5.3 Empiri
5.3.1 Design av styringssystemer NAV- opplevelser av designet
Pedro: Foi um bom aprendizado que eu tive ali dentro, eu
acho que eu fiz muitos amigos, aprendi muita coisa ali que eu nem imaginava... Então, eu acho que foi assim um outro mundo, saí de um mundo e caí de paraquedas dentro de um outro, porque tinham coisas ali que eu achava assim, ah vamos faz isso faz aquilo é fácil, na hora que a gente vai ver é uma coisa totalmente diferente.
Beatriz: Eu me sentia um peixe fora d’água na sala, todo
mundo entendia e eu não.
No contexto de uma massificação do ensino superior, estudado no Capítulo I, os indivíduos de diferentes lugares e condições sociais podem almejar a realização de uma faculdade. Essa possibilidade deixa de estar inscrita apenas nos setores privilegiados da sociedade para se tornar presente também nas camadas desfavorecidas.
Tomando um relato como exemplo, em janeiro de 2014, uma adolescente/jovem, que concluiu o ensino médio em 2013, procurou-nos buscando informações sobre como faria para cursar Engenharia. Tendo acompanhado a vida estudantil desta jovem desde o início, e, sobretudo, no fundamental II e no ensino médio, sabemos que ela progrediu nos estudos muito mais em função dos mecanismos de uma eliminação adiada (BOURDIEU e CHAMPAGNE, 1999) do que em vista de objetivos mais amplos de continuidade dos estudos. De qualquer modo, dadas as suas condições de existência, sobretudo familiares, a conclusão do ensino médio revelou uma vencedora que percorreu a longa estrada do trajeto escolar superando barreiras; pois, independentemente dos domínios básicos dos conhecimentos de cada etapa, os índices de evasão são altos, sobretudo do final do ensino fundamental até à conclusão do ensino médio33. Essa realização, independentemente de se estar bem escolarizada ou não, a qualifica para continuar resistindo, superando obstáculos e
33O censo escolar da educação básica aponta que, em 2012, 1,6 milhão de crianças e adolescentes abandonaram a escola, 800 mil alunos no ensino fundamental e 795 mil no ensino médio.
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2013-06-14/em-2012-16-milhao-de-criancas-e-adolescentes- abandonaram-a-escola.html. Acesso em 14/06/2013.
56
alcançar outros objetivos. Hoje, pode prestar um vestibular agendado a qualquer tempo e ingressar nos espaços delimitados do meio acadêmico.
Apesar do certificado do ensino médio, a pergunta dessa jovem sobre como acessar o ensino superior permite diferentes reflexões, das quais destacam-se duas.
Primeiramente, a questão se apresenta como inusitada, pois esta jovem é decorrente de um contexto social, familiar e escolar onde esta pergunta já não foi cotidianamente respondida. Porém, o processo de escolha de um curso, de uma faculdade, a realização de um vestibular poderia fazer parte do cotidiano de uma escola, sobretudo no terceiro ano do ensino médio. É o que acontece, não apenas nas escolas, mas também nas famílias e no meio social dos jovens da classe média. Como diz Bourdieu (2003, p. 52), “[...] as cartas são jogadas muito cedo”. Considerando que essa jovem fez a prova do ENEM, há que se perguntar, inclusive, qual seu conhecimento sobre o significado da realização dessa prova, informação esta relevante para a própria dedicação no sentido de se buscar um bom resultado.
Em segundo lugar, a mesma escola que não deu conta de fornecer-lhe as informações necessárias para a continuidade dos estudos, e também não garantiu os domínios elementares da educação básica, como exemplo, entre outros, os conhecimentos fundamentais da matemática, ponto de partida para um curso superior na área de engenharia. Quase como um correlato, essa jovem também não se preparou, ou seja, não deu conta de aproveitar o melhor, mesmo de uma escola deficitária, pois ao longo do tempo sua dedicação sempre foi precária e seus resultados sempre exigiram processos de recuperação.
O caso descrito não é uma exceção. Reflete a situação de estudantes que podem estar em uma cadeira universitária sem se ter preparado para tal, sem sequer ter almejado tanto ao longo da vida escolar. A presença desses novos sujeitos no ensino superior traz para este espaço novas tensões. Uma primeira delas decorre do fato de se fazerem presentes em espaços antes reservados para poucos e se estende nas dificuldades que precisam enfrentar, nos preconceitos que precisam vencer, nas expectativas dos professores e, por fim, essas tensões aparecem na ausência de respostas pedagógicas e institucionais para as novas situações que a presença destes sujeitos provoca na academia. Por exemplo, uma questão que grita nos corredores das IES: qual deve ser a atitude do professor diante
57
de alunos que não possuem os pré-requisitos necessários para o desenvolvimento da sua aula?
A problematização desse cenário reflete o percurso de muitos batalhadores em um processo de democratização delimitado do ensino superior, em uma luta com muitas celebrações pelos novos lugares que ocupam, sem, no entanto, negligenciar as dificuldades que enfrentam e nem os que não conseguem terminar o jogo ou galgar a escada até o seu topo.
Desse modo, este capítulo registra primeiramente a ampliação da presença desses novos sujeitos com o REUNI e a lei de cotas nas universidades públicas, e com o FIES e o PROUNI, no setor privado. Apresenta dados quantitativos desse cenário sobre o acesso de novos personagens e tenta se aproximar do seu cotidiano. Em um segundo momento, o acesso não traz o correlato da permanência, e surge a problemática da evasão. Finalmente, os evadidos não apenas comprometem os dados da expansão da matrícula, como também carregam a marca de não terem sido vencedores. É preciso olhar para os que pararam no meio do caminho.