2. The Norwegian banking sector in an international perspective
2.2 Profitability in the financial sector
Sobre a avaliação de ingresso de alunos nas salas de recursos multifuncionais, a instrução nº 16/2011 da Secretaria do Estado da Educação do Paraná especifica que ela se efetivará a partir da avaliação psicoeducacional no contexto escolar, que possibilita o reconhecimento de necessidades educacionais especiais. No caso da deficiência intelectual, encontra-se que:
A avaliação inicial deverá ser realizada pelo professor de Sala de Recursos Multifuncional – Tipo I e/ou pedagogo da escola. Deverá enfocar aspectos relativos à aquisição da língua oral e escrita, interpretação, produção de textos, sistema de numeração, cálculos, medidas, entre outros, bem como as áreas do desenvolvimento, considerando as habilidades adaptativas, práticas sociais e conceituais, acrescida necessariamente de parecer psicológico com o diagnóstico da deficiência (PARANÁ, 2011).
Dessa forma, a pesquisa teve como sujeitos as professoras das salas de recursos multifuncionais e supervisoras escolares que realizam a avaliação no contexto escolar de alunos com suposta deficiência intelectual para o ingresso nas salas de recursos multifuncionais.
O município contava, no momento em que ocorreu a pesquisa, com 17 professoras de salas de recursos multifuncionais, todas com formação em Educação Especial em nível de Ensino Médio, configurada como um quarto ano adicional ao curso de Magistério, ou especialização. Participaram da pesquisa, inicialmente, 11 professoras que, ao final do curso proposto, eram sete.
As supervisoras escolares do município, em número de 24, são professoras concursadas, com estágio probatório cumprido, eleitas pela comunidade escolar para o cargo por um período de três anos, podendo haver a reeleição. Participaram como sujeitos da pesquisa, inicialmente, 11 supervisoras escolares que, ao final, eram sete.
A participação dos sujeitos se deu pela frequência em um curso de formação continuada sobre avaliação pedagógica de alunos com suspeita de deficiência intelectual oferecido durante a pesquisa. O curso iniciou-se com 22 participantes, provenientes de 14 escolas e, ao final dos encontros de formação, contava com um grupo de 14 cursistas, provenientes de dez escolas de Ensino Fundamental da Rede Pública Municipal de Ensino. Cabe ressaltar que, por vezes, a coordenadora de Ensino Fundamental da SEMED participava dos encontros de formação. Devido às suas contribuições relevantes acerca da temática estudada, ela passou a ser considerada como sujeito da pesquisa. A identificação das cursistas, no decorrer do texto, ocorrerá por meio de nomes fictícios.
A diferença no número inicial e final de participantes no curso de formação deve-se à desistência de algumas delas. As supervisoras escolares justificaram suas desistências alegando falta de tempo devido ao excesso de atividades realizadas fora da escola, como cursos e reuniões e às demandas internas de suas instituições de origem. Entre as professoras, apenas uma justificou sua desistência, afirmando que necessitou optar entre o curso ou uma formação oferecida pelo Estado, uma vez que atuava nas instâncias municipal e estadual. Uma das professoras afirmou que uma de suas colegas desistiu porque o curso, em geral, ocorria
nos dias de sua hora-atividade12. Cabe destacar que, nos anos em que o curso ocorreu, houve um esforço por parte da SEMED para que os dias de hora-atividade das professoras das salas de recursos multifuncionais coincidissem, a fim de que estivessem todas disponíveis na mesma data, caso houvesse a necessidade de participarem em reuniões e/ou formações. Assim, o curso oferecido no decorrer da pesquisa, sempre que possível, era marcado nessas datas.
Para a caracterização das cursistas, tanto as supervisoras escolares como as professoras das salas de recursos multifuncionais responderam a questionários (Apêndices D e E) constituídos por algumas questões semelhantes e outras diferentes, conforme o cargo exercido. Ambos os questionários deveriam ser preenchidos com dados pessoais e profissionais e com informações sobre formação acadêmica e acerca da experiência em processos avaliativos de alunos com suspeita de deficiência intelectual. Cabe destacar que os dados aqui apresentados se referem às 22 participantes iniciais, sendo as informações apresentadas, no quadro 1, referentes às supervisoras escolares e, no quadro 2, referentes às professoras das salas de recursos multifuncionais.
Em relação às supervisoras escolares, uma vez que a função de supervisora escolar é exercida por professoras do quadro próprio do magistério, eleitas pela comunidade escolar para um cargo de três anos, todas possuem experiência como professora regente em sala de aula. Sobre a experiência na função da supervisão escolar, apenas uma das participantes a desempenhara por longo tempo, 20 anos, duas atuavam há oito anos e as demais atuavam há no máximo dois anos e oito meses, sendo que a com menor tempo de experiência encontrava- se no cargo havia apenas dois meses, quando a formação começou. Assim, os dados apontam para um grupo heterogêneo, experiente em relação à prática docente, mas menos experiente na função da supervisão escolar e com apenas uma das participantes com formação específica na área da Educação Especial.
Um detalhe que deve ser observado quanto à graduação das supervisoras escolares é que nem todas são formadas em Pedagogia. Isso explica a adoção do termo supervisor escolar, em vez de pedagogo, para o profissional que ocupa a função de coordenação pedagógica das escolas da rede municipal de ensino do local da pesquisa. Esse é um dado controverso, uma vez que o termo supervisor escolar remete a uma época em que, em vez de um pedagogo, havia na escola os supervisores, orientadores e administradores e esses profissionais desenvolviam suas atividades sem a integração necessária. Surge também o questionamento: a
12 Refere-se ao período de 1/3 da jornada de trabalho do professor destinado a atividades extraclasse (BRASIL,
formação dos profissionais não pedagogos é suficientemente eficaz para subsidiar a mediação do trabalho coletivo a ser realizado nas escolas?
QUADRO 1 – Caracterização das supervisoras escolares
Idade Magistério Tempo de Tempo como supervisora Ensino Médio Graduação Pós-graduação Cursos em EE
56 30 anos 1 ano M Geografia/História séries iniciais Pré-escolar e Formação SEMED
47 20 anos 1 anos M Pedagogia Pré-escolar e séries inicias
46 28 anos 20 anos M Pedagogia Pré-escolar e séries inicias
46 23 anos 2 anos M Pedagogia Pré-escolar e séries inicias
Formação SEMED 45 28 anos 1 ano M Pedagogia séries iniciais Pré-escolar e
45 28 anos 8 meses M Pedagogia Séries Iniciais
45 26 anos 8 anos M Pedagogia Ed. Infantil Adicional DM
45 23 anos 8 anos M Pedagogia Pré-escolar e séries iniciais 40 20 anos 1 ano M Letras Pré-escolar e séries inicias
39 20 anos 2 anos e 8meses M Matemática Ciências/ Ed. ambiental
37 16 anos 2 meses M Ciências/ Matemática Pré-escolar e séries iniciais/ Mestrado em Ed. e Ciências Matemáticas
Legenda: Ensino médio: M – Magistério. Cursos em Educação Especial: DM – Deficiência Mental
Fonte: elaborado pela autora a partir de informações obtidas por meio de questionário aplicado às supervisoras escolares (2016).
Entre as professoras, pode-se observar, no quadro 2, que o tempo de atuação em sala de recursos varia entre sete meses e 13 anos. Percebe-se que cinco das professoras têm três anos de experiência, o que coincide com o tempo de abertura das salas de recursos multifuncionais no município. As professoras com maior tempo atuavam nas salas de recursos que funcionavam anteriormente no município, de acordo com as normas do estado do Paraná.
QUADRO 2 - Caracterização das professoras das salas de recursos multifuncionais Idade TM Tempo SRM Alunos /alunos DI Ensino
Médio Graduação Pós-graduação Cursos em EE
48 18a 2 anos 3/2 M História Pré-escolar e série iniciais LIBRAS e outros 4ºAdicional/DM
48 15a 3 anos 9/6 M Pedagogia séries iniciais e Pré-escolar e AEE
Aperfeiçoamento em atividade física
para pessoas com deficiência, entre outros 48 14a 3 anos 9/5 M Pedagogia séries iniciais Pré-escolar e 4ºAdicional/DM
47 27a 3 anos 10/3 M Pedagogia
(em curso) 4ºAdicional/DM
47 20a 3 anos 8/5 M Pedagogia Pré-escolar e
séries iniciais 4ºAdicional/DM
46 26a 13anos 27/27 M Ciências/ Matemática Pré-escolar e séries iniciais Sala de Recursos Multifuncionais 4ºAdicional/DM PDE13
45 5a 1ano 6/5 M Pedagogia Psicopedagogia 4ºAdicional/DM
40 10a 3 anos 3/2 M Pedagogia
Psicopedagogia Neuropsicopeda
gogia (em curso)
4ºAdicional/DM
39 21a 9 anos 6/2 M Geografia Ed. Especial Muitos
35 9a 9anos 7/7 M Matemática Pedagogia Ed. Especial Formação SEMED
29 5a meses 7 4/2 M Letras Ed. Especial Adicional em DM
Legenda: Tempo de Magistério: TM; Ensino Médio: M – Magistério; Cursos em Educação Especial: DM – Deficiência Mental, LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional Fonte: elaborado pela autora a partir de informações obtidas por meio de questionário respondido pelas professoras de salas de recursos multifuncionais (2016).
13 O PDE é um Programa de Capacitação Continuada implantado como uma política educacional de caráter
permanente, que prevê o ingresso anual de professores da Rede Pública Estadual de Ensino para a participação em processo de formação continuada com duração de 2 (dois) anos, tendo como meta qualitativa a melhoria do processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas estaduais de Educação Básica (PARANÁ, 2010)
Como consta no quadro 2, o número de alunos por professora varia de três a 10 e, em concordância com as estatísticas, são, na sua maioria, alunos com deficiência intelectual. Em relação à formação profissional, todas cursaram Magistério, seis são formadas em Pedagogia e uma está cursando a referida graduação. Entre as professoras já graduadas, todas cursaram pós-graduação lato sensu, sendo três em Educação Especial, uma em Atendimento Educacional Especializado e uma em Salas de Recursos Multifuncionais. Quanto a outros cursos realizados na área da Educação Especial, oito professoras concluíram o curso adicional em nível de Ensino Médio, na área da deficiência intelectual. Uma das professoras apenas citou que fez “muitos” cursos, sem, contudo, especificá-los. Assim sendo, mesmo que todas as professoras tenham formação na área de educação especial, o grupo varia quanto à experiência nessa área.
Conforme pode-se observar na figura 2, sobre a experiência das cursistas em realizar as avaliações dos alunos com suspeita de deficiência intelectual no contexto escolar, foi possível constatar que, ao início do curso de formação, as professoras das salas de recursos multifuncionais já haviam realizado mais avaliações do que as supervisoras escolares.
FIGURA 2 – Número de avaliações realizadas pelas participantes do curso de formação
Fonte: elaborado pela autora a partir de informações obtidas por meio de questionário respondido pelas supervisoras escolares e professoras de salas de recursos multifuncionais (2016).
Entre as supervisoras escolares, as duas mais experientes haviam realizado entre cinco e dez avaliações, enquanto três delas não haviam realizado nenhuma. Já, entre as professoras, três haviam realizado mais de dez avaliações, entretanto duas não haviam realizado nenhuma.
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 Nenhuma uma avaliação Duas avaliações 3 a 5 avaliações 5 a 10 avaliações Mais de 10 Supervisoras escolares
Professoras das Salas de Recursos
Cabe destacar que uma das professoras que respondeu não ter realizado nenhuma avaliação estava iniciando o processo avaliativo com dois alunos. A outra professora, que não havia realizado avaliações, justificou que seus alunos já vieram com um laudo para a sua sala. Essas informações indicam um grupo heterogêneo também em relação à experiência como avaliadoras, fato que favorece a troca de experiências entre as cursistas.