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Prinsippene og defensive taktiske aktiviteter

De modo a dar cumprimento aos objectivos a que nos propúnhamos, tal como acabámos de descrever, a investigação foi concretizada com a realização de dois estudos distintos em que foram aplicadas duas técnicas diferentes de recolha e tratamento de informação.

Esta diferença assenta não só na sua definição e forma, no momento ou timing de aplicação e nos sujeitos aos quais foi aplicado, mas também nos pressupostos epistemológicos que lhe estão subjacentes.

O primeiro estudo consistiu na aplicação de uma forma de inquérito: o questionário. Na definição de Ghiglione e Matalon (1993), o “inquérito pode ser definido como uma interrogação

particular acerca de uma situação englobando indivíduos, com o objectivo de generalizar. Neste caso, o investigador intervém colocando questões, mas sem intenção explícita de modificar a situação na qual actua enquanto inquiridor” (p. 8).

Constituído, quanto à sua forma, por questões abertas e questões fechadas, a informação resultante destas é quantificada, obtendo-se assim dados numéricos que viabilizam o tratamento estatístico dos mesmos. Este implica que o conhecimento não advém de cada caso individual, i. e., das respostas de um sujeito, mas das respostas do conjunto dos sujeitos inquiridos (Ghiglione & Matalon, 1993).

Ainda de acordo com Ghiglione e Matalon (1993), “quando trabalhamos com um questionário /…/ Não há uma compreensão, mais ou menos sistemática ou intuitiva da coerência das respostas de um só indivíduo”, perdendo-se assim a especificidade de cada indivíduo. Contudo, “se não pudermos encontrar um ponto em relação ao qual ele é comparável aos outros, qualquer discurso geral é impossível e com ele toda a ciência do homem” (pp. 120-121).

Neste caso, o recurso ao questionário justifica-se pela necessidade de recolher informação sobre uma grande variedade de comportamentos de um mesmo indivíduo, reportando- se a um passado recente; de compreender atitudes, opiniões e representações praticamente só acessíveis através da linguagem; e por ser uma técnica que permite estudar a situação real (especialmente tratando-se de fenómenos que acontecem num dado momento e contexto, com toda a complexidade daí decorrente) embora em detrimento de algum controlo conseguido com mais eficácia em situações artificiais (Ghiglione & Matalon, 1993). Podemos ainda aliar o facto de esta ser uma técnica relativamente simples de aplicar que se presta ao levantamento de muita informação junto a um grande número de sujeitos.

Embora enquanto técnica quantitativa de investigação empírica o questionário apresente limitações quer metodológicas quer epistemológicas, não deixa de ser uma técnica com potencialidades e recursos, conquanto, à semelhança de outras técnicas quantitativas se saiba “problematizar a possibilidade do seu emprego e de saber como interpretar os resultados produzidos por elas, de forma a controlar os efeitos de mediação decorrentes da sua aplicação” (Ferreira, 1986, p. 172).

O questionário, neste caso, insere-se numa lógica de investigação quantitativa, herdeira da filosofia positivista acerca da produção de conhecimento científico que procura uma expressão numérica de factos da realidade dita objectiva, enfatizando por isso números e medidas (McMillan, 1996).

No segundo estudo efectuado aplicou-se uma forma de entrevista designada habitualmente por focus group1.

1 As outras designações pelas quais este método é habitualmente conhecido na literatura são: focus group interviews, focused interviews e group depth interviews. Em português são utilizadas expressões como grupos de discussão, entrevistas de grupo, grupo de focus (Xavier et al., 2002), grupos de focagem (Fonseca, 2005), grupos focalizados (Flick, 2005) ou ainda grupos focais (Ribeiro, 2007). Dada a diversidade de nomenclaturas utilizadas, optou-se por manter a designação na língua inglesa de forma a permitir uma identificação mais imediata do método em questão.

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O focus group consiste em entrevistas de grupo, ou melhor, discussões de grupo, visto não se basear concretamente numa alternância de perguntas e respostas, mas no uso explícito da interacção do grupo para produzir informação e insight que doutro modo seriam menos acessíveis (Brotherson, 1994; Morgan, 1997).

Morgan (1997) define focus group “como uma técnica de investigação que recolhe informação através da interacção de grupo sobre um tópico determinado pelo investigador. Em essência, é o interesse do investigador que fornece o focus, enquanto a informação resulta da interacção no grupo” (p. 6).

Enquanto método de investigação qualitativa, “a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 134). Os dados são qualitativos porque ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e/ou conversas.

Neste âmbito, o focus group permite o levantamento de informação qualitativa. A partir do discurso dos sujeitos, elabora-se um registo escrito sistemático e pormenorizado de tudo o que se ouve e/ou se observa, que depois será analisado no seu conteúdo, respeitando-se tanto quanto possível a forma em que foram registados ou transcritos, e não sujeito a quantificação ou mensuração (Bogdan & Biklen, 1994).

Como se privilegia a compreensão detalhada dos fenómenos a partir da perspectiva dos sujeitos, estes estudos são geralmente conduzidos com amostras pequenas e o principal instrumento é a pessoa do investigador.

Muito embora os dois métodos permitam uma exploração e consequente levantamento de informação, resultam na obtenção de informação de diferente natureza que obviamente tem que ser analisada de modo a respeitar essa mesma natureza. Assim, enquanto no Estudo 1 os dados recolhidos são na sua grande maioria passíveis de quantificação e, por conseguinte, analisados estatisticamente, no Estudo 2 os dados requerem uma análise de conteúdo, sendo o seu tratamento exclusivamente qualitativo.

Numa investigação o focus group pode ser utilizado como técnica principal de recolha de dados, em conjugação com outros métodos (estudos multi-métodos e de métodos mistos) ou como fonte suplementar em estudos que utilizam um outro método considerado principal (Morgan, 1997; Vaughn & Schumm, 1996). Cada uma destas combinações permite atingir objectivos específicos diferentes.

Neste estudo primeiro aplicou-se o questionário de modo a recolher informação sobre a temática da relação escola-família junto à amostra de professores do 1º Ciclo do Ensino Básico, e a partir desses dados elaborou-se depois as questões de partida que permitiram sustentar a discussão nos focus groups.

O focus group permitiu chegar, através das diferentes narrativas, às representações concretas de quem faz parte deste sistema, professores e peritos na área. Permitiu conhecer o que

estes pensam acerca da temática, contextualizando-a nas vivências do dia-a-dia da profissão e no desenvolvimento da sua carreira.

Tendo em conta as especificidades de cada um dos métodos ou técnicas, a sua articulação permite uma complementaridade de formas de compreender os fenómenos que só pode resultar num enriquecimento do estudo (Kitzinger & Barbour, 1999; Morgan, 1997). A combinação do focus group e do inquérito permite, pois, uma rentabilização das potencialidades de cada um dos métodos.

Inserindo-se no âmbito de uma mudança de paradigma científico, em que se opõem duas grandes tendências científicas, o positivismo e a hermenêutica (Pourtois & Desmet, 1988a), a investigação em educação tem-se modificado nos últimos anos. “Um campo que era dominado pelas questões da mensuração, definições operacionais, variáveis, teste de hipóteses e estatística, alargou-se para contemplar uma metodologia de investigação que enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 11).

Nos anos 90 assistiu-se a um confronto entre dois grandes paradigmas científicos2, o quantitativo e o qualitativo, quer a nível epistemológico quer a nível metodológico, que se tem repercutido na investigação dos problemas educacionais e também psicológicos (Bavelas, 1995; Bogdan & Biklen, 1994; Landsheere, 1988; Pourtois & Desmet, 1988a; Simões, 1990).

De acordo com Simões (1990), “a oposição entre eles é mais do que uma questão metodológica — da relevância do quantitativo ou numérico versus qualitativo ou verbal. No fundo, o que está em causa são duas filosofias e epistemologias diferentes: uma, que poderia designar-se por „lógico-positivista‟, a qual considera que existe uma única realidade social objectiva (independente dos sentimentos e das crenças dos indivíduos) realidade essa abordável empiricamente, como todo o fenómeno natural; a outra, a que poderia chamar-se „naturalístico- fenomenológica‟, a qual postula a existência de múltiplas realidades sociais, construídas pelos indivíduos e abordáveis pela via da vivência, da convivência e da empatia, como todo o fenómeno social” (pp. 39-40).

Em relação ao confronto entre estes dois métodos de investigação há basicamente duas posições, uma que enfatiza as suas diferenças e logo a sua incompatibilidade, e outra que aponta a continuidade entre os dois (Lessard-Hébert, Goyette & Boutin, 1994). Embora a sua confrontação seja ainda objecto de debate, e se sublinhe as diferenças, a tendência vai no sentido da passagem de uma perspectiva dicotómica para uma perspectiva de complementaridade (Flick, 2005; Pourtois & Desmet, 1988a; Simões, 1990; Tashakkori & Abbas, 2003).

Tal como Fernandes (1991), “parece-nos evidente que há vantagens e desvantagens em cada um dos paradigmas da investigação e que dados de natureza quantitativa e qualitativa

2 Estes paradigmas têm surgido na literatura com diferentes designações, por vezes consideradas sinónimos. Entre estes destaca-se, por um lado, o paradigma quantitativo ou positivista e, por outro, o paradigma qualitativo, interpretativo ou hermenêutico.

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podem ser recolhidos, com claras vantagens, no processo de resolução do mesmo problema” (p. 66).

Acresce que a combinação das duas metodologias utilizadas vai de encontro à perspectiva sistémica, e mais especificamente ao construcionismo social, no sentido em que se torna fulcral considerar a complexidade característica dos fenómenos interpessoais aquando do seu estudo e, inerente a esta, conceber a existência de múltiplas realidades construídas e não de uma única realidade objectiva. A apreensão do significado e da interpretação construída por cada sujeito torna-se fundamental, sendo que no contexto epistemológico a leitura será sempre uma interpretação que dependerá da compreensão do investigador.

E se “é através sobretudo das nossas narrativas que construímos uma versão de nós mesmos no mundo, e é através da sua narrativa que a cultura oferece modelos de identidade e de acção aos seus membros” (Bruner, 2000, p. 14), então, no contexto do construcionismo social, a modificação de conceitos e práticas só é possível através da tomada de consciência, que a narrativa permite, das formas de pensar e acontecer existentes, o que legitima a utilização de uma metodologia qualitativa.

Por conseguinte, identificamo-nos com Bruner (1997) quando afirma que “insistir na explicação em termos de „causas‟ impede-nos, logo à partida, de tentar compreender como é que os seres humanos interpretam os seus mundos e como nós interpretamos os seus actos de interpretação” (p. 12).

Assim, resultaram os dois estudos que são apresentados em seguida:

- O Estudo 1, de carácter quantitativo, intitula-se “A comunicação entre a escola e a família no 1º ciclo do ensino básico da RAM: um estudo descritivo”.

- O Estudo 2, de natureza qualitativa, é apresentado sob a designação “A construção de uma reflexão sobre os processos comunicacionais escola-família: um estudo compreensivo”.

Capítulo 5

A COMUNICAÇÃO ENTRE A ESCOLA E A FAMÍLIA

NO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO DA RAM:

UM ESTUDO DESCRITIVO

Connaître et penser, ce n’est pas arriver à une verité absolument certaine, c’est dialoguer avec l’incertitude.

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