• No results found

Principle Bundles and Principal Connections

Entre as duas primeiras gerações, a issei e a nissei, o casamento com brasileiros (brasileiro para a primeira e brasileiro para a segunda) significou a escolha do amor romântico e a imposição da escolha do indivíduo sobre a ordem coletiva familiar. Para as famílias nikkey, casar com brasileiro significava o rompimento para com a ordem familiar, era o mundo das incertezas, pois discursivamente o casamento entre japoneses asseguraria o equilíbrio por ser realizado entre "iguais". Tal oposição entre a aliança e a ruptura decorria do princípio de que só se selava uma aliança com um "igual" porque o conheceria. A aliança era confiança e a confiança era estabelecida no mundo da "colônia", o domínio do familiar, do já anunciado.

É evidente que essa concepção não toca o fato de que um matrimônio, assim como qualquer tipo de relacionamento, envolve conflitos e tensões. E é bem evidente que tal

discurso ocultaria as histórias de casamentos entre nipônicos que resultaram em uniões infelizes. Mas, de qualquer forma, entre as duas primeiras gerações nikkey prevaleceu a prescrição de que tão-somente era possível encontrar mais equilíbrio para as tensões dos relacionamentos, notadamente o matrimonial, quando eles eram selados somente entre os imigrantes ou nipodescendentes. Tal equilíbrio decorria do fato de o casal compreender o modo de ser um do outro, haja visto que eles teriam as mesmas origens e teriam sido formados segundo a mesma educação familiar. Contudo, será possível notar que essa concepção prevaleceria até a atualidade, sem a assertividade da prescrição, mas como eco e como desejo sutil no interior das famílias nikkey.

Segundo esse discurso, ficaria latente que a continuidade dos modos da cultura japonesa seriam possíveis e prováveis quando entre japoneses, pois nessa aliança haveria um elo para a continuidade da família e a transmissão de sua cultura singular, a noção de ser

japonês. Deste modo, para um nikkey casar-se “por amor” com um gaijin seria necessário que

ele confrontasse a ordem familiar levando ao rompimento o sistema de aliança entre as famílias japonesas produzido pelo parentesco do imigrante. Idealmente, não haveria no miai a aliança para com o estrangeiro (no sentido de ser exterior e não de nacionalidade). Afinal, se o miai era um elo de confiança no mundo da “colônia”, como se esperaria que os imigrantes japoneses confiariam a transmissão do nome da família ao mundo exterior à colônia?

É certo que na recusa de se fazer novas alianças também habitava o preconceito dos japoneses contra os brasileiros e isso não pode ser negado. Entretanto, não podemos esquecer que os imigrantes japoneses e os seus descendentes também sofreram preconceitos, perseguições e hostilidades nessa terra e há que ser considerado que o preconceito não era unilateral, mas ele era manifesto por ambas as partes, conforme mostra a história dessa imigração. No entanto, nesse momento, interessa perceber a inauguração de uma passagem no sistema de parentesco por meio do indivíduo e sua escolha pelo amor romântico rompendo com o princípio da aliança no parentesco japonês. Pois como visto, o amor romântico não participava da visão de mundo carregada pelos imigrantes, a concepção de amor presente nessa visão de mundo era o amor que se construía junto com o casamento. O amor romântico anterior a própria relação não estava lá, ele era exterior ao sistema, e o indivíduo que escolhia a união fora da aliança prescrita se colocaria por conta e risco como exterior à ordem de origem familiar.

Eu conversei muito com o meu pai acerca do miai e das escolhas individuais em sua família, visto que a mãe do meu pai migrou do Japão para o Brasil ainda criança junto da

99

sua família, os Masuda. O meu pai relatou que o seu avô materno narrava histórias da “colônia” e sempre dizia que não confiava nos brasileiros.

“O meu avô era imigrante e tinha preconceito porque eu me lembro que ele não gostava de brasileiro e foi assim até quando ele morreu. Ele sempre dizia que os japoneses não confiavam nos brasileiros, que em brasileiro não podia confiar, tinha muitas histórias de trapaças, que os brasileiros não tinham educação, que eles usavam um linguajar vulgar e que eles não respeitavam a cultura dos japoneses. Então, meu avô aprendeu português, mas ele não gostava de conversar com brasileiro porque brasileiro contava muita história, tinha muita trapaça e muitas notícias ruins de roubos, de golpes. Era assim que ele falava, né. Era assim a mentalidade dos mais velhos. Ele dizia que quando tinha a colônia, eles preferiam viver entre eles. O meu tio Taro (irmão da mãe do meu pai) queria casar com brasileira, o meu avô não deixou, disse que não, que ele não podia se casar com brasileira. A minha mãe casou por miai com o meu pai. A minha tia Tru não casou. Eu já casei com brasileira porque já era outra geração, o meu avô aceitou e sobre a sua mãe, o meu avô não falava nada. Eu sou

nissei e eu casei com brasileira, mas o meu tio e minha mãe eram issei, eles não podiam, não. No meu caso, já era outra geração e meu avô já estava bem velhinho, então acho que isso mudou um pouco a mentalidade dele. E também já não tinha mais colônia para eu casar e nem uma família japonesa onde morávamos. Para você ver, o tio Taro só foi se casar, e casou com brasileira, depois da morte do pai, depois que o meu avô morreu49.” (Senhor Valdemar, nissei, 66 anos, aposentado, casado com

brasileira)

Apesar de a minha família não ser do contexto de Marília, eu trouxe o caso dela porque ela ilustra claramente a posição e o peso da família na geração issei e o processo de sobreposição do indivíduo a partir da geração nissei. No caso de meu pai, o seu casamento por amor com uma brasileira foi constituído por um caminho diferente dos casos em que a escolha do indivíduo foi entendida como um rompimento com a ordem familiar. O contexto vivido pela família do meu pai ilustra a dissolução forçada do mundo da "colônia" pela força da economia, no caso de Olímpia, a presença japonesa teria se espalhado para outras cidades e estados com o fim da economia cafeeira e a economia do arroz, atividade desenvolvida pelos japoneses, segundo alguns informantes da cidade. Ou seja, nesse caso, a dissolução de um coletivo japonês ocorreu por força da economia, uma força exterior a própria "colônia", fato que confronta o discurso corrente de que a causa da dissolução do mundo da "colônia" seria resultante da "mistura" com brasileiros. Na experiência de meu pai, o casar-se com uma brasileira se deu sem conflitos na sua família, bem como foi um tipo de experiência sem rupturas para com a

49 O meu tio-avô Taro se casou pela primeira e única vez após os sessenta anos de idade, a sua cônjuge é brasileira,

e isso ocorreu somente após a morte de seu pai. Até a data da morte de seu pai, Taro dedicou a sua vida ao trabalho e aos cuidados para com a sua família.

hierarquia familiar diferindo das histórias correntes. Pois nesse caso, não saberíamos como seria essa história acaso contássemos com uma forte presença da imigração japonesa em Olímpia. Na ocasião do casamento de meu pai, já não havia mais uma "colônia" no mundo físico da cidade, senão somente a lembrança de um coletivo no terreno da memória dos mais velhos.

Já no caso de Marília, e em face a expressividade da imigração e presença japonesa na cidade, muitas foram as histórias de conflitos nas famílias devido ao casamento com brasileiros. Durante um trabalho voluntário no Nikkey Clube de Marília, eu pude entrevistar uma brasileira que havia se casado com um nissei. O casamento deles provocou o rompimento dos laços familiares do seu esposo. Algum tempo após o casamento, eles passaram a frequentar a "colônia", porém após a separação somente ela continuava a frequentar o espaço. Todas as suas filhas, três mestiças, sempre integraram a equipe de baseball do Nikkey Clube. Atualmente, a sua filha mais nova jogava e competia na temporada de 2015. Em relação ao seu casamento com um nikkey, ela narrou que desde quando começou a namorar o ex-marido, a família dele se opôs ao relacionamento.

“Desde o começo a família do meu ex-marido era contra o relacionamento. Nós nos casamos e a família dele rompeu as relações com ele. Depois de algum tempo ele conseguia visitar a família, mas eu não podia entrar na casa, eu ficava no carro porque o meu sogro não aceitava. A minha sogra era bondosa, ela gostava de mim, mas você sabe que naquela época a mulher não tinha voz para nada, ainda mais na família japonesa. A minha sogra não tinha boca para nada, coitada. Quando o meu sogro não estava em casa, ela ia no carro para falar comigo. Mas depois que as minhas filhas nasceram, as coisas começaram a mudar. Com o tempo, o meu sogro cedeu para poder conviver com as netas. O mais irônico é que eles não me aceitavam porque eu era

brasileira, “brasileiro não prestava”, mas quem não prestava era o meu ex-marido, ele era alcoólatra, viciado em jogo e perdia o dinheiro em jogatina. E ele era o japonês, para você ver. Eu ia buscar ele nos bares, eu buscava ele em mesa de jogatina, ele apostava e perdia dinheiro, era viciado em jogo. Ele me deixava em casa sozinha com as minhas filhas, passamos até dificuldades. Depois, eu comecei a trabalhar para não passarmos mais dificuldades. Ele, o meu ex-marido, ele era uma pessoa querida e simpática, as pessoas gostavam dele, mas ele tinha esse defeito do vício e da bebida. Depois de anos eu não aguentei mais, eu tentei de tudo, mas depois eu me separei. E imagina o preconceito era comigo, mas quem não prestava era ele. Os meus irmãos também se casaram com nissei. A minha irmã e o meu irmão se casaram com nissei, eles são da geração dos filhos de imigrantes. E eles foram bem aceitos pelas famílias desde sempre, eles são bem tratados e os dois seguem casados até hoje e os meus cunhados são pessoas excelentes.” (Sonia, 50 anos, brasileira, funcionária pública)

A fala de Sonia traz duas situações distintas de casamentos entre japoneses e

brasileiros na geração nissei: a sua própria história narra o rompimento da família japonesa para com o filho e a não aceitação da cônjuge brasileira e o caso dos irmãos de Sonia em que

101

os casamentos entre japoneses e brasileiros foram bem aceitos pelas famílias nikkey. Na história de Sonia, as argumentações de cunho moral contra a união recaiam sobre ela, quando era o seu ex-marido, o próprio nikkey, a figura desviante na relação. A história de Sonia traz dados importantes para pensarmos a hierarquia na família, pois o seu ex esposo não era o filho mais velho, mas fora o único entre os filhos a se casar com brasileira. Ainda, a centralidade do chefe, o seu sogro e as tensões no rearranjo das relações familiares quando do casamento de seu filho com Sonia. O chefe recusava a nora, ele determinou o não contato com a nora para os demais membros da família. A sua sogra não desaprovava o casamento e gostava de Sonia, mas só podia ver e falar com ela quando fosse em segredo, "escondida". O filho visitava a família de maneira rápida e esporádica, pois não era mais bem vindo na casa dos pais. Essa história deixa claro como se dava o predomínio do coletivo e das relações hierárquicas entre pais e filhos e da relação de forças entre o casal japonês. O chefe determinava aos seus membros com quem se relacionar e como se relacionar. E, como mostrado nesse caso, se a família japonesa era um coletivo, coletividade e simetria não se conjugavam no interior das relações familiares.

No caso de Sonia, fica latente a recusa do casamento “por amor” com um cônjuge brasileiro porque desafiava e rompia as regras familiares. Para o seu ex marido viver um relacionamento com ela, ele perdeu os laços com a família. Idealmente o nikkey deveria sufocar os seus sentimentos como fizera o meu tio avô. Mas tanto no caso do marido de Sonia, como o do meu tio avô, o dilema em ter que escolher entre os sentimentos individuais ou os sentimentos pela família de origem era um tipo de decisão calcada no sofrimento. Pois se o casamento com brasileiros gerava sofrimento na família nikkey, haja visto que o rompimento familiar não era algo banal, igualmente o sufocar os sentimentos não era nada banal. Acatar a obrigação familiar ou decidir pelo sentimento amoroso individual eram decisões muito contrastantes que obviamente impunham muita carga de sofrimento ao nikkey.

Durante a pesquisa frequentando o trabalho voluntário e os cultos dominicais da IMeL, eu pude conversar com Sandra, uma nissei de 40 anos hoje casada com brasileiro. A história de Sandra chama atenção, pois em nome da família, ela relatou já ter casado com um

nikkey.

"Eu vim para Marília para fazer faculdade, eu morava na região, vim para estudar Administração. Aqui em Marília eu conheci amigos, eu tinha um namorado, ele era

japonês como eu. Nós namoramos e nos casamos. Tudo corria bem, a minha família amava ele, os meus pais amavam ele. Mas com o tempo, eu e ele percebemos que nós nos casamos mais em função das nossas famílias porque éramos todos japoneses. Eu

me tornei uma pessoa triste e ele também, nós viramos amigos no casamento. A minha infelicidade era visível e a dele também. E nós conversávamos sobre isso. A minha família via que eu estava em depressão, a minha família via que eu vivia na tristeza. Depois de alguns anos, eu e meu ex marido decidimos nos separar porque a nossa vida estava insuportável de tão triste. Os meus pais ficaram abalados, e o meu pai, nossa. Eu demorei nessa decisão (separação) mais por conta da minha família. Depois de alguns anos, eu conheci o meu atual marido, frequentando outra igreja, uma evangélica. Nós começamos a namorar, ele é brasileiro. Minha família não queria aceitar de jeito nenhum. Nós nos casamos e hoje a minha família o aceita. A minha família aceitou ele porque eles viram que hoje eu sou feliz! Por isso! Eles vêm a minha felicidade e foi pensando na minha felicidade que eles decidiram aceitar meu marido

brasileiro."

Como eu sempre observava que Sandra frequentava a IMeL somente com sua filha, em seguida eu perguntei a ela se o seu esposo não frequentava lá por ser de outra religião. Eis que ela me explicou:

"Não, ele não vem aqui, ele vai na Assembleia, ele não vem aqui você porquê, né?"

Eu respondi que não sabia. Então Sandra confidenciou:

"Você sabe como é japonês, ele não vem aqui porque ele é brasileiro, ele até tentou, eu sou daqui, mas ele disse que as pessoas não tratavam ele igual, ele não se sente bem aqui porque ele é brasileiro. Essa aqui é a nossa igreja, é igreja de japonês. Mesmo o pastor Marcelo, quando ele chegou aqui, nossa, foi um choque porque ele é o nosso primeiro pastor brasileiro. Na nossa igreja a gente sempre teve pastor japonês, pastor nikkey ou do Japão mesmo. Mas nós sempre tivemos pastores japoneses. Então foi difícil aceitar ele, viu. Mas com o tempo a gente se acostumou e hoje nós adoramos ele. Mas é por isso que meu marido não vem aqui. Aqui é fechado."

O relato de Sandra é importante porque conecta várias dimensões, a saber, o parentesco, o amor, a religiosidade, a identificação coletiva e o preconceito. Primeiramente, vale notar que Sandra, mesmo sendo jovem, relata hoje refletir ter se casado com um nikkey em função da noção do parentesco japonês. Ambos, ela e seu primeiro esposo se casaram em nome da família e da felicidade que eles proporcionavam aos seus casando-se entre japoneses. Em nome da família, ela e seu primeiro esposo perceberam sacrificar a felicidade individual e tentaram seguir casados para não desapontar os pais. O peso da hierarquia e do coletivo familiar falavam mais alto para eles. Mas diante das várias tentativas frustradas de manterem o casamento, eles se separaram gerando frustração e tristeza para os seus pais.

103

No entanto, quando Sandra narra o seu segundo casamento, é interessante notar a dimensão da escolha individual e o deslocamento da centralidade da família para a sua felicidade pessoal. O seu segundo esposo é brasileiro e desse relacionamento nasceu a sua primeira filha, uma mestiça. Inicialmente, os pais de Sandra não aceitavam o relacionamento fora do círculo japonês, mas com o tempo e diante da sua "felicidade" eles acolheram a escolha de Sandra, eles acolheram o genro brasileiro porque era visível como ela vivia melhor, pois ela estava feliz. Ter se casado com quem ela escolheu livremente, em nome do amor e não em nome de cumprir um papel familiar, libertou Sandra para seguir as suas próprias escolhas. Nesse sentido, o casamento por amor teria sido aceito por sua família diante da incontestável tristeza que ela vivia mergulhada quando se casara pela primeira vez, nessa ocasião, para fazer os seus pais felizes. Uma vez superada a recusa familiar, Sandra e seu segundo esposo teriam outra barreira para lidar, o universo do kaikan da IMeL.

Tomando a história de fundação da IMeL no Brasil, vê-se que ela nasceu voltada para os imigrantes japoneses devido ao contexto imigratório e a questão linguística de seus missionários. Historicamente, a IMeL Concílio Nikkei está voltada para a população nikkey, sendo que nas igrejas desse Concílio há missas celebradas na língua japonesa para atender o público idoso. A IMeL de Marília é majoritariamente composta por nipônicos e a fala de Sandra chama atenção para o fato de ser um universo "fechado" voltado para os japoneses. Um universo que, apesar de cristão necessita ser equacionado com o pertencimento histórico nikkey. Marcelo, o primeiro pastor não nikkey da IMeL de Marília encontrou resistência por parte dos seguidores e mais tarde ele relatou para mim que somente com o tempo, calma e persistência, ele pode superar a resistência da comunidade nikkey. Marcelo narrou que ao invés de impor a sua presença na igreja, ele compreendeu que o melhor caminho era se unir às necessidades da comunidade ao invés de confrontá-la. Desta forma, ele passou a contar com a ajuda de um seguidor atuante e em parceria iniciaram o culto bilíngue para atender a necessidade de todos e isso o teria melhor inserido no universo daquela igreja.

No tocante ao marido de Sandra, ele não teve inserção na igreja frequentada por sua esposa e se sentido excluído das relações sociais, ele preferiu não investir mais tempo para tentar integrar-se e assim, ele e Sandra optaram por cada um frequentar a sua denominação religiosa. Esse caso nos dá mostras das diversas formas de filtros sociais em Marília quando tocamos as pluralidades da comunidade nikkey. Se na atualidade, no plano discursivo da igreja, ser cristão seria o mais importante, a ascendência japonesa ainda seria um fator para integrar os sujeitos. Se em nome da felicidade e do amor, Sandra encontrou aceitação de sua família para

com o seu esposo brasileiro, o mesmo não ocorreu para a integração do seu esposo no meio religioso nikkey o qual ela participava. Mas a história de Sandra conjuga e sintetiza uma abertura na ordem coletiva familiar haja visto o seu segundo matrimônio baseado na escolha individual afetiva do sujeito.

Àqueles issei e nissei que romperam com a ordem familiar no passado, pagaram o preço alto do rompimento dos laços familiares para poder viver a sua própria história. E esse preço alto, acrescido do tempo histórico, teria criado a passagem para as posições individualizadas que os sujeitos da geração sansei puderam desfrutar no tocante as escolhas em seus relacionamentos. Entretanto, essa liberdade não surgiu de forma espontânea e sem raízes, mas foi forjada nas escolhas individuais e pelas rupturas no seio familiar. Se do ponto de vista da "colônia", o casamento entre nikkey era o melhor caminho porque lidava com o domínio do conhecido, há que se considerar que do ponto de vista do sujeito que se casava com brasileiro,