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1.4 Problemstilling og mål
O dia de trabalho na EMEF Jardim da vitória se inicia pela limpeza da escola. As paredes e o piso são limpos todos os dias, o mesmo ocorrendo com as salas de aula e demais espaços da unidade escolar. Para executar essa tarefa, a escola dispõe de uma equipe composta por oito auxiliares de limpeza, contratados por empresa terceirizada pela prefeitura. Esses funcionários, distribuídos em diferentes horários, revezam o trabalho de limpeza, de maneira a manter a limpeza da escola durante todo o seu horário de funcionamento.
Como mencionamos, a escola funciona ininterruptamente, em dois períodos, das 6h30’ às 17h00. A manutenção do pátio, corredores, refeitórios e demais ambientes é realizada durante os horários das aulas. Já as salas de aula, logo que termina o primeiro turno e após o segundo turno, para que no dia seguinte a escola esteja limpa. Em geral, os alunos colaboram com a limpeza da escola, depositando o lixo orgânico e inorgânico
em containers destinados a essa finalidade. Essa rotina constitui um dos traços visíveis da cultura escolar aí presente.
Os ambientes de apoio ao trabalho pedagógico, caso da sala de leitura, sala de informática e sala de apoio e acompanhamento à inclusão funcionam nos dois turnos, de modo a atender a todo o alunado. As duas primeiras têm um professor designado para exercer respectivamente as funções de professor Orientador da Sala de Leitura – POSL e professor Orientador de Informática Educativa – POIE, enquanto a regência da última é da competência de um professor com formação adequada para trabalhar com alunos com algum tipo de deficiência. Na escola, o Professor da SAAI – Sala de Acompanhamento e Apoio à Inclusão é habilitado para ensinar alunos com deficiência intelectual. Uma característica específica dessa sala é atender os alunos no turno inverso à classe em que estão matriculados. Ainda em relação a estas salas, um aspecto a ser observado é que, de acordo com o proposto no projeto pedagógico da escola, elas devem funcionar articuladas às classes regulares.
Figura 3: Fotomontagem. Ambientes de apoio ao trabalho pedagógico: brinquedoteca (á esquerda), sala de leitura (centro), sala de informática (à direita).
No que diz respeito aos professores de História, estes revelaram não utilizar com regularidade os recursos desses espaços educativos para o ensino da sua disciplina. Uma das professoras, doravante denominada “professora Flora”, reclamou da dificuldade para realizar um trabalho integrado com esses espaços e também da desarticulação dos diferentes componentes curriculares.
Essa informação oferece pistas para aferirmos a força da cultura escolar na disposição do currículo, no qual historicamente predominam o isolamento das disciplinas e a conseqüente desarticulação dos processos de ensino e de avaliação.
Além da sala de leitura e da sala de informática, a escola também conta com um acervo de mapas, jogos e livros didáticos para serem utilizados pelo professor nas suas
atividades com os alunos. Esses materiais ficam disponibilizados nas salas dos professores e da coordenação pedagógica. Como a escola não possui sala própria para a exibição de filmes e documentários, a televisão e o aparelho de DVD foram instalados em um carrinho que e é deslocado para as salas de aula, de acordo com a solicitação do professor.
Esses equipamentos são disponibilizados mediante a reserva de data e horário em uma agenda de parede colocada na sala dos professores. Normalmente, o carrinho é levado para a sala de aula pelos auxiliares técnicos ou pelos agentes escolares. Foi possível observar que os professores pesquisados utilizam essa mídia somente como recurso suplementar ao livro didático, aula expositiva e textos escritos no caderno dos alunos.
Ao percorrer os diversos espaços da escola e acompanhar o cotidiano de trabalho dos professores, chama-nos a atenção o fato de que a despeito da recente profusão de diversos equipamentos didáticos na escola – informática, livros paradidáticos, etc., o centro de referência do processo de ensino permanece sendo a sala de aula, pois nesse espaço é que se processa a relação professor-aluno, mediada pelos conteúdos de ensino, aqui entendidos como um conjunto de saberes dispostos no currículo escolar.
Vesentini (s/ data) considera que
a sala de aula tanto configura um dos locais onde nossa prática cotidiana se revela quanto se coloca como um ponto de referência para traduzir o genericamente apresentado sob “história”. Afinal, o que “ensinamos”? Como preenchemos, com conteúdo, essa palavra? Como aparece, em nosso trabalho diário, a relação entre a história e o social que a constitui?
(...) quero lembrar que essa prática se realiza num espaço socialmente determinado. A escola, especificamente a sala de aula, se coloca como esse lugar reservado ao professor para o exercício de uma função num círculo de relações sociais. (s/ data: p. 71).
E prossegue,
O centro do espaço estabelecido como “nosso” é ocupado pela sala de aula e é aí que o professor se relaciona com seus alunos. Essa ligação parece constituir ponto fundamental do processo de ensino, pois exatamente neste ponto o “professor” adquire certo significado e tem justificada sua função (Idem, p. 71).
Espaço privilegiado de atuação do professor, as salas de aula da EMEF Jardim da vitória são limpas e bem cuidadas. Todas dispõem de um ventilador de parede, duas lousas, cadeiras/carteiras para os alunos, mesa/cadeira para os professores, armários, cortinas nas janelas e instalações elétricas para uso de aparelho de som ou vídeo/televisão. Ponto cego do discurso pedagógico, esse território ainda pouco explorado é onde se dá “o processo de interação no qual entram componentes afetivos, morais, políticos, éticos, cognitivos, sociais, etc.” (André: 2002, p. 43), e no qual nos aventuraremos na tentativa de entender o currículo em ação mediante a análise das práticas dos professores pesquisados, articuladas relação ao currículo oficial, eixo desta pesquisa.