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Chapter 4 The Cases

4.2 Procurement of Air ambulance aircraft

Se as representações sociais se constroem e são expressas nos espaços de comunicações, e se estes espaços, em sua grande maioria, são mediados pela mídia, podemos afirmar que ela tem uma grande responsabilidade pela formação das representações sociais e pelas repercussões dessas representações nas interações e práticas sociais. Os estudos de Moscovici (1961, 1978, 2003) vêm justamente nos mostrar isso. Segundo esse teórico, a percepção pública de temas relevantes é construída com base nas informações veiculadas na mídia, as quais vão sendo apropriadas pelos indivíduos e grupos e ressignificadas por estes com base em suas experiências e valores: “As representações sociais são construídas na mídia, nos lugares públicos através desse processo de comunicação que nunca acontece sem transformação”. (MOSCOVICI, 2003, p. 205).

O autor explica ainda que, mediante este processo no qual a comunicação midiática estabelece mediações significativas entre aquilo que é veiculado e o universo simbólico dos indivíduos e grupos, novos conhecimentos e sentidos são formulados, dando origem a condutas condizentes a estes sentidos. Ao descrever a realidade ou narrar acontecimentos, a mídia sugere, direta ou indiretamente, ao seu público, que opinião, visão e atitude tomar diante de determinada temática. Assim, os meios de comunicação, além de socializarem uma informação, orientam, estimulam a manifestação de atitudes e opiniões a respeito e criam representações as mais diversas, em consonância com os valores individuais e particulares que cada um tem.

O reconhecimento do papel dos meios de comunicação de massa na formação e veiculação das representações sociais é recorrente nos estudos de muitos outros teóricos. Jodelet (2001), por exemplo, comenta que a visibilidade das representações sociais, no dia-a- dia, se dá em múltiplas ocasiões, entre elas nas palavras e imagens veiculadas pela mídia. Segundo a autora, as redes de comunicação midiática influenciam, manipulam, solicitam mudanças e, portanto, são determinantes fundamentais na construção das representações. Jodelet (2001, p. 63) ratifica esta idéia ao nos chamar atenção para a existência de uma certa categoria de pessoas que tem como ofício criar representações:

São todos aqueles que se dedicam à difusão dos conhecimentos científicos e artísticos: médicos, terapeutas, trabalhadores sociais, animadores culturais, especialistas das mídias e do marketing político. Em muitos aspectos eles se assemelham aos criadores de mitos das civilizações mais antigas: seu saber- fazer é codificado e transmitido, conferindo aos que o possuem uma autoridade segura.

Guareschi e Jovchelovitch (2002, p. 20) compartilham desta idéia ao discutir sobre a gênese destas estruturas psicossociais:

O modo mesmo da sua produção se encontra nas instituições, nas ruas, nos meios de comunicação de massa, nos canais informais de comunicação social, nos movimentos sociais, nos atos de resistência e em uma série infindável de lugares sociais. É quando as pessoas se encontram para falar, argumentar, discutir o cotidiano, ou quando elas estão expostas às instituições, aos meios de comunicação, aos mitos e a herança histórico- cultural de suas sociedades que as representações sociais são formadas. Os meios de comunicação de massa, particularmente, tem sido um objeto de investigação para a teoria.

Wagner (2002) discutindo sobre o caráter interdisciplinar da pesquisa em representações sociais também aborda a relação entre representações sociais e comunicação midiática ao defender que um trabalho no campo das representações sociais deve considerar três aspectos: as representações das pessoas e dos grupos, dos eventos políticos que trazem um novo fenômeno destacado pela primeira vez em uma sociedade e das representações transportadas pela mídia.

Vale ressaltar que esta relação é discutida até mesmo entre teóricos que não trabalham propriamente com a teoria das representações sociais. Fausto Neto (1999), por exemplo, comenta que as mídias transformam-se em lugares de passagens daquilo que a sociedade produz discursivamente. Elas seriam uma instância de mediação do processo de visibilidade da produção de sentidos realizadas pelas instituições. Além de ser instrumento de representação é, ao mesmo tempo, dispositivo, espécie de verdadeiros nichos, onde a realidade se estrutura como uma referência. O poder das mídias está na capacidade de construir - via discursos- conceitos e referências que, em última análise vão se tornando o nosso próprio cotidiano. É nesta operação via competência dos modos de dizer e dos modos de mostrar, engendrados pelas práticas midiáticas, que os objetos vão se tornando uma realidade específica de nossos dias, ou seja, vão tomando corpo no próprio tecido social.

Partindo do exposto acima, torna-se evidente que os meios de comunicação midiáticos intervêm na realidade social como formadores e veiculadores de representações

sociais, como referência simbólica, como espaço construtivo de saberes, sentidos e imagens que servem de guia para a leitura do mundo e para a conduta humana. Nesse sentido, configuram-se como um fundamental campo de análise para se compreender os sistemas de significação (crenças, valores, etc.) de uma sociedade a as suas implicações no pensamento e na prática dos indivíduos e grupos, visto que o conhecimento sobre o mundo e a forma de agir sobre ele é construído, entre outras coisas, pelas teorias, idéias e imagens que circulam nos meios de comunicação midiáticos.

Considerando que, conforme nos explica Joffe (2002), a predisposição das pessoas para endossar certas representações sociais de um acontecimento, e não outras, emerge das experiências vivenciadas em constante desenvolvimento que interagem com imagens mediatizadas pelos meios de comunicação, chamamos atenção para um aspecto que consideramos fundamental no pensamento de Moscovici: o de que o pensamento e a ação humanas não são meras reproduções do que é transmitido pelos sistemas de comunicação, mas reelaborações, verdadeiras teorias:

Nas ruas, nos bares, escritórios, hospitais, laboratórios, etc. as pessoas analisam, comentam, formulam “filosofias” espontâneas, não oficiais, que têm impacto decisivo em suas relações sociais, em suas escolhas, na maneira como eles educam seus filhos, como planeja seu futuro, etc. os acontecimentos, as ciências e as ideologias apenas lhes fornecem o “alimento” para o pensamento. (MOSCOVICI, 2003, p. 45, grifo do autor).

Foi a partir dessa perspectiva que direcionamos nossa pesquisa e é com o propósito de compreender um pouco sobre um dos “alimentos” que contribuem para a construção ou a consolidação do pensamento e da ação humana que vamos discorrer, a seguir, sobre as representações sociais e suas relações com a ideologia e o poder simbólico.