1. Introduction and background
1.1 Rheumatoid arthritis
1.1.4 Prognosis and prognostic factors
O conceito de rede social é um constructo usado nas Ciências Sociais para descrever as ligações que se estabelecem entre indivíduos, grupos ou organizações. Wassermann e Faust (1994, p.1) descrevem rede social como uma estrutura social constituída por indivíduos ou organizações, a que chamam de nós (nodes), unidos por laços de diferentes tipos de interdependência, como amizade, parentesco, interesses comuns, trocas financeiras, relacionamentos sexuais e baseados em crenças, prestígio ou conhecimento. De acordo com Pescosolido (1991), este tipo de laços ou relacionamentos, que são a base da vida social humana, mapeiam as conexões que os indivíduos têm uns com os outros.
Pescosolido (2007), partindo da ideia de que o interesse pelas interações sociais sempre
29 A expressão Feed RSS utiliza-se na internet para designar um serviço que permite ao utilizador saber que os
esteve no coração da investigação sociológica, afirma que é comum datar o início das abordagens estruturais à interação social humana ao trabalho de Georg Simmel (1955). Pescosolido (2007) nota que, tal como em outros fundadores da sociologia, o estudo e a reflexão sobre as interações sociais marcaram o trabalho de Simmel. A diferença para Durkheim, acrescenta (Pescosolido, 2007), é que neste a abordagem às redes sociais era implícita e não explícita como em Simmel.
Em O Suicídio (1897/2001), por exemplo, Durkheim identifica dois tipos de suicídio – egoísta e altruísta – como estando relacionados com a integração social. Integração social em Durkheim refere-se aos laços estabelecidos a grupos com normas, valores e objetivos bem definidos. Uma integração social reduzida está por detrás do suicídio egoísta. Durkheim (1897/2001) identificou que os indivíduos com menores ligações sociais, isto é, com menor integração social tendiam a cometer este tipo de suicídio. Nos dados analisados, constatou que as taxas de suicídio eram mais elevadas nas pessoas não casadas, sobretudo nos homens, facto que atribuiu às ligações menores ou mais frágeis destes indivíduos a grupos sociais estáveis. O suicídio altruísta, ao contrário, verifica-se quando a intensidade da integração é tão elevada que o indivíduo perde consciência de si mesmo. Este é o tipo de suicídio verificado em militares em condições extremas de combate ou em seitas religiosas, por exemplo. Assim, em Durhkheim, as ligações sociais determinam um tipo de comportamento – neste caso, de suicídio. Apesar deste tipo de abordagem de Durkheim, foi Simmel (1955) quem explicitamente abordou as redes sociais (Pescosolido, 2007).
Ainda que, ao longo do século XX, o conceito de rede social tenha sido usado, e Pescosolido (2007) note mesmo dois momentos30 que impulsionaram a sua utilização, apenas nos últimos anos do século se verificou uma explosão na aplicação deste conceito nos mais diversos campos. Uma pesquisa na base de dados ProQuest de artigos com a utilização do termo social network dá conta desta explosão. Se na década de 80, do século passado, apenas é possível 30 Um com Moreno (1934, 1938), na década de 1930, com o desenvolvimento da sociométrica para mapear as relações sociais humanas e com a proposta de um dicionário de termos para descrever as redes sociais que ainda hoje se utiliza, e outro com Harrison White, na década de 1970, com novos princípios de análise de dados de redes sociais, nomeadamente a utilização de técnicas de clustering e matrizes de álgebra.
identificar 1774 trabalhos que utilizam a expressão social network, nos primeiros 10 anos século XX esse número é de perto de 60.000 trabalhos. A manter-se o volume de produção atual, chegaremos ao final da presente década com um número de trabalhos ainda superior. Em linha com estes dados, Wellman (2008) enfatiza afirmando que há 30 anos não conseguiam encontrar sociólogos para discutir o tema redes sociais. Wellman (2008) atribui esta falta de interesse a dois aspetos. Por um lado, afirma, a investigação quantitativa baseada na recolha de dados através de questionários, atomiza os respondentes, isolando-os. Por outro lado, a teoria parsoniana da estrutura e ação enfatiza a transmissão de normas através de processos de socialização em grupos delimitados.
A explosão do interesse em redes sociais31 é coincidente com a convergência tecnológica e cultural a que assistimos nas últimas décadas, que provocaram profundas alterações sociais e culturais. O desenvolvimento da sociedade em rede (Castells, 2005), permitido pela massificação da Internet, que está ligado à passagem um modelo de desenvolvimento industrial para um modo de desenvolvimento informacional (Cardoso, 2006) contribuiu para potenciar o interesse no tema das redes sociais. As redes sociais, outrora limitadas geograficamente, podem agora ser globais graças à internet e às plataformas digitais.
Consideramos redes sociais como os nós e as ligações que se estabelecem entre os indivíduos (ou organizações) e implicam interações entre indivíduos, que podem ser face a face ou mediadas por um qualquer dispositivo tecnológico. Uma turma de estudantes universitários, por exemplo, constitui uma rede social. Os elementos desta turma podem interagir presencialmente nas aulas ou depois delas, em sessões de estudo ou de simples convívio. A rede social existe independentemente do meio físico ou tecnológico que permite a sua materialização. Pode ser uma sala de aulas, no caso da interação face a face, ou vários
31 Tabela resumo do número de artigos publicados sobre social network: Década 1950-1959 1960-1969 1970-1979 1980-1989 1990-1999 2000-2009 2010-2014 (até Junho) Número de artigos 146 535 1.067 1.774 16.494 57.948 37.144 Fonte: autor a partir de pesquisa na base de dados ProQuest usando as keywords “social network”.
telemóveis ou plataformas e aplicações de internet, se se tratar de interação à distância.
Assim, entendemos que é incorreta a utilização do termo redes sociais para designar genericamente todas as plataformas de meios sociais, como o Facebook. Como veremos adiante, sobre a designação de meios sociais encontramos diferentes tipos de plataformas, com características distintas. Em alguns casos, como no do Facebook, essas plataformas digitais permitem que redes sociais, como as que definimos atrás, mantenham algum grau ou tipo de interação. Por estes motivos, entendemos que estas plataformas digitais se designam por sites de redes sociais uma vez que, como será detalhado adiante, elas replicam e dependem das redes sociais nas quais os utilizadores estão imersos.
2.6.7.2 Web 2.0
O termo Web 2.0 designa a segunda fase de evolução da World Wide Web, que, comparativamente à primeira fase, passou a aproveitar a colaboração coletiva dos seus utilizadores e emergiu pouco depois da viragem do milénio. Na fase anterior da Internet, a Web 1.0, o utilizador comum tinha ao seu dispor motores de busca para encontrar informação ou sites de empresas ou particulares (Beer & Burrows, 2007). Em qualquer dos casos, a informação circulava praticamente de forma unidirecional quase como na rádio, televisão e jornais32. Isto é, cada site de Internet colocava a informação nas suas páginas – texto, imagens ou vídeo – e o utilizador apenas as consultava sem a oportunidade de as modificar, um pouco à semelhança do que acontece, por exemplo, com os jornais em papel. Na essência, o processo de comunicação era comum ao dos meios de comunicação de massas. Cada site de Internet era um emissor que emitia para um conjunto de recetores. Os detentores dos sites eram os únicos que contribuíam para alimentar as suas páginas com conteúdos, ou seja, os conteúdos eram exclusivamente produzidos pelos produtores. Ao contrário, na Web 2.0 os utilizadores 32 Nestes, muitos dos seus ouvintes/espectadores/leitores agem de forma colaborativa na criação de conteúdos que estes meios difundem. Os telefonemas de ouvintes colocados no ar em programas de rádio, a contribuição de telespectadores em concursos de televisão ou as cartas dos leitores aos diretores dos jornais ou revistas são apenas três exemplos da forma colaborativa como ouvintes/espectadores/leitores contribuem para a criação de conteúdos, nestes meios. Evidentemente, dada a natureza tecnológica destes meios de comunicação social, sobretudo da televisão e da imprensa, esse contributo não é síncrono à difusão do conteúdo.
passaram a ter um papel activo, a gerar conteúdos que os outros podem ver.
As origens do termo Web 2.0 estão associadas aos consultores Tim O’Reilly e John Battelle (O’Reilly, 2005) que, no final de 2004, numa conferência sobre o desenvolvimento da Internet defenderam que, longe de ter perdido força com a forte crise que afetou inúmeras empresas com negócios baseados na Internet, e que se verificou na viragem do milénio, a World Wide
Web estava mais pujante do que nunca. Na sua opinião (O’Reilly, 2005), o aparecimento
regular de novos sites e aplicações demonstrava a vitalidade da Internet.
Tim O’Reilly e John Battelle (O’Reilly, 2005) entendiam também que as empresas que tinham sobrevivido ao colapso da Internet, ou os seus serviços ou tecnologias, tinham algo em comum: eram colaborativas; interativas; dinâmicas; centradas no utilizador; baseadas em rede; e ricas em dados.
Ainda que para alguns o termo Web 2.0 não passe de um chavão sensacionalista (Boutin, 2006; Carr, 2006), a sua utilização generalizou-se e passou a designar a segunda fase de evolução da World Wide Web que, comparativamente à primeira fase, permite a participação coletiva de seus utilizadores na criação de conteúdos conjuntos (Beer e Burrows, 2007) .
Como Beer e Burrows (2007, p. 8) notam, “Perhaps the key defining feature of Web 2.0 is that
users are involved in processes of production and consumption as they generate and browse online content, as they tag and blog, post and share”. Henry Jenkins (2006) vê aqui uma
mudança de paradigma na forma como o conteúdo de media é produzido e distribuído.
“When ‘old media’ still reigned, media recipients had little direct power to shape media content and faced enormous barriers to enter the marketplace, whereas ‘the new digital environment expands the scope and reach of consumer activities’” (Henry, 2006, p. 215).
O valor intrínseco da Web 2.0 está assim nos seus utilizadores que criam o seu conteúdo de forma colaborativa, numa nova forma de comunicação, autodirigida e auto selecionada, mas que pode atingir audiências globais, a mass-self communication (Castells, 2007). Como refere Cordeiro (2007, p.111):
Entre a origem da Web e a Web 2.0, as grandes diferenças assentam essencialmente na transição de um modelo formal para um modelo não hierárquico de troca e partilha de
informação, que passa da leitura à escrita, das páginas aos weblogs, da posse à partilha, e das empresas às comunidades. Com a passagem para o 2.0, a Web democratiza-se, uma vez que todos os utilizadores têm acesso às mesmas plataformas, e transforma-se numa enorme comunidade, no sentido em que todos os utilizadores virtualmente produzem conteúdos para todos. As fundações desta etapa da Web encontram-se numa “global web of horizontal communication networks” que incluem a troca de mensagens interativas, de muitos para muitos, de forma síncrona e assíncrona (Castells, 2007, p. 246). Os sites de redes sociais, como o Facebook, exemplificam estas características. Curiosamente, foi a ideia de partilha e colaboração que presidiu à criação da World Wide Web – embora num âmbito mais restrito que o da utilização atual. Quando o Laboratório de Física de Partículas do CERN, em Genebra, na década de 1980 do século XX, promoveu a criação de uma rede de informação, baseada em conceitos como o HTTP33, HTML, tinha como objetivo a criação de uma rede que permitisse aos indivíduos, que a ela acedessem, a partilha de texto, sons ou imagens (Rezza, 1998). Sucede que, nos primórdios da Internet, as plataformas requeriam muito mais competências tecnológicas para operar (Taprial & Kanwar, 2012) e estavam muito menos disseminadas. O número de utilizadores era por isso limitado. Ao longo do tempo, à medida que a tecnologia amadureceu, as plataformas desenvolveram-se de tal forma que os utilizadores, mesmo sem grandes competências tecnológicas, passaram a utilizar estes serviços (Taprial & Kanwar, 2012).
Deste modo, a principal diferença da Web 2.0 para a fase que a precede não está em qualquer salto tecnológico, na medida em que grande parte dos recursos tecnológicos utilizados são os mesmos que existiam na Web 1.0 e, em alguns casos, até já existiam antes da criação da World
Wide Web (Laningham, 2006), mas no conteúdo que é, em larga medida, gerado pelos seus
utilizadores, verificando-se uma maior colaboração entre eles (Grabner-Krauter, 2010). Plataformas como o Facebook, o Instagram ou o Youtube são exemplos das características da Web 2.0. Nestes sites, os conteúdos são colocados pelos utilizadores. Excetuam-se os casos 33 HTTP é a sigla de HyperText Transfer Protocol ou em português Protocolo de Transferência de HiperTexto. É um protocolo de comunicação entre sistemas de informação e permite a transferência de dados entre redes de computadores. É o protocolo utilizado para a transferência de páginas HTML (significados.com.br, 2014)
em que, por exemplo, no Youtube as editoras discográficas ou os músicos colocam, na plataforma dos vídeos, as músicas das bandas ou no Facebook, as marcas colocam conteúdos nas suas páginas.
A Web 2.0 tem um profundo impacto nos mass media, conduzindo a alterações na forma como os meios produzem e distribuem conteúdo. Se antes da Web 2.0 as rádios tinham os seus sites na Internet, onde colocavam alguns dos seus conteúdos, que lhes serviam de pouco mais do que repositório dos conteúdos emitidos em FM, hoje podemos falar de uma rádio multiplataforma que convoca os seus ouvintes para um leque mais alargado de expressividade e de participação nas plataformas digitais (Bonixe, 2010).
A rádio, tradicionalmente caracterizada apenas pelo som, adotou a multimedialidade, hipertextualidade e interatividade (Araujo, 2011). Para Cordeiro (2012b, p. 503), a rádio 2.0 (Bonixe, 2010) difere da era FM porque tem imagem, é mais interativa, mais participatória, não linear, hipertextual e convergente. Para sublinhar esta mudança, em Portugal, as estações ligadas à Igreja Católica apresentam-se agora como grupo Renascença Multimedia e, no Reino Unido, as rádios da BBC, nomeadamente a Radio 1, adotam a estratégia listen, watch, share, numa alusão clara às potencialidades desta nova versão da Internet. A mediamorfosis (Fidler, 1997) radiofónica, como lhe chama Piñeiro-Otero (2014b), implicou uma mudança profunda no produto radiofónico, com a incorporação de novas linguagens, expandindo conteúdos e alargando pontos de contato com o produto. Para além da voz, marca distintiva da rádio convencional, que levava os ouvintes a dar um rosto imaginado aos locutores que ouviam (Rodrigues, 1985), os animadores têm hoje cara, num corte radical a linguagem do passado. “Radio listening still maintains some elements of blindness, but the
way in which we now experience this medium is no longer totally disembodied and immaterial“ (Bonini, 2012, p. 17).
As rádios distribuem hoje os seus conteúdos pelas mais variadas plataformas, como o Youtube, Facebook ou Instagram, possibilitando o contacto com diferentes formas de conteúdo, em tempos diferentes, num consumo assíncrono e aberto à interação. As mudanças proporcionadas pela Web 2.0 levam Cordeiro (2012b) a afirmar que a rádio atual não tem apenas ouvintes, mas e-ouvintes, que circulam por diferentes plataformas,
combinando rádio com outras formas de media sonora, na construção da sua própria lista de conteúdos a consumir. Os e-ouvintes podem ver ou rever os conteúdos das rádios, comentar e partilhar. Esta última característica, o passa-palavra que a rádio sempre procurou, assume agora novas dimensões, graças à variedade de opções proporcionadas pela Web 2.0, espalhando os conteúdos, mas também a marca das rádios. As plataformas pelas quais as rádios distribuem os seus conteúdos, mas sobretudo a partilha, é encarada numa lógica promocional de marketing viral (Cordeiro, 2012b). Mais indivíduos a consumirem os conteúdos, significa mais audiências, sejam elas contabilizadas em forma de visitantes únicos, pelas métricas da Internet, ou ouvintes, contabilizados no Bareme Rádio. No final tudo conta, desde que a rádio tenha mais some mais contatos.
A Web 2.0, e as plataformas que dela resultam, permite também às rádios alargar a sua oferta comercial e, por este lado também, modificar a sua linguagem. Fruto das pressões concorrenciais, da saturação dos espaços publicitários e de uma quebra de eficácia das soluções tradicionais, assistimos hoje a uma mistura entre os conteúdos dos media e a comunicação das marcas. Estas formas hibridas de comunicação, mistura de entretenimento e publicidade, potenciadas pelas funcionalidades da Web 2.0, permitem novas formas de monetizar os conteúdos da rádio e vender audiências (Cordeiro et al. 2014). Seja na forma de
branded content ou de ações de co-branding, entre a marca da rádio e as dos seus clientes, as
soluções encontradas obrigam as rádios a descobrir formas inovadoras de discurso, que integrem as marcas e não afastem as audiências. Durante o ano de 2013, todas as campanhas de publicidade da RFM foram feitas em parceria com a cadeia de supermercados Pingo Doce, numa lógica de co-branding. As campanhas anunciavam passatempos que decorriam nas emissões da rádio e na sua página de Facebook e, sempre com a marca da cadeira de supermercados presente, permitiram a criação de historias que entretiveram os ouvintes (Cordeiro et al. 2014). O branded content, herdeiro do product placement, permite promover a estação e uma marca que partilhe o mesmo público-alvo, a partir da produção conjunta de conteúdos (Cordeiro, 2011b).
Mas a Web 2.0 trouxe também novos concorrentes para a rádio de base hertziana. As funcionalidades da Web 2.0 são exploradas por um conjunto de plataformas como o Spotify ou o Pandora, projetos que permitem escutar música sem a interferência humana, fomentado a interatividade entre os seus utilizadores (Cordeiro, 2007). A partir das preferências dos
utilizadores, estas plataformas possibilitam a criação de playlists personalizadas. Embora designados de Internet Radio (Albarran et al. 2007), estes serviços carecem da interatividade humana e de toda a estética sonora, características da rádio hertziana, razão pela qual entendemos que, funcionalmente, são produtos substitutos dos leitores de música em formato mp3 ou similares. Ainda assim, para as gerações mais novas, familiarizadas com o uso de plataformas digitais, estes serviços são apelativos na medida em que não têm a carga de publicidade da rádio de base hertziana, e lhes fornecem as músicas de que gostam (Albarran et al., 2007). Os jovens das décadas de 1970 e 1980 tinham que esperar que as suas músicas preferidas tocassem nas rádios, para as poderem gravar em cassetes que depois ouviam quando lhes apetecia. Muitos dos jovens que viveram na viragem do milénio dedicavam-se aos downloads ilegais em sites de partilha de ficheiros mp3, como o Napster. Hoje, Spotify ou Meo Music oferecem milhares de músicas, incluindo as mais populares do momento, de uma forma segura, legal e on demand. A indústria da rádio tem assim pela frente o desafio de competir com estes serviços, especialmente nas audiências mais jovens, numa era que a oferta é cada vez mais variada (Cordeiro, 2011d).
Simultaneamente, a rádio tem também que competir com talentos que não necessitam de aceder aos mass media para atingir popularidade. Como referem Costa-Sánchez e Piñeiro- Otero (2012, p.186), o prosumer foi um conceito praticamente vazio de significado até à era da Web 2.0 e, com ela, das tecnologias criativas 2.0. Para lá da facilidade de difusão de conteúdos nas redes horizontais de comunicação (Castells, 2005), os utilizadores têm hoje ao seu dispor um grande conjunto de ferramentas de criação, produção e edição de conteúdos, baratas e fáceis de operar. Estas tornam qualquer um num produtor de conteúdos – que conduz ao conceito de conteúdos gerados pelo utilizador, que abordaremos adiante. A sua partilha na Internet tem feito emergir um conjunto de bloggers, vloggers ou artistas de circunstância que, numa lógica de comunicação auto-comandada (Castells, 2005), vêem os seus conteúdos vistos, lidos ou partilhados por milhares. Estes conteúdos, como um vídeo partilhado no Youtube, da queda de um skater português anónimo que, no Verão de 2011, ficou conhecido pela expressão “sai da frente, Guedes”, rivalizam em popularidade com os conteúdos profissionais partilhados pelas rádios. A queda do Guedes foi vista, no Youtube, meio milhão de vezes (Osinternauta, 2016), um número muito superior a muitos conteúdos profissionais partilhados por rádios nesta plataforma.