5 Generation and Evaluation of Alternative Solutions
5.1 Alternative Solutions to Increase Flow
Ao longo desta investigação compreendi que o meu modo de ser/estar/ e agir na investigação é um instrumento de recolha de informação muito forte e preciso ao longo deste estudo. Deste modo, considero que merece um especial destaque. Antes de referir todos os procedimentos de recolha de informação que escolhi ao longo da investigação, importa salientar a minha postura nos primeiros dias no terreno. Na minha opinião, foi essa postura que fez desenrolar toda a investigação podendo agora redigir muito do que senti, vivi, e observei. Contudo, temo não conseguir transparecer na totalidade a ação vivida, bem como, todos os sentimentos pelos quais diariamente fui invadida.
Digo isto, pois, todas as informações recolhidas apresentam muito aquilo que me define como pessoa. Sendo que a minha intervenção em alguns aspetos poderá influenciar em alguns casos essa recolha, pretendi em alguns momentos apresentar uma justa distância que me permitisse observar realmente os acontecimentos, sem que os meus sentimentos interferissem nessa recolha. Será que fui capaz de apresentar esta justa distância? Embora tentasse diariamente colmatar todas as minhas dificuldades, todos os meus receios e dúvidas, percebi que o maior dos desafios estaria exatamente neste âmbito.
A posição que me trouxe até ao terreno, foi vista unicamente como estagiária. Recordo-me das palavras nos primeiros dias no segundo contexto de estágio, “ Esta é a nossa nova estagiária”. Neste contexto as crianças já tinham a perfeita noção da minha posição na instituição. Se nos primeiros dias a entrada no terreno já era complicada fase ao “rótulo” atribuído de estagiária, como seria a posição de estagiária-investigadora? Sendo diariamente uma novidade procurei informar-me, aprofundar conhecimento, acima de tudo ler e ter presente que “[o]bservar, perguntar e ler são as três ações fundamentais que estão na base das técnicas de recolha de dados” (Moreira, 2007:153).
Sendo que “(…) as pessoas do “mundo real” também podem conduzir investigação – investigação que seja prática, dirigida às suas preocupações e, para aqueles que o desejem, como instrumento de mudança social” (Bogdan e Bicklen, 1994:292). Tentei diariamente levar a bom termo uma investigação deste nível. Inicialmente, pretendi que a educadora do primeiro contexto fosse conhecedora das minhas intencionalidades ao envolver-me neste estudo. Necessitei de interrogá-la fase a credibilidade do que pretendia estudar,
compreendendo através desta profissional que se encontra totalmente familiarizada com o contexto, se este objeto de estudo teria “pernas para andar”.
Sendo que a investigação em causa é “(…) um tipo de investigação aplicada no qual o investigador se envolve ativamente” (Bogdan e Bicklen, 1994:293), eu própria me tornei objeto de estudo e fiz parte deste constante processo reflexivo que se encontra inerente a este tipo de investigação. Nos primeiros dias em ambos os contextos de estágio procurei agir perante o que defendem Bogdan e Biklen “(…) começa-se a estabelecer a relação, aprendem- se os “cantos à casa”, passa-se a ficar mais à vontade e a trabalhar no sentido de os sujeitos ficarem mais à vontade connosco” (idem, 1994:123). Segundo Bogdan e Biklen (1994:123) “[é] altura de se ficar confuso – mesmo aflito – com tanta informação nova. Ainda há muito para aprender”. Corroboro que foi mesmo este o sentimento que me invadiu nos primeiros dias no terreno.
Contudo, a relação estabelecida diariamente com as educadoras cooperantes, as auxiliares, as crianças, mas também todas as pessoas que se encontravam na instituição ajudou-me a tornar-me mais confiante e a por em prática tudo aquilo a que me tinha proposto. Partilhando da perspetiva de Moreira (2007:178) “[a]través do trabalho de campo, o investigador insere-se no contexto social e cultural que pretende estudar, viver como e com as pessoas objecto de estudo, compartilha com elas a quotidianidade, descobre as suas preocupações e suas esperanças, as suas concepções do mundo e as suas motivações, com o propósito de obtenção de uma «visão de dentro» que permite a compreensão”. Foi notória a compreensão destas profissionais ao longo deste estudo.
Através da minha posição como participante observadora3, permitiu-me observar e agir, interiorizando toda a rotina dos contextos, permitindo-me ter uma postura mais segura e fazendo-me sentir parte das equipas pedagógicas em que fui inserida. Refiro que no início a posição que adquiri não foi de estagiária-investigadora, mas sim apenas de estagiária, a de querer absorver o máximo de aprendizagens e criar uma relação empática com os demais que me envolviam. Em determinado momento, percebi que a minha posição deveria assumir diferentes percursos, deveria aliar a uma posição de estagiária (participante nos contextos) uma posição de observadora (investigadora). Deste modo, tentei acima de tudo treinar o olhar de observadora atenta e dar um maior uso ao bloco de notas que me acompanhou ao longo das
3 Expressão conceptual utilizada no Documento de apoio à produção do Relatório do Projeto de Investigação (2012/2013)
22 semanas de estágio. Não poderia deixar de referir a perspetiva de Bogdan e Biklen (1994:292) “(…) a investigação é uma atitude-uma perspectiva que as pessoas tomam face a objectos e actividades”. Teria sido eu capaz de tomar essa atitude do modo mais correto?
Segundo Máximo-Esteves (2008:87) “[a] observação permite o conhecimento direto dos fenómenos tal como eles acontecem num determinado contexto”. O registo através de notas de campo nem sempre foi fácil que concretizar na sua totalidade. Em suma, julgo que qualquer estagiário investigador deverá estar pronto a “(…) trabalhar com crianças ao colo ou penduradas nas costas, deixar as crianças rabiscar o nosso caderno de apontamentos, (…) devemos estar prontos a lidar com narizes e mãos sujos, a viver a aventura de almoçar na cantina da escola (…) se quisermos aceder às crianças muito pequenas” (Walsh, Tobin e Graue, 2002:1054). Foi a tudo isto que me comprometi ao avançar com este projeto de investigação, e qual não foi o meu espanto que após um dia no terreno, chego a casa abro o meu bloco de notas e tenho desenhado um coração e o nome de uma das meninas que fez parte desta investigação. Assim, e segundo Walsh, Tobin e Graue (2002:1054) eu entendo que devemos acima de tudo encontrarmo-nos “(…) preparados para o inesperado”.