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Mobilisering av styringssystemet – opplevelser av mobilisering

5.3 Empiri

5.3.2 Mobilisering av styringssystemet – opplevelser av mobilisering

Estabelecidos como sujeitos de investigação aqueles que no percurso do ensino superior abandonaram a sua trajetória, apresentou-se como dificuldade desta pesquisa encontrar a estratégia para identificar e, sobretudo, ter acesso a esse grupo social. Os evadidos não aparecem diretamente nas estatísticas do Censo da Educação Superior e, por parte das IES, há dificuldade em contabilizá-los. Um aluno não anuncia que está deixando um curso, mas, em geral, ele vai "desaparecendo", ou seja, vai desanimando, perdendo o bonde da história. Deixa de fazer um trabalho de disciplina hoje, uma mensalidade sem pagar amanhã, acumula algumas faltas, até que, quando essa informação chega à coordenação pedagógica ou ao quadro administrativo da IES, as condições de reverter a situação de abandono ficam limitadas. Desse modo, dada a essa situação de

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"desaparecimento", é possível dizer que a dificuldade no acesso a esse sujeito, mais que uma dificuldade, constituiu parte do problema de pesquisa.

Inicialmente, tentou-se contato por meio de uma lista de e-mails de alunos evadidos disponibilizados por duas IES. Nessa tentativa, tinha-se em mente os alunos do curso de administração evadidos nos anos de 2013 e 2014. Apesar de uma extensa lista de e-mails22, o retorno dos que foram enviados foi muito baixo. Dada a inviabilidade dessa tentativa, a alternativa foi alcançar os sujeitos da pesquisa a partir de contatos pessoais, sobretudo solicitando, em algumas salas de aula, a colaboração com a pesquisa no sentido de levar um questionário para algum conhecido que tivesse ingressado no ensino superior e não o tivesse concluído. Assim, o universo dos sujeitos ganhou abrangência, pois, em um total de 35 questionários respondidos, contemplou-se uma diversidade de cursos oferecidos por diferentes IES, a maioria delas localizadas na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte - RMVale23. Nesse universo, não apareceram alunos dos cursos mais concorridos da região, e todos passaram por IES nas quais o aluno precisa arcar com o ônus de pagar a mensalidade24. Importa registrar que, tendo em vista a garantia do anonimato dos dados em todo o corpo do trabalho, as IES não serão nominadas, assim como os nomes dos sujeitos são fictícios. Por fim, quanto ao período, não se limitou mais aos anos de 2013 e 2014, pois apareceram alunos que se evadiram desde a década de oitenta. No entanto, a maioria se concentra nesse período de expansão do ensino superior no Brasil, ou seja, a partir do final da década de noventa.

Dada essa delimitação tempo-espaço, observa-se ainda que os sujeitos são, em sua maioria, trabalhadores-estudantes, provenientes das Classes C e D, com renda familiar de até cinco salários mínimos. Esse rápido perfil do grupo pesquisado, desenhado neste momento, permite afirmar que eles se encaixam nesse grupo denominado os novos sujeitos do ensino superior, ou seja, refere-se a uma população para a qual até então a realização de um curso de graduação constituía possibilidade longínqua. Vale acrescentar que esse maior acesso ao ensino superior foi turbinado por políticas públicas e pela melhora nas condições

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O processo de levantamento e construção dos dados é apresentado de forma detalhada no Capítulo III - Caminhos da pesquisa.

23A Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte – RMVale – é composta pelos 39 municípios do Vale do Paraíba paulista, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. São José dos Campos e Taubaté são os municípios com maior densidade demográfica, e têm como principal atividade econômica o ramo industrial, com destaque para a presença de grandes empresas das áreas aeronáutica (EMBRAER) e automobilística (General Motors – GM, Volkswagen e Ford).

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Entre as principais IES da RMVale há uma autarquia municipal, sendo portanto uma instituição pública, porém com sua principal fonte de recursos no pagamento das mensalidades.

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econômicas, com destaque para a redução do desemprego. Nesse contexto, a população universitária brasileira mais que dobra, na primeira década deste século, e novos sujeitos desafiam as instituições acadêmicas, com suas demandas e expectativas. A ampliação do acesso deve ser acompanhada da garantia da qualidade e de condições de permanência, sobretudo para as camadas mais desfavorecidas. Essas temáticas apareceram nos dados levantados, tanto nos questionários quanto nas entrevistas.

A opção pelo questionário (Anexo IV) como um primeiro contato com os sujeitos da pesquisa possibilitou a abordagem de um grupo mais amplo e o acesso a dados de natureza mais quantitativa, para o desenho de um perfil do grupo quanto a fatores como vida familiar, vida escolar, renda, entrada no ensino superior e razões da desistência. De natureza mais qualitativa, colocou-se apenas uma pergunta aberta sobre o significado da desistência do curso superior. Além disso, o instrumento do questionário foi o caminho utilizado para acesso e definição dos sujeitos para a realização das entrevistas, os quais respondiam no final uma questão sobre a disponibilidade em aprofundar o assunto em uma entrevista. Desse modo, a abordagem para a realização da entrevista foi com sujeitos que haviam concordado em participar e que já tinham certo conhecimento da temática em questão.

Sem dúvida, a realização das entrevistas consistiu em um momento privilegiado da pesquisa, seja pela disponibilidade dos sujeitos em contribuir com a pesquisa, seja pela densidade das trajetórias revisitadas. No total, realizaram-se oito entrevistas, contemplando evadidos de diferentes cursos e instituições, em sua maioria do período condizente com a expansão do ensino superior no Brasil. A fim de facilitar o acesso e o manuseio das informações, as entrevistas foram transcritas integralmente e impressas. O roteiro da entrevista (Anexo VI) trazia a mesma sequência do questionário, ou seja, vida familiar, vida escolar, entrada e passagem pela universidade, e os motivos da desistência, com foco especial sobre o sentido da desistência. Completavam o roteiro da entrevista algumas questões sobre a vida após a evasão e sobre o que significou esse rememorar da própria história. A preocupação central desse encontro teve como prerrogativa dar voz àquele que em algum momento, por algum motivo, abandonou o projeto de realização de um curso superior. Tratou-se de um esforço de recuperar a trajetória e de ouvir sobre a evasão, não sobre os já carentes dados estatísticos e nem na ótica da instituição acadêmica, preocupada por motivos diversos com a redução de seu corpo discente, mas a partir do sujeito que exerceu/sofreu a ação de interromper seu percurso universitário.

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O processo de construção dos instrumentos de pesquisa, em especial o roteiro da entrevista, foi ambientado inicialmente com a leitura de parte da obra A miséria do mundo, organizada por Bourdieu, e pela retomada das variáveis da pesquisa, estas fundamentadas sobretudo nas contribuições de Castel (2000a; 2013), Bourdieu (2003), Lahire (1997) e Dubet (2004; 2012a).

Essa interlocução com os fundamentos teóricos foi o ponto de partida para a leitura, sistematização e análise dos dados levantados. Considerando que “[...] fazer pesquisa em ciências humanas e educação – é ocupar-se do visível e do enunciável, do não-discursivo e do discursivo” (FISCHER, 2003, p. 380), a análise procurou valorizar os elementos ressaltados pelos dados, mas sem desconsiderar os aspectos por eles não destacados. Tanto o barulho como o silêncio podem revelar os mecanismos de constrangimento, de aborrecimento, de negação e/ou afirmação de um sujeito que um dia ‘desapareceu’ do meio acadêmico e que certamente busca novas formas de reconhecimento social.

Tratou-se de um momento privilegiado para debruçar-se sobre as falas. Com a palavra nomeamos o mundo, o outro e a nós mesmos. Dizemos o que é e o que não é. Afirmamos e silenciamos. Foi um chamar a atenção para elas, analisar o seu conteúdo, descortinar a suposta ingenuidade, desnaturalizar o olhar sobre os fenômenos.

Por fim, um esforço para aprender a pensar os instantes e não vulgarizá-los, consciente de que se pode, na interpretação do micro, aproximar-se do macro. O que acontece no cotidiano ou na singularidade de um sujeito pode ser referência para a compreensão de fenômenos mais amplos.

O texto está distribuído em três momentos. O primeiro deles busca compreender o que está acontecendo com o ensino superior no Brasil. Observa-se que há uma expansão de cunho privatizante, fortalecida pelo impulso de políticas públicas, com predomínio de grandes empresas que tratam os alunos como clientes e professores e funcionários como parceiros ou colaboradores. Na lógica de mercado, os cursos são oferecidos de acordo com as demandas regionais e a capacidade financeira dos clientes, que são estimulados por um forte apelo do mercado e da mídia, em referência à importância da realização do ensino superior.

Nesse contexto, no Capítulo I apresentam-se dados estatísticos que mostram o forte crescimento do setor, sobretudo na primeira década deste século, e que colocam essa ampliação do acesso como uma democratização sob medida, em decorrência, não apenas

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das limitações do processo de expansão, mas também das dificuldades de permanência e do desafio de equacionar expansão e qualidade no ensino.

Já no Capítulo II, analisa-se a chegada desses novos sujeitos que passam a compor a paisagem universitária, em boa parte trabalhadores estudantes advindos de uma educação básica que não lhes garantiu os fundamentos para a continuidade dos estudos. Nesse contexto, reflete-se sobre as dificuldades de permanência, problematizando as condições da inclusão e apontando para o objeto desta pesquisa: os que lutaram pela realização de um curso superior e não conseguiram concluí-lo.

O segundo momento é constituído pelo Capítulo III e tem como foco principal os caminhos da pesquisa. Apresenta-se inicialmente o processo de elaboração dos instrumentos de pesquisa, em especial o questionário e o roteiro da entrevista. Em seguida, detalha-se o percurso utilizado para alcançar os sujeitos da pesquisa, o contato com as IES, a distribuição dos questionários, colocando em destaque as dificuldades do acesso. Observa-se que embora muitos, eles aparecem pouco e, quando visualizados, alguns ainda preferem o silêncio. Após apresentar de forma sistematizada esse processo de levantamento/construção dos dados, esse segundo momento traz ainda uma análise dos dados do questionário, desenhando um perfil do grupo pesquisado e tematizando as questões que sobressaíram nesse primeiro instrumento de levantamento de dados. Conclui- se o segundo momento observando a delimitação do grupo dos entrevistados e descrevendo a realização das entrevistas.

O terceiro momento é constituído pelos Capítulos IV – V e VI e tem como foco uma tentativa de leitura e análise das falas dos oito sujeitos entrevistados. Inicialmente, no capítulo IV focalizam-se os primeiros momentos das trajetórias dos sujeitos, ou seja, a vida familiar e a vida escolar. Destaca-se o predomínio, no contexto das famílias, de condições vantajosas para o desenvolvimento da vida estudantil e as condições desvantajosas enfrentadas por parte do grupo por ter frequentado escolas notabilizadas por situações de precariedade. No Capítulo V, analisam-se as falas sobre a passagem pela universidade, com destaque para as muitas lutas enfrentadas pelas camadas desfavorecidas na busca de realizar um curso superior, desde as limitações de ordem financeira, as de ordem acadêmica, até as dificuldades para conciliar o trabalho com o estudo. Neste momento, destacam-se as insatisfações de alguns sujeitos com o curso que realizavam, em decorrência das precariedades no processo de escolha. Esse terceiro momento é concluído no Capítulo VI, no qual se apresenta uma leitura das falas envolvendo os sentidos da

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passagem pelo ensino superior, da desistência da faculdade e da oportunidade de se falar sobre o assunto. Esse Capítulo ressalta, tanto o orgulho de ter sentado um dia em um banco universitário, quanto o sentimento de tristeza e decepção de não ter conseguido concluir o curso. O poder falar sobre esse tema, revisitando a história vivida foi, antes de tudo, um momento carregado de emoções.

Por fim, o texto traz ainda um último capítulo como ponto de chegada, tendo como meta responder à indagação: QUE FAZER? Nesse sentido, abordam-se algumas situações de como os alunos são tratados pelas IES e colocam-se em perspectiva, a partir das falas dos evadidos, algumas considerações e propostas no sentido de melhorar as condições de acolhida nas IES e, com isso, quem sabe, conseguir avanços nas condições de permanência.

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