulheres, apesar dos depoimentos tão claros sobre a sua prestação activa nos trabalhos, tal como se exprimiram as nossas entrevistadas. Assiste-se sobretudo a uma ausência da discussão e valorização do trabalho feminino. A obra da autora é o resultado de uma investigação situada no interface da sociologia e da antropologia históricas, amadurecida a partir de questionamentos anteriores sobre as representações oficiais em torno das criadas no período do Estado Novo, reflexões que a autora sistematizou em Dons e Disciplinas do Corpo (1999). A conjuntura e os pontos de semelhança relativos à situação das mulheres estudadas por Brasão constituíram-se na base de um quase diálogo sobre a situação das diferentes mulheres e do mundo em análise.
Perante as representações oficiais, os retratos ficcionados da criação literária e a quase ausência do tema na produção historiográfica, importa recorrer a instrumentos teóricos e metodológicos que nos permitam edificar uma interpretação estrutural sobre, no caso estudado por Brasão, as criadas de servir entre as décadas de 1930/40 e 1970, e no nosso, as serviçais das roças mais ou menos em igual período.
Num exercício de decomposição das representações sociais que conformam o nosso olhar sobre esta realidade, é justo interpelar as esferas do público, do privado e do quotidiano que, como sublinha Brasão, não têm elegido como objeto de estudo o serviço doméstico do passado recente português (onde incluímos o passado colonial).
Tomámos o trabalho desta autora como referência, essencialmente para fins comparativos, o que nos auxiliou a desocultar e reinterpretar a sociedade da época, à luz daquilo a que Brasão chama os «processos de subalternidade» (Brasão 2012: 10).
Segundo a nossa leitura, o contributo mais inovador do trabalho da referida autora resulta da busca de momentos de construção e de desagregação dos paradigmas do serviço doméstico em Portugal a partir da interpretação das representações do grau de observância da obediência, elemento que nos permitimos recuperar na análise do comportamento, mas
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sobretudo das serviçais das roças santomenses, cuja existência, como acontecia com as criadas de servir em Lisboa, seria igualmente invisibilizada através do silenciamento do corpo e da personalidade, favorecendo, no nosso caso, o mundo hermético das roças.
As criadas e lavadeiras (solteiras ou amantizadas), “que se embrenhavam nas tarefas da casa grande, tornavam-se muitas vezes concubinas do Patrão, mulheres a quem era exigido segredo para não sofrerem represálias”. Assim, para além de filhos legítimos apareciam em casa os ilegítimos como afilhados que o pai podia trazer para criar com os legítimos (Caldeira,1999:141).