Uma vez que o objeto de estudo deste relatório incide em grande parte sobre as práticas das educadoras, importa ainda referir a entrevista realizada às educadoras cooperantes. Sendo um instrumento de recolha de informação fundamental para compreendermos as suas conceções perante a temática. A entrevista permitirá retirar o máximo de conclusões possíveis acerca das conceções das educadoras e acerca do seu modo de agir na prática.
Segundo Morgan (1988), referido por Bogdan e Bicklen (1994:134), “[u]ma entrevista consiste numa conversa intencional, geralmente entre duas pessoas (…) com o objetivo de obter informações (…)”. Importa salientar que “(…) em investigação qualitativa, as entrevistas podem ser utilizadas de duas formas. Podem constituir a estratégia dominante para a recolha de dados ou podem ser utilizadas em conjunto com a observação participante, análise de documentos e outras técnicas” (Bogdan e Biklen, 1994:134). Tendo presentes as intencionalidades deste relatório, a entrevista é um processo de recolha de dados que servirá, juntamente com a observação realizada, as notas de campo e a análise documental para a
Podemos constatar segundo Afonso (2005:97) que “[a] realização de entrevistas constitui uma das técnicas de recolha de dados mais frequentes na investigação naturalista, e consiste numa interacção verbal entre o entrevistador e o respondente (…)”. Ao realizar algumas leituras sobre este procedimento de recolha de informação compreendi que existem diversos tipos de entrevistas, e é uma das técnicas mais usadas em investigações na área da educação, sendo assim imprescindível.
Por fim, considero importante referir que “os investigadores qualitativos partilham, geralmente, a convicção de que, independentemente do contexto, um investigador qualitativo encontrará sempre material importante” (Bogdan e Biklen, 1994:87). Deste modo, considero que o contexto em muito pode alterar as informações recolhidas. Contudo, se apresentarmos um olhar mais atento, compreendemos que teremos sempre informação possível para mobilizar neste relatório. Importa ainda salientar que todos estes procedimentos de recolha de informações, se interligam, pois, segundo Denzin (1970) citado por Moreira (2007:178), “(…) a observação participante será definida como uma estratégia de campo que combina simultaneamente a entrevista, a participação, a analise de documentos e a introspecção”.
3.7.4.1. Preparação da entrevista
Para este processo de recolha de informação, considerei que optar por uma entrevista semiestruturada, seria o método mais adequado a este tipo de estudo. Assim sendo, para que todas as informações fossem recolhidas de um modo coerente, levando-me a compreender como é que as educadoras cooperantes agem em determinados momentos, percebendo a importância do seu papel no contexto direto com a criança, bem como, as conceções das educadoras, foi imprescindível a realização de um guião. Segundo Máximo-Esteves (2008:96) “trata-se de um conjunto de grandes questões que são colocadas a todos os respondentes, em momentos temporais distintos. As grandes questões abrem portas a respostas amplas e desejavelmente longas, eivadas de pormenor, e veicula os pontos de vista do respondente”. Contudo, e pude verificá-lo após realizar as entrevistas, que o guião é de carater flexível, sendo que a ordem da colocação das questões variou consoante as respostas inesperadas das entrevistadas.
Antes de elaborar o guião da entrevista, considero importante referir que me apoderei de um conjunto de informações sobre este processo, de modo a realizá-la da forma mais correta e útil para este estudo. Cf. Bell (2010:138) procurei inicialmente preparar os tópicos e escrevê-los numa folha de papel, futuramente li e reli as ideias principais de modo a
compreender qual a ordem das perguntas que iria colocar às entrevistadas. Quando dei por terminado todo o processo de construção do guião procurei agir de acordo com que Bell (2010:138) defende “[p]ratique a entrevista e a gestão do tempo para garantir que o seu estilo de entrevista é claro, põe à vontade o entrevistado e lhe permite registar as respostas de forma a saber quando a entrevista chegou ao fim”.
Com o intuito de obter dados comparáveis entre as duas educadoras cooperantes envolvidas no estudo, pretendi usar o mesmo guião da entrevista de modo a posteriormente serem recolhidas as informações precisas a este estudo. No cerne deste guião (em anexo) tive sempre presente a questão geral e a questão I-A, que acompanharam todo o desenvolvimento deste estudo, só deste modo foi possível aproximar-me do objeto de estudo em causa, realizando as questões mais adequadas para a recolha de certas informações, não esquecendo os objetivos inerentes em cada temática, que se encontram descritos no guião, explorada em situação de entrevista.
3.7.4.2. Situação de entrevista
Importa neste momento referir a situação de entrevista realizada às educadoras. Sendo que em cada contexto procurei que ambas as profissionais fossem conhecedoras desde o início de estágio, do estudo que procurava realizar. Assim sendo, após a realização do guião enviei um e-mail a ambas as educadoras de modo a relembrar-lhes a temática e o objetivo do estudo, bem como o motivo da realização da entrevista. A resposta a este e-mail por parte da educadora de Creche foi imediata. Contudo, a disponibilidade para me receber não se verificou, precisando de contactar a educadora por diversas vezes até marcarmos um dia para procedermos à entrevista. Sendo que a Educadora se encontrava num período de muito trabalho não conseguiu receber-me no seu local de trabalho. Deste modo, procedemos à realização da entrevista no dia 6 de Novembro de 2013, na sua habitação num período de férias da profissional.
Quanto à entrevista realizada à educadora do contexto de Jardim de Infância decorreu no seu local de trabalho, num gabinete de coordenação da instituição, fora do seu horário letivo, e a este nível tenho presente a ajuda incondicional desta profissional ao despender do seu tempo “não letivo” para me receber. A resposta ao e-mail também foi rápida, marcando de imediato uma data a receber-me. Assim sendo, a entrevista à educadora realizou-se a 17 de setembro de 2013.
Foi dada a informação a ambas as educadoras da confidencialidade dos nomes referidos no decorrer da entrevista. Foi ainda acordado a sua gravação para facilitar a posterior transcrição da mesma. No decorrer das entrevistas procurei ouvir atentamente as entrevistadas, mostrando-lhes muitas vezes sinais de incentivo e entusiasmo ao ouvir as suas partilhas. Este processo de recolha de informação foi fundamental para poder recolher mais informações sobre as práticas destas profissionais. A entrevista foi mais uma partilha como muitas que realizámos cooperativamente no período de estágio, embora um diálogo mais direcionado à temática em estudo. Deste modo, considerei que ouvi atentamente estas profissionais, e participei ativamente neste diálogo, não descurando a minha posição no momento. Saliento que relembrámos em conjunto momentos caricatos, que deram lugar a risos de ambas as partes. Contudo, pude observar a postura de maior “descontração” da educadora de Jardim de Infância, mostrando-se muito segura das suas conceções no decorrer da nossa conversa. Relativamente à educadora de Creche, não senti esta profissional tão à vontade e segura das suas convicções relativamente à temática, verificando ao longo do seu discurso algumas contradições. Contudo, a entrevista foi um processo fundamental que ajudou a recolher informações sobre a prática desta profissional, podendo mais tarde corroborar com as situações observadas no período de estágio.
Durante o período das entrevistas, constatei que por vezes ocorriam situações de desvio à questão colocada, nestes momentos procurava ouvir a educadora e quando encontrava o momento adequado entrevia de modo a direcionar a entrevistada para o “caminho” pretendido. Por vezes as questões foram colocadas mais cedo, e foram alteradas a sua ordem, devido às respostas inesperadas que me eram dadas. Após a realização da entrevista e da posterior transcrição, foi enviado por via e-mail a transcrição das entrevistas às respetivas educadoras. Importa referir que foi um processo bastante moroso, sendo que a entrevista à educadora de Creche ressoltou em 24 páginas de transcrição e a entrevista de Jardim de Infância em 25 páginas.