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PROJECTES CONCEDITS
Com o propósito de consolidar e estruturar a otimização desta atividade, imprescindível se faz à elaboração de critérios e procedimentos que sustentem funcionalidade e a eficiência trabalho desenvolvido no processo de adaptação em relevo. Tais critérios e procedimentos referem-se, principalmente, a relevância inerente a adequação dos recursos utilizados na construção destes materiais que servirão para a exploração minuciosa das informações.
• Realizar a leitura de todo o texto ou capítulo, obtendo-se assim, a noção do conteúdo a ser adaptado.
• A adaptação não deverá fugir do objetivo proposto no conteúdo.
• Evitar adaptações por demais complexas, utilizando-se de linguagem clara e objetiva, proporcionando fácil entendimento ao educando.
• As atividades propostas deverão possibilitar rapidez na execução, de modo que o educando cego utilize, aproximadamente, o mesmo tempo que o educando que enxerga.
• O educando, após realizar as atividades propostas, deverá ter condições de observar tatilmente o que fez, tendo possibilidade de rever sua tarefa bem como se auto-avaliar.
• Evitar representar figuras tridimensionais na condição plana, dando preferência á sugestão de materiais concretos. Quando não houver esta possibilidade, deverá fazer-se uso de observações para que o professor auxilie o educando no desenvolvimento das atividades.
A concretização da validação no uso de critérios está intimamente atrelada a sua forma de operacionalização. Nesta perspectiva, pontuaremos a seguir alguns procedimentos importantes que complementam o trabalho do profissional que elabora as adaptações.
O profissional que realiza a adaptação de textos em tinta deverá circular as figuras e/ou exercícios a serem adaptados no Serviço de Adaptação em Relevo, determinando as texturas a serem utilizadas. Posterior a esta etapa deverá fazer cópias das mesmas e registrar na Ficha de Solicitação de Adaptação em Relevo (anexo 1), os dados nela descritos.
Enfatiza-se a importância da utilização de matrizes fixas (com ficha de dados - anexo 2) e específicas como componentes de relevância no desenvolvimento deste trabalho. As matrizes constituem-se em um valioso recurso didático para as possíveis aplicações dos materiais a serem confeccionados. Os modelos destas matrizes serão mostrados no anexo 3.
Para alcançar desempenho eficiente, o aluno deficiente visual, especialmente o aluno cego precisa dominar o uso de diferentes texturas que permitem distinções adequadas das partes componentes nos materiais confeccionados. Partindo deste princípio, sempre que livros infantis são adaptados, com ele é enviado o material original confeccionado, e não, o material duplicado no thermoform, onde é empregando calor e vácuo, para produzir relevo em película de PVC.
Livro em Braille
e em relevo Livro em Tinta
Fonte: Livros didáticos do CAP-FCEE: materiais específicos para que a criança cega possa desenvolver sua habilidade tátil.
Para melhor viabilizar a dinâmica de trabalho, uma ficha fica anexada no livro que vai para o transcritor, e a outra cópia para o Serviço de Adaptação em Relevo juntamente com as cópias das figuras.
No caso de pedidos de anexos para reprodução o profissional da transcrição encaminha o pedido através da Ficha de Solicitação de reprodução de Anexos (anexo 4).
Importante ressaltar que, no que diz respeito à confecção de jogos educativos incluídos no livro didático, estes deveram ser enviados em anexo e, a cópia em tinta com as adaptações deverá ser anexada na ficha de solicitação de adaptação em relevo que será arquivada. Esta mesma ficha, também, utilizada pelos profissionais para reprodução.
Além destes procedimentos, é tarefa do profissional do Serviço de Adaptação em Tinta manter o registro da dinâmica de distribuição de livros para o Serviço de Transcrição Braille e, fazer o acompanhamento da trajetória e do desenvolvimento dos mesmos.
A utilização de livros em Braille com figuras em relevo pela criança cega, proporciona excelente base de informação e assimilação de experiências significativas onde ela, ... desenvolve sua habilidade tátil, toma conhecimento de seu meio, estabelece comparações, descobre o prazer pela leitura, corrige concepções errôneas, sendo assim levada a despertar novos interesses. (FCEE, 1999)
O dimensioname nto dos ajustes no livro didático não pode se constituir em uma barreira adicional que apresente dificuldades no processo de decodificação do tema abordado, ao contrário deve viabilizar uma produção com qualidade sempre levando em consideração as necessidades específicas das pessoas ou grupos a que se destinam. O equilíbrio na realização destas ações oportunizarão verdadeiros
Materiais produzidos pelo CAP da FCEE: Matrizes em relevo para alunos das séries iniciais.
aportes ao educando no seu processo educacional, pois os ... livros devem ser atrativos, despertar entusiasmo [...] possibilitando o amplo alcance dos objetivos propostos. (FCEE, 1999)
Se por um lado, enfrentamos uma assinalada carência de materiais adequados e eficazes no mercado, para a produção destas adaptações em relevo, por outro a criatividade, o esforço e o significativo empenho dos profissionais responsáveis por esta tarefa, tem revestido este trabalho de uma personalidade ajustada e harmoniosa no tocante a viabilização de novas investigações. Neste sentido, apoiados no rigor da experiência dos profissionais envolvidos no processo de produção e avaliação (com prévia aprovação técnica dos profissionais cegos que compõem a equipe do CAP/FCEE) que confeccionam as adaptações, julgamos conveniente que, eles próprios recorram ao mercado na busca de materiais (elementos pata texturas) que atinjam o nível de exigência por eles definida. Este permanente esforço de buscar no mercado recursos materiais eficazes, é amplamente recompensado pela qualidade dos materiais produzidos.
A preparação de técnicos e professores, no domínio da pedagogia do Braille, contribui substancialmente, sob o ponto de vista técnico, para acentuar e reforçar decisivamente os trabalhos realizados, configurando a relevância desta ação para a vida acadêmica do educando.
Diante desta perspectiva, o CAP da FCEE procura demarcar sua trajetória no empenho para a viabilização de capacitação destes profissionais procurando promover uma preparação suficientemente sólida e consistente, onde o profissional sinta-se seguro no domínio desta tarefa.
O aperfeiçoamento gradual desta atividade tem sido alvo constante dos profissionais envolvidos no processo de adaptação em relevo. Para tanto, se tem evidenciado um trabalho criterioso de renovação qualificada de estudos sobre elementos e formas mais adequadas capaz de facilitar a interpretação de elementos táteis.
Não existem dúvidas de que é possível encontrar, hoje no Brasil, alguns escritos sobre a temática em questão, entretanto, observa-se uma lacuna sobre o amadurecimento teórico e metodológico das adaptações em relevo de livros didáticos. Nosso trabalho, cientificamente organizado, pretende sinalizar a relevância e a legitimação desta ação que ora tem crescido em qualidade e em volume de produção, apontando para a maturidade de sua produção científica.
Os profissionais que lidam com esta atividade têm procurado desenvolver recursos didáticos com relevos perceptíveis constituídos por diferentes tipos de texturas
objetivando de dar destaque aos componentes utilizados na produção do material. Para ilustrar a organização do trabalho confeccionado, destacamos: quando, por exemplo, um material que discorre sobre a Mata Tropical no Brasil é adaptado com um tipo de textura, esta mesma textura é utilizada, sempre que aparecer a Mata Tropical no Brasil em outros mapas (padronização de texturas). Esta preocupação com a utilização da mesma textura no mesmo conceito justifica-se na medida em que entendemos que isto possibilidade ao educando internalizar melhor o tema em questão.
No sentido de garantir a fidelidade da informação contida no original e a qualidade dos materiais produzidos o CAP da FCEE tem procurado constituir sua equipe de profissionais com professores com habilidade para o desenvolvimento desta atividade. Hoje este Serviço dispõe de quatro professores com formação em magistério e/ou pedagogia.
É importante ressaltar que, sempre que um material adaptado é confeccionado, antes de ser enviado ao educando, este é encaminhado para o Serviço de Revisão e Correção Braille com o propósito de seja avaliada a sua adequação e viabilização de aplicação. Este Serviço é composto por profissionais cegos que têm a responsabilidade que analisar e dar um parecer técnico sobre os mesmos.
É de fundamental importância que os profissionais cegos conheçam as Normas do Sistema Braille, para evitar que um livro, um texto, por exemplo, cheguem às mãos de um educando cego, contendo erros. Portanto, para que isto não ocorra, o processo de produção de textos no Sistema Braille, não pode dispensar a etapa de revisão, garantindo a qualidade necessária do trabalho a ser utilizado em sala de aula.
A utilização de recursos de recursos gráficos nas diferentes áreas do conhecimento, possibilitam uma realização mais exata daquilo que se quer ensinar. Entretanto, é preciso estar alerta para respeitar o conhecimento construído por aqueles que, não tendo visão, utilizam-se dos outros canais sensoriais para a formação de conceitos.
A adaptação em relevo implica em adaptar toda e qualquer figura plana (representação gráfica em tinta) em relevo, obedecendo aos critérios estabelecidos na adaptação de textos em tinta. Para tanto, necessário se faz a definição específica de critérios que viabilizem uma leitura tátil melhor, facilitando desta forma a compreensão dos conteúdos propostos no livro em tinta.
Para proceder a uma adaptação com rigor e qualidade é necessário ter como referência os critérios abaixo relacionados:
• Não utilizar materiais perecíveis (arroz, feijão, milho e outros), evitando assim a proliferação de fungos e mofo;
• Utilizar texturas diversificadas, sem muitos detalhes;
• Não utilizar texturas iguais e/ou semelhantes em uma mesma matriz;
• A base de matriz deverá ser lisa, para que a figura em relevo tenha maior destaque; • A adaptação em relevo deverá ter tamanho adequado, permitindo a pessoa cega
percebê-la com as duas mãos, de forma globalizada; • Evitar mais de duas figuras em uma mesma matriz;
• Procurar padronizar as texturas utilizadas na produção das matrizes, para melhor compreensão na leitura tátil;
• Toda e qualquer adaptação em relevo deverá ser analisada por uma pessoa cega para a verificação da necessidade de possíveis reformulações que se fizerem necessárias; • Ter sempre em mente que as adaptações em relevo devem ser destinadas as pessoas
cegas e não para as pessoas que enxergam;
• Deverá constar em toda matriz o título a que se refere à figura, bem como a seta para indicar a posição da folha;
• As matrizes deverão estar acompanhadas de legendas para facilitar a leitura tátil; • Quando existirem figuras sobrepostas ou com muitos detalhes, a legenda deverá ser
explicativa, bem como as figuras desmembradas;
• Quando houver figuras complexas, deverão ser eliminados os detalhes que não irão interferir nas características essenciais da figura a ser adaptada;
• Os livros destinados para a educação infantil deverão ser encaminhados no original, devido ao fato dos educandos estarem em processo de estimulação tátil.
No presente documento, reservamos espaço para expor, abaixo, algumas amostras de materiais utilizados na produção de adaptações, possibilitando assim, uma aproximação das diversas combinações e aproveitamentos de elementos que favorecem a construção das adaptações em relevo.