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Section 37. Ordinary provisions about coverage of sign expenses

2. Planning and execution

3.2 The individual road traffic signs:

3.2.5 Information signs

A voz que diz a palavra “bem-dita” Cria o que ela diz e o corpo que a manifesta é a sua a ilustração

Didaticamente usa-se classificar literatura em dois tipos: literatura culta, polida que é a escrita e, a literatura popular: inculta, oral, também conhecida pelo nome de folclore. Mas é Machado de Assis quem nos convence de que literatura oral é mesmo a arte de ouvir e de dizer. Essa simplicidade revela, então, “o valor do homem que faz do seu testemunho a cadeia da transmissão da qual ele faz parte” (HAMPÂTÈ BÂ, 1981, p. 262). É do seu testemunho que decorre o valor da verdade para as sociedades da tradição pela oralidade. Faz-se necessário retomar a ideia de que a tradição oral, pacientemente transmitida de boca a ouvidos, cuida da herança dos conhecimentos de toda espécie, já que sem história não há informação e não se transmite conhecimentos.

Os contos para os povos da tradição oral – especialmente das tradições africanas –, contém um valor moral fundamental; um caráter sagrado vinculado à sua origem divina e às forças ocultas nelas depositadas. Segundo Calame-Griaule (1990, p. 64), para o dogons a palavra tem um poder transformador inquestionável. Ela nasce no corpo e é constituída de quatro elementos que são parte também do universo e lhe fornecem a vida (água), o sentido (terra), o calor (fogo) e seu sopro (ar). Para este povo, cada palavra é uma confissão. Os contos, portanto, não são utilizados sem prudência, já que neles, se afirmam problemas da vida cotidiana; valores de comportamento ético-social ou as lições advindas da sabedoria prática do homem, exatamente como para índios Seattles (USA) para os quais toda a aldeia sonha o mesmo sonho; conspiradores, gente que respira o mesmo vento e até do silêncio decifram a palavra do seu contador. Também para o metafísico cingalês Ananda Coomaraswamy que estudou literatura folclórica, dos povos da Ásia, refere- se a arte que nasce do corpo como sendo de origem divina. Em seu livro: La naturaleza del folklore y del arte popular, in La verdadera filosofia del art Cristiana y oriental, o autor nos leva a pensar numa origem supra-humana dos contos

populares. Ele diz:

Supor que os velhos temas do folclore foram introduzidos nas escrituras, nas quais sobreviveram como elementos estrangeiros, é inverter a ordem das coisas: são, de fato, as formas escriturais que sobrevivem no folclore. Em todo o contexto onde foram corretamente preservados, os temas conservam sua inteligibilidade, quer sejam ou não compreendidos pelo auditório a que se dirigem. Esses temas, são antes de mais nada, formas de pensamentos e não figuras de estilos, e quem os compreende não lhes inventa um sentido, mas vê a significação do que com eles se manifestou desde a origem (COOMARASWAMY, s.d., p. 47)

Com isso, se vê o caráter sacro dos contos, pela qual a arte narrativa se manifesta. O pensamento do autor parte do principio de que os contos de tradição oral têm um saber impregnado de um mistério que provém de uma esfera supra- humana: o sagrado. Fico pensando sobre a natureza desta arte (ouvir e de dizer). Penso, fundamentalmente, na qualidade dos desencadeamentos, que se dão por essas narrativas que vão do tom da palavra ao silêncio do som, numa mesma sintonia.

Buber (1969) fala da experiência comentando a história de Baal Shem Tov, assim:

Mas a narração de Baal Shem não era como as narrações de vocês, meninos do presente, que são torcidas como um pequeno destino humano, ou redondo como um pequeno pensamento humano. Em vez disso, elas continham a multicolorida magia do mar, a magia branca das estrelas e, mais inefável que tudo, a suave maravilha do infinito. (...) Não era o relato de tempos e lugares distantes que a história contava, mas sob o toque de suas palavras a melodia secreta de cada pessoa era despertada, a melodia em ruínas que era dada como morta, e cada um recebia a mensagem da sua vida dispersa, de que ela ainda estava lá e esperava ansiosa por aquela pessoa. A narração falava para cada um, só para aquela pessoa, não havia outra, aquela pessoa era todo mundo, ela era a história (1969, p. 36).

Coomaraswamy (s\d) e René Guénon (1934), entendem os contos como algo advindo de outras realidades: Guénon refere-se ao conto como elementos simbólicos herdados de fontes sagradas. Em seu livro: Le Saint Graal refere-se ao conto como uma unidade primordial:

(...) quando se trata de elementos tradicionais no verdadeiro sentido da palavra, por mais deformados, diminuídos ou fragmentados que possam estar, às vezes, coisas que têm um valor simbólico real, tudo isso, longe de ser de origem popular, não é nem mesmo de origem humana. O que pode

ser popular é unicamente o fato da sobrevivência, quando estes elementos pertencem a forma tradicionais desaparecidas (1934, p. 147-148).

Seguindo o rumo a que nos propomos desde o início deste trabalho, interessa-nos sempre mais a possibilidade de perguntar do que as respostas oferecidas pelos pensadores. Sendo assim, permitimo-nos continuar no caminho sobre a importância das narrativas tradicionais para o mundo contemporâneo, já que os estudiosos, acima, propõem-se a discorrer sobre a unidade primordial do conto. Neste sentido, podemos apenas seguir seus pensamentos até certo ponto, quando nos percebemos incapazes de acompanhá-los, por não termos acesso ao simbolismo tradicional pelas vias do conhecimento disponível.

Então, mais uma vez recorremos à nossa própria experiência para buscarmos o sentido que isto tem para nós.

Lembro-me da Nega Julia, da minha avó e de tantos outros contadores de histórias quando dizem que, toda vez que um ser humano, senta à beira de uma fogueira e, deixa-se entrever pelo vai e vem das histórias como o vai e vem das labaredas (como acontecia conosco), alguma coisa especial acontece com todo o seu corpo. Não é por acaso que o momento do contar histórias está ligado em nossa memória com a presença de algum fogo. O fogo traz lições de feitiçaria, diz Rubem Alves, psicanalista e “inventador” de histórias, como ele mesmo se denomina.

Lembro-me, sobretudo, da casa da minha avó da fogueira, o borralho (que é o fogão a lenha), sempre com uma chaleira de ferro, cheia de água a espera do pó de café que era moído na hora; as velas acesas, enquanto elas contavam suas histórias. Naquele momento, ela, a minha avó era para mim, todo o mundo.

Tudo isso reunia as pessoas em torno da semiescuridão para ouvir as cantadoras de histórias, com um prazer que tomava conta do corpo e da mente. Muitas vezes, minha avó, deixava os seus suspiros despertarem os contos, os causos, os assombros dos papa-figos e mesmo os fatos e dificuldades da vida, quando fixava seus olhos nas chamas do fogo do borralho. Lembro-me de que eram histórias tão fascinantes que, na minha imaginação de menina, tinham o poder de

fazer a lua parar no meio do céu para ouvir as histórias. Sabemos que a verdade das crianças mora além do conhecimento do real. Ela mora nos sonhos, dizia minha avó, quando nos pegava inquietos com as intrigas das histórias. O que importa é que o conto estabeleça uma conversa particular com cada pessoa, exatamente pelas ressonâncias que desencadeiam em seus corpos, produzindo um efeito particular em cada ouvinte.

O que nos interessa sempre é saber de onde veio uma arte tão poderosa? A idade do conto? Ninguém sabe; ninguém viu.

Como se pode deduzir, os contos de tradição – vem dos mitos. No começo eram os mitos e “falavam” aos homens por meio dos deuses, agora são os contos que “falam” aos homens por meio dos símbolos. Os contos tradicionais são muito antigos e não são obra de um autor, mas sim, produção coletiva de um povo. Segundo Von Franz (1990), nascem a partir das representações do imaginário coletivo e está manifestado, como diz Campbell, “no mais despretensioso conto de fadas”. (1990, p. 78).

O assunto é apaixonante e tem muitos desdobramentos, contudo para não desviarmos do nosso foco o que nos interessa, por agora, é adentrar no reino da imaginação simbólica, do conto tradicional, para talvez descobrirmos os mistérios do Era Uma Vez...