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1. Innledning

1.3 Noen sentrale begreper i oppgaven

1.3.5 Problemløsning

Um homem é corpo e espírito. No momento em que precisou de alimentar o corpo, o homem sentiu necessidade de alimentar a alma. A fome de conhecimento começa a ser saciada com o mesmo ímpeto natural com que foi saciada a fome física.

A arte rupestre – o desejo de partilha dos pesadelos gráficos, cujos símbolos ao mesmo tempo que alimentavam o corpo atormentavam o espírito – emoldurou para a eternidade uma das primeiras formas de comunicação.

Molotch e Lester identificaram essa “necessidade intrínseca” esse “instinto” que, desde os primórdios, o homem revelou para “saber o que se passa para além da sua própria experiência direta” (1974, apud Kovach e Rosenstiel, 2001: 5).

A arte rupestre constitui, assim, o primeiro paradigma comunicacional. A linguagem e a escrita impuseram-se a seu tempo, seguindo o curso da dinâmica histórica. Nenhuma forma de comunicação anulou a anterior. Os diferentes paradigmas comunicacionais apuraram-se em interseção violenta mas permanente. Como concluem Bill Kovach e Tom Rosenstiel, avaliando os efeitos das novas tecnologias digitais, "já vivemos isto":

"Na história da civilização humana assistimos a oito transformações nos modelos de comunicação que, na sua essência, não foram menos profundos e transformadores do que o que estamos a viver agora: da arte rupestre à linguagem oral; do mundo da escrita ao mundo da imprensa; do telégrafo à rádio; da televisão ao cabo e agora a Internet (...) As mudanças em marcha não são maiores do que as que conduziram ao surgimento da

imprensa independente do século XIX” (2010: 12, 195).

Analisar a história no momento em que ela decorre é um exercício complexo que, ainda assim, desafia muitos autores. Uns partilham da visão de Kovach e Rosenstiel, resistindo a cavalgar a onda de euforia, cuja forma, para outros, a Internet e

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a tecnologia digital precipitadamente assumiram. O passado serve de guia ao percurso analítico dos diversos autores.

Todd Gitlin assinala que a Internet impõe um “oceano de mudanças” no vasto universo da comunicação, mas, como Kovach e Rosenstiel, considera que o momento já tem paralelo na história da comunicação: "a substituição da cultura oral pela escrita na Grécia Antiga, ou a impressão nos séculos XV e XVI na Europa” (2011: 94). Rosental Alves, que, como veremos ao longo deste capítulo, foi dos que se deixou tentar pela euforia, restringe o campo de comparação “à invenção do tipo móvel por Gutenberg”, em 1542: como a Internet, a impressão “transformou a humanidade ao ampliar as possibilidades de disseminação do conhecimento” (2006: 95). Clay Shirly sustenta que devemos olhar, igualmente, para o lado negativo, para "o caos" que sobressai nas grandes mudanças. O alerta do autor serve de efeito limitador à euforia desenfreada suscitada pela revolução digital:

“A circulação das cópias da obra de Aristóteles e da de Galileu provocou um choque entre o conteúdo original e o da cópia, e esse choque manchou a fé que existia nos clássicos (...) As pessoas ficaram sem saber o que pensar. Se não podiam confiar em Aristóteles, confiavam em quem?” (2011: 40 e 41).

Mário Mesquita alerta, igualmente, para "a incerteza do futuro" que transparece a cada novo modelo de comunicação. A "aura de novidade" associada à invenção de Gutenberg lançou um esteio de dúvida no momento em que os primeiros sinais despontaram:

"Os constantes problemas financeiros de Gutenberg, nos primeiros tempos da imprensa, são sinal disso: os processos por dívidas que lhe foram movidos nos tribunais de Estrasburgo constituem, aliás, um precioso registo para os historiadores da imprensa" (2000: 65).

A história demonstra que as sociedades têm tendência a resistir ao novo com excessiva reserva, oua glorificá-lo com demasiada euforia.

A cada nova mudança de paradigma comunicacional, novas quebras num processo se interpõem, rompendo a zona de conforto da linearidade, lançando o caos e a incerteza.

Jane Chapman e Nick Nuttall entusiasmaram-se com o digital, atribuindo-lhe uma relevância superior a todos os anteriores modelos de comunicação:

"Os académicos têm salientado a forma como as tecnologias da comunicação, desde a ferrovia, ao telégrafo, passando pelo telefone, pela rádio e pela televisão têm alterado a

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nossa perceção sobre as fronteiras globais e a distância, sobre o tempo e o espaço. A Internet e a world wide web, a mais recente destas tecnologias da comunicação, será, sem dúvida, a mais significativa" (2011: 6).

Para os autores, a força da Internet reside na sua própria natureza - essa identidade "intrigante" que lhe permite ser, ao mesmo tempo, "um meio rival e um meio que permite a continuidade da imprensa mas numa forma nova" (idem, ibidem: 7).

Marshall McLuhan, num estudo detalhado sobre os efeitos sociais da galáxia de Gutenberg, considera que o impacto da "revolução eletrónica", que se lhe seguiu, constitui, ainda assim, um efeito "menos perturbador e desconcertante" do que aquele a que a história assistiu com "a revolução da alfabetização fonética para as antigas sociedades tribais ou fechadas" (1972: 23):

"Mesmo sem colisão, essa coexistência de tecnologias e de estados de consciência provoca traumas e cria tensões em todas as pessoas vivas. As nossas atitudes mais comuns e convencionais parecem subitamente transmudadas (...) Essas múltiplas transformações são a consequência normal da introdução de novos meios de comunicação" (idem, ibidem: 337).

Passado o impacto inicial, as duas galáxias haveriam de encontrar formas de complementaridade, tornando-se a nova tecnologia uma extensão do homem, contribuindo, dessa forma, para destruir as barreiras que condicionavam o processo de comunicação.

Bill Kovach e Tom Rosenstiel consideram, por isso, que um padrão se sobrepõe a cada imposição de paradigma comunicacional: “Cada novo método de comunicação tornou a troca de informação mais fácil, mais estruturada e mais relevante” (2010: 12).

A história demonstra-nos, assim, que o momento disruptivo que atravessamos não é por isso propício a previsões definitivas: “Nem os revolucionários conseguem prever o que acontecerá a seguir” (Shirly, 2011: 40). A grande mudança imposta pela Internet ainda se instala, deixando um emaranhado de pequenas mudanças que lançam a confusão e o caos nos meios clássicos.

Permanece, igualmente, por avaliar, plenamente, o impacto da interseção da Internet com o jornalismo. Uma vez mais, estados de euforia e de pessimismo ocupam o mesmo palco analítico.

Eric Newton avalia os efeitos da Internet no jornalismo, partindo do ponto de comparação utilizado por outros autores, a impressão:

“É o desenvolvimento mais profundo, desde que a impressão por tipos móveis nos abriu as portas da era da comunicação de massas. Está a mudar tudo: quem é jornalista, o que é

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uma história, que meio devemos usar para cada notícia e como nos devemos relacionar com as comunidades, aqueles a que antes chamávamos audiências” (2012: 2).

Charlie Beckett transporta para o jornalismo os sinais positivos que Kovach e Rosenstiel identificam no campo mais vasto da comunicação. Referindo-se aos efeitos do mundo digital no jornalismo, o professor britânico admite que, para aqueles que habitualmente refletem sobre a história dos media de uma forma mais sistemática, seja fácil concluir “que o jornalismo está a melhorar em quantidade e qualidade” (2008: 32). A observação carece de um posterior reenquadramento analítico, mas, nesta fase, discutimos, ainda, mais forma do que conteúdo.

Ignacio Ramonet limita a visão algo eufórica da Internet, que faz tese desde final dos anos 90 do século passado. Na ótica de Ramonet, associada ao jornalismo, a Internet é, apenas, mais um meio:

“Não irá substituir a imprensa em papel. Tal como a televisão também não suplantou a rádio ou o cinema, nem este o teatro ou a ópera (...) A história dos media é o relato de um

empilhamento” (2011: 127).

A inovação tecnológica associada aos media determina, portanto, “uma redefinição dos meios tradicionais”, sem perspetivar "mortes anunciadas”:

“Quando surgiu a rádio falou-se do fim da imprensa em papel (…) com o aparecimento da televisão houve vozes que anteciparam o fim da imprensa em papel e da rádio. De momento, como podemos constatar, convivem os três meios tradicionais, é certo que cada um com as suas características próprias mas todos integrados num mapa de meios onde desempenham papéis complementares” (López, 2006: 126).

João Pissarra Esteves deteta, não apenas, essa inevitável readaptação dos meios tradicionais, quando confrontados com o surgimento de novas plataformas tecnológicas de mediação, como opta por retirar ênfase às “euforias” provocadas pela erupção de novos sistemas comunicacionais:

“O clima que a Internet hoje suscita não é, afinal, muito diferente (em grau e nas suas razões) de outras euforias de um passado mais ou menos recente motivadas pelas tecnologias do cabo e dos satélites, por exemplo, ou mesmo antes, pela rádio e pela televisão aquando do seu aparecimento” (2003: 188).

Peter J. Anderson, Anthony Weymouth e Geoff Ward (2007) recuam aos anos 20 do século passado, e aos primórdios da rádio, para concordarem que, encaixada entre a imprensa e a televisão, que começaria a impor-se três décadas mais tarde, a rádio não destruiu a primeira e também não paralisou perante o avanço da televisão. No século XXI a rádio, na versão digital, “consegue impor-se como extraordinária história de sucesso dos tempos modernos” (2007: 28 e 29).

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O processo comunicacional, intermediado pela nova tecnologia, assumirá, pois (previsivelmente) maior robustez, maior complexidade, propiciará maior participação, mas os meios que antes o intermediavam não desaparecem, antes se adaptam, resistindo à violência dos impactos; idealmente adotando as marcas positivas que promovem um novo processo comunicacional. Ao mesmo tempo que os meios tradicionais assumem marcas distintivas dos meios digitais, também estes tenderão a aprofundar o elemento narrativo que tomou conta da discursividade dos media tradicionais, a imagem:

"A dimensão escrita do ciberjornalismo será, provavelmente, ultrapassada pela dimensão audiovisual, o que significa que poderão reproduzir-se no ciberespaço os mesmos fenómenos que já se verificam no jornalismo televisivo, ou seja, o predomínio da imagem e a tendência para as mensagens muito curtas" (Mesquita, 2000: 73- 74).

A complementaridade entre as plataformas será, pois, o lema. E essa evidência trará, certamente, novos desafios ao jornalismo e à formação académica na área. Fará sentido replicar modelos de formação que, nas variantes profissionais, insistam na criação de fronteiras entre as diversas plataformas, como se a essência do jornalismo tivesse de submeter-se à especificidade dos dispositivos tecnológicos que distribuem a mensagem? Bill Kovach e Tom Rosenstiel colocam a tecnologia e o jornalismo no lugar que, de facto, lhes compete:

“A tecnologia pode alterar a distribuição de informação e a forma dessa distribuição podecriar novos incentivos económicos para as empresas e para as pessoas envolvidas nesse processo de distribuição. Mas não altera a natureza humana nem a necessidade que

as pessoas têm de informação” (Kovach e Rosenstiel, 2010: 173).

Processos de Interligação entre os Diversos Meios

Os meios eletrónicos são consequência direta da evolução da tecnologia. Neste contexto, o ponto de arranque situa-se em 1500 com a impressão. O processo evolutivo conquista novo impulso três séculos mais tarde, com o telégrafo. A grande vantagem dos meios eletrónicos, de alguma forma já expressa pelo telégrafo, duzentos anos antes do advento da rádio, foi essa possibilidade de alargar a comunidade dos que, ao mesmo tempo, recebiam uma mesma mensagem. Esse facto, associado à possibilidade do ato da receção da mensagem não estar sujeito, como no jornal impresso, à necessidade de saber ler, agitou a imprensa, forçando um inevitável processo de adaptação.

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A televisão, cujas primeiras emissões datam de finais dos anos 20, só começa a influenciar, de forma decisiva, a rádio e os jornais, forçando a adaptação de ambos, na década de 50. A plena convivência entre os três meios resulta de processos vários de posicionamento de cada um, num esforço de maturação das especificidades:

“Deixou de ser suficiente reportar as notícias. Os jornais tiveram de se tornar mais analíticos, uma vez que as pessoas tinham acesso aos factos antes de os verem reproduzidos nos jornais (...) Com os jornais, os leitores podiam escolher os artigos que queriam ler, pondo de parte os que não lhes interessavam. A rádio tornou as notícias mais intimistas e nacionais. A televisão unificou a comunidade” (Kovach e Rosenstiel, 2010: 18).

Dominique Wolton classifica a televisão como o instrumento unificador por excelência da sociedade atomizada:

"É o vínculo social (...) o barqueiro, o grande mensageiro da sociedade das solidões organizadas, reduzindo as terríveis exclusões da sociedade de massas. Porque o drama da sociedade de massas é que não há ninguém entre os indivíduos e a sociedade, e o papel essencial da televisão é assegurar uma espécie de vaivém entre os dois extremos da escala social" (1990: 157, 341).

Esta adaptação dos meios, que, no caso da imprensa, haveria, aos poucos, de sacrificar os jornais da tarde, não deixou, contudo, de resultar num mapa mediático em que a complementaridade se impôs de tal forma que, em termos de negócio, os resultados não parariam de crescer até ao início do século XXI.

Na dúvida sobre o que realmente irá acontecer ao jornalismo e aos meios tradicionais, uma evidência parece sobrepor-se: a longevidade das plataformas clássicas e das marcas tradicionais que, no campo jornalístico, estão associadas a esses meios ameaça resistir ao rastilho de pavio curto que tem assinalado a vida de milhares de sítios de informação online. Charlie Beckett questiona isso mesmo:

“Esperamos para ver a longevidade do Facebook ou mesmo do Google, comparando-a com a da centenária Reuters, mas nenhum negócio conquistou o inalienável direito de durar para sempre” (2008: 74).

O impacto da Internet no jornalismo, certamente não teria tido o efeito que hoje lhe reconhecemos, e que analisaremos ao longo deste capítulo, se o processo de associação do novo meio ao jornalismo não tivesse sido inteiramente liderado pelo mercado. O negócio dos media entendeu que a Internet seria um meio para catapultar as receitas e, essa lógica efémera, tornou-se dominante. As barreiras que se ergueram entre as plataformas serão fruto dessa precipitação.

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Em nosso entender, a academia não conseguiu criar o distanciamento suficiente para detetar a tempo o impacto da nova plataforma no jornalismo, desde logo refletindo sobre a reorganização do mapa dos meios, definindo o lugar próprio da Internet, que não anulasse as especificidades dos outros lugares das plataformas clássicas. Cremos, aliás, que os trabalhos de uma parcela significativa da academia, revelados a partir de finais dos anos 90 do século passado e ao longo da primeira década do século XXI, contribuíram, decisivamente, para elevar a Internet ao estatuto de plataforma dominante no jornalismo, sem contar que o digital, ao mesmo tempo que afirma o potencial reestruturador do jornalismo, transporta, igualmente, os ingredientes que podem ditar o seu fim.

No mercado e na academia parecia emergir a ideia de que a Internet seria o processo depurador de todos os problemas do globo.

Giovanni di Lorenzo, diretor do semanário alemão, Die Zeit, um jornal que resiste à crise que afeta a imprensa em papel, observa, em muitas análises, a ideia de que Internet se afirma como "crença para-religiosa, ideologia", que força a que seja encarada como "a única esperança, a única saída" (El País, 31 de outubro de 2010). Mário Mesquita, ainda nos primeiros tempos da afirmação do novo meio, interpretava esses mesmos sinais:

"A ideia de uma ideologia da comunicação - quase diria, sem rigor, uma religião da comunicação - que se apresenta como uma espécie de panaceia universal de todos os problemas, como se as novas tecnologias pudessem resolver, num passe de mágica, as questões políticas, económicas e sociais" (2000: 64).

Teremos aprendido pouco com as experiências passadas. Como observámos, no século passado assistimos à reorganização/readaptação do campo dos media, que ocorreu, aliás, com relativo grau de sucesso.