• No results found

Hazy (2007) fez uma investigação e identificou 14 simuladores utilizados na pesquisa em liderança. Ele afirma que a primeira pesquisa a relacionar liderança e informática envolveu o sistema especialista proposto por Vroom e Jago (1988), cujo foco não era estudar liderança, mas sim auxiliar os líderes a tomar decisões em situações específicas.

Dos 14 estudos identificados por Hazy (2007) seis usam a MBA de forma pura ou combinada com outra técnica de simulação, que são os denominados modelos híbridos. Outros estudos envolvendo análise de redes dinâmicas, simulação discreta e modelos NK, apresentados por Hazy (2007), não são foco de análise na presente pesquisa.

Os estudos analisados por Hazy (2007) que são de particular interesse nesta pesquisa estão apresentados no Quadro 32.

Autor (es) Modelagem Análise Hubler e

Pines (1994)

MBA Analisam a adaptação de dois agentes tentando modelar, controlar e prever estados futuros, e as condições que levam à estabilidade ou ao caos com base na emergência de uma situação de líder- liderado.

Carley e Ren (2001)

MBA Examinam as redes organizacionais baseadas no comando, controle, comunicação e inteligência envolvendo agentes heterogêneos. Sugerem ser

impossível relacionar desempenho e

adaptabilidade. Schreiber e Carley (2004) MBA e análise de redes dinâmicas

Investigam diferenças de desempenho em equipes quando diferentes estilos de liderança (diretivo X participativo) foram usados pelo agente no papel de líder ou facilitador. Schreiber e Carley (2005) MBA e análise de redes dinâmicas

Analisam questões sobre turnover e tratam das suas implicações em cargos de liderança.

Anghel et

al. (2004) MBA modelos em e redes

Avaliam a emergência de redes de “conselheiros” que possibilitam que um pequeno número de agentes influencie as decisões de muitos.

Rivkin e Siggelkow (2003)

MBA e

modelo NK

Investigam como as decisões, os incentivos, as habilidades e os fluxos de comunicação estão relacionados com o desempenho potencial da gestão superior, em uma hierarquia vertical. Siggelkow

e Rivkin (2005)

MBA e

modelo NK Analisam como os ambientes turbulentos e a complexidade afetam a estrutura da organização.

Black e

Oliver (2005)

MBA Examinam como os líderes, com diferentes perfis e habilidades de liderança, afetam a aprendizagem dos grupos.

Quadro 32 – Simuladores sobre Liderança Fonte: baseado em Hazy (2007)

Analisando o Quadro 3214, verifica-se que, segundo Hazy (2007), o primeiro modelo de simulador para liderança com base na MBA é

14 Contrariando o que foi dito anteriormente, o Quadro 32, apresenta oito e não apenas seis

supostamente o de Hubler e Pines (1994). Entretanto, o estudo de Hubler e Pines (1994) não difere muito dos modelos de simulação que exploram os princípios da Teoria dos Jogos de cooperação ou competição. Hubler e Pines (1994) não fazem qualquer referência às teorias de liderança em seu texto.

O mesmo acontece com o estudo de Carley e Ren (2001), cujo modelo explora os princípios da Teoria da Organização Computacional, cujo fundamento é estudar as organizações como entidades computacionais (PRIETULA, CARLEY e GASSER, 1998). Desta forma, apesar de fornecerem alguns fundamentos para a pesquisa sobre Liderança, estes estudos não são totalmente aderentes ao contexto da área e não deveriam ter sido relacionados por Hazy (2007).

Os estudos de Schreiber e Carley (2004; 2005) são analisados de forma agrupada por Hazy (2007). Entretanto, usam abordagens semelhantes – MBA e análise de redes dinâmicas – para tratar de fenômenos diferentes. No primeiro (SCHREIBER e CARLEY, 2004), avaliam o turnover em uma equipe e relacionam o seu desempenho, não com o estilo de liderança, mas com o turnover na posição de liderança no grupo. Com base nos dados obtidos, concluem ser difícil estabelecer qualquer relação.

No segundo (SCHREIBER e CARLEY, 2005), realizam uma pesquisa na NASA para identificar se o uso de diferentes estilos de liderança tem impacto sobre o desempenho de uma equipe. Eles concluem que estilos mais participativos têm maior possibilidade de gerar emergência, levando a melhores desempenhos quanto à comunicação, fluxo de informação, adaptação e resultados. Estes resultados podem ser classificados no contexto do estudo sobre Liderança, mas não foram relacionados a uma teoria específica.

O estudo de Anghel et al. (2004) agrupou conceitos da Teoria dos Jogos e da Teoria das Redes Sociais para identificar redes de influência em uma comunidade de agentes, tendo como base o jogo minority game. Neste jogo os agentes competem por um determinado recurso com base na adaptação. O estudo de Anghel et al. (2004) contribui para a

Rivkin e Siggelkow (2003) e Siggelkow e Rivkin (2005). Neste quadro, optamos por separar os trabalhos, pois, apesar de usarem abordagens semelhantes, as análises dos estudos são diferentes. A tabela 1 do trabalho de Hazy (2007), em que nos baseamos para propor o Quadro 32, não só não deixa isto claro, como também não explica o conteúdo de alguns dos trabalhos agrupados.

compreensão da emergência de liderança em redes sociais, mas também não está relacionado com nenhuma teoria de Liderança.

Os estudos de Rivkin e Siggelkow (2003) e Siggelkow e Rivkin (2005) também são apresentados de forma conjunta por Hazy (2007). O elemento central nos estudos é o design organizacional e os elementos que o afetam. A palavra Liderança sequer aparece nos artigos.

O último estudo, de Black e Oliver (2005)15, analisou as implicações da liderança passiva ou pró-ativa na criação e uso de recursos estratégicos para a aprendizagem organizacional. Para os autores, quando os recursos estratégicos são tácitos ou socialmente construídos, o sistema é mais sensível à habilidade do líder. Os autores chamam a atenção para que os líderes desenvolvam suas próprias habilidades e se preocupem com a melhoria do desempenho da equipe. Também destacam a importância de se analisar o contexto organizacional onde ocorrem as relações entre líderes e liderados. O estudo não foi vinculado a uma Teoria de Liderança específica, mas traz contribuições para a área.

Com base nas análises realizadas, Hazy (2007) faz proposições sobre possibilidades de uso dos simuladores para estudar a liderança nas organizações. Ele separa as proposições em três níveis: (a) microliderança, relacionada com o indivíduo ou com as relações diádicas líder-liderado; (b) mesoliderança, relacionada com estruturas e agregados intermediários (p. ex. grupos, departamentos, etc.); (c) macroliderança, relacionada às funções de liderança na organização.

Dos estudos analisados por Hazy (2007) destacam-se, no contexto desta pesquisa, os de Schreiber e Carley (2004; 2005) e de Black e Oliver (2005). Os modelos destes estudos podem ser utilizados como referência para JEEs construídos com base no framework a ser proposto.