Section 37. Ordinary provisions about coverage of sign expenses
2. Planning and execution
3.2 The individual road traffic signs:
3.2.3 Prohibitory signs
Contar pressupõe uma relação direta. René Diatkine
Foi no século XVII que a literatura infantil tomou seu verdadeiro impulso. Por essa época existiam os contos como: de fadas (feenmarchen), contos de magia e
fantasmagonia (zauber-und-geistermarchen), contos e narrativas para pequenos e grandes (marchen und erzahlunger furtkinder und nichtkinder) e anedotas (sagen, marchen und anekdoten), que se conhece até os dias de hoje, passados de boca para ouvidos. Antes não existia nada além de dois ou três livros didáticos, na Inglaterra e na França do século XIV, apesar do surgimento da imprensa duzentos e cinquenta anos antes (COELHO, 1991).
Do século XIX para cá se desenvolveu um interesse muito grande pelos estudos sobre os contos que se situam além do âmbito do folclore. Principalmente no âmbito da psicologia e mais recentemente na educação formal. Estudiosos se valeram do progresso da etnologia, da psicologia, das histórias das religiões, bem como de outras ciências, utilizando várias abordagens no estudo do conto, como: estrutural, arquetípica, antropológica, sociológica, psicológica e outras, com objetivo de desenvolver a utilidade a favor das ciências do homem e sua humanização.
Da história, da literatura infanto-juvenil, como se conhece hoje, temos que: vinda do mundo medieval a palavra que deu forma ao conto, adotou verdadeiramente, o sentido de forma literária no momento em que os irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm) professores alemães que abandonaram a cátedra por motivos políticos, se embrenharam pelos interiores da Alemanha, dispondo-se a ouvir as narrativas dos camponeses de então. Ocuparam-se em transcrevê-las e deram à coletânea de narrativas o título de Kinder–und Hausmarchen (contos para crianças e família), coletadas e redigidas nas múltiplas formas em que elas se apresentavam. Essa coletânea foi publicada pela primeira vez em 1812. Foi então, a coletânea dos Grimm, que reuniu uma diversidade de contos, num conceito unificado e passou a ser como tal, a base de todas as coletâneas ulteriores do século XIX. Finalmente sublinhe-se, ser sempre à maneira dos irmãos Grimm que as pesquisas sobre contos continuam a ser realizadas.
Como qualquer pesquisa supõe algumas definições prévias, abramos o dicionário em busca do entendimento do que deve servir de solo ao que se chama de conto de tradição oral que, grosso modo, foi reconhecido como folclore. Então, o que é folclore? A palavra surge pela primeira vez na revista Ateneu (Athenaeum) de Londres, em 22 de agosto de 1846, criada pelo arqueólogo inglês William John
Thoms. O termo folclore compõe-se de dois elementos: folk = povo e lore = sabedoria. Dessa forma podemos dizer que folclore refere-se à sabedoria de um povo. É, portanto, o nome dado ao conjunto de tradições, conhecimentos ou crenças de um determinado povo. É herança social e não biológica transmitida pelos grupos de famílias e comunidades de todos os grupos humanos: o conto de tradição oral. Este conto caracterizou-se, principalmente, por ser transmitido apenas oralmente em reuniões em que se encontravam famílias de camponeses na hora da vigília. Hoje essa prática quase desapareceu e só permanece viva nos países onde a oralidade tem prevalência em relação à escrita, como nos aponta o tradicionalista Amadou Hampâtè Bâ50.
Não obstante aos pressupostos teóricos do que venha a ser um conto, mas no entendimento do que pode ser um conto de tradição oral, enveredamos pela compreensão das expressões: literatura oral, literatura popular e literatura tradicional que na verdade é o solo, para que se quer estudar e, estão imediatamente associadas ao conto de tradição oral. Contudo, analisando-as temos que: literatura popular provoca uma designação oscilante da noção de povo, conforme afirma Lopes (1983, p. 44). Observa-se que na expressão literatura oral há a presença de dois termos contraditórios, que não abarcam a produção de um povo, daquilo que se encontra, agora (os contos), em forma escrita. E a expressão: literatura tradicional nos conduz para o significado do termo tradicional. De maneira que, tais expressões, embora se aproximem, ainda não respondem as nossas inquietações sobre a matéria. É preciso que se diga que a dobradinha de termos ainda causa certo desconforto pela ambiguidade que carrega, o que nos obriga a continuar no caminho.
Cascudo no seu livro Literatura Oral no Brasil (1954) dedica-se a esclarecer o termo literatura oral: “literatura” (littera) remete ao sinal gráfico, portanto à escrita, o
50 Num dos discursos, na UNESCO Hampâtè Bâ disse: Um país pode muito bem importar plantas
estrangeiras e adaptá-las em seu solo, se isso for possível. É até um dever fazer tudo para melhorar sua terra para que ela possa produzir muitas plantas e bons frutos. O perigo é querer abrir mão de sua terra para colocar outra em seu lugar; é querer, por exemplo, levar uma terra nórdica para a África, para cultivar o milho. É muito provável que dai nada de muito produtivo possa sair. Reencontremos nossa terra, ela nos alimentará. E talvez possa até mesmo oferecer seus frutos saborosos às outras nações, onde os frutos perderam o sabor. Reencontremos nossa personalidade africana própria, e talvez possamos assim estender ao amigo estrangeiro não mais a mão de um mendigo, mas a mão de um irmão.
que não permite, por princípio, ser conciliado a “oral”. Entretanto para o contista – literatura oral – é aquela que, para o povo analfabeto, substitui as produções escritas. Um imenso conjunto de conhecimentos veiculados através da transmissão oral que vêm do povo e volta para o povo. O termo é de largo emprego por ainda designar um conjunto de produções populares anônimas, que obedece a um cânone tradicional que se transmite pela oralidade.
Em nossas andanças atrás dos contos de tradição oral, percebemos que na comparação dos contos populares com os contos literários, alguns teóricos das nações modernas propõem hierarquizações para essas comparações, considerando como superiores os contos literários, cujo livro constitui seu principal veículo. Isso se justifica, a nosso ver, pelo equívoco que nasce no início do século XIX, quando a noção sobre os contos de tradição oral aparece em meio à atmosfera intelectual do romantismo51 europeu. Momento em que a arte popular, incluindo os contos de
tradição oral, se opôs a arte refinada (CALVET, 1981), certamente guiada pelo cientificismo da época. É possível observar que o âmago da questão era saber se é possível conceder à oralidade a mesma confiança que se concede à escrita, quando se trata de testemunho dos fatos, aliás, diga-se de passagem: esse rescaldo ainda nos acompanha. Não é difícil ouvir as pessoas dizerem: ah! Essas histórias não tratam de coisas sérias.