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Production of the vehicles (excluding battery pack)

3.3 Life cycle emission intensities

3.3.1 Production of the vehicles (excluding battery pack)

Os conceitos básicos das Linguísticas Funcional e Cognitiva foram abordados até aqui para formar o percurso teórico que conduz à principal teoria que subsidia esta pesquisa: a

Usage-Based Linguistic (UBL), ou Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), ou

Linguística Cognitivo-Funcional. É possível, então, entender que se trata de uma extensão das correntes basilares dessa forma de se olhar para a linguagem. Nessa perspectiva, todos os fenômenos linguísticos emergem do uso, ou seja, do processo comunicativo.

Os pressupostos primordiais da Usage-Based Linguistic têm como base a noção de que a linguagem emerge da relação que há entre a cognição e o uso da língua. Tomasello (2008: 69) ensina que a comunicação linguística se resume a dois aforismos: “meaning is use14” e

“structure emerges from use15”. Para o estudioso, a primeira afirmação tem relação com os

caráteres funcional e semântico da linguagem, enquanto a segunda estaria alinhada às bases do estruturalismo, contudo, sem deixar de se ter em mente que os teóricos dessa linha anseiam refutar a ideia de que a estrutura linguística é desprovida de caráter semântico.

Um dos principais nomes que embasam esta pesquisa, no que diz respeito à UBL, é o da professora da Universidade do Novo México Joan Bybee. Citando Langacker, Bybee (2013: 49) afirma que a premissa básica dessa corrente teórica é que a experiência com a linguagem cria e causa impacto nas representações cognitivas da linguagem. Ela também ensina em seu texto de 2010, capítulo de publicação organizada por Clay Beckner, que essa perspectiva, como o nome já indica, “incorporates the basic insight that usage has an effect on linguistic

structure16”.

A UBL contempla uma visão da linguagem e uma linha de análise que integram, à estrutura da língua, aspectos pragmáticos e discursivos. Além disso, é possível realizar uma análise para além da morfossintaxe englobando, também, afora os mencionados no início deste parágrafo, aspectos cognitivos, semânticos e fonológicos. Tem-se, portanto, uma linha de análise diversa, que possibilita um profundo estudo dos fenômenos linguísticos, já que se

13 Neste trabalho, optou-se pela utilização do termo original, em inglês, para fazer referência à principal corrente teórica aqui utilizada: Usage-Based Linguistic.

14 Tradução nossa: significado é uso. 15 Tradução nossa: a estrutura emerge do uso.

propõe a descrever e a explicar a gramática, como afirmam Cunha; Bispo; Silva (2013). Esses são o viés teórico e o objetivo desta pesquisa, no que diz respeito à organização textual de alunos do sexto ano.

Em favor da adoção da UBL como abordagem teórica, Bybee, em entrevista publicada na Revista LinguíStica ─ em junho de 2012 ─, advoga que esse é um modelo mais plausível em comparação àqueles que entendem estrutura e uso como elementos dissociados. Além disso, a UBL reconhece a plasticidade do cérebro e como ele responde a experiências que relacionem a linguagem a outros processos cognitivos, como a memória17.

Para os estudos dessa abordagem, é fundamental analisar a linguagem em uso, considerando-se os papéis do contexto comunicativo e dos participantes da interação. Dessa forma, nota-se que não é possível investigar línguas naturais com dados construídos ou com sentenças isoladas ou descontextualizadas, como preconizam as correntes teóricas de cunho puramente formalista. Na UBL, é necessário adotar uma metodologia de coleta e análise de dados em que esses sejam obtidos em situações reais de uso da língua, e que possam ser analisados qualitativa e quantitativamente. Esse é mais um ponto central para a pesquisa ora apresentada, o que, também, justifica a opção teórica realizada. O caráter metodológico deste estudo e sua relação com a UBL serão abordados no Capítulo 3.

Ainda segundo as bases dessa teoria, Bybee (2010: 01) ensina que o fenômeno da estrutura presente na gramática de línguas naturais pode ser derivado de domínios gerais de processos cognitivos, operados em múltiplas instâncias da língua em uso. Além disso, com base no conceito de que a estrutura emerge do uso, nota-se que o processo da criação da linguagem é dinâmico, uma vez que a sociedade e a cultura estão em constante renovação.

Ao se pensar em mudança e variação linguísticas, a UBL, assim como o Funcionalismo, analisa esses processos com base no conceito de gramaticalização. Por isso é importante analisar a língua em uma perspectiva pancrônica, ou seja, levando em conta sincronia e diacronia. Sobre mudança e variação, Bybee (2010) afirma que o uso repetitivo de determinado processo na língua pode causar impactos na representação cognitiva da linguagem.

Pode-se relacionar esse conceito com a frequência de ocorrência do termo “coisa” nos dados que constituem o corpus desta pesquisa. O termo vindo do latim é classificado morfologicamente como substantivo que pode ser núcleo de termos da oração e designar um

17 Tradução nossa. Texto original: “A general argument would be that usage-based models are cognitively more

plausible than models that try to divorce structure from usage. They recognize the plasticity of the brain and how it responds to experience and treat language in a way that is congruent with what is known about other cognitive processes, such as memory”.

ser animado ou inanimado. Nos dados, esse tem seu uso ampliado e passa a ser utilizado para retomar elementos apresentados anteriormente ou que será introduzido no texto analisados. Dessa forma, temos a confirmação, nos dados, de que o uso pode influenciar a gramática, já que há uma mudança morfossintática em curso, nesse caso. Chama a atenção que, em algumas ocorrências, o termo coisa seja empregado com a função de retomada, porém sem a presença da informação a que se faz referência. Essas informações são apenas uma introdução para algumas questões que serão detalhadas mais adiante. Aqui, visou-se, apenas, relacionar a teoria em foco com alguns pontos observados nos dados.

1.3.1 Usage-Based Phonology (Fonologia baseada no uso)

A Usage-Based Linguistic propõe a aplicação de suas bases epistemológicas para a análise da fonologia. Seu principal nome é a linguista Joan Bybee, que explica a Usage-based

phonology em seu texto de 1999. Um dos pontos principais da UBL é ser plausível em termos

de psicolinguística, e o objetivo é explicar os mecanismos cognitivos e linguísticos envolvidos no uso da língua, da forma mais real possível. É possível aplicar esses conceitos básicos para as análises de cunho fonológico, tanto no nível fonético, quanto na relação entre fonologia e morfologia.

Outro ponto importante para a UBL é a dimensão temporal. Bybee (1999) explica que a dimensão temporal desta vertente teórica reconhece que a língua é processada em tempo real, ou seja, no momento em que ela é usada. Assim, ela pode mudar o tempo todo, de acordo com o uso que lhe é feito, o que faz com que a gramática seja recriada a cada momento. A estudiosa valoriza a diacronia nos estudos linguísticos, já que mudanças diacrônicas são importantes para a análise da língua, sobretudo para descrever e comparar padrões.

A perspectiva de analise proposta na Fonologia Baseada no Uso guiará a análise que se pretende fazer sobre relação entre língua falada e língua escrita nesta pesquisa. Contudo, é importante considerar que esse modelo tem sido aplicado para explicar variações fonológicas no nível da palavra, relacionadas ao nível lexical, e não no nível suprassegmental.

Para esse modelo, a palavra é o objeto mínimo de análise, já que o fone acontece dentro de um contexto específico, assim, a mente armazena o conhecimento relativo à palavra e não o sinal sonoro acústico que cada letra (no texto escrito) produz na fala. Sobre isso, Miranda e

Guimarães (2013:220) explicam que “a palavra é a unidade de categorização mental para a criança, ou seja, na aquisição da linguagem as sequências fonológicas são aprendidas como partes da palavra e não independentemente da palavra”. Nesse sentido, é possível compreender que um processo de aquisição baseado em sílabas ou em unidades menores não seriam tão efetivos quanto um baseado nas palavras.

A Fonologia de Uso também postula que um item lexical corresponde a uma representação mental, e quanto maior o seu uso, mais consolidado e acessível cognitivamente esse item se torna. Além disso, esse modelo apresenta categorias variáveis que são gradientes, afetados pela natureza do uso, e não fonemas ou traços distintivos como os modelos de análise tradicionais propõem.

Segundo Cristófaro-Silva (2002), as representações mentais do léxico podem conter informações “sintáticas, semânticas, fonológicas, fonéticas e ortográficas”. Assim, na análise da ortografia do português, por exemplo, faz sentido considerar que, com base na frequência de uso de um determinado item lexical, o aluno deveria ter uma representação mental ortográfica correta das palavras que mais usa. Seguindo esse raciocínio, palavras como ‘você’ deveriam ser representas mentalmente de forma correta, e, por consequência, reproduzidas corretamente na escrita.