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4 Identification of Main Issues and Problems

4.4 Prioritising of Quick Wins

“Quando alguém com…autoridade…descreve um mundo e nós não fazemos parte dele, há um momento de desequilíbrio psíquico, como se olhássemos para um espelho e não nos víssemos reflectidos nele” (Rich (1989), citado por Vasconcelos, 1997:89). Neste último ponto deste capítulo desenvolvo uma atenção mais focalizada à organização do espaço e do tempo. O modo como a criança tem liberdade de se relacionar com os outros e com os objetos representa a cultura inserida num contexto educativo. Tendo em linha de conta o objetivo desta investigação, e presente a temática envolvente, a meu ver é de todo pertinente caraterizar o modo como as crianças são detentoras deste espaço em prol das suas descobertas e aprendizagens. Acreditando que a organização espacial poderá influenciar a estimulação ou pelo contrário, a limitação de aprendizagens (cf. Ostetto, 2000), pois, “[o] espaço exerce influência no comportamento das pessoas que nele habitam, facilitando certas atividades ou inibindo outras, influenciando as interações entre criança- criança, criança-adulto, criança-objeto, possibilitando ou não autonomia da criança (…)” (Ostetto, 2000:138).

Na minha perspetiva é também esta organização que transmite segurança, tranquilidade e confiança necessária para a criança explorar o meio que a rodeia. Torna-se fundamental refletir sobre as intencionalidades educativas aquando a organização dos espaços para que a criança sinta que pertence a esse espaço, pois, acredito cf. Horn (2004) defende que um espaço organizado de modo a desafiar as competências das crianças não é suficiente, sendo, prioridade a interação que a criança realiza nesse espaço para assim vivê-lo intencionalmente. Deste modo, a gestão nessa organização é crucial para o desenrolar de interações positivas. No meu ponto de vista é cada vez mais essencial ouvir o que as crianças “têm a dizer”, colocando-as no centro do processo educativo, partilhando esse “poder” nessa organização.

Nos pressupostos educativos de Post e Hohmann (2011), um ambiente bem planeado procura promover o desenvolvimento das crianças em diversos níveis, seja a nível físico, cognitivo, ou ao nível das competências de interacção com os outros. Assim sendo, as condições de espaço criadas procuram estar de acordo com as características do grupo de crianças, com a sua faixa etária, rodeada de estímulos no qual as crianças têm oportunidade de

desenvolvimento da criança, procurando uma maior autonomia ao longo desses percursos. A questão da adaptabilidade é outro aspeto a considerar, de modo a dar resposta às crianças, a essas conquistas e não inibi-las na sua mobilidade e ações. Considero este aspeto fundamental, podendo a criança encontrar-se limitada nas suas ações, levando-a a eventuais conflitos, não sendo essa a intencionalidade no contexto de educação de infância. No meu ponto de vista, a gestão do espaço deverá também ser partilhado com as crianças, conversando com o grupo a sua organização e reorganização.

É ainda fundamental referir a perspetiva de Forneiro (1998) citado por Horn (2004) defendendo que ao se pensar num ambiente desafiador de promoção das interações entre as crianças, o espaço deverá ter um sentido de transformação. Sendo que todo o mobiliário deverá ser flexível e os materiais adaptados à imprevisibilidade de atividades que decorrem ao longo do dia. Assim sendo, o processo reflexivo nesta organização é fundamental para o educador pensar e repensar nas intencionalidades que apresenta e se as mesmas correspondem ao desenvolvimento da criança.

Nestas intencionalidades, é importante, a meu ver, ter-se presente a questão da acessibilidade aos materiais e aos objetos, apelando à criatividade da criança. Em suma, “[c]abe ao adulto organizar a sua prática junto às crianças, de modo que as relações do grupo possam ocorrer longe das coerções e de um disciplinamento centrado nas normas ditadas por ele. Elas necessitam de um espaço para exercerem sua criatividade e para contestarem o que desaprovam” (Horn, 2004:17). Assim sendo, é importante que se transmita a oportunidade à criança de participar na construção desse espaço, através de uma discussão partilhada, apelando ao diálogo e à negociação de possíveis mudanças. A criança poderá contribuir para a disposição dos materiais na sala, ou até mesmo para a colocação de materiais em falta. O educador apresenta o importante papel de criar condições para a criança explorar, “(…) promovendo a cooperação, a tomada de perpectiva e a resolução de conflitos” (Formosinho, 2008:39). No segundo contexto de estágio onde decorreu este estudo, pude constatar a presença de uma prática pedagógica que vai ao encontro destes interesses, as próprias crianças participavam na elaboração dos inventários de cada área de aprendizagem, tornando-se responsáveis e possuidoras desse ambiente.

Saliento a importância dada a um espaço desafiador e estimulador, apelando à promoção de atividade conjuntas, acreditando nas capacidades desenvolvidas através do trabalho cooperativo. Assim sendo, acredito que todas as relações que ocorrem são

influenciadas também pelo espaço que as crianças têm. Procurando promover-se a liberdade, responsabilidade e autonomia da criança, salienta-se a importância de uma organização dividida por áreas de aprendizagem. Deste modo, procura-se que exista uma grande diversidade de materiais, “[e]stes materiais destinam-se à manipulação da criança, portanto, estão no seu controlo. Tal quer dizer que a criança tem sempre oportunidades para os usar e para os partilhar” (Formosinho, 1996:58). Apelando a uma aprendizagem pela ação, a criança deverá ter oportunidade para poder escolher os materiais que quer explorar. Deste modo, procura-se que nos contextos educativos a sala se encontre organizada por áreas, onde os materiais são diversificados e se encontram bem organizados e ao acesso das crianças.

Concluindo, as intencionalidades na organização espacial deverão encontrar-se muito bem delineadas, sendo essas intencionalidades influenciadoras das dinâmicas no contexto, oferecendo diversos momentos de exploração. Assim sendo, a flexibilidade é outro aspeto fundamental para não se correr o risco de inibir essas explorações, mas pelo contrário de promovê-las consoante as práticas mais adequadas.

Os momentos de reflexão das intencionalidades da organização do espaço deverão se estender também na organização temporal. Importa referir que segundo Silva (1997:40) a rotina é intencionalmente planeada pelo educador e “(…) é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de propor modificações”. Tendo presente a temática em estudo, é neste sentido de liberdade para propor modificações que a criança se sente pertencente desse espaço.

Sendo que a rotina se refere à organização do tempo de todos os momentos diferentes que decorrem no contexto educativo, dever-se-á ter presente as necessidades de todo o grupo, mas também as capacidades e possibilidades que as crianças apresentam. “Uma rotina diária consistente permite à criança aceder a tempo suficiente para perseguir os seus interesses, fazer escolhas e tomar decisões (…)” (Hohmann e Weikart, 2011:224). É importante que a criança se sinta segura e confiante para explorar tudo aquilo que tem à sua disposição na Sala, uma rotina estável e previsível, mas flexível proporcionará esse sentimento à criança.

A organização temporal torna-se indispensável para um ambiente seguro na sala, onde o envolvimento cognitivo ocorre diariamente, mas onde as rotinas são organizadas em momentos em que as interações que ocorrem entre os adultos e as crianças são privilegiadas.

ocorrendo ao longo do dia. O educador de infância precisa entender que a rotina temporal, “(…) nem se trata de uma sequência imutável de acontecimentos sobre os quais os adultos tomam todas as decisões, nem uma serie de actividades diárias que acontecem ao acaso, sem estrutura” (Hohmann e Weikart, 2009:227).

O adulto não prevê ao pormenor o que vai acontecer ao longo do dia, até porque esse planeamento deverá ser feito com a criança, pois, acredito que “(…) as crianças aprendem muito melhor se seguirem os seus próprios interesses e se construírem conhecimento através da experiência pessoal (…)” (Weikart e Hohmann, 2011:227). Deste modo, o educador procura encontrar-se preparado para os “imprevistos” que decorrem num contexto educativo. As próprias necessidades das crianças e os seus interesses e vontades poderão modificar essa organização. Contudo, procura-se que ao envolver estas alterações se continue a transmitir um ambiente calmo e seguro às crianças, procurando que os conflitos que poderão ocorrer nesse período sejam resolvidos de um modo “mais correto”, em que na intervenção do educador se transmita tranquilidade, e que os acontecimentos que se iniciaram como comportamentos “negativos” se transformem em oportunidades de aprendizagem, apelando às relações positivas durante a sua resolução.

Uma rotina flexível, procura ir ao encontro dos interesses das crianças. Deste modo, não se prevê na totalidade o desenrolar de uma atividade. No meu ponto de vista, é este o maior desafio do educador, dar oportunidade à criança de ser livre no seu momento de exploração e poder aprender perante essa liberdade, é importante que durante todos estes momentos o educador consiga apoiar a iniciativa da criança e se respeite o ritmo de cada uma.

Segundo Freinet (1974:217), “[a] preocupação com a disciplina está na razão inversa da perfeição na organização do trabalho, do interesse dinâmico e activo dos alunos”. Deste modo, a criança só se encontrará absolutamente motivada, satisfeita e feliz se for respeitado as suas decisões, os seus interesses. Muitos dos conflitos no contexto educativo surgem precisamente neste campo, é necessário abandonar-se a ideia que todas as crianças têm de realizar o mesmo trabalho e ao mesmo tempo. No meu ponto de vista, torna-se fundamental adotar como prática pedagógica em algumas perspetivas defendidas por Freinet, em que “(…) o trabalho individual ou por equipas afins estará diariamente na base da vossa actividade escolar” (idem, 220). Assim a organização temporal poderá encontrar-se organizada de modo a que o grupo se reúna de manhã, para “discutirem” as atividades a realizar ao longo do dia. Se o espaço e o tempo, e as atividades que nele decorrem se encontrarem bem organizados,

“sem o submetermos no entanto a alguma cadeia mecânica” os problemas das ordem e da disciplina estarão resolvidos (cf. Freinet, 1974).

O educador apresenta um importantíssimo papel de apoio durante as atividades desenvolvidas pelas crianças. Nesta dimensão é essencial uma organização do espaço e do tempo envolvendo as crianças, correspondendo às suas necessidades e aos seus interesses. Defendo a perspetiva de que o educador deverá proporcionar um contexto rodeado de estratégias que estimule a criança a explorar os diversos materiais, que encoraje o trabalho em pequenos grupos, apelando à partilha, à cooperação, à interajuda entre pares, um ambiente em que o diálogo predomine e que as crianças aprendam a resolver os seus conflitos, apelando a um meio mais educativo e humano na relação com os outros.

Capítulo 3 - Metodologia do Estudo