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Primera missió a Pollença, 1924

6. Els informants

6.1. Primera missió a Pollença, 1924

A observação directa participante e não participante foi o método privilegiado de levantamento e registo de dados, especialmente porque, através dela, pude descrever a realidade do cuidado inscrito no seu meio natural de realização, ou seja, na sua contingência com o campo institucional da regulação das representações. Pela observação, pude captar e registar as representações impostas e vislumbrar as representações incutidas durante a realização dos cuidados de enfermagem.30 A observação desenvolveu-se em duas fases, ao

longo de vinte e seis sessões de cerca de três horas cada, com duração total de mais de oitenta horas. A primeira fase foi realizada em dezanove sessões, nos dias 18, 19 e 20 de Março, 1 e 9 de Abril, 13, 14, 15, 18, 19, 20, 22, 25, 26 e 27 de Maio, e nos dias 28, 29, 30 e 31 de Julho de 2009. A segunda fase decorreu durante sete sessões: 3, 4 e 5 de Agosto, 29 e 30 de Setembro, 1 de Outubro e 17 de Dezembro de 2009.

Para descrever o sistema sócio-técnico, a primeira categoria de análise da dimensão A – ―Multiculturalidade na prestação de cuidados de saúde na Unidade,‖ optou-se pela

utilização de uma lista de descritores,31 elaborada a partir dos relatórios de estágio dos

alunos de enfermagem (Tabela 4).

Tabela 4 – Adaptação da lista de descritores do sistema sócio-técnico às categorias de análise

Lista de descritores e respectivos indicadores

Categoria Sub-categoria Indicadores

1 Sistema sócio- técnico 1.1. Estrutura física 1.1.1. Lotação da Unidade 1.1.2. Espaços e funções 1.2. Recursos humanos 1.2.1. Equipa multidisciplinar

1.3. Organização e funcionamento da Unidade

1.3.1. Admissão, transferência, alta e óbito 1.3.2. Visitas

1.3.3. Alimentação

1.3.4. Reposição de material de consumo clínico, farmacêutico e esterilização

1.3.5. Circuito da roupa limpa, suja e lixo

1.4. Organização do serviço de enfermagem

1.4.1. Organização da terapêutica

1.4.2. Manutenção e utilização do carro de unidoses 1.4.3. Registos de enfermagem

1.4.4. Carga de trabalho de enfermagem

1.5. Principais funções dos enfermeiros

1.5.1. Funções do Enfermeiro

1.5.2. Funções do Enfermeiro Coordenador 1.6. Protocolos em vigor na unidade 1.6.1. Protocolos clínicos em vigor

As segunda e terceira categorias de análise da dimensão A (rever Tabela 3), cuja análise cumpre os segundo e terceiro objectivos específicos do estudo, foram descritas com dados fornecidos pela observação.

Para o cumprimento dos objectivos da dimensão de análise B –― Representações da saúde e da doença‖, foram realizadas entrevistas semi-directivas a dezasseis enfermeiros em vinte nove possíveis, durante os meses de Fevereiro e Março de 2010, com uma duração total de mais de cinco horas.32 A estrutura da entrevista foi adaptada segundo as categorias

de análise que resultaram da sua leitura e da leitura da tradição teórica sobre a problemática das representações da saúde e da doença (ver Tabela 5).

31 Ver Apêndice 3 – Lista de descritores do sistema sócio-técnico. 32 Ver Apêndice 4 – Guião da entrevista realizada aos enfermeiros.

Tabela 5 – Adaptação das perguntas da entrevista às categorias de análise

Estrutura da entrevista semi-directiva com respectivos indicadores e questões

Categorias Sub-categorias Indicadores Questões

4. Representação

linguística 4.1. Modelo explicativo da saúde e da doença

4.1.1. Representação

da saúde 1. O que pensa que é a saúde? 4.1.2. Representação

da doença 2. O que pensa que é a doença?

4.1.3. Modelo etiológico

3. Segundo a sua perspectiva, o que é que causa as doenças?

4. O que receia mais sobre a doença? 5. Que tipos de doenças teme mais?

4.1.4. Modelo terapêutico

6. No seu curso deve ter aprendido alguns modelos teóricos de cuidado. Há algum que inspire a sua prática diária?

7. Que resultados espera obter com os procedimentos terapêuticos que executa? 8. Pensa que as suas práticas terapêuticas são criticadas pelos doentes?

9. Considera que as suas acções vão de encontro às expectativas dos doentes? 5. Representação prática 5.1. Interacção terapêutica enfermeiro-paciente estrangeiro 5.1.1. Rituais de instituição

10. Como acha que os doentes estrangeiros a vêem?

11. Recebe sugestões de tratamento por parte dos doentes? 6. Comunicação com doentes estrangeiros 6.1. Relação experiência de doença – experiência de cuidado 6.1.1. Comunicação intercultural

12. Como é que se obtém o consentimento informado de um doente estrangeiro? 13. Como pensa contribuir para melhorar a comunicação com os doentes de outras origens nacionais?

14. Tem dificuldades em relacionar-se com doentes que não falem português?

Dos enfermeiros entrevistados, treze eram do género feminio e três do masculino, e distribuíam-se entre as categorias de Enfermeiro Coordenador (um) enfermeiro estagiário (um) e enfermeiro (catorze). O tempo de serviço dos enfermeiros é variável, situando-se entre os dois meses (no caso do enfermeiro estagiário) e mais de quarenta anos. A maioria (cinco enfermeiros) tem entre mais de cinco anos e dez anos de serviço, seguidos daqueles que têm entre três e cinco anos de serviço (quatro enfermeiros), dos que têm menos de um ano (três enfermeiros) e dos que têm entre um e três anos de serviço e dos que têm mais de dez anos (dois enfermeiros, respectivamente). Mais de metade da amostra (56,25%) tem, portanto, entre mais de três e dez anos de serviço.

Durante uma das entrevistas, pedi colaboração mais estreita a uma enfermeira, que se mostrou particularmente sensível com o projecto. Ela consentiu em fornecer-me os dados que eu precisasse. Como um dos obstáculos epistemológicos encontrados na fase da observação participante era a impossibilidade de permanecer na Unidade as vinte e quatro

horas do dia e, assim, observar a prestação de cuidados para além das horas em que estive presente, pedi-lhe que me descrevesse o seu dia-a-dia na Unidade, como se de um diário se tratasse. Ela enviou-me um primeiro relatório, descrevendo, no geral, uma jornada completa (que abrange os três turnos) de trabalho. Lendo-o, fiz alguns comentários e formulei questões sobre os dados que ela me forneceu. Entendi, também, que o relato, por ser precioso para o bom encaminhamento da investigação, poderia ser aumentado, com descrições substantivas, e pedi à enfermeira que me relatasse outra jornada, acrescentando a sua posição sobre aquilo que aconteceu e que fez. Depois de me esclarecer sobre as questões que levantei, a enfermeira enviou-me mais um relato, desta vez mais pormenorizado.

Compreendi que, além dos outros elementos envolvidos no processo de cuidado, há três cujas funções estruturam esse processo: o médico fisiatra, ou especialista em medicina de reabilitação, a assistente social e o responsável pela qualidade da prestação de cuidados. Entendi que, devido à sua posição, estes elementos possuem conhecimentos que ajudariam a interpretar melhor as características do contexto de operacionalização da Unidade no âmbito do Sistema Nacional de Saúde e da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. Por esta razão, e fundamentando-me nos diplomas consultados, elaborei entrevistas directivas e focalizadas em cada uma das áreas funcionais,33 cujas respostas não foram fornecidas pelos informantes seleccionados.