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5. a nalyse del 2

5.1 Sikt

De acordo com Vinão Frago (1993, p. 72), a discussão a respeito do papel da leitura e da escrita precisa ser contextualizada em relação às formas de organização do conhecimento em diferentes tempos e espaços.

Para esse autor, os processos de comunicação, da linguagem e do pensamento são inseparáveis dos processos históricos que marcam as mudanças nas tecnologias da comunicação. Ele dá como exemplo, a generalização da escrita, na Europa ocidental, a partir da Idade Média com o trabalho dos “copistas”, e no Renascimento com a tipografia, que, ao permitir a produção de textos escritos em larga escala, fez com que a escrita assumisse um papel fundamental nos processos de comunicação, isto é, no modo como os indivíduos e grupos sociais operam e organizam o discurso.

A primazia da escrita também tornou possível ao ser humano experimentar novas formas de percepção do tempo (calendário, notações), e espaço (representações cartográficas, redução de escala), bem como das representações de si próprio. Para isso, foi necessário “inventar” estratégias cognitivas que pudessem expressar essas novas configurações sócio-culturais.

A propriedade da escrita é que,

enquanto tecnologia da comunicação, facilita o distanciamento, a análise e a reflexão, a classificação ou ordenação espacial – simbólica, portanto – sobre a superfície virgem da tabuinha, papiro, pergaminho ou papel, de objetos, pessoas, acontecimentos, conceitos ou idéias e a revisão posterior do lido ou escrito. Sua existência tornou possível a descontextualizar o conhecimento de sua matriz original, a exegese ou interpretação adaptativa do texto canonizado e a subjetividade e introspecção - o diário ou a carta pessoal (op. cit., p. 23).

A descontextualização propiciada pela escrita pressupõe a separação entre o narrador e aquilo que é narrado, entre o contexto de produção e a narrativa fixada no texto, de maneira a apagar aspectos fundamentais do discurso oral: gestos, olhares, entonações vocais, reações provocadas no interlocutor. Esse distanciamento tornou possível preservar a memória em registros e arquivos, e com isto, estabelecer uma narrativa sobre um fato, um acontecimento.

Michel de Certeau (2010) mostra como a articulação entre o real e o discurso está na origem da escrita da História do ocidente moderno:

Na sua forma elementar, escrever é construir uma frase percorrendo um lugar supostamente em branco, a página. Mas a atividade que re-começa a partir de um tempo novo separado dos antigos, e que se encarrega da construção de uma razão neste presente, não é ela a historiografia? Há quatro séculos, no ocidente, me parece que “fazer a história” remete à escrita (p. 17).

No sentido atribuído por Certeau, a História é uma operação sobre o discurso, que se efetiva por meio da narrativa escrita. É por meio da narração descontextualizante que o historiador realiza as operações próprias do seu metier como classificar as fontes e

hierarquizar as temáticas a serem abordadas, a fim de elaborar um discurso que recontextualize o passado “no” presente.

O pressuposto de que a História se efetiva como narrativa que estabelece um determinado sentido sobre o passado, implica reconhecer que o seu ensino na esfera escolar requer algumas condições prévias: a primeira delas é de que o professor oriente os seus alunos a realizar procedimentos que guardam similaridade com os do historiador, particularmente no que se refere à construção dos sentidos da narrativa histórica; a segunda condição é que os alunos possuam um grau de proficiência da leitura e da escrita considerado compatível com o “estágio cognitivo” equivalente ao ano/série em que estuda.

Ocorre que nem sempre o aluno – no caso em questão as crianças e adolescentes matriculados na escola pública – possuem uma proficiência leitora e escritora compatível com o ano de escolaridade em que se encontram matriculados, conforme demonstram os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais – INEP – órgão governamental responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica, o SAEB.

De acordo com o descrito no portal do INEP, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) tem como principal objetivo avaliar a Educação Básica brasileira e contribuir para a melhoria de sua qualidade e para a universalização do acesso à escola, oferecendo subsídios concretos para a formulação, reformulação e o monitoramento das políticas públicas voltadas para a Educação Básica. Além disso, procura também oferecer dados e indicadores que possibilitem maior compreensão dos fatores que influenciam o desempenho dos alunos nas áreas e anos avaliados.

Das avaliações promovidas pelo SAEB, a que mais impacta o ensino fundamental é a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (ANRESC). Também denominada de “Prova Brasil”, trata-se de uma avaliação censitária realizada a cada dois anos envolvendo os alunos da 4ª série/5ºano e 8ªsérie/9ºano do Ensino Fundamental das escolas públicas das redes municipais, estaduais e federal, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas.

Na Prova Brasil, a proficiência leitora e escritora dos alunos em Língua Portuguesa é medida por meio de uma gradação em dez níveis, sendo que a gradação maior corresponde a maior nível de proficiência.

Na tabela que segue, apresentamos quadro com a relação entre os níveis de proficiência leitora/competências previstas para os alunos em determinado ano/ciclo de escolaridade.

Quadro 6: Tabela baseada nos indicadores do INEP/SAEB, referentes aos indicadores de competência leitora do ANRESC. Fonte: BRIDON, Janete; NEITZEL, Adair de Aguiar, p. 448-449.

Pontuação e competências dos níveis 0 a 6 do 5º ao 9º ano

Competências 5º e 9º anos

Nível 0 Abaixo de 125 pontos

Não demonstram competências elementares.

Nível 1 125 a 150 pontos

- localizar informações explícitas em textos; - Identificar o tema de um texto;

- Localizar elementos da narrativa como o personagem principal; - Estabelecer relação entre partes do texto.

Nível 2 150 a 175 pontos

Competências anteriores e:

- interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso; - identificar o conflito gerador e finalidade do texto. Nível 3

175 a 200 pontos

Competências dos níveis 1 e 2.

Nível 4 200 a 225 pontos

Competências anteriores e:

- selecionar informações implícitas;

- inferir a informação que provoca efeito de humor no texto; - Inferir o sentido de uma palavra ou expressão;

- estabelecer relação causa/conseqüência entre partes e elementos do texto.

Nível 5 225 a 250 pontos

Competências anteriores e:

- identificar o efeito de sentido provocado pela pontuação; - distinguir um fato de opinião relativa ao fato;

- identificar a relação lógico-discursiva marcada por elementos coesivos. - localizar a informação principal do texto (9º ano, apenas);

- reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão (9º ano, apenas).

Nível 6 250 e 275 pontos

Competências anteriores e:

- comparar textos que tratam do mesmo tema;

- reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos (9º ano).

Em tese, por conter uma base de dados que abrange todo o território nacional, a posição dos alunos da escola em relação ao total do estado de São Paulo e à rede municipal os dados da Prova Brasil podem subsidiar a adoção de políticas públicas que busquem amparar os alunos que ostentam os menores índices de proficiência leitora e escritora.

A tabela que segue apresenta a posição da EMEF Jardim da vitória quanto a proficiência leitora dos alunos em Língua Portuguesa. Os dados que subsidiaram essa tabela se referem aos resultados dos alunos na Prova Brasil, realizada nos anos de 2007, 2009 e 2011.

Quadro 7: Comparativo de proficiência média das redes estadual, municipal e EMEF Jardim da vitória, em leitura na Prova Brasil .

Proficiência média dos alunos em leitura na Prova Brasil – 4º ano

em relação aos indicadores do INEP/SAEB

Ano Base de dados / Estado de São Paulo (todas as escolas)

Base de dados / Escolas da rede municipal

Base de dados / EMEF Jardim da vitória

2007 173,95 168,61 132,26

2009 190, 73 177,76 176,76

2011 191,6 181,6 181,2

Fonte: MEC/INEP. Acesso em 16 set. 2013.

Esses dados apontam que a maioria dos alunos da rede municipal de ensino de São Paulo apresenta um nível de proficiência considerado abaixo do mínimo esperado para o ano/ciclo em que estudam, para o que contribui o fato de que há grande percentual deles que pertence a famílias situadas nos estratos sociais e econômicos inferiores. No que se refere aos alunos da EMEF Jardim da vitória, a localização do bairro, que de acordo com a classificação de Marques e Torres (2005), constitui um “espaço residencial segregado”, dificulta o acesso dos alunos a bens culturais públicos como bibliotecas, teatros e exposições, de modo a agravar a situação de privação cultural vivenciada por eles. Nesse contexto, a escola representa a principal – e quase única – instituição provedora de oportunidades educacionais e culturais para os alunos.

O posicionamento dos alunos da EMEF Jardim da vitória nas escalas de proficiência leitora mostra que o desempenho da maioria deles está situado abaixo da média considerada apropriada para o 4º ano do ciclo I, apesar da lenta progressão verificada no período 2007-2009.

Se considerarmos que os alunos da rede municipal de ensino de São Paulo, avaliados na Prova Brasil, apresentaram desempenho abaixo da média nacional e estadual, a situação fica mais grave ainda quando analisamos os dados referentes à proficiência em Língua Portuguesa dos alunos da EMEF Jardim da vitória, na “Prova São Paulo”, instrumento de avaliação aplicado exclusivamente aos alunos da rede municipal de ensino para medir a sua proficiência em Língua Portuguesa e Matemática.

A Prova São Paulo tem caráter censitário e os resultados, assim como a Prova Brasil, foram expressos na escala SAEB/MEC.

Como ocorre na Prova Brasil, a EMEF Jardim da vitória também se encontra em um nível de proficiência leitora abaixo da média prevista para as escolas da rede municipal de ensino de São Paulo na Prova São Paulo, conforme pode ser verificado na tabela abaixo com os resultados de 2007 a 2011.

Quadro 8: Comparativo de proficiência média em leitura dos alunos da rede municipal e EMEF Jardim da Vitória.

Proficiência média dos alunos em leitura na Prova São Paulo – 4º ano na EMEF Jardim da vitória63

Ano Média das escolas da RME/SP Média/EMEF Jardim da vitória

2007 __ 138,8

2008 175,00 168,00

2009 __ __

2010 138,00 133,00

2011 180,00 161,00

Fonte: www.prefeitura.sp.gov.br Acesso em 16 set. 2013.

Os níveis de proficiência apurados pela Prova Brasil e pela Prova São Paulo, no período abrangido por esse estudo mostram que os alunos da EMEF Jardim da vitória apresentam níveis de proficiência em leitura abaixo do esperado nessa etapa de escolarização.

Se considerarmos que um dos principais traços culturais da escolarização é a ênfase na aquisição da competência leitora e escritora, pode-se inferir que a defasagem na aquisição dessas competências nos anos iniciais de estudo é bastante prejudicial ao desenvolvimento das demais competências e habilidades que se pretende sejam

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Em 2007, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo não estabeleceu uma previsão de média para os alunos na Prova São Paulo; não foi possível obter na escola e no portal da SME/SP os dados das médias referentes edição de 2009 tendo sido disponibilizados somente relatórios de resultados e boletins individuais dos alunos para as Unidades Educacionais.

adquiridas pelos alunos no 1º ciclo e no ciclo seguinte, quando ele deveria se aprofundar no universo das disciplinas específicas do currículo escolar.